Blog do Orlando Costa

Verba volant, scripta manent

Mês: fevereiro 2011 (Página 1 de 3)

ADEUS ÀS ILUSÕES

Se é que alguém algum dia as teve, e eu espero, sinceramente, que sim, as ilusões sobre a possiblidade de termos uma Casa de Leis isenta, vigilante, atuante e do lado do povo acabam de cair por terra. Depois da malfadada eleição para a Mesa, onde mais uma vez se viu a traição política imperar, e mais que isso, a ingerência do Poder Executivo tomar proporções inimaginável no Palácio da Avenida, tudo ali virou uma “festa” só. O prefeito manda para lá seus projetos da maneira que quer, na hora que quer, e os tem aprovado como quer. E adora o tal “regime de urgência”.

Ali, agora, são um presidente para “rezar” o credo do Executivo, e seis vereadores para dizer amém. Apenas três, num contingente de dez, há que se convir, podem quando muito contestarem e votar contra esta ou aquela propositura que julgarem fora da ordem. Para se ter um exemplo, foram encaminhados para a sessão de logo mais à noite, 14 projetos de Lei e de Lei Complementar para votação, todos em regime de urgência, ou seja, para aprovação em primeira e segunda votações ainda nesta noite.

Coisa que o próprio prefeito, quando presidente da Câmara, não aceitava de forma alguma, e criava caso com o Executivo por causa disso. Mas, ao que se constata, também neste quesito ele percebeu agora que o discurso é diferente da prática. Ou já sabia, mas fazia picuinha na oposição. Coisa que hoje, também, ele execra, por não admitir ser contrariado. Por isso fez de tudo e mais um pouco para que pudesse, nestes dois últimos anos de gestão, ter uma Câmara para chamar de “sua”.

A formatação da Câmara, por sua vez, ganha as feições do mais novo e poderoso assessor, porém, das antigas naquela Casa, Mário Michelli, pouco afeito à transparência e ao bom relacionamento com a Imprensa. As dificuldades passaram a ser muitas este ano para quem trabalha com informação. Diferente do presidente Ruiz (PT), que buscava sempre trazer à luz suas decisões, ações, e a pauta do dia. Doravante, todos ali andam cheio de melindres. E nem o presidente tem força suficiente para mudar isso. É o que fica patente.

IRRITANDO APANIGUADOS
Nunca senti na espinha tanto ódio destilado por apaniguados do prefeito Geninho (DEM) quanto agora, por conta do post de sábado passado “Uma ‘mãozinha’ à ‘natureza implacável”, no qual decifrava as andanças e ‘falanças’ do chefe do Executivo, por conta da tromba d´água que caiu sobre a cidade no começo da noite de sexta-feira passada, 25. Claro que nenhum deles mostrou a cara, outro teve até o desplante de usar nome e prenome invertidos do jornalista e radialista Márcio Matheus, da Rádio Menina-AM, para criticar o blog, numa tentativa clara de confundir o cidadão comum.

Mas, como a desfaçatez, a mentira e o escamoteamento é a tônica deste grupo, e dado o pouco caso com que esta gente se relaciona com o público em geral, nada mais nos espanta. Apenas nos deixa indignados. E cada linha que aqui escrevo, só reflete esta indignação, que é profunda. Nada mais.

Até.

UMA ‘MÃOZINHA’ À ‘NATUREZA IMPLACÁVEL’

Poderia ser apenas resultado de um fenômeno natural. Pode ser resultado de um mal planejamento de obras. Pode ser até a mão pesada de Deus. Mas, o que com certeza não pode ser é um acontecimento banal e adequado para discursos políticos como o que o prefeito já ensaia via portal oficialesco. Este é o mal de Geninho (DEM) – entre outros, claro. Tudo é passível de render-lhe dividendos políticos, seja qual for a gravidade ou intensidade do acontecimento. Triste compulsão esta do alcaide, de politizar tudo. Mais triste ainda é a compulsão pelos discursos insinceros.

A impressão que dá é a de que o prefeito minimiza fato gravíssimo ao mesmo tempo que aproveita para fazer propaganda de suas ações frente à tragédia. E revela, também, uma total falta de direcionamento, organização, espírito de mando e noções de como agir em situações como essa.

A tromba d’água – sim, aquilo foi muito mais que uma forte chuva, reconheçamos – assolou a cidade no começo da noite de ontem, por cerca de uma hora, causou destruição, e só agora o alcaide vem dizer que “as equipes do Fundo Social de Solidariedade e da Assistência Social, estão tomando providências para contabilizar os estragos da forte chuva que ocorreu ontem no final da tarde”. Que equipes? E por que o Fundo e a Assistência, quando o que se pede são homens, braços fortes para remoção da lama? Aí o viés eleitoreiro, perceberam?

Não se espantem se daqui a pouco não se ver publicadas por aí imagens da primeira-dama “e sua equipe” metendo os pés no barro, mas com sorrisos nos rostos (para ficar bem na foto) e também o prefeito segurando, sei lá, uma enxada, um rodinho ou vassoura, ar compungido, ao lado de um assessor qualquer, calças arreadas até as canelas, ambos, muito prestativos e solidários. A Açúcar Guarani, logo em seguida, com seus homens de verde, também tirando uma “lasquinha” no marqueting. As lágrimas dos atingidos pela tragédia, serão apenas reforço emocional às imagens.

“Só em questões (sic) de muros caídos, asfalto quebrado e outros danos em áreas públicas, o prejuízo gira de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões. Vamos buscar recursos segunda-feira cedo, na Defesa Civil do Estado.” Esta foi a primeira reação do alcaide. Contabilizando prejuízos. Anunciando viagem em busca de dinheiro. Para ele, ao que parece, tudo se resume a isso. Contabilidade, viagens, recursos.

E o que ele quis dizer, exatamente, quando anunciou que a primeira-dama e o vice-prefeito, na qualidade de secretário de Assistência Social, estarão, hoje e amanhã, “visitando áreas prejudicadas, mapeando a situação, e atendendo, na medida do possível, as pessoas que necessitam de ajuda”? “Foi uma das mais fortes chuvas que já presenciei na cidade. Estive pelas ruas no pico dela e pude constatar que a força da natureza é implacável”, foi a análise da situação exarada pelo alcaide.

Mas, um mea-culpa neste imbróglio cairia muito bem e faria justiça a tantos injustiçados – incluíndo aí um seu assessor-mor, que teve a casa, bem como a de seus vizinhos, invadida pela lama. Sim, porque não foi somente “a natureza implacável” a responsável por tudo o que se viu acontecer na cidade. Basta lembrarmos que os locais onde a tragédia foi maior são exatamente aqueles onde há “obras” iniciadas e não tocadas por ele.

Para darmos um exemplo bastante eloquente, a casa do assessor-mor foi invadida pela lama oriunda da área terraplanada do Jardim Centenário e outras partes “carecas” daquela região, onde máquinas fizeram o trabalho para apenas dar um ar de “coisa sendo feita”, que com as águas torrenciais foram jogadas ladeira abaixo. A escola da Cohab IV foi quase inteiramente destruída pela lama oriunda daquela área terraplanada onde se deveria estar construindo 120 casas, mas que já faz um tempão só teve a terraplanagem e o estaqueamento – mas que pelo menos serviu para fotos de propaganda.

A região da Floriano Peixoto sofreu um novo abalo porque as obras lá, ainda estão inconclusas, malgrado a propaganda exaustiva do Executivo, além de ter deixado fortes supeitas de má execução. A região do São Benedito novamente sofreu inundação porque a construção das bacias de contenção no topo da Desembargador Manoel Arruda e as galerias de águas pluviais partindo dali até o local das inundações, até hoje insiste em não sair do papel.

O Thermas dos Laranjais foi inundado por falta de uma política adequadamente técnica para o escoamento das águas do Olhos D´Água na confluência com o Córrego do Matadouro, e também pela invasão praticada pelo clube, da área de manancial. O que deveria ser impedido pelo Poder Público. Ou pelo menos melhor trabalhado nesta questão. Estabelecimentos no centro da cidade, com a praça “careca”, escaparam por pouco. Mas o barro foi se alojar nos cruzamentos com a Aurora Forti Neves. A região do Iquegami inundou de novo, porque obra anunciada há tempos atrás, não passou da imaginação do secretário.

“Da parte do poder público, vou estar logo cedo em São Paulo na Defesa Civil pedindo recursos. Esse é o papel que o prefeito tem de cumprir nessa situação.”

Percebem, nesta declaração, o viés simplista do nosso alcaide? A falta de visão administrativa? É ela, a falta de visão administrativa, a provocar tamanho caos na cidade. A falta de planejamento em obras. A falta de um cronograma de execuções. Menos ímpeto propagandístico e mais resultados, menos discursos, menos insinceridades e menos falsa fé poderiam ter amenizado em muito, ou evitado no todo o que a cidade viveu no início da noite de ontem.

Até.

Á FRENTE, O ABISMO

Das duas uma: ou o prefeito Geninho (DEM) e sua secretária municipal de Saúde, Silvia Storti, sabem muito bem o que estão fazendo, têm todas as soluções necessárias minimamente calculadas, ou estamos, nós, o povo, à mercê de pessoas que, para além de suas próprias vaidades pessoais, nada mais há que importe. Sim, porque esta notícia da paralisação dos médicos do plantão à distância da Santa Casa de Misericórdia, é talvez a mais grave e de consequências mais trágicas de que se tem notícia nesta cidade. E ambos fazendo cara de paisagem.

A grevidade é maior, claro, para nós que estamos de fora. Porque para os que estão por dentro do problema, fora os próprios médicos, a coisa nem parece tão grave assim. O provedor do hospital, Marcelo Galette, mostra-se aparentemente tranquilo, de modo geral, e não mostra nenhuma preocupação com a situação invocada pelos médicos. Pelo que diz, tal paralisação é “pró-forma”, porque “os médicos têm obrigação de atender as urgências e emergências”. Então ele acredita que o paciente grave não ficará sem atendimento por força de resolução do Cremesp, o conselho regulamentador da profissão médica.

Ou seja, para o prefeito e a secretária, tanto faz que os médicos atendam de uma maneira ou de outra – de livre vontade ou forçado por lei. Importa que seus objetivos primeiros foram alcançados, ou seja, tiraram de lá o que julgavam um estorvo político, a provedora Helena Pereira. De tudo o que foi prometido quando da intervenção, nada foi cumprido. Mas isso também pouco importa. À força, o médicos trabalharão. E la nave vá. Pior é que do lado do poder público não se vê nenhuma proposta exequível para solucionar os problemas do hospital.

Não há projeto, não há planos, ainda que mirabolantes, para ficar ao gosto deste Governo. O que se propõe é mais do mesmo: tentar soluções junto às esferas estaduais, Secretaria de Saúde, deputados, verbinha daqui, verbinha dali, e fotos, muitas fotos e textos em jornais e internet. A coisa se agrava e o prefeito não dá as caras. Fica à beira do caos e a secretária não diz uma palavra. Sobra para o provedor, que já disse ser um tremendo abacaxi tal encargo que puseram sobre suas costas, mas que ainda assim se manifesta otimista sobre o porvir.

Apesar de que seja uma esperança baseada no vazio, nas promessas do alcaide que, se não disse ainda a que veio, ninguém pode lhe tirar um mérito: o de encantar pessoas e fazê-la seguir adiante ao seu lado, mesmo que à frente só se vislumbre o abismo.

ÁGUA TURVA
Dias atrás comentei aqui sobre a possibilidade da não retirada das lagoas de tratamento de esgoto do Córrego dos Pretos dos seus lugares atuais, ou seja, a menos de 500 metros do “Village Morada Verde”, o conjunto do “Minha Casa, Minha Vida”, o que poderia trazer complicações no tocante à entrega das casas. Disse que teria sido realizada reunião no Daemo e dela saido a decisão de apenas reformar as atuais lagoas, drenando-as, desassoreandos-as, reformando-as e colocando-as novamente em funcionamento.

Mas, o diretor-superintendente do Daemo, Valter José Trindade, negou que isso iria acontecer. Mas não sem antes admitir que sim, isso foi pensado, porque houve problemas com o “Água Limpa”, programa do Governo do Estado de onde Geninho pretende arrancar R$ 17 milhões para fazer a estação de captação-mor da cidade, às margens da Assis Chateaubriand.

Trindade disse que as lagoas serão tiradas dali até dia 31 de agosto. A idéia discutida com o prefeito era de limpá-las e deixá-las ali até vir o dinheiro e se construir a outra, definitiva. A intenção era “arrastar” a utilização destas lagoas até aquela outra ficar pronta, em dois anos.

“Fizemos um estudo de reaproveitamento, mas descobrimos que não é o normal. Pensamos em aerar as lagoas e tirar o cheiro, e depois só mexer nelas quando fôssemos desenvolver o programa ‘Água Limpa’. Mas, só vamos tirar delas de dois a três metros cúbicos de lodo, a um custo em torno de R$ 1 milhão, e depois desativá-las”, explicou Trindade. “Isso iria acontecer só em abril. Mas, como o ‘Água Limpa’ vai demorar, vamos fazer agora.”

O diretor reconhece que não há como não fazer isso. Está no contrato firmado com a CEF, e seu texto é taxativo: sem remoção das lagoas, sem casas. Porém, o que salta de todas estas justificativas de Trindade é o fato dele admitir que o “Água Limpa” sofreu atraso em seu cronograma. Mau sinal. Torçamos para que não sofra um revés. Por que senão muita gente vai ficar em maus lençóis. A começar pelo alcaide.

NOTA I
Alguém em sã consciência acredita que se a Difusora AM estivesse ainda naquele estágio de “amor inabalával” com o Governo Municipal, o prefeito Geninho teria mandado lacrar seus equipamentos, impedindo a geração da programação local? Mesmo com todas as irregularidades anunciadas? Aí é que se aplica à perfeição aquele velho dito popular: “Aos amigos tudo, aos inimigos, a lei”. A propósito, ventila-se por aí que “agentes” do alcaide estariam vasculhando minuciosamente a situação legal da Menina AM. Vai que falta um “papelzinho” aqui ou ali, né?

NOTA II
Um passarinho marrom dourado e de pelo arrepiado me contou ontem à tarde que está para se operar na cidade uma transação envolvendo um semanário de muitos costados, que passaria a ser gerido nas hostess oficiais. Seria um veículo, imagino, para atacar os desafetos políticos do Governo Municipal. Sim, porque para fazer sua propaganda ele já conta com outros na cidade, e até espaço generoso em boletim eletrônico. Este “semanário palaciano”, então, viria para que os escribas do Gabinete exercitassem seus textos mórbidos, reacionários e impiedosos contra aqueles que não rezam pela biblia de “deus”.

Até.

CATANDUVA OU ONDA VERDE,’PROBLEMA DA EMPRESA’

“É problema da empresa. Uma decisão interna, que não afeta a prefeitura”. Foi assim que o secretário municipal de Obras, Gilberto Tonelli Cunha, respondeu à pergunta sobre a mudança do depósito do lixo de Olímpia para Onda Verde, agora à tarde. Isto porque, ele explicou, a licitação para a escolha do aterro sanitário foi feita pela própria empresa, e não pela prefeitura. Na verdade, uma escolha, porque empresa privada não precisa fazer licitação.

Mas, no princípio de tudo, a intenção ventilada pelo próprio prefeito Geninho (DEM), era a de a empresa levar o lixo para o aterro de Onda Verde, de propriedade da Constroeste. O aterro de Catanduva, do seu primo, embora Geninho afirmasse que “era licenciado”, na verdade ainda estava com pedido de licenciamento pendente, já que havia entrado em operação em janeiro de 2009, e a primeira licitação do lixo foi feita em novembro daquele ano. Portanto, o aterro estava ainda em fase de aprovação.

Aprovação esta, que segundo informações, teria sido negada pela Cetesb, que fez algumas restrições técnicas ao empreendimento, que precisam ser sanadas. O fato do lixo de Olímpia e de outras localidades ter sido levado para lá não cria problemas porque na fase de aprovação – embora injustificável – é permitido o uso. Ou seja, a empresa desistiu de um aterro plenamente legalizado (Onda Verde), para decidir-se por um em fase de aprovação. E agora teve que recorrer àquele primeiro. “Para nós não muda nada. Os valores continuam os mesmos. É responsabilidade do contratado”, reforçou Cunha.

Por outro lado, o secretário, mesmo sem ser diretamente perguntado, tratou de enfatizar que a pesagem do lixo local está sendo feita de forma correta e com fiscalização rigorosa. Disse também que há um fiscal da prefeitura que vez ou outra faz uma incerta no local da pesagem, em uma empresa próxima à Governador Dr. Adhemar Pereira de Barros. A balança é analógica. Mas Cunha garante que há tiquetes da comprovação do peso de cada caminhão.

“As medições são todas conferidas e sempre batem com as anotações que temos. Não há a menor possibilidade de fraude. Não temos problema deste tipo”, garantiu. Mas, pediu: “Se alguém tiver alguma acusação a fazer que nos faça, porque iremos apurar”. Neste caso, o blog nem precisou perguntar nada. O secretário respondeu antes.

A Multi Ambiental Engenharia Ltda., com sede em Votuporanga, venceu a licitação para a prestação de serviços relacionados à coleta de lixo, por uma diferença de apenas R$ 50 sobre a principal concorrente. Três empresas disputaram o certame, cujo resultado financeiro ficou quase 20,5% acima do que a prefeitura pagava até então pelos serviços em caráter de emergência. A Multi vinha trabalhando por contrato e a partir de então foi “efetivada”. O Pregão Presencial 59 foi encerrado numa sexta-feira, 3 de setembro de 2010, por um valor de R$ 2,76 milhões por 12 meses.

Até.

ESGOTO, LIXO, MERENDA, JOGOS: QUATRO NOTAS

O cidadão olimpiense que confiou na propaganda e adquiriu, via empréstimo junto à Caixa Econômica Federal, um imóvel do conjunto “Village Morada Verde”, dentro do programa “Minha Casa, Minha Vida”, poderá ter uma surpresa não muito agradável nos próximos dias. A de saber que vão morar ao lado de duas enormes lagoas de tratamento de esgoto. Sim, porque informações extra-oficiais dão conta de que elas não deverão ser retiradas dali, conforme o que foi acertado oficialmente com a CEF e os mutuários.

A promessa, aliás, o compromisso, era de tirar dali as duas lagoas, que seriam aterradas e uma nova, mais moderna e compacta, seria construída mais adiante, porém ainda naquelas imediações, para receber os dejetos do “Village”, do novo loteamento que está sendo erigido do lado de lá da Desembargador, e os conjuntos antes atendidos, esgoto que antes era despejado no Córrego dos Pretos. Aliás, um dos pontos principais para que a obra fosse autorizada naquela área era o compromisso de aterrar as lagoas, porque não podem ficam a menos de 500 metros de moradias.

No entanto, uma reunião realizada na semana passada, teria selado o destino delas: seriam drenadas, desassoreadas, reformadas e colocadas novamente em atividade, até que se construa a lagoa maior da cidade, do lado de lá da Assis Chateaubriand. Obra para, no mínimo, daqui dois anos. A ser confirmada esta informação, não se sabe como a CEF vai lidar com o caso, porque na visita que fizemos ao conjunto, em conversa com o engenheiro de contratos da obra, ele foi taxativo: “Não poderá ser entregue o conjunto se não resolver o problema das lagoas”.

Pode ser que a partir da publicação deste post o Executivo venha a público dizer que é mentira, que não houve reunião coisa alguma e que as lagoas vão sim, sair de lá. Isso poderá significar um recuo tático. Porque se confirmada esta reunião e consequente decisão, haverá muito barulho na cidade. E que barulho.

CATANDUVA
Outro “imbróglio” que caiu no colo do prefeito Geninho (DEM) esta semana foi a não concessão de licença pela Cetesb, para o aterro sanitário de Catanduva, para onde estava sendo levado o lixo de Olímpia. Medida de emergência teve que ser tomada, e agora nosso lixo faz uma viagem por outras estradas, até Onda Verde. Por hora – e não se sabe até quando – a Multiambiental está usando o aterro sanitário de propriedade da Constroeste.

MERENDA
Foi estrondosa, e extremamente negativa para o Executivo a estória dando conta de que os professores e funcionários públicos municipais em escolas terão que pagar se quiserem comer a comida da merenda escolar, depois da terceirização. Com aval ou não da categoria, quem quiser saborear o prato da Starbene terá que pagar R$ 2 por dia. No final do mês terão descontados dos seus salários, R$ 44. Para os alunos, o prato vai custar R$ 4 cada, segundo valores envolvidos na transação. A questão é: para onde iria este dinheiro?

JOGOS DE VERÃO
O prefeito Geninho (DEM) deu aula de grosseria na frente de atletas e populares na noite desta segunda-feira (21) no Recinto do Folclore. No discurso final, ao tecer críticas à imprensa local – mais especificamente à imprensa livre – foi extremamente mal educado e usou um tom em sua diatribe que não lhe confeririam o título de “sir”, muito menos de servidor educado, ou de administrador ciente de sua condição.

Ao se referir às duas emissoras AMs da cidade – Menina e Difusora, disse que “uma (Menina) já tem candidato a prefeito, e a outra (Difusora) pediu R$ 15 mil por mês para a prefeitura”. E, no auge de sua verborragia, aos gritos, disse: “Mas eu não vou dar dinheiro para vagabundo nenhum”, e atirou para o lado o microfone. Não há informações sobre se ele foi aplaudido pelos presentes por esta performance.

Até.

MERENDA TERCEIRIZADA, UM ENIGMA

E lá se vai a merenda escolar. Mais um setor da administração pública é colocado em mãos de terceiro. Para o bem ou para o mal. Como todos sabem, o prefeito Geninho (DEM) acaba de entregar o gerenciamento do serviço alimentar das crianças da rede municipal de Ensino à Starbene Refeições Industriais Ltda., da capital paulista. Serão gastos com o contrato mais de R$ 4,69 milhões, o que representa cada prato servido a R$ 4.

Não se sabe qual procedimento será adotado pela empresa no trato alimentar da criançada. Se vão ou não poder repetir, já que as primeiras informações que chegam dão conta de que a comida será “contada”. Tanto, que – absurdo dos absurdos – surgiu hoje a informação de que os professores e diretores, se quiserem comer a merenda terceirizada, terão que pagar. Primeiro, falou-se que os professores tinham acatado a idéia, em reunião com o prefeito. Com a reação imediata da categoria dizendo que não participou de nenhuma reunião e nem concorda com a proposta, mudou-se a versão.

A partir daí, a reunião foi com os diretores que teriam sugerido que os professores pagassem pela comida, se quisessem comer na escola para evitar deslocamentos. Coisa de R$ 40 por mês de cada um. Assim, quebra-se um paradigma educacional, eliminando-se um momento pedagógico na escola – afinal, comer certo ou comer errado é uma questão de educação. Absurda proposta, pior ainda se foi feita pelos diretores, conforme a assessoria do prefeito divulgou. Fica no ar uma sensação de subserviência dos diretores que, ao contrário, deveriam defender os seus quadros de docentes de tamanha agressão.

Mas, voltando ao tema, três empresas participaram do certame: Vivo Sabor Alimentação Ltda. de Americana, Stillus Alimentação Ltda., de Belo Horizonte, e a vencedora, Starbene Refeições Industriais Ltda., de São Paulo. A empresa vencedora tem uma “carteira” grande de clientes: Universidade de São Paulo-USP, Polícia Militar do Estado de São Paulo, Instituto de Infectologia Emílio Ribas (estadua), Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social do Estado, Hospital da Polícia Militar, Centro de Ensino e Instrução de Bombeiros da capital, Hospital Infantil Cândido Fontoura, Hospital Psiquiátrico Pinel (estadual), Prefeitura de Tanabi (merenda escolar), Prefeitura de Castro-PR (merenda) e, é claro, a prefeitura de Votuporanga.

São no total 6.506 alunos na rede, dos quais 69 alunos no projeto Educação para Jovens e Adultos-EJA, 975 na rede infantil, 554 nas creches, mais 147 alunos das filantrópicas, e 4.761 alunos do Ensino Fundamental. Tirando os EJA fora, ficam para serem atendidos 6.437 alunos. O valor global do serviço foi contratado por R$ 4.691.745,28. Divididos por oito – serão apenas oito meses, porque janeiro e fevereiro já passaram, julho é férias e dezembro não tem aulas – a merenda custará, por mês, R$ 586.468,15, ou R$ 26.657,64 por dia. Ou, ainda, pouco mais de R$ 4 cada criança diariamente. Os cálculos foram feitos sobre 22 dias e cinco dias na semana.

A assessoria do prefeito anunciou que a adoção desta modalidade de serviço, possibilitou uma economia superior a R$ 1 milhão. Parece uma boa notícia, não parece? Mas, se levarmos em conta que vivemos em uma sociedade capitalista, a empresa não vai cuidar da merenda de nossas crianças por benemerência. Ela visa lucro e, com certeza, o terá. Caso contrário não pegaria o encargo. Sendo assim, como bem observou o artista plástico Willian Zanolli no começo da tarde de hoje, onde estava sendo gasto este R$ 1 milhão que vai sobrar agora?

Sim, porque se a empresa pode bancar um serviço, tendo lucro, R$ 1 milhão mais barato, então estava se desperdiçando dinheiro este tempo todo? Ou seja, mais de R$ 2 milhões teriam sido jogados para o alto nestes últimos dois anos? Então, isso vem corroborar o que este blog já disse tempos atrás, abordando este mesmo assunto: o município terceirizou a merenda por incapacidade de gerenciamento. Outorgou a outro o que seria de sua responsabilidade.

PS: um exemplo de falta da capacidade de gerenciamento deste Governo Municipal está no fato de que, no ano passado, para não ter que jogar verduras e legumes no lixo, os funcionários das escolas e até alunos mais carentes levavam para casa estes produtos. Ou seja, estava se comprando muito além do necessário. Não havia gerenciamento?

No caso da terceirização, espera-se que o município fiscalize. A secretária Eliana Monteiro disse recentemente que “na medida em que ocorrerem as mudanças, e da forma como ocorrerem, vamos acompanhando, porque o público-alvo (alunos) é nosso. E queremos qualidade na merenda”. Os pais também, secretária. As crianças também. E nós, o povo, queremos ver nosso dinheiro usado com parcimônia e honestidade.

Até.

QUAL SERÁ O JOGO QUE BIRA ESTÁ JOGANDO?

As perguntas que não querem calar: estará Bira da Ki-Box fazendo o jogo do poder? Estaria o empresário e ex-vereador apenas fazendo um jogo de cena para lá na frente ter poder de negociação – quem sabe uma secretaria básica. Estaria Bira da Ki-Box falando sério? Seria sua candidatura à cadeira da 9 de Julho verdadeira? O fato é que, tomado de vontades, ele saiu às ruas já faz tempo, talvez até de forma um pouco prematura, tentando “costuras” políticas. Conversando com todo mundo que se dispôs a conversar com ele.

E na edição deste sábado, 19, do semanário Tribuna Regional, de Olímpia, foi publicada uma micro-entrevista com o pré-candidato, com destaque para uma de suas frases – “Tenho a política no sangue”, ao lado de uma foto sem nitidez em preto e branco (aliás, começa mal para quem quer angariar simpatias)  e um antitítulo: “Bira da Ki-Box pré-candidato a prefeito” (assim mesmo, sem vírgula). Diz o jornal que a “equipe” falou com o empresário Ubirajara Teixeira, é esse seu nome, que afirmou “estar disposto a concorrer ao cargo de prefeito nas próximas eleições, em 2012”.

Não há precedente na história política de Olímpia de alguém lançar-se tão cedo candidato a um cargo majoritário. Geralmente as coisas acontecem, de forma oficial, poucos meses antes do pleito e, de forma extra-oficial, no ano da eleição. Ou seja, para estar nos padrões locais, Bira lançaria seu nome e buscaria parceiros, a partir do início de 2012. Donde se pergunta qual a razão de sua pressa. Ele diz ao jornal que está voltando agora à atividade político-eleitoral porque já formou as duas filhas médicas e botou a firma de artefatos de vidro para “rodar sozinha”.

Mas, o histórico político da breve passagem dele pela política local, pelo menos a grosso modo, não o credencia a ser um nome confiável neste momento, com o qual as forças locais poderiam fechar questão. Haja vista que em 2004, dentro da chamada “terceira via política” formada por vereadores de nossa Câmara, ele foi a pedra no calcanhar a fazer afundar um grupo que foi se formando e se fortalecendo ao longo dos dois últimos anos anteriores ao pleito. E naquela ocasião estava posta apenas a recandidatura do então prefeito Luiz Fernando Carneiro, e o ex-prefeito José Rizzatti “gatinhava” com a sua, na busca desesperada por adesão.

Caso quisesse, Bira, Becerra, Primo e Rímoli se lançariam, pinçando daí um nome a prefeito Bira da ki-Box? – e buscando um vice em outro grupo, porque havia o espaço à época, uma vez que a candidatura Rizzatti, desta forma, sucumbiria, por inanição partidária. O advogado Celso Maziteli, juntamente com o médico Nilton Martinez, ainda se resguardava e analisava o quadro. Mas quando Bira da Ki-Box, contrariando todas as expectativas, implodiu a “terceira via” e foi se alojar no ninho rizzattista, aliás com sequelas profundas em seus companheiros – nenhum se reelegeu, Maziteli então se lançou no “vácuo” deixado por ele e seu grupo.

O resto da história todo mundo conhece: duas candidaturas fortes de oposição, Carneiro levou nos 35% da máquina.

Portanto, naquela ocasião Bira fez o jogo que interessou não aos seus parceiros, mas a Rizzatti, de quem é amigo de muitos anos, e quando na Câmara, emprestou e recebeu todo apoio político necessário, na gestão 1997/2000, quando ocupou a cadeira de vice-presidente da Casa de Leis. Na gestão seguinte, Bira ensaiou um voo mais alto dentro da Casa, lançando-se presidente. Mas, ao menor embate, recuou, “derrubando” as pretensões da oposição de levar a Mesa, e facilitando a eleição a presidente do situacionista João Wilton Minari.

E agora, estará Bira da Ki-Box falando sério ou apenas fazendo jogo de cena, barulho, fumaça, para que amanhã ou possa vir a negociar com  um grupo mais forte, ou mesmo com o grupo que está no poder, ou é ele o próprio “candidato-laranja” de Geninho, que, todo mundo sabe, é melhor não sair no “mano-a-mano” com quem quer que seja? E nestas situações um “laranja” é sempre bem vindo. Tática antiga nesta urbe e no meio político por aí. Bira viria como desagregador-mor da oposição. Como foi em 2004, na majoritária, e naquele mesmo ano, aí talvez por “acidente” político, dentro da Câmara.

Assim, é preciso deixar no ar a pergunta maior de todas, que somente uma pessoa vai poder responder – ele mesmo, não só com suas atitudes de agora, mas de quando, efetivamente, tiver que honrar a palavra: Bira está jogando?

Até

A LEI DE TALIÃO

Não sei nem como classificar o fato. Vingança? Revanche? Retaliação? Ou simples espírito de justiça. Pode ser uma destas alternativas, pode ser todas elas, pode ser nenhuma delas. Mas, o que salta aos olhos neste imbróglio todo é o descompasso que já começa a aflorar no grupo que se pretende oposição ao prefeito Geninho (DEM) ano que vem. A atitude pode se configurar numa espécie de autofagia política, porque um lado estaria enfraquecendo outro, quando os dois lados deveriam estar se fortalecendo.

Ambos tiveram lá suas razões, mas se pudesse atribuir mais ou menos razão a uma das partes, diria que a cidadã Mônica Maria Silva a teria em grau maior e indiscutível. Para quem ainda não atinou para o assunto, falo da atitude de um grupo de médicos, que por meio de um deles, José Augusto Zambom Delamanha, encaminhou na manhã de ontem (quinta, 17), à secretária municipal de Saúde Silvia Forti Storti ofício onde pede o afastamento da conselheira Mônica Maria Silva, do Conselho Municipal de Saúde.

Motivado pelo fato de que ela denunciou ao Ministério Público o não cumprimento dos horários pelos médicos da rede municipal de Saúde, o que resultou na abertura de inquérito civil. Em função disso, alguém foi aos arquivos médicos do INSS e de lá extraiu a informação de que a cidadã é aposentada por problemas de ordem psicológica e, como tal, não podia estar integrando o Conselho. Delamanha afirma que Mônica, conforme documentos que possui, sofre de esquizofrenia.

No ofício foi entregue em mãos à secretária, o médico diz ter tomado conhecimento pelo Planeta de 11 de fevereiro, da instauração de Inquérito Civil contra os médicos, conforme chamada de capa. “Ao ler a notícia fiquei perplexo em relação à representante, pois, por ter informações de que a conselheira da Saúde – representando os usuários -, Mônica Maria Silva, é aposentada pelo INSS por invalidez por problemas psiquiátricos (esquizofrenia), considerada absolutamente incapaz para o exercício da vida civil, não possui capacidade para o exercício do cargo de conselheira, tornando dessa maneira sua permanência naquele Conselho impossível, vez que representa os munícipes na área da Saúde”, segundo publicou o jornal.

O ofício tem a finalidade de solicitar à presidente do Conselho Municipal de Saúde-CMS, “providências no sentido de determinar o afastamento incontinenti da Sra. Mônica Maria Silva por motivos de insanidade mental”, segundo ainda a matéria do Planeta. Cópias idênticas, informa o médico, foram encaminhadas ao promotor Gilberto Ramos de Oliveira Júnior, da 2ª Vara, autor do Inquérito Civil com base na denúncia, e aos demais conselheiros municipais.

Esta é a história surgida nas últimas horas e que, com certeza, deve ter provocado um abalo muito grande no casal formado também pelo artista plástico Willian Zanolli, outro ferrenho fiscalizador da coisa pública, já com registro de várias denúncias de supostas irregularidades em setores diferentes deste governo municipal. Portanto, um ponta importante da lança oposicionista, acaba de sofrer uma fratura. O casal agora acaba de ser vitimado por potenciais parceiros de caminhada político-eleitoral, por meio do chamado “fogo amigo”.

Quando fez a denúncia, Mônica estava imbuida de uma certa coragem cidadã, coisa rara de se ver nos dias atuais e neste governo de turno, que é perseguidor, revanchista e beira o totalitarismo. Mas, não se pode negar, mexeu com uma classe fortíssima e, por si mesma, considerada intocável. O fato de ser aposentada por questões já relatadas acima, a torna, por força de lei, incapacitada para a função de conselheira. Mas, com certeza, não a torna incapaz para exercer a cidadania, fiscalizar o que é pago com dinheiro público. E, vislumbrada uma irregularidade, denunciar, como corajosamente o fez.

A secretária Storti, cumpridora da lei que é, deverá afastar a conselheira. Mas ela não deixará de ser uma cidadã respeitável, por causa disso. E o seu afastamento do Conselho não mudará em nada a situação denuncida por ela. A denúncia continua valendo. O Inquérito na Promotoria seguirá seu curso. O mérito não foi perdido. Até porque seria um absurdo, diante de tantas evidências, jogar tudo na lata do lixo moral por causa desta questão apontada agora pelos médicos. E ainda se houver qualquer tipo de problema na concessão da aposentadoria a ela, nada muda em relação à denúncia.

É preciso deixar claro que, em um estado normal de coisas, a denúncia de agora não deve afetar em nada a anterior. Há uma situação de fato, que precisa ser resolvida, sob pena de alguém ser responsabilizado por isso – o não cumprimento da carga horária pela maioria dos médicos. E há uma situação de direito, que é a aposentadoria da denunciante, com base em laudo médico. Se quiserem ir à forra os médicos agora podem se imiscuir na questão técnica da conclusão do mal que a aflige e a impediria de exercer plenamente sua condição civil. Pode ter problema aí, pode não ter. E vingando esta segunda hipótese, a ação, naturalmente, gerará uma reação.

Mas, o que importa aqui é o fato gerador da reação dos médicos. E este, mesmo a contragosto, a secretária e o Execurtifvo Municipal vão ter que resolver. E, da parte dos médicos, se buscam uma espécie de “reparação” ao que foi denunciado, clamando por lei em justiça, da mesma forma têm que se submeter a esta mesma lei e justiça. A lei de talião buscada pelos profissionai pode saciar a sede de vingança, tornar treva o que devia ser luz. Mas o cerne do problema vai perdurar?

Porque se todo este barulho em torno do tema, pelo menos resultar em correção de rumos, ações e pensamentos, todos nós já teremos ganhado muito.

Até.

O CONSENSO OU GENINHO

A certeza cabal de que a contagem regressiva já começou para o prefeito Geninho (DEM), eleitoralmente falando, são as andanças e as conversações que já tiveram início tão logo raiou 2011. Este ano é ano de convenções partidárias. Também é ano em que se abrem as “janelas” para troca-troca de partido. Por isso a pressa. Os candidatos a vereadores serão em número infinitamente maior que da eleição passada, isto é certo, devido ao aumento de cadeiras na Câmara – de 10 para 15. Porque todos eles acham mais “fácil” chegar lá.

Já para prefeito o número de pretendentes é reduzido mas, a julgar pelas circunstâncias, se todos os nomes vingarem, Geninho já pode deixar o terno para a reposse no jeito. Já foi tema deste blog o cenário político-eleitoral que se apresenta para o ano que vem. E ele é fácil de ser resumido: mais de um candidato de oposição e o atual mandatário terá mais quatro anos – ou melhor, mais dois, que a partir daí tentará vôo mais alto. Por isso, o que se vislumbra para o pleito de outubro de 2012, pelos lados da oposição, é uma espécie de todos por (contra) um.

Porque do contrário, a oposição fica chupando o dedo. Sabe-se que não será nada fácil a conversa, porque há muita vaidade em jogo. Há muitos pseudo-líderes que na hora “h” vão engrossar, bater no peito e dizerem-se os todos poderosos. Uns vão olhar outros de cara feia. Haverá aquele que, de maneira alguma, se sentará à mesma mesa que outro. Haverá aquele que, por teimosia, poderá até se furtar ao conversê e se lançar numa campanha suicida. Haverá de tudo. Mas, se no final das contas, os que sobrarem constituírem uma força viva política, aí as chances serão enormes, quase absolutas.

É sabido que quem está no governo, se não está bem na fita, como parece ser o caso do nobre alcaide local, pelo menos navega tranquilamente pela faixa dos 30% a 35%, índice que a máquina sempre garante. Numa contenda ‘mano-a-mano’, pressupõe-se que o adversário, sendo único, parta de um patamar bem superior ao do prefeito de turno, haja vista que serão aqueles votos teoricamente “soltos” no ar. Para fazer um paralelo, lembramos que o ex-prefeito Carneiro, na entrada de 2003 estava numa situação política parecidíssima com a de Geninho agora, na entrada de 2011.

Ou seja, começando o seu terceiro ano de mandato, Carneiro desfrutava de um índice sofrível de aprovação popular e tendência de voto. Foi para a reeleição, em outubro de 2004, contra três outros candidatos – Celso Mazitelli, José Rizzatti e Guilerme Kiil Jr – e foi beneficiado por isso, elegendo-se na faixa dos 35%. Ainda é cedo para dizer que Geninho chegará lá em baixa. Pelo menos ele tem corrido ao máximo para mudar este quadro e para nas portas das eleições estar em patamar mais confortável ante a opinião pública.

Se ele conseguir mudar este quadro, pode tornar-se imbatível e aí os pretendentes poderão cair a zero, terão que ser gerado a fórceps. Alguém iria, então, para o sacrifício somente. Não mudando este quadro, então restará ao prefeito torcer para que a fogueira de vaidades política queime, queime, queime, a cada tempo com chamas ainda mais altas. Porque dois outros candidatos na rua e a cadeira da 9 de Julho continuará sob seu domínio, como já disse, por mais dois anos.

Geninho sabe que sua carreira política depende de uma reeleição à prefeitura. Por isso vai mover céus e terras. Se perder a eleição, perderá também a oportunidade de ouro de buscar algo mais acima deste patamar, que é uma cadeira na Assembléia Legislativa – se não votaram nele pela reeleição para prefeito, votarão para deputado? Ele seria novamente candidato a vereador na eleição seguinte? Ou a prefeito? Sendo rechaçado uma vez, o povo lhe daria outra oportunidade? Dificilmente. Mais fácil imaginar sua carreira política finda.

Por isso, vencer as eleições em 2012 para Geninho é tudo e mais um pouco que tudo. É vencer e vencer. Portanto, as oposições não terão “refresco” como imaginam. Animal eminentemente político que é, o prefeito não está marcando passo, deve lá já estar tramando nos bastidores sua reeleição. Portanto, este caminho íngreme que terá que ser trilhado, precisa tornar-se sereno e fácil de atravessar, o que só depende do alcaide, de mais ninguém.

Já o candidato oposicionista – falam em Bira da Ki-Box, Gustavo Pimenta, Walter Gonzalis, Guegué, Helena Pereira, João Magalhães, Hilário Ruiz,  Dirceu Bertoco, e até em Flavito Fioravante – alguns com mais, outros com menos chance, independentemente do nome, terá que sair deste “balaio” político. Como resultado de um amplo entendimento. Algo, pelo menos por enquanto, inimaginável nestas terras de Curupira, quando a questão em jogo é candidaturas majoritárias. Mas, é isso ou nada. É isso ou Geninho. De novo.

Até.

‘GENISMO’, O PERIGO QUE RONDA

Não foi preciso mais que duas sessões para constatar que sim, a Câmara Municipal de Olímpia será, por pelo menos estes dois últimos anos da gestão Geninho (DEM), chanceladora de suas vontades e decisões. E também não precisamos ir muito longe para constatarmos que as únicas vozes distoantes ali dentro serão as de Magalhães (PMDB), Guegué (PRB) e Hilário Ruiz (PT). Os três, legitimamente tem questionado algumas proposituras encaminhadas para lá pelo Executivo Municipal, feito reparos, observações a cerca de suspeitas de inconstitucionalidades etc., apelos que nunca são ouvidos pela “bancada dos sete”.

Como na sessão de ontem à noite, 14, quando o peemedebista contestou os termos do projeto de Lei 4.333, cuja ementa, erroneamente, não se sabe se de propósito ou de forma inconsciente, trata como “permuta de terrenos”, o que na verdade é uma “compra de área com amortização por terrenos”. Trata-se de terreno com 94 mil metros quadrados no distrito de Baguaçu, pelo qual o município vai permutar oito terrenos no Jardim Centenário, e pagar mais cinco parcelas de R$ 25 mil, totalizando R$ 445.850.

Além do pagamento das parcelas, o que descaracteriza a modalidade “permuta” – que pressupõe o ‘elas por elas’ – Magalhães questionou, também, a forma como foi feita a medição da área, ou seja, por metro quadrado, quando deveria ser feita ou por alqueire, ou por hectare. Porque, segundo ele, medindo por metro quadrado, há a possibilidade de superdimensionamento do terreno.

Está certo que ali serão construídas 190 casas liberadas ainda na gestão passada pela CDHU, a razão portanto é nobre, mas não justifica o “olho cego” da bancada do prefeito, tentou deixar claro Magalhães. Daqui para frente, das duas uma: ou ficará explícito que os vereadores oposicionistas apenas fazem picuinhas com suas colocações e reparos em leis oriundas do Executivo, ou que a bancada situacionista está chancelando o calvário futuro do nobre alcaide.

SUI GENERIS
A secretária municipal de Educação, Eliana Bertoncelo Monteiro, tem um modo ‘sui generis’ de fazer as coisas em público. Ela sempre faz questão de que professores, diretores, supervisores e funcionários da Secretaria se apresentem “de corpo inteiro” nos eventos dos quais participa ou nas reuniões que protagoniza, independentemente do quão constrangedor isso possa ser, às vezes. Como ontem, na Câmara, onde foi fazer uma explanação sobre o projeto de Lei Complementar 116, que repõe diferenças salariais para professores de educação física, diretores e supervisores de escola.

Antes de começar a falar, exigiu que todos eles ficassem de pé, atrás dela, no plenário da Câmara, como a dar aval a tudo o que ali era dito. No final, ela passou bem a idéia – “com a anuência dos presentes” – que todos estavam satisfeitos com o que estava sendo proposto ali, e aprovado em primeiro turno. Depois de terminada a sessão, ainda permaneceu em frente à Câmara, numa roda destes profissionais falando, falando, falando…. Quem viu apostava num ambiente de total harmonia na Pasta. Pelo menos à distância.

MAIS QUE O DOBRO
No post do dia 10 passado, aqui neste blog, quando relatamos que o prefeito Geninho, segundo noticiava sua assessoria, havia participado de reunião na quarta-feira, 9, à tarde, com o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, para renegociar dívida pendente do município com a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo-CEAGESP, calculada em R$ 2,5 milhões, falamos que a empresa Italcabos, ali instalada, gerava em Olímpia “cerca de 80 empregos”. Mas, em contato mantido com a redação, a empresa esclareceu na segunda-feira que, na verdade, hoje emprega 170 funcionários.

O prédio em questão foi desapropriado na segunda gestão do ex-prefeito José Rizzatti (1997/2000), para abrigar a metalúrgica. Geninho quer pagar a dívida em 100 meses, e poderá oferecer como garantia para quitar a antiga dívida, já na primeira parcela, um prédio municipal (ele não disse qual, nem sua assessoria perguntou). A empresa não comentou sobre as suspeitas de que a situação estaria bem mais crítica do que se imagina, já que o empresário Franco Cozzo teria manifestado disposição de mudar-se de Olímpia, caso a questão não seja resolvida.

FALANDO NISSO
Entre idas e vindas, muita propaganda e tentativas de calar a imprensa livre desta cidade, o prefeito Geninho também ainda não cumpriu um dos ítens mais importantes do rol de promessas que fez durante a campanha eleitoral. Não foi gerada sequer uma vaga formal e perene de emprego a mais nestes dois anos e quase dois meses de gestão. Para quem garantiu mil empregos, ele está longe, bem longe disso. Ao contrário, até agora, nesta área, a cidade só perdeu: por exemplo, as quase 300 vagas do Entreposto do Minerva, que foi embora da cidade ano passado.

Neste aspecto, muitos podem dizer: mas, e o Thermas? E os hoteis e pousadas? Bem, estes gerariam empregos, como sempre geraram, de forma independente do poder público, porque o que lhes dá sustentação é o Thermas dos Laranjais que, da mesma forma, é auto-sustentável. “O Minha Casa, Minha Vida”? Quem já esteve na obra, como nós, ou obteve informações aqui e ali, saberá que a mão de obra ali é “migratória”, composta por um grande contingente, se não na totalidade, de nortistas. Empresas novas, onde estão? Qualificação da mão-de-obra, onde estás?

E ainda que a idéia de geração de empregos do alcaide seja aquela de botar todo mundo que for possível na prefeitura e seus “penduricalhos”, falta muita gente para se chegar aos mil empregos. Engraçado que ninguém se lembra disso.

A falta de emprego na cidade, somada ao precaríssimo atendimento em saúde, ao menosprezo pelo cidadão carente praticado pela Assistência Social; à temerosa “arquitetura” do Ensino municipal, e ao pouco caso dedicado ao funcionalismo, sem contar as mazelas administrativas, tornam este Governo vazio e contrapõe seu discurso de que Olímpia está “crescendo e se desenvolvendo”. A menos que, “novidadeira”, esta administração tenha reinventado os conceitos e critérios de crescimento e desenvolvimento.

PS: Atormentado há dias pela idéia de que se está tentando estabelecer na cidade uma espécia de “Genismo Político”, fui procurar algum similar nos googles da vida. E o que encontrei é a definição de “genismo”, e um paralelo extremamente interessante, muito próximo de nós, dentro deste contexto. Ou seja, o de que “o genismo é uma filosofia materialista, baseada no neodarwinismo, que tem como finalidade maximizar a felicidade humana”.

Alguém aí duvida de que o que se está tentanto impor aos olimpienses, nos últimos tempos, é exatamente isso?

Até.

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