Blog do Orlando Costa

Verba volant, scripta manent – 10 Anos

Mês: agosto 2019 (Página 1 de 2)

Paulo Marcondes é algo de novo no ‘front’ cunhista?

Ontem me ocorreu um pensamento enquanto caminhava que julguei tão pertinente a respeito dos tantos acontecimentos percebidos ao longo dos últimos dias que até postei-o no Facebook. Diz: “Já começou o bombardeio e tem muita gente achando que são só trovões”.

isso vale para aqueles que acham que observar as coisas em sua superficialidade, é enxergar tudo o mais. Mas o profundo é que revela-se na medida em que se busca compreendê-lo.

Este blog tem esta função, entre tantas, a de trazer à tona o que querem que fique escondido. Pois o que não querem publicado, já se disse, é que é a noticia. O resto é mercadoria, como também já se disse.

Por isso que, na medida em que se aproxima o pleito de 2020, mais e mais vezes temos publicado aqui textos reveladores dos bastidores, que se por um lado irritam este ou aquele, por outro informa tantos outros que, se não fosse assim, permaneceriam como eterna massa de manobra política.

Foi imbuído deste espírito que falamos ontem a respeito da pretensa candidatura a prefeito do jornalista Cléber Luis, que por inusitada, tomou a todos de surpresa. E que, também por inusitada, justificou o espaço neste blog. Sobre isso, ainda voltaremos ao assunto.

Para hoje, o que temos é também uma inusitada novidade surgida nos arredores do prefeito Fernando Cunha (ainda sem partido, mas de malas prontas para o PSD). Ocorre que o alcaide, como poucos sabem, não sendo o grupo da Saúde, ex-petistas que o apoiam em troca da Pasta e suas facilidades, não tem quem mais, incluindo aí até secretários, lhe tem estima política.

Vendo-se solitário e sem articulação nenhuma, sem base de sustentação, o alcaide teria ido buscar de volta Paulo Marcondes, também chamado Paulinho da UVESP, para assessorá-lo politica e eleitoralmente.

Marcondes, até então, era fiel escudeiro de Dr. Antônio, ex-prefeito de Altair e candidato não eleito a deputado estadual nas eleições do ano passado. Cunha acerta com esta contratação, no tocante à articulação de base, contatos com vereadores, dirimição de problemas de relacionamentos, que Cunha os tem aos montes.

Marcondes não tem voto. Mas conhece um pouco de sedimentações de caminhos para os alcançar. Esta é mais uma das muitas atividades político-eleitorais que a cidade tem vivido.

Não parece, mas o cenário político local está borbulhando. Mas, aquiete-se o leitor porque, na medida do impossível, por aqui será filtrado cada grão em cozimento, cada gota desta fervura.

É nossa missão. E missão dada é missão a ser cumprida.

Tudo que começa errado, acaba errado -Uma análise

Em meio à profusão de possíveis candidatos, digamos, “alternativos” à cadeira principal da Praça Rui Barbosa, em meados da semana passada surgiu mais um: o do jornalista Cléber Luis.

Não se sabe qual força move Cléber Luis, e por quais razões tomou a decisão de se imiscuir na política já vislumbrando um cargo majoritário, quando se sabe que o pleito de 2020 será um dos mais difíceis da história política do Brasil, caso não ocorram mudanças de última hora.

O partido, aliás, continua inexpressivo em nível nacional, com uma bancada de seis deputados, e estadual, com uma bancada também de seis deputados.

Mas, o que nos interessa são as movimentações locais. Cléber Luis disse que terá apoio da TV Record. Resta apurar que tipo de apoio será esse: financeiro? De divulgação da imagem? Os pastores vão indicá-lo em seus programas evangélicos e as igrejas que representam irão convencer os fieis a votarem nele?

Como disse na abertura desta postagem, Olímpia está mergulhada em uma profusão de nomes possíveis para candidaturas “alternativas” (para não usar o cognome “laranja”, que desagradou a alguns).

E dada a inconsistência da possível entrada na disputa do colega jornalista, e seu anúncio intempestivo, há quem arrisque dizer tratar-se de um movimento “encomendado”.

Diante do exposto, é plausível que arrisquemos um denominador comum de que tal candidatura trataria-se do chamado “bem bolado” talvez patrocinado pelo chefe de turno em conluio com as esferas estadual e federal do PRB, visando “embaralhar” o pleito do ano que vem, no qual o atual prefeito entrará em desvantagem devido à sua baixíssima aceitação popular.

Enfim, fazendo uso de um provérbio português tão ao gosto de um ex-presidente de triste memória, “o tempo é o senhor da razão”. Aguardemos, pois.

Estância segue sua sina dos alertas do TCE: já são 15

Entre Prefeitura Municipal da Estância Turística de Olímpia, Daemo Ambiental, Instituto de Previdência dos Servidores Públicos Municipais de Olímpia e Câmara de Vereadores, Olímpia recebeu entre janeiro e junho deste ano, nada menos que 15 alertas do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo-TCE/SP, dos quais sete para a prefeitura, três para a Câmara de Vereadores, outros três para o Instituto de Previdência e dois para a Daemo Ambiental.

O município, com estes 15 alertas de três diferentes tipos daquele órgão fiscalizador, está classificado no quadrante vermelho. Olímpia está entre os 86% –559 administrações– que se encontram em situação de comprometimento das gestões fiscal e orçamentária.

Os dados integram levantamento como parte do previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e são relativos ao período do 3º bimestre do exercício de 2019 – relativos aos meses de maio e junho (acesse os dados).

Todos os prefeitos cujas cidades se enquadram nesta situação– de receita insuficiente para o cumprimento das metas de resultado primário e/ou com indícios de irregularidades orçamentárias– foram notificados para que adotem providências segundo o previsto na LRF.

De acordo com o artigo 9º da Lei de Responsabilidade Fiscal, as prefeituras terão – nos próximos 30 dias – que adequar seus orçamentos, limitar empenhos e priorizar os tipos de gastos e movimentações financeiras. Dos 644 municípios jurisdicionados, apenas 20 (3,10%) estão regulares em suas contas.

Alertas

Alertas são publicados:
Bimestralmente (incisos I e V), Quadrimestralmente (incisos II e III), Terceiro Bimestre de 2019. Segundo Bimestre/Primeiro Quadrimestre de 2019, Primeiro Bimestre de 2019.

A Lei Complementar nº 101 de 4 de maio de 2000 – a chamada Lei de Responsabilidade Fiscal – que no seu Artigo 59, § 1º estabelece a obrigatoriedade de que os Tribunais de Contas alertarão os Poderes ou órgãos jurisdicionados, quando forem constatadas situações que possam levar a algumas irregularidades, como: ao não cumprimento das Metas Fiscais estabelecidas; a uma excessiva despesa com pessoal (considerados ativos, inativos e pensionistas); ou a um alto nível de comprometimento financeiro, em virtude do montante da dívida consolidada e mobiliária, operações de crédito ou concessões de garantias.

Por reeleição, Cunha pode lançar ‘laranjas’ em 2020?

No final de semana passado publiquei aqui a possível ida do prefeito Cunha, ainda sem partido, para o Partido Social Democrata, o PSD de Gilberto Kassab, em nível nacional, mas de Hilário Ruiz em nível local. E esta possibilidade é forte e não está descartada.

Mas, também é forte a possibilidade do prefeito filiar-se ao Partido Social Liberal, o PSL de Jair Bolsonaro. Isto porque descobrimos que o PSL está nas mãos de ninguém menos que o secretário de Agricultura de Cunha, Tarcísio Cândido de Aguiar, o polêmico Sargento Tarcísio.

Junto com ele, alguns funcionários comissionados integram o Diretório Municipal, oficializado recentemente, e hoje em vias de ruptura, uma vez que há um grupo de primeira hora dentro da sigla que não se conforma com o fato de Tarcísio, “que chegou agora”, como disse uma fonte ao blog, “ter o Diretório nas mãos”.

Bom, uma coisa é a briga interna, outra coisa é a realidade. E esta mostra que o prefeito está com as mãos na fechadura da porta de entrado do partido bolsonarista, pelo qual se lançaria à reeleição, com vice ainda a ser decidido, uma vez que Fábio Martinez, atual prefeito da Estância (Cunha está de férias até sábado) já garantiu que vai cair fora.

Bom, noves fora nada, Fernando Cunha já teria confidenciado a pessoas nem tão confiáveis assim, que sente uma pedra em seu sapato e que por isso haveria a necessidade do lançamento de um “laranja” para quebrar votos. Se não dois, dependendo de como a situação estiver.

Não sei se o alcaide tem noção disso, mas acreditamos que candidato “laranja” tinha lá seus efeitos quando os bastidores políticos eram de fato nebulosos e pouca gente sabia o que se dava ali.

Hoje, acreditamos, não funcionaria mais, porque com a Internet este ou estes serão desmascarados rapidamente e, pior, aquele que aceitar se submeter a este papel estará enterrado politicamente.

Se o prefeito não diz quem é sua pedra, o blog arrisca dizer que se trataria de Flávio Olmos, hoje no Democratas, partido pelo qual gostaria de ter a certeza da candidatura a prefeito, sob as bênçãos do deputado federal Geninho Zuliani.

Mas que poderá se aninhar em outra sigla, como o PTC, que já detém, ou uma segunda que busca formalizar, porém sem dispensar o apoio luxuoso que seria o do parlamentar olimpiense.

Segundo o que se comenta à boca pequena, o prefeito Cunha hoje não estaria muito bem cotado perante o eleitorado olimpiense, e 30% é o percentual máximo que, dizem, ele alcançaria ao final, mesmo com a máquina nas mãos. Sem nos esquecermos que política é como nuvem, blá, blá, blá….

Daí a importância do “laranja”. Conhecemos todos aquela máxima “dividir para ganhar”, certo? Com o ou os “laranjas”, sua briga ficaria mais fácil, ao passo que, se polarizar, dificilmente ele levaria de qualquer candidato que estivesse em melhor situação que a dele, perante o eleitor.

Dizem ainda à boca pequena, que o governante de turno já estaria até mesmo “trabalhando” estes “laranjas”, cujos nomes correm se misturando dia-a-dia, num quase revezamento, mudando ao gosto do interlocutor.

Mas, revezando ou não, os nomes são sempre os mesmos: começa com o presidente da Câmara, Antonio Delomodarme, o Niquinha, do Avante; passa pelo próprio Tarcísio, do PSL; alcança Selim Murad, o onipresente secretário de Cultura, que até parceiro já teria, o também onipresente José Elias de Moraes, o Zé das Pedras, do PR.

E nos últimos dias, pasmem, entrou no rodízio o nome do delegado aposentado hoje vice-líder auto-nomeado do prefeito na Câmara de Vereadores, cujo parceiro de “pomar” seria um colega de ofício também aposentado, que não esconde de ninguém que está aberto a ser vice em qualquer chapa.

São nomes todos em caráter especulativo, que rodam pelos bastidores políticos. Porém, o lançamento de “laranjas” para esta campanha é certo, por parte do mandante, caso de fato tente a reeleição.

Resta agora encontrar um nome disposto a correr o risco de sofrer vexame político, ainda que seja em troca de algum benefício pecuniário ou em cargos para si ou seus asseclas.

O blog estará atento a todos os movimentos. E o leitor será sempre o primeiro a saber. Agora, veja, abaixo, a formação do Diretório local do PSL e façam suas análises:

17 – PARTIDO SOCIAL LIBERAL Órgão Partidário: Órgão provisório Abrangência: OLÍMPIA – SP – Municipal Vigência: Início: 05/08/2019 Final: 05/08/2021 Situação do Órgão: Anotado Data de Validação: 06/08/2019 Protocolo/Código do requerimento: 284399241836 Endereço: VIELA AMÉRICO MARTINUSSI, 756 CASA D Bairro: CENTRO Município: OLÍMPIA / SP CEP: 15400000.

TARCÍSIO CÂNDIDO DE AGUIAR, PRESIDENTE; GUILHERME AUGUSTO PALADINI ARAÚJO, VICE-PRESIDENTE; FÁBIO AUGUSTO PALADIN, SECRETÁRIO-GERAL; BIANCA TOMAZINI RAMOS, PRIMEIRO-SECRETÁRIO; JOSENILO NETTO BIZIO, SEGUNDO-SECRETÁRIO; GÉLICE APARECIDA STEFANELLI SIMÕES, TESOUREIRO-GERAL; VITOR AUGUSTO MARTINUSSI PIZETTI, PRIMEIRO-TESOUREIRO.

PS: Dos sete integrantes da diretoria do PSL, três pelo menos, são funcionários comissionados: o próprio Tarcísio, Josenilo Bizzio e Gélice Simões. O primeiro é secretário de Agricultura, Josenilo assessor de Gabinete e Gélice comissionada lotada na Agricultura.

Qual a ‘treta’ de Titi com a secretária Reale? E por que o governo silencia?

Independentemente de quais mistérios rondam a hoje estremecida relação entre o cozinheiro Thiago Degasperi e a secretária de Assistência Social Cristina Reale, uma coisa é certa: está faltando pulso firme a quem de direito a fim de apurar do que realmente se trata tudo o que vem sendo jogado ao público nos últimos dias.

Degasperi, também conhecido como Titi, já trabalhou ao lado da secretária por um bom período, já foi até acusado de, a mando dela, açular os considerados desafetos do governo ou mesmo pessoais dela. Foi acusado, também, de manter um perfil fake no Facebook, por meio do qual já recebeu até processo, e hoje diz que apenas assumiu a culpa por outrem (e esta é outra história “cabulosa” envolvendo o entorno do Governo Cunha).

De qualquer forma, as acusações que Titi faz à secretária Reale já são o bastante grave para que sejam mantidas apenas no nível da picuinha, do desentendimento passageiro.

Por exemplo, quando Titi diz: “A amadinha, ao invés de mandar FAKE me atacar, deveria pagar o dinheiro que me deve” (#pagaotiti), ele está querendo dizer o quê, exatamente?

Que dinheiro ela deve a ele? Por serviços prestados? Por serviços não prestados? Acordo por contrato? Acordo verbal? Dinheiro oficial, caixa dois? Que serviços ele prestou? E, basicamente, qual o motivo das desavenças públicas?

Ele chega a anunciar medidas legais contra a secretária Reale, como em 13 de agosto: “Amanhã vou na promotoria, denunciar você e sua patroa AMADINHA (que está por traz de vc) quer ir comigo?! Amanhã as 09:00hrs”. O “você” é um perfil fake que Titi jura ter sido criado e mantido por um funcionário da Secretaria, a mando da secretária, chamado “Fábio Pereira”.

Entre os dois, a briga foi deste nível demonstrado abaixo:

A imagem pode conter: texto

Ou assim:

“o AMADINHO, Fake e servidor público municipal , tá me ameaçando de morte. Posso? O cara me ameaçou dentro do trabalho, eu denunciei, agora ele cria Fake pra me ameaçar novamente…AMADINHA, eu te avisei que esse cara não presta…Coloca limite no seu PUPILO, ele tá envolvendo você e eu vou DENUNCIAR….”.

E mais: “Eu tenho uns áudios do amadinho e da amadinha que são de arrepiar… vamos mostrar pra população….chega de palhaçada”.

Enfim, há um sem número de provocações e ameaças, já envolvendo várias pessoas. Porém, o centro da questão são as coisas ditas contra a secretária, e o silêncio do governo a respeito.

Lembrando que não se trata de desconsiderar o que diz Titi, porque por muito menos que isso este blog está em vias de ser processado pelo alcaide e sua secretária.

Cunha caminha para o PSD de Hilário Ruiz? E como ficarão as demais siglas?

O prefeito Fernando Cunha (sem partido) parece ter iniciado uma caminhada rumo ao PSD, do ex-petista Hilário Ruiz, tutor da Secretaria da Saúde, e dos vereadores Fernando Roberto da Silva e Hélio Lisse Júnior.

O alcaide faz mistério sobre o assunto, mas analisando friamente, o PSD de fato oferece a ele melhores condições, já que vem com um “grupo” de apoio que facilitaria a formação de uma chapa à vereança.

Fora PSD, no entorno de Cunha temos o PPS de Marcão Coca, o MDB de João Magalhães, o Avante de Niquinha, e só. nenhum deles com tradição de boas chapas eleitorais proporcionais.

Portanto, difícil para o prefeito fazer outra escolha. Qualquer destes que ele decidir assumir lhe custará muito para estruturar, a bem da verdade.

A questão é saber o que será destes partidos. Para onde caminharão seus próceres, diante da nova formatação de eleição para a Câmara no ano que vem -Já sabem que não haverá coligações proporcionais, né?

O PR, ao qual Cunha era filiado, conta atualmente com dois vereadores, Zé das Pedras e Cristina Reale, enquanto o PTB de Selim Murad, está nas mãos de Beto Puttini há décadas.

O PR consta estar agora nas mãos de Dirceu Bertoco, que está formando “turminha” com Dr. Antonio, Paulinho Marcondes e outros nomes de certo peso eleitoral. É quase certo que Das Pedras e Reale caiam fora, indo ambos se aninharem no PSD.

Que então se tornará uma força eleitoral, bastando agregar outros nomes que já estariam nas mangas de Cunha.

o seu provável concorrente, Flávio Augusto Olmos, hoje no Democratas, deve também buscar uma sigla própria -dizem que por hora já teria alinhavado com o PTC e acerta os detalhes para mais uma. Pode vir a fechar com o PR, somando a si uma força eleitoral de oposição a Cunha considerável.

A menos que lhe seja garantida a legenda, Olmos caminha porta afora do DEM, para não ter surpresas futuras e não para afrontar o deputado, que somente em janeiro vai dizer se tem candidato próprio ou se vai se juntar a Cunha.

Marco Regulatório ‘cria ambiente’ para privatizações da água e do esgoto*

Uma porta que se abre para a privatização de todo o sistema de saneamento existente, é a leitura imediatista que se pode fazer do “novo marco legal do saneamento” que está em vias de tramitar na Câmara Federal, e cujo relator é o deputado federal olimpiense Geninho Zuliani (DEM).

Segundo informações, o Marco trará incentivos para que os governadores (governantes, incluam-se aí os municípios) privatizem ou pelo menos abram o capital das empresas estaduais (públicas) do setor.

Geninho adiantou que “a ideia é condicionar o acesso a linhas de crédito da União ao lançamento de ações na Bolsa pelas estatais (municipais) de água e esgoto”.

Em fase final de elaboração, o relatório também deverá ser mais duro que o texto aprovado no Senado em junho. Ainda assim, o relator admite que dificilmente o País conseguirá a meta de universalização dos serviços até 2033, prazo previsto no Plano Nacional do Saneamento, e que são necessários R$ 600 bilhões em investimentos para conseguir bater a meta.

Da entrevista recente que Geninho concedeu ao Estadão, destacamos as seguintes pergunta e resposta:

É possível falar que o novo marco legal facilita a privatização das empresas do setor?
Cria esse ambiente. Nós vamos de alguma forma deixar isso claro no texto. Aqueles governadores que abrirem o capital das empresas terão mais incentivos do governo para buscar recursos. Vamos condicionar linhas de financiamento do governo federal à abertura de capital das companhias estaduais. Estamos falando de linhas com recursos do BNDES, do FGTS e tantas outras. Não é o ideal, mas abrir o capital já é um avanço.

*No Brasil, o saneamento básico é um direito assegurado pela Constituição e definido pela Lei nº 11.445/2007 como o conjunto dos serviços, infraestrutura e Instalações operacionais de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, drenagem urbana, manejos de resíduos sólidos e de águas pluviais.

QUEM TEM MEDO DO SEGURO-GARANTIA DOS COFRES PÚBLICOS?

O vereador Flávio Augusto Olmos (DEM) protocolou na Câmara de Vereadores, semana passada, o projeto de Lei nº 5509/2019, que regula no âmbito municipal a aplicação do artigo 55, inciso VI, e artigo 56, inciso II, da Lei Federal 8.666/93, a Lei das Licitações, obrigando a utilização do seguro-garantia de execução de contratos públicos de obras e de fornecimento de bens ou de serviços, denominando essa modalidade e aplicação da Lei como “Seguro Anticorrupção-SAC”.

Não resta dúvida tratar-se de uma ideia bastante controversa e arrojada, que segundo alguns já teria sido aprovada em vários lugares, e segundo outros, houve também a derrubada dela em tantos outros lugares onde foi aprovada.

Não se trata, no entanto, de um projeto que carregue vício de origem, uma vez que não acarretará custos aos cofres públicos, sua aprovação, sanção e implantação efetiva no município.

A ideia original partiu de integrantes do Movimento Brasil Livre-MBL, núcleo de Olímpia, que primeiro procuraram o prefeito Fernando Cunha (Sem partido) e entregaram a ele a proposta. O prefeito recebeu o projeto, disse que iria estudar e daria um retorno.

Mas, além de não dar o retorno prometido, Cunha não deu sequer satisfação a eles, mesmo com a insistência por uma resposta. Eles haviam dado um prazo de 60 dias para o projeto estar protocolado na Câmara.

Porém, como o prefeito não pautou o projeto e nem deu satisfação, os jovens do MBL procuraram o vereador Olmos, que estudou o projeto, aceitou o desafio e o protocolou na Câmara.

O documento foi deliberado na sessão do dia 5 de agosto, e agora se encontra na Comissão de Justiça e Redação, sob responsabilidade dos vereadores João Magalhães (MDB) e Marcão Coca (PPS), que deverão elaborar parecer favorável ou contrário à tramitação da propositura.

O que significaria esta lei no município? Que ao firmar contrato com empresas vencedoras de licitações para obras ou prestação de serviços, e até mesmo para fornecimento de produtos -a Saúde tem vivido constantes situações em que a firma é contratada e a entrega do material não é feita- e esta empresa então fica obrigada a contratar um seguro, por sua conta, para no caso de dar algum problema, o seguro cobrir os prejuízos, ao invés do município.

Há quem alegue que isso iria encarecer os preços a serem cobrados pelas empresas interessadas na concorrência, mas acreditamos que há um parâmetro de valores e aquela empresa que ultrapassa-lo, não vai vencer nunca os editais, uma vez que o fator determinante é o preço cobrado menor que o das concorrentes.

E este detalhe de empresas que vencem licitações e não concluem obras, por várias razões, principalmente por não ter lastro para assumir a responsabilidade, já fez de Olímpia um “canteiro de obras paradas”, uma vez que a própria 8666, a Lei das Licitações, hoje imperfeita, impede que seja cobrado delas o seu dado financeiro, ou seja, até uma empresa falida pode participar de licitações para obras de qualquer porte.

Súmula-TCU nº 289 repete a vedação contida no §1º do art. 31 da Lei de Licitações que proíbe a exigência de índice cuja fórmula inclua rentabilidade ou lucratividade, não havendo “óbices ao uso de indicadores de endividamento, por exemplo, desde que tal exigência seja pertinente à garantia do cumprimento das obrigações resultantes da licitação”. (TCU. Acórdão 2.495/2010 – Plenário)

O texto deste projeto é longo e bastante segmentado, possui cinco Capítulos, mais Disposições Finais e Transitórias. A proposta lembra que o Artigo 56 da Lei Federal 8.666/93, preconiza em seu Artigo 56 que: “A critério da autoridade competente, em cada caso, e desde que prevista no instrumento convocatório, poderá ser exigida prestação de garantia nas contratações de obras, serviços e compras”.

Trata-se, por fim, de um Projeto de Lei que cria o chamado “Seguro Anticorrupção’”, também conhecido como “Performance Bond”. Nos parece pertinente e vindo bem a calhar. Resta ver o que os doutos integrantes da Comissão de Justiça e Redação vão decidir.

FESTIVAL DO FOLCLORE, UM PAINEL DE GENERALIDADES

Que nunca se deixem assoberbar os organizadores do 55º Festival do Folclore da Estância Turística de Olímpia. Que não se rendam facilmente aos elogios, que não se deixem levar pela ignorância de quem acha o belo fundamental para o sucesso do evento. Estes hão de passar. Porque a beleza verdadeira do festival olimpiense é essencialmente imaterial.

Por ora, todo trabalho feito pela Comissão Organizadora e a Secretaria de Cultura, não pode ser classificado como manifestação de apreço às nossas mais autênticas raízes.

Parece-nos, aliás, haver um certo constrangimento em certos envolvidos, de mostrar aquilo tudo a que o Festival está destinado, por conta de que o brasileiro médio tem vergonha de se ver como parte, como originário daquilo que se mostra a ele durante a festa.

Espera-se que, para o ano que vem, ou para edições mais adiantes até –uma vez que a pouca atenção dispensada a evento tão importante em nível de Brasil vem de muitos anos– haja uma volta à profundidade que o Festival anseia, conscientes de que o Fefol não deve ser só danças no palco.

Aliás, mestre José Sant’anna quem dizia sempre, que as apresentações no palco eram o apogeu dos dias de Festival. E assim deve ser encarado se quisermos despertar novamente o interesse de pesquisadores, estudiosos, ou mesmo de curiosos em busca de informação e conhecimento. E só as danças não suprem esta característica.

Já não é de hoje que a grande preocupação no entorno da festa tem sido quantos grupos foram contratados, que grupos foram contratados, que grupo nunca veio, que grupo virá de novo, quantos folclóricos, quantos parafolclóricos, assemelhando-se a uma “maratona de quem conhece mais e melhores grupos”.

A seleção criteriosa de participantes é importante, mas não deve ser a única e principal preocupação, como se tem notado. Hoje, as atrações cênicas mais se aproximam do teatro musicado do que da representação folclórica necessária e sempre priorizada por Sant’anna quando da escolha dos parafolclóricos.

Se antes tais grupos faziam o chamado aproveitamento do folclore para elaborar suas coreografias e danças, hoje fica a impressão de que tais grupos fizeram, na verdade, uma apropriação cultural do folclore e o usam da forma que lhes parece mais conveniente e quanto mais livre das amarras da origem melhor.

Então, o perigo que se impõe à nossa festa, é o da superficialidade, é o da ideia de que palanque basta e as programações constantes de todos os anos idem como símbolos de sua perenidade. Mas, que tal a preocupação com o aprofundamento disso tudo?

O Fefol foi forjado para que Olímpia se tornasse um foco de resistência cultural ao longo do tempo e suas mudanças, mas temo que não tenhamos resistido à força do moderno, pois caminhamos celeremente para nos tornarmos um painel de generalidades.

Hoje percebe-se um distanciamento maior, uma teatralização maior (no que o teatro tem de livre representação), um colorido às vezes absurdo, exagerado, não contando os elementos novos incorporados, sabendo-se que para alguns deles, com certeza, Sant’anna faria muxoxos e “rabo-de-olho” para quem estivesse do seu lado.

Ele não admitia heresias. Grupos deixaram de ser chamados ou vieram apenas uma vez e não mais por conta disso.

Não se faz aqui análises fáticas sobre a edição deste ano do Fefol. Melhor fazer esta “cobrança” por profundidade maior, já que é quase consenso ter tido esta edição resultados positivos no que diz respeito ao seu aspecto de festa, propriamente dito.

Porém, cada “está lindo” ouvido, naturalmente faz surgir uma pulga atrás da orelha daqueles que ainda hoje sentem ressoar no âmago as palavras do mestre no sentido de que o festival era uma festa antes para a alma. Estamos mergulhados, este ano, em uma festa para os olhos –Antes ver com a alma!

No aspecto estudos, discussões, debates, troca de conhecimentos e culturas, transmissão do ideário folclórico, porém, fica a desejar. Não é culpa dos organizadores de agora. Esta situação vem num crescendo que, esperava-se, caminhasse para um fim.

Mas, a considerar o esmero com que foi tratado o lado festa do Festival, o lado visual, do brilho, o lado “lindo”, este desejo torna-se um sentimento inócuo.

NO EPISÓDIO DO PARQUE NIQUINHA MOSTROU SER SEU PIOR INIMIGO

Se havia necessidade do vereador e presidente da Câmara de Olímpia, Antonio Delomodarme, o Niqunha (Avante), fazer o barulho que fez na segunda-feira em torno do seu projeto que concede gratuidade a crianças carentes ou não nos brinquedos terrestres do parque, só o futuro irá dizer.

Mas foi um barulho ensurdecedor, com direito até a revelações de caráter íntimo do vereador, fato de tempos não muito distantes. O que fica de tudo isso é a certeza de que, até para supostamente fazer o bem, Niquinha precisa estar em situação de forte conflito.

Verdade seja dita, este projeto que o vereador louva tanto e tanta propaganda faz, nada mais é do que o aproveitamento de uma situação prática já desenvolvida na cidade em relação aos parques do Fefol de muitos anos e muitas gestões.

Ocorre que, nestes casos, a gratuidade era para crianças pertencentes à rede municipal de proteção, rede municipal de ensino, crianças da APAE, ou seja, um formato que da mesma maneira atendia o estrato populacional que o projeto de Niquinha atende, exceto que antes, quem podia pagar pelos brinquedos, pagava. O projeto de Niquinha não faz distinção.

Se é justo ou não, isso é lá com ele e suas demagogias oportunistas. Sim, porque não foi outra a intenção do vereador, senão política, a de se fazer presente no Recinto durante toda a tarde da segunda-feira, conversando com pessoas, abraçando crianças e, pasmem, senhores, colocando uma cadeira estrategicamente em meio ao movimento, ali permanecendo por todo o tempo.

Mas, se por um lado o vereador pode ter ganhado alguns pontinhos, por outro lado perdeu, e perdeu feio, não só pontinhos, mas também um pouco de dignidade e recato, pois não resistiu ao seu ímpeto belicoso e foi cutucar uma olimpiense que não tem papas na língua e que, a bem da verdade, nada tinha dito ou feito até então, contra a investida eleitoreira do presidente da Casa de Leis.

Niquinha, orientado não se sabe por quem, colocou uma correligionária sua para atacar esta pessoa de lá do Recinto, via vídeo gravado e postado em sua página no Facebook, onde a cidadão em questão dizia alguns impropérios a esta outra cidadã que, não resistindo, decidiu fazer uma live em seu Facebook, para uma audiência estrondosa.

E ela não se fez de rogada e “jogou no ventilador” até o que não devia, e revelou para o público enorme que a acompanhava, o que ninguém esperava em momento algum a respeito do edil. Foi ruim para o vereador, com certeza. Muito ruim. Porque seu trabalho de marketing em cima da gratuidade do parque foi quase todo por água abaixo.

E não foi só isso. Niquinha também abriu atrito com a secretária municipal de Educação, a quem tachou de desnecessária na Pasta que dirige, pois não teria capacidade de tomar decisões.

Acontece que este ano, diferentemente de anos anteriores, as escolas não foram usadas pelos grupos participantes do Festival, porque estes ficaram hospedados em hotéis e pousadas locais. Assim, os alunos não foram dispensados. De forma que a rede municipal não pôde usufruir da “benesse” do vereador.

Ele tentou mudar a situação em contato com a secretária, mas não obteve êxito. Depois, bradou: “Esta secretária não deveria estar onde está”.

Também abriu atrito com integrantes da Comissão Organizadora do Festival -“Comissão mal despreparada (sic)”, disse ele; com integrantes da equipe de trabalho da prefeitura e até mesmo com funcionários do parque que interromperam a brincadeira uma hora antes da que ele havia anunciado em seus vídeos insistentes no Facebook.

Desta forma, Niquinha deixou atrás de si um rastro de discórdia, desentendimentos e muito de sua natural idiossincrasia. Se pretendia com isso dar o “start” em uma eventual campanha eleitoral ao cargo majoritário, entendemos que o tiro saiu pela culatra, uma vez que, para agradar seu público, praticamente arrebentou com sua eventual estrutura de base.

Isso sem contar o uso da estrutura funcional da Câmara de Vereadores, que preside, o que poderia lhe render uma bela improbidade administrativa. Até porque a impessoalidade passou longe, muito longe do Recinto do Folclore na manhã e tarde de segunda-feira passada, dia 5.

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