Blog do Orlando Costa

Verba volant, scripta manent

Mês: janeiro 2014

DINHEIRO PÚBLICO JOGADO AO VENTO

Surgiu nas últimas horas a novidade de que Olímpia terá quatro escolas de samba desfilando nas ruas das praças da Matriz e Rui Barbosa, no Carnaval de março vindouro. Eram três nos últimos dois anos, com a desistência de duas delas. Um bom tamanho para a cidade, cujos recursos despendidos têm a dimensão de uma “raspa de cofre”.

Este ano, pouco mais de R$ 74 mil, pouco mais de R$ 24,6 mil para cada uma, sendo três. Sendo quatro, este montante cai para R$ 18,5 mil para cada uma. Dispensável dizer que a pulverização da verba dá menos possibilidades às escolas de desenvolverem seus projetos carnavalescos, e nem sempre acabamos vendo nas noites de domingo e terça-feira, sinceramente, aquilo que gostaríamos de ver.

A surpresa do surgimento de uma quarta escola de samba para este carnaval vem misturada ao questionamento sobre quais são os critérios adotados pela Comissão responsável para aglutinar agremiações carnavalescas e, acima de tudo, qual a cobrança feita a estas agremiações de última hora, que simplesmente basta querer e pronto, está na lista.

Nada se pede, nada se questiona, por exemplo sobre a estrutura que se tem pronta, a organização necessária, número de componentes, diretoria regularmente constituída, enfim, deveria registrar a vontade daquela agremiação e fazer uma série de exigências, para o ano seguinte.

Não basta a alegação de que a escola fez o pedido de inscrição “no prazo” e por isso participará. Há tempos que os carnavais de Olímpia carecem de mais qualidade e menos quantidade. Parecia-nos que as três escolas restantes e participantes com brilho nos dois últimos carnavais eram bastantes. Mas, para a Comissão do Carnaval e, por extensão, para a Secretaria de Turismo e Lazer, parece bastar a vontade e tudo o mais se resolve.

O que se espera é que não haja apenas interesses eleitorais por trás disso. Porque a falta de melhor acuidade com esta forma de lazer popular por parte de quem de direito ficou escancarada. O dinheiro público jogado ao vento. Mal distribuído ou, pior, distribuído irresponsavelmente. Sem que tenhamos, no âmbito da festa, o retorno em qualidade, salvo as exceções de praxe.

Até.

AS CACETADAS DE GENINHO

“Prefeito garante que não será candidato a deputado em 2014”, é o título de texto inserido no final do ano passado, no site da rádio Espaço Livre AM (www.espacolivream.com.br), afirmação extraída de declaração dada pelo próprio Geninho (DEM) de forma a transparecer uma decisão irrevogável.

Diz o texto que o alcaide “garantiu que não será candidato a deputado nas eleições do ano que vem (este ano) e não sai da prefeitura até o final de seu mandato, que se encerra em 31 de dezembro de 2016”. E fez mais, o prefeito: ele “também mandou um recado para seus parceiros políticos dizendo que ainda não tem um sucessor para a prefeitura.

“Qualquer especulação de quem será o próximo prefeito é prematura. O momento é de trabalhar e não pensar em uma eleição que vai acontecer só em 2016”, declarou. Muito bem, e por que o burgomestre deu duas cacetadas de uma só vez?

No primeiro caso, já se antecipando a um momento em que muitos vão lhe cobrar a tal candidatura, muito mais forte ainda gente do seu grupo político. Essa decisão, se bem analisada nada tem a ver com a vontade repentina do prefeito em ficar na prefeitura até 2016. O sonho de consumo de Geninho é uma cadeira na Assembléia Legislativa.

Tal decisão, portanto, teria a ver com o momento complicado que vive o alcaide, agora que seu grupo de apoiadores em nível estadual se encalacrou com a Polícia Federal, quando um dos chefões do esquema Scamatti se viu atrás das grades.

Não que o prefeito eventualmente tenha algo a ver com as artimanhas desbaratadas na “Operação Fratelli”, mas tinha tudo a ver com o grupo por trás dela. Se não nos malfeitos, pelo menos nas articulações político-financeiras, da qual seria um dos beneficiários numa eventual candidatura a estadual.

Caiu o esquema, caíram os ânimos. E não só por questões financeiras mas, também, por base de sustentação política, que lhe faltaria agora, até por motivos óbvios.

Então, melhor que apenas permaneça prefeito e volte a ser “cabo eleitoral de luxo” de Garcia e de Itamar Borges, respectivamente candidatos à reeleição a Federal e Estadual. Só o futuro dirá se se trata de um sonho adiado ou de um ideal abandonado.

No segundo caso, ele anunciou que ainda não tem candidato a prefeito para acalmar as bases. Já havia no grupo um esboço de engalfinhamento devido à precocidade do anúncio da candidatura ao Palácio da Luz, na Praça Rui Barbosa, do vereador e presidente da Câmara de Vereadores, Beto Puttini (PTB).

E não só isso. Puttini se arvorava(?) candidato preferencial do alcaide. Que agora vem e diz que não, não tem candidato a prefeito. Mas, o que a base e outros pretendentes a ter a “unção” genista precisam ter em conta é que Puttini foi quem primeiro abraçou a candidatura Zuliani, lá nos idos de 2008, quando ninguém queria saber dele, Geninho.

E com políticos que têm cepa, palavra, idoneidade e responsabilidade, isso tem um peso enorme na hora do “vamovê”. Sendo assim, é lícito especular que o prefeito estaria apenas adiando o anúncio da candidatura a ser apoiada…

Aí perguntam: e Pimenta (PSDB), que foi seu vice quando ninguém queria sê-lo? Bom, este é outro assunto, já esboçado aqui antes, e ao qual voltaremos breve.

Até.

UMA CÂMARA DE QUASE R$ 100 MIL POR MÊS

A Câmara de Vereadores de Olímpia teve um gasto ano passado de quase R$ 100 mil por mês somente com a folha de pagamento dos concursados, comissionados e vereadores. Os edis, claro, consumiram quase 50% deste total a cada mês. No ano, o custo da folha da Câmara ultrapassou R$ 1 milhão, e nos quatro anos somados, os gastos passarão de R$ 4,5 milhões.

Somados os valores referentes somente aos funcionários efetivos e comissionados, a folha da Câmara bateu nos R$ 55.477,49. Os nove vereadores custaram aos cofres públicos R$ 39.267. Somados, estes gastos, ao final do mês, chegaram a R$ 94.744,49.

O maior vencimento é dos vereadores, que ganham R$ 4.363 brutos, e o menor é dos auxiliares de limpeza do Legislativo, são dois, que recebem R$ 704,40 cada. No total, ao final do ano, a Casa de Leis consumiu exatos R$ 1.136.933,80, e nos quatro anos somados, gastará R$ 4.547.735,20.

O maior número de funcionários e os maiores vencimentos são destinados aos comissionados, ou seja, nomeados pelo presidente, mediante, geralmente, indicação dos próprios vereadores.

Os cálculos foram feitos sobre os valores discriminados em publicação da Câmara à página 25 da Imprensa Oficial do Município-IOM, edição do dia 21 de dezembro de 2013.

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