Blog do Orlando Costa

Verba volant, scripta manent – 12 Anos

Categoria: Sem categoria (Página 1 de 16)

Agora, só o futuro interessa; política é o amanhã, a nuvem

Não foi um pleito normal. Foi uma disputa onde as entranhas ficaram expostas. Todo mundo saiu ferido nesta contenda. Sim, uma contenda. Beirando às raias do absurdo. Do surreal.

Confesso que, ao longo da minha vivência em pleitos eleitorais na cidade, jamais presenciei tamanho mar de ódio espraiando para todos os lados, uma mistura de surrealidade com realidade virtual, um campo minado de onde todos saíram chamuscados. Até eleitores.

Sem guardar proporções devidas, a Estância Turística de Olímpia viveu dias de currutela, de curral eleitoral, de coronelismos, de sabugismos à solta e descaradamente manifestos, até por figuras que, a grosso modo, seriam inimagináveis envolverem-se em situações análogas.

Foi triste. Muito triste.

Foi um pleito tão absurdo que curiosamente, quem ganhou não comemorou de espírito aberto, mãos estendidas à conciliação. E quem perdeu, parece, se deu por satisfeito com o balaio de votos que recebeu, calculando o nível de dificuldades da campanha.

Na semana passada, postamos um comentário neste blog que bateu o recorde absoluto de leitura, cravando mais de 1.330 acessos diretos, além dos milhares na página do blog no Facebook, e outras centenas na página oficial deste que vos escreve, onde dissemos que o candidato vencedor tinha a responsabilidade de, além de vencer, “matar no ninho” uma promissora liderança política futura.

Embora seus quase 60% do total de votos válidos, o vencedor não conseguiu tal façanha. Porque o oponente mais direto ficou com 34% do contingente votante. É o limite mínimo que faz florescer o ânimo do político para continuar na luta.

Não sofrerá nenhum desgaste, porque não estará na berlinda, não será vidraça e, em tese, pode fazer política por quatro anos ininterruptos. A tendência, nestes casos, é a do político aumentar seu cabedal de votos, na medida em que o detentor da cadeira principal for se desgastando perante a opinião pública.

E, para tanto, não precisa ser um prefeito ruim. É o chamado desgaste natural da função. Na casa aí dos 30%, 40%, dependendo das ações e também da comunicação que mantiver com seus administrados.

Mas, é preciso lembrar que, em quatro anos, haverá a necessidade de nomes novos, na campanha à prefeitura. Tanto o vencedor quanto seu principal escudeiro, o deputado, terão que usar da imaginação ou buscar dentro de seus grupos, um nome forte, “saído do nada”, para representá-los.

E de onde virá? Da Câmara, por ora, difícil vislumbrar alguém, embora entre os eleitos haja quem poderia fazer boa figura, dependendo de suas posturas no Legislativo.

Das hostes do vencedor, fora da Câmara, difícil imaginar quem, já de antemão. Do quadro político local do deputado dois já foram defenestrados, mas, como disse acima, há nomes ligados a ele no Legislativo que poderiam fazer boa figura.

Embora necessário, trata-se, este, de um exercício do pensamento político ainda bastante precoce.

Mas já disse em análises anteriores, a política não é o hoje, não é o ontem. A política é o amanhã. É a nuvem que se transforma ao sabor do vento. É a seara onde a correlação de força pode sempre mudar.

Findas as eleições, feitas as escolhas para Executivo e Legislativo, agora só o futuro interessa. É importante que todos estejamos preparados para ele.

O menino sorveteiro e a oligarquia estancieira

Três resultados poderão advir amanhã após a votação dos olimpienses em seus candidatos preferidos, mas analisando aqui somente os dois com mais possibilidades de chegar lá: Cunha vencer por margem mínima de votos, vencer por esmagadora maioria, ou perder o pleito.

No sentido contrário, o que pode acontecer a Flávio Olmos é perder por poucos votos, perder por muitos votos ou ganhar o pleito. Se ganhar, Olmos não o fará por margem muito grande de votos. Isso é certo.

Mesmo porque o contrário seria acontecimento fenomenal. Seria, pois, uma vitória apertada, dadas as circunstâncias.

Cunha tem a possibilidade de ganhar por margem grande, embora o clima não aponte para isso, devido ao fato de gozar de uma estrutura eleitoral que só o dinheiro pode proporcionar.

Esta foi uma campanha barulhenta por conta das redes sociais e de alguns acólitos, até coleguinhas, mais estridentes. Foi também a campanha do desamor, da falta de empatia e do acolhimento.

Foi violenta numa certa medida, e desrespeitosa em certos nichos. E, não restam dúvidas, foi uma campanha de todos contra um. Aquele que negar essa máxima, não estará lidando com a verdade.

Convencionou-se chamar de “gabinete do ódio” um emaranhado de pessoas que, no afã de emprestar seu apoio incondicional ao candidato que apanhava de todos os lados, inundaram as redes sociais.

Mas pouparam desta classificação o lado que melhor estruturou seu “gabinete” para atacar os oponentes via WhatApp, estrutura essa formada com personagens que ao longo dos últimos quatro anos gozaram das benesses de belos cargos comissionados para si ou para familiares, e que a tudo se submeteram para não perderem a, digamos, “boquinha”.

Inventaram um debate suspeito desde o princípio, onde a maior aposta era que o candidato Flávio Olmos não compareceria, para que daí pudessem atirar pedras com a ferocidade e a liberdade conivente de autoridades as quais todos vimos.

Felizmente as comunidades católicas vieram resgatar a dignidade de eventos como estes, em que o que mais interessa são as posturas, os feitos e os compromissos dos candidatos, não a oportunidade de produzir sensacionalismos.

No mais, as redes sociais ocuparam o centro das atenções e nela, prevaleceu a experiência neste tipo de meio de informações, e desinformações à larga.

Mas as redes não são suficientes para determinar quem ganha e quem perde uma eleição. Neste aspecto, as ruas são fundamentais. O contato, o aperto de mão, o abraço e o olho-no-olho.

E no fim o julgamento popular. Este possui várias e multifacetadas nuances. Tudo pesa, tudo conta, e um detalhe mínimo pode determinar quem vence e quem perde.

Dentro das hipóteses aventadas na abertura deste comentário, caso prevaleça a derrota do atual prefeito que busca a reeleição, ainda que seja por margem mínima de votos, Olmos terá vencido não só Cunha, mas toda uma oligarquia de poder arraigada nesta Estância Turística.

Será um feito e tanto para quem chegou “ontem” à política olimpiense. Mostraria arrocho e senso de oportunidade ainda maiores que do atual deputado federal, Geninho Zuliani, que em 2008 arregaçou as mangas e foi à luta, agregando aqui e ali, e chegando lá.

Neste domingo Olmos pode repetir a história, e não como farsa, o que é muito importante frisar.

Estão em disputa o arrojo e juventude, contra o establishment de quatro anos, representativo da política de caciques, tabas e tabaques. Será um feito e tanto, acreditem.

O que se espera, neste caso, é que no futuro próximo não sucumba às facilidades oferecidas pelo status quo político vigente e volte às velhas fórmulas, negando a si mesmo o direito à indignação pelo desrespeito público e os ataques à sua imagem, construída a duras penas, como fez o atual deputado federal.

Na outra seara, a da vitória de Cunha, se ela for por muitos votos de distância, nem assim estará consolidada sua marca de bom administrador, coisa que não foi, mas estará cravada a força da grana que destrói coisas belas.

Se ganhar por uma margem mínima, endossará o que dissemos acima do candidato opositor mais forte. Além do que, o tornará “a” opção para 2024.

Portanto, Cunha tem a dura missão de ganhar uma eleição e “matar no ninho” uma forte promessa para anos vindouros. Não poderá ser pífio desta vez.

Mesma obrigação do deputado Geninho, que com certeza, em seus mais recônditos pesadelos, deve se ver refletido no menino sorveteiro. E que por isso fez a escolha que fez.

Ademais, salvando-se da hipótese da chamada “grande lavada”, mesmo perdendo, silogismos à parte, Flávio Olmos terá vencido esta eleição.

Olmos, portanto, é a esperança, de si mesmo, diga-se, enquanto Cunha é o que aí está, e que funcionou até agora de forma aquém do que a cidade necessitava, e sem o arrojo e a disposição do seu antecessor, de quem passou quatro anos terminando obras.

Enfim, amanhã o povo tem nas mãos o mais forte dos poderes, aquele que pode mudar ou ser a repetição do já visto. Tanto no Executivo, quanto no Legislativo, pois os dois poderes se completam. Para o bem ou para o mal.

Eleições 2020 em números

Olímpia tem uma tradição que se repete ao longo das eleições municipais, que é a da ausência de mais de 22% na média do eleitorado apto, das urnas.

Isso aconteceu em 2012 e em 2016 também, para ficarmos com dois exemplos mais recentes. São quase 10 mil cidadãos, nas duas ocasiões, que não foram tocados pelas argumentações dos candidatos.

No primeiro caso, estes eram três. No segundo caso, quatro eram os pretendentes à cadeira de prefeito, como agora. O que ocorreu foi que, dos eleitores presentes, houve a preferência enormemente maior para os candidatos vencedores.

O que leva o eleitor olimpiense a não comparecer em tão grande número às urnas nesta Estância Turística, carece de estudos.

Isto sem contar aqueles que vão e votam em branco ou anulam o voto. Estes foram, em 2016, 10.6% do total de eleitores aptos ao voto naquela ocasião.

Numericamente, 3.309 eleitores acordaram naquele dia dispostos a comparecerem às urnas, mas votarem em branco ou anularem o voto.

É muita gente. Mas, muito mais gente ainda, três vezes isso, praticamente, aqueles que não foram às urnas em 2016, ou sejam, 9.107 cidadãos, ou porcentualmente, 22,58%. É a chamada abstenção.

Nisso tudo, temos a quantidade de votos que, podemos dizer, são jogados fora. Somada a abstenção, os votos brancos e nulos do pleito de quatro anos atrás, nada menos que 12.416 eleitores não se convenceram com os discursos dos então pretendentes a prefeito da cidade.

Em 2014 éramos 40.255 inscritos na Justiça Eleitoral como votantes. Destes, 31.234 foram votar. Descontados os nulos e brancos, os votos que valeram para eleger o prefeito saíram de um total de 27.925, os chamados votos válidos.

Para as eleições de 15 de novembro próximo, a Estância conta com mais 2.667 novos eleitores, ou um total de 42.922. Se o fenômeno das abstenções se repetir, teremos então cerca de 9,7 mil votantes que não sairão de casa.

E se também o fenômeno dos brancos e nulos se repetir, ficaremos na casa dos absurdos 3,5 mil votos ou mais, que vão para as calendas. Ou um total, somados abstenção, brancos e nulos, entre 13 mil e 14 mil votos.

Mas, ainda assim, isso não representará um refresco para os candidatos a uma cadeira na Câmara, porque se confirmando estes resultados numéricos, ou valores bem próximos disso, acima ou abaixo, o quociente eleitoral ficará na casa dos 2,9 mil votos.

Isto quer dizer que, para cada cadeira no Legislativo, é preciso que o partido obtenha esta quantia de votos.

Lembrando que nesta eleição não há mais a chamada “puxada” da coligação, o que fazia um candidato com menos votos se eleger, e um com o dobro de votos ficar de fora, por exemplo, porque cada partido corre sozinho nas proporcionais.

É cada um por si e, quiçá, Deus por todos.

‘O novo sempre vem’, como garante a famosa canção?

Já se passaram algumas semanas em que os dados estão rolando na busca por vagas nas Câmaras Municipais e por cadeiras principais nos muitos municípios que compõem este Brasil varonil.

As “propostas de governo” são quase sempre coincidentes, quando há mais de um candidato na busca pela vaga majoritária. Sempre apresentando soluções fáceis para os problemas da cidade.

É difícil falar em igualdade de condições nas disputas para a vereança e para o Executivo. É claro que todos sabem o poderio econômico-financeiro de cada grupo, de cada um e, no imaginário popular, sempre ganha aquele que tem mais dinheiro. E não devia ser assim.

Mas, também não é sonho de uma noite de verão dizer que há nos ares um quê de mudança na percepção do eleitor, que com as redes sociais pode se informar, conversar, obter esclarecimentos e, mais importante, saber quem é quem e o que cada um quer.

Mais importante ainda, saber se o que cada um quer é para si ou para a coletividade.

Não é exagero dizer que, em função disso, os que atualmente exercem ainda cargos legislativos, principalmente, estão tendo que suar ainda mais a camisa, usar de criatividade ainda mais aprimorada para, primeiro, se livrarem da pecha de inoperantes e, depois, convencer aquele eleitor de que deve continuar na sua cadeira.

Para os prefeitos de turno, candidatos à reeleição, também não está sendo nada fácil, pois as comparações e as cobranças são inevitáveis. E as críticas também. Ele é o candidato-vidraça.

Ao mesmo tempo em que precisa justificar o que não cumpriu dos compromissos anteriores, tem que convencer aquele eleitor de que, além de dar cabo do que prometera antes, também vai dar conta de cumprir com o que está prometendo agora. Difícil missão.

Até porque reeleição é sempre desgastante. Há quem diga que aquele que busca a reeleição majoritária, em tese está pedindo ao eleitor mais quatro anos para fazer aquilo que prometeu fazer e não fez nos quatro que se encerram.

Já para os que estão na disputa pela primeira vez, pode se dizer que a caminhada é menos penosa, mas nem por isso mais fácil. Todos apresentam-se como novidade, mas precisam convencer o eleitor de que, além de novidade, são de fato competentes.

Se aquele que busca o repeteco eles já conhecem (ainda que só de nome), os que estão na luta para o cargo precisam se fazer conhecer e, mais ainda, passar confiança ao cidadão.

Quererá o cidadão o novo, o supernovo, o já conhecido? O que quererá o eleitor desta vez? Em quem apostará (no sentido transitivo indireto, para não confundir com uma jogada de sorte ou azar)?

O que não dá é para acreditar em milagres. Que algo que se deixou para trás possa ser agora, com uma varinha de condão, resolvido. Parece que não, mas quatro anos são muito tempo. Embora os políticos carreiristas digam que não. Por isso inventaram a reeleição.

O que falta no país, a nosso ver, é uma coisa chamada “deseleição”, ou seja, o candidato se apresentaria ao eleitor não com um programa genérico de governo mas, sim, com um “caderno de metas” para cada um dos quatro anos.

E teria que cumprir. Falhou no primeiro ano, está fora, conforme então preveria a constituição do país.

Aí acabaria o festival de mentiras e ilusões que chamam de programa de governo. Pois não seriam “programas”, seriam “metas a serem rigorosamente cumpridas num prazo ‘xis'”. Se não, sempre teremos os carreiristas iludindo as pessoas de boa índole e crédulas.

Porém, no atual sistema, também é possível detectar a capacidade de realização do carreirista, apurando-se o porcentual daquilo que colocou em seu “programa” da vez passada e o que efetivamente realizou. Se não passar dos 80%, abandona.

Porque se ele elencou tudo aquilo que estava em seu “programa” e não cumpriu a quase totalidade dele, então ele mentiu sobre sua capacidade de realizador. Ou simplesmente não tinha a menor noção do que é exercer um cargo administrativo.

Por que da segunda vez seria diferente, já que se acumulariam a maioria das promessas não cumpridas com as novas que estariam sendo feitas?

Embora alguns até cometam o desplante de “prometer de novo” aquela mesma obra, quatro anos depois. Então, um fácil escrutínio para aquele eleitor mais atento.

No mais, o eleitorado brasileiro precisa perder o medo do novo, das mudanças, porque “o novo sempre vem”, já diz aquela famosa canção. Mais cedo ou mais tarde, ele bate à sua porta. Neste momento é preciso racionalizar, usar do bom senso.

Pensar: se tudo está empacado até agora, será que uma dose de sangue novo não vai fazer a roda girar? Não vai desengripar as engrenagens? Se não acontecer isso, muda de novo. Há sempre uma eleição para o cidadão fazer sua catarse.

A menos que, por algum motivo, prefiram conviver com “homens-rodas-gigantes”, aqueles que ficam ao longo do tempo girando em torno de si mesmos.

Liderança política: Olímpia abaixo de zero

Representatividade, quero uma para sobreviver.

Comecemos assim o texto de hoje, apenas para lembrar que força política ou se tem, ou não se tem. Não é o marketing que vai ditar esta norma. Não são as bravatas. São os resultados práticos e verdadeiros de uma empreitada.

Não é com imensa alegria que escrevemos hoje estas mal traçadas linhas. É com o pesar de constatarmos que a voz da comunidade desta urbe turística soa fraca e não impositiva alhures.

Estramos falando de uma “força” atrelada aos mandatários maiores do Estado que, mesmo assim, resultou infrutífera.

Este episódio da regressão de fase de Olímpia do amarelo para o laranja, seria o ponto “G” para quem tem gana de se mostrar influente em escala superior mas, vê-se, não há influência, talvez haja só companheirismo político-eleitoral.

Sendo assim, a urbe turística está órfã, ainda que tenha um representante eleito na mais alta corte legislativa do país.

Convenhamos que o alcaide não goza de prestígio considerável junto ao menestrel da paulistada. Fez campanha para seu adversário, criticou-o, depois criticou-o de novo quando suspendeu os convênios todos firmados pelo antecessor, impropérios que sobraram até para o tucanato local.

Bom, considerando que em política tudo é superável conforme os interesses contidos em cada virada de mesa -vide o representante legislativo e o próprio alcaide-, então estão fazendo pouco ou não estão sendo capazes de fazer o essencial para dissipar do coração ferido do superior executivo todas as mágoas que por ventura lá morem.

Mas, é pueril apelar para corações e almas em política, certo?, alguém já disse um dia. Política é a arte, não só de “engolir sapos” mas, também, com muita propriedade, de saber pensar para o amanhã bem à frente e não somente para a próxima hora.

É também a arte de saber que quem planta erva daninha pelo caminho, além de não formar um belo jardim, não colherá multicoloridas hortênsias quando retornar por ele.

Liderança é algo nato. Às vezes nos deparamos com alguns arroubos dela em certas pessoas, que nos decepcionam pouco depois. Descobre-se que foram apenas truques da imaginação.

Assim, a representatividade, que decorre da liderança, passa a ter escala zero. E esse nível percebemos agora, quando o alcaide teve que chamar para si uma responsabilidade de peso tamanho, que só o tempo dirá qual será também o tamanho de suas consequências políticas.

Nisso não há nobreza, como alguns querem impingir ao senso comum. Antes, há temor, e muito, de um desastre antecipado definitivo.

A alternativa seria acocorar-se sob um arco de incompetências e contar os dias antes da tempestade desabar.

Voto que tem preço não tem valor (Análise conjuntural)

Não se iludam os incautos eleitores desta urbe turística com os primeiros minutos ouvidos esta semana da propaganda eleitoral gratuita.

Ali, parece estarmos mergulhados em um mundo de paz e respeito, epítetos de um marco civilizatório buscado por tantos na política brasileira.

Para aqueles que preferem a incivilidade, no entanto, então recomendamos os bastidores. Ali a situação está monstruosa. Ali a falta de caráter, de moral e ética são a tônica das coisas.

Bom, já falamos aqui na semana passada sobre como funciona este espaço tão importante, às vezes fundamental em uma campanha política. Dele saem as boas coisas, dele saem as perversidades.

Não é muito chato quando você se depara com situações em que um candidato menospreza o outro por este não ter dinheiro para a “corrida final”, como chamam?

E quando na caradura dizem ao interlocutor que, no final, este ou aquele candidato “vai comprar os votos” do outro que está bem melhor que ele na preferência do eleitor?

Não é muita falta de caráter sair por aí desinformando o eleitor sobre o candidato concorrente, dizendo coisas como “ele desistiu da campanha” e pedindo a ele o voto que era do outro -que não desistiu, na verdade?

Não é antiético dizer que o oponente não vai chegar até o fim com fôlego e disposição, porque “quando os cavalos top de linha” começarem a correr, os demais vão ficar para trás?

(Por “top de linha” entendam: ricos, cacifados, dispostos a comprar de Antonio a Zeferino).

Não é de dar engulhos quando se sabe que determinados candidatos estão sentados sobre sacos de dinheiro esperando o momento de sair por aí praticando “bondades” pessoais -eis que o eleitor também não é flor que se cheire?

Mas, entendemos que vergonha maior cabe àquele que chega ao poder à base de milhares ou milhões de reais.

Porque cada voto recebido não se pode contar como adesão voluntária do cidadão às propostas, ao programa e ao trabalho pregresso daquele político.

Para este eleitor, tanto faz, como tanto fez. Seu voto teve preço, não valor. Já que foi comprado como uma mercadoria barata de banca de beira de estrada. E não raro ajudou a eleger um vereador ou prefeito tão vadio e desavergonhado quanto ele.

Mas, ambos sabem disso. E pouco importam os outros desconfiarem, olharem torto. Aqueles que ainda acreditam que um governo se firma na honradez, no brio e no reconhecimento pelos trabalhos prestados. Pouco importam.

Como falar em “trabalhos prestados” se o cabra sai por aí comprando a tudo e a todos para se garantir na cadeira? Se compra votos, é porque teme a justiça popular. E ela, quando não corrompida, é a pior (ou a melhor?) de todas as justiças.

Estamos num período de profunda carência popular, momentos difíceis provocados pela pandemia. Os políticos abonados e de má índole esfregam as mãos de contentamento. É a seara perfeita onde decerto irão plantar suas sementes de mau caratismo.

Cabe ao eleitor fazer o julgamento de ações pregressas, falas, atitudes, decisões, comportamentos e assim decidir seu voto. Não cabe medir o candidato pelo que ele tem e consequentemente, pelo que se pode “tirar” dele.

Porque depois, o que se verá são políticos inescrupulosos, senhores de si, que entendem terem quatro anos para fazer e desfazer de seu cargo, desdenhar o público, se alimentar e alimentar aos seus próximos da res publica.

Enfim, só o povo, por sua vontade e decisão, pode mudar ou moldar o caráter do seu representante. Porque grande parte dos representantes não tem caráter nenhum.

Não se deixe iludir, pois, nobre eleitor, com a docilidade dos homens públicos, antes brutos e desrespeitosos, na busca pela manutenção de seu próprio status quo.

Os bastidores eleitorais e a cozinha do belo restaurante

Quer conhecer bem um candidato? Ou o personagem ao qual você pretende dar seu voto numa eleição qualquer? Proceda da mesma maneira que deveria proceder naquele restaurante a que vai pela primeira vez: vá à sua cozinha.

Os bastidores são a “cozinha” de uma campanha eleitoral. Procure acompanhar, de alguma maneira, tais bastidores, sejam eles quais forem, comparados ao do adversário.

Ambos podem usar e abusar da mesmas táticas, se tiverem o mesmo nível de poder econômico, que campanha política não é coisa para amadores. Mas, também, ambos bastidores podem revelar dessemelhanças gritantes.

Há aquele bastidor mais agressivo, intempestuoso, desrespeitoso até, no trato com os adversários. Campanha eleitoral é jogo de poder, e este fica bem exposto quando se conhecem bastidores.

Há intrigas aos montes, queixumes, lágrimas de sangue e injustiças. Muitas injustiças. Há manifestações explícitas ou veladas de preferências, há pressões, deserções, boicotes…

Afinal, ninguém entra na luta para perder. E dentro desta “seara”, há aqueles candidatos que acham que o vale-tudo deve ser a pedra-de-toque dos trabalhos, das ações com vistas aos fins.

Porque para se chegar a eles de forma a não sofrer percalços, os fins sempre hão de justificar os meios.

Nos bastidores se fala mal do candidato adversário e não raro até mesmo do candidato para o qual se trabalha.

Se for candidaturas a prefeituras, fala-se mal dos candidatos a vereadores dentro do próprio comitê, muitos se xingam à boca pequena e há até aquela torcidinha básica para que o candidato-mor perca a disputa em favor do oponente.

Isso ocorre à larga principalmente onde a arrogância, a prepotência e o desprezo aos colaboradores e parceiros são indisfarçáveis.

Porém, um pouco mais raro existem aqueles bastidores que são um ajuntamento de pessoas que visam um bem comum e o suor é derramado coletivamente.

Não há estrelismos e o que for de um, será de todos. Estes bastidores podem até serem chamados de comunidade, tamanha a harmonia a que se assiste.

Há bastidores, como já disse acima, onde sempre os meios vão justificar o fim. E há aqueles em que se busca o fim com dignidade, integridade, respeito ao outro e o grupo segue de mãos dadas.

Neste caso, se obtiver sucesso, a vitória será de todos, porque terá uma gota de suor de cada um nela.

Nos bastidores onde imperam a força, o vale-tudo, e o personalismo, claro que, chegando à vitória, ela não terá sido de todos, mas daqueles que se acham acima dos meros mortais, meros serviçais de seu bel-prazer.

Quer conhecer bem os candidatos? Conheça a “cozinha” onde se preparam as “iguarias” que cá de fora, parecem tão irresistíveis.

Mas que quando conhecemos o modo de fazê-las, sofremos terríveis engulhos.

ERA UMA VEZ…

“Existiu há tempos um reinado onde pessoas do bem e pessoas do mal conviviam harmoniosamente, quase sempre. Certa feita, naquele reinado, apareceu um peregrino que, devido a forças telúricas, se tornou rei.

Este rei, aparentemente não gostava do seu povo. Apenas bajulava os estrangeiros que vinham trazer vantagens pecuniárias ao reinado, das quais uma certa quantia ia para sua Almoniere já abarrotada de ouro.

Muito bem, passou-se o tempo e tal reinado ia chegando ao fim. O reizinho, todo impoluto e dono de si decidiu que ainda não era a hora de deixar o trono.

E quando lhe argumentaram que o povo não o amava tanto assim, ele arguiu sua máxima: “O povo, ora, o povo é só um detalhe”. E lançou-se, e aos seus bajuladores, na empreitada pela permanência no trono que usurpara dos nativos.

O reizinho que o antecedera, findada todas as possibilidades de se manter no trono, suspeita-se ter ido a terras não muito distantes buscar aquele predestinado para o substituir. Eis que não confiava nos acólitos que o rodeavam.

Pois bem, tomado o trono, o reizinho tornou-se absoluto, inimigo de seu povo e, pasmem, senhores!, até do antecessor, atacando-o de todas as formas.

Porém, quando se esperava que este ex-rei viesse com sua legião para o combate, para reaver o trono, capitulou, juntou os poucos combatentes que lhe restaram e foi emprestar apoio ao reizinho absoluto.

Então, o reizinho, sentindo-se fortalecido, colocou ainda mais à mostra sua peculiar sanha persecutória e de vingança a quem quer que se atrevesse a dificultar sua caminhada.

Ouviu-se nos corredores do palácio, seu tonitruar inconfundível, quando se dirigia aos acólitos: “Quem não está comigo é meu inimigo, e aos inimigos, a forca!”.

Consta que sua primeira vítima teria sido uma inocente donzela à qual havia assediado para que se unisse a ele e aos seus, na batalha pela permanência no trono, ao qual se apegara de forma incontinente.

A donzela, de um vilarejo distante, muito amada pelos moradores do local, teve a ousadia de dizer a um dos acólitos do rei que sim, estaria ao lado dele, mas precisava também levar consigo na jornada outra donzela, de outro vilarejo, na busca por um dos assentos do burgo.

Não satisfeito com a “infidelidade” da donzela, o reizinho a rechaçou. Ela, então, muito triste, foi reclamar sua sorte com a amiga, temendo o pior.

Esta, então, lhe apresentou um jovem rebelde que, no condado, arregimentava bravos e corajosos guerreiros para reaver, para o povo, o trono usurpado.

Enfurecido, o reizinho lançou mão de sua mais habitual resposta, que era o uso do mecanismo do poder sem respeitar o limite da ética, do pudor e do direito do outro: convocou seu mais valioso bobo da corte para que fizesse o serviço sujo, em seu nome, e assim colocasse uma trava nos propósitos da donzela….”.

PS: Infelizmente não se sabe como a narrativa termina, porque seu autor, um degredado daquele mesmo reinado, foi encontrado boiando no grande lago dos mandriões.

Como vivia isolado pelos cantos, dormindo onde lhe dessem abrigo, comendo os restos até dos cães, não foi difícil incutir no povo, a verdade oficial, de que ele, bêbado, caiu naquele lago e se afogou….

Geninho, um político comum

E, lembremo-nos de que quase não consegue formar sequer uma chapa com condições de disputar cadeiras à Câmara de Vereadores. Precisou, em grande parte, contar com a boa vontade de amigos e correligionários. Miséria política, é o nome disso.

Artimanha com vistas a um futuro que talvez só ele e sua cúpula vislumbrem para Olímpia, subserviência aos “caciques” do partido, ou mera covardia política?

Como o nobre leitor classificaria a decisão do deputado federal Geninho Zuliani de deixar seus parceiros locais a ver navios, esperançosos que estavam de seguir caminhos próprios, de mãos dadas com um candidato majoritário que fosse do agrado de todos?

A artimanha caberia aí porque com a sua virada de mesa, o deputado desarrumou toda a oposição ao atual prefeito, além de pavimentar seu caminho com as facilidades eleitorais que ele tanto necessitava.

A subserviência viria como segunda possibilidade, uma vez que Cunha prefeito da Estância é resultado de uma “arrumação” do mentor político do deputado, Rodrigo Garcia, que agora desejaria tê-lo por mais quatro anos à frente do Executivo local, a fim, então, de levar a cabo a “artimanha” do amanhã.

A mais triste das possibilidades também pode ser verdadeira. Geninho apenas teria se acovardado diante de seu grupo e de seu principal oponente, já que teria que demonstrar suprema força política e de arregimentação.

E, lembremo-nos de que quase não consegue formar sequer uma chapa com condições de disputar cadeiras à Câmara de Vereadores. Precisou, em grande parte, contar com a boa vontade de amigos e correligionários.

Miséria política, é o nome disso.

Triste tal situação, para quem acaba de galgar dois degraus acima da seara política da província. Chegou lá e para muitos, seria a sacramentação como “ducis ingenium“. Mas, enganou-se quem assim raciocinou.

Geninho agora demonstra ser, isso sim, um político comum. Daqueles de muita sorte. Com capacidade infinita de conquistar votos, mas em nível local, haja vista sua penosa escalada ao Congresso.

(O que agora pode se inverter: terá facilidades lá fora (?), mas dificuldades aqui dentro. Seu protegido de turno foi vítima desta mesma tragédia. Perdeu sua reeleição à Assembleia paulista aqui na província)

Todos os que se dignaram a sair candidatos à Câmara de Vereadores pelo Democratas estão profundamente constrangidos. Não têm um nome à principal cadeira da Praça Rui Barbosa para chamarem de seu.

No fim das contas sobram quatro candidatos a prefeito na cidade, 129 candidatos a vereadores, dos quais talvez nenhum saia eleito das hostes do deputado.

Vergonha democrática. Ou seria do Democratas e seu, até então, principal personagem em nível local?

Geninho vai domar o leão que ruge à sua frente?

Quando a gente vê o deputado federal olimpiense Geninho Zuliani (DEM) todo serelepe por aí lançando candidaturas a prefeitos e prefeitas, automaticamente nos perguntamos: Por que não aqui, também? Mas, deixemos que a história responda.

Zuliani está agora empenhado com sua chapa diminuta de vereadores, a ser confirmada na convenção deste domingo, 13. O deputado vive um dilema crucial, pois terá chances diminutas de mostrar que ainda tem alguma influência política na cidade, considerando que imagem política positiva e influência política não bebem café à mesma mesa.

A meta do deputado, dizem, é formar uma bancada de pelo menos três vereadores dentro de sua reduzidíssima relação de nomes. Missão hercúlea para o congressista da Estância, e perigosa para quem se aventura estar ao seu lado nesta empreitada.

Ele tem nesta caminhada apenas um ocupante de cadeira no Legislativo, Luiz Antonio Moreira Salata. Caso vislumbre a impossibilidade de emplacar os pretendidos três, em quem os senhores acham que ele vai centrar seus esforços?

Enfim, para nós, espectadores, vai possibilitar vermos se Geninho ainda cavalga o leão da ‘selva’ eleitoral da cidade.

Ou, se não, ficaremos nos perguntando onde foi que um belo dia o deputado deixou o leão que sempre cavalgou.

PESQUISAS AMEDRONTAM
Começo este outro curto tópico, com mais uma pergunta: por que pesquisas assustam tanto o prefeito de turno, candidato à reeleição?

Os moralistas virão com aquele argumento de que os pedidos de impugnações são decorrentes das ilegalidades, das dúvidas, etecetera e tal. Já foram duas. E, coincidentemente, duas que não lhe davam vantagem numérica.

Mas a primeira a ser divulgada, que o coloca em uma posição nunca antes imaginada, ele não se opôs, e até comemorou, por meio de seus bate-paus.

Os moralistas vão dizer mas aquela foi feita pelo SBT que contratou um instituto (supostamente) idôneo. Será?

Cadê as outras pesquisas que prometeram fazer “em vários municípios”? E não nos esqueçamos das relações íntimas do poder com a mídia em questão e nos lembremos que ninguém teve a iniciativa de barrá-la. Porque podiam.

Não considerando aqui os aspectos legais e/ou ilegais envolvidos na situação com um todo, a pergunta é: por que Cunha tem medo de pesquisas que não são dele?

Página 1 de 16

Blog do Orlando Costa: .