Blog do Orlando Costa

Verba volant, scripta manent

Categoria: Folclore

O FESTIVAL DO FOLCLORE E A HISTÓRICA NEGLIGÊNCIA COM SEU POTENCIAL

Doutor Welson Tremura fala ao público em simpósio desprezado pelos organizadores do Fefol

É melhor que ainda não se deixem assoberbar os organizadores do 53º Festival do Folclore de Olímpia.

Pois este é o grande inimigo das pessoas e coisas feitas por elas, no que diz respeito à nossa festa maior. Por ora, todo trabalho feito pela Comissão Organizadora e a Secretaria de Cultura, pode ser classificado, por conta das circunstâncias, como uma espécie de “ato de contrição”, embora não sejam exatamente os “pecadores”.

Dito isso, espera-se que, para o ano que vem, ou para edições mais adiantes até – uma  vez que a pouca atenção dispensada a evento tão importante em nível de Brasil vem de muito anos – haja uma volta à profundidade que o Festival anseia, conscientes de que o Fefol não deve ser só danças no palco. Aliás, mestre José Sant’anna quem dizia sempre, que as apresentações no palco eram o apogeu dos dias de Festival.

Doutora Tatiane fala ao público no mesmo Simpósio, suscitando depois profundo debate

E assim deve ser encarado se quisermos despertar novamente o interesse de pesquisadores, estudiosos, ou mesmo de curiosos em busca de informação e conhecimento. E só as danças não suprem esta característica.

‘MARATONA DE QUEM CONHECE MAIS’
Já não é de hoje que a grande preocupação no entorno da festa tem sido quantos grupos foram contratados, que grupos foram contratados, que grupo nunca veio, que grupo virá de novo, quantos folclóricos, quantos parafolclóricos, assemelhando-se a uma “maratona de quem conhece mais e melhores grupos”.

Certo que a seleção criteriosa de participantes é importante, mas não deve ser a única e principal preocupação, como se tem notado. E isso não é de agora. Teve anos ainda piores, onde as atrações cênicas mais se aproximavam do teatro musicado do que da representação folclórica necessária e sempre priorizada por Sant’anna quando da escolha dos parafolclóricos.

Este ano, a propósito da reintegração de um elemento-chave no âmbito das contratações, parece que houve uma ligeira guinada à busca da qualidade aliada à plasticidade de cena. Melhor que a qualidade tenha sido em maior grau.

Houve também um nível de respeito mais elevado em relação aos grupos folclóricos -embora, claro, manifestações individuais ou de grupos eivadas de preconceito e discriminação tenha-se presenciado em diferentes momentos.

SÍMBOLOS DA PERENIDADE
Então, o perigo que se impõe à nossa festa, é o da superficialidade, é o da ideia de que palanque basta e as programações constantes de todos os anos idem como símbolos de sua perenidade. Mas, que tal a preocupação com o aprofundamento disso tudo?

Nós temos tido a oportunidade de acompanhar uma programação que ainda não faz parte oficialmente da oficial do Folclore e que, a nosso ver, tem sido um desperdício de informação e transmissão de conhecimento: os simpósios étnicomusicais que há pelo menos três anos vêm sendo realizados por esforço de um olimpiense amante à toda prova de nosso Festival.

Por que não incorporar estes encontros ao Fefol, agregando a ele público, por exemplo professores da rede pública municipal e estadual, que depois poderiam usar em sala de aula com seus alunos, além de apenas lhes ensinar a dança, também lhes ensinando conceitos, formas, origens, e tudo o mais que permeia o tema?

PARA QUE O FEFOL FOI CRIADO?
E não só este tipo de simpósio. Há outras tantas ideias e assuntos que se encaixariam no dia-a-dia do nosso Fefol, fazendo com que as atividades, para muito além dos brinquedos tradicionais e infantis, sejam todos os dias, o dia todo. Dias de irradiação de conhecimentos e cultura, que afinal é para isso que o Fefol foi criado. E repensá-lo neste aspecto seria fundamental.

Personagem de um dos grupos de Moçambique mais constante no Festival de Olímpia

Vai dar mais trabalho, não restam dúvidas. Mas com certeza nosso evento ganhará, e muito, em prestígio, respeito e importância junto à Academia, imprensa -falo daquela imprensa que trata o tema com profundidade, nãos as inserções televisivas, não raro pagas e festivas.

Traria de volta aquele público que hoje abandonou nosso Festival: os pesquisadores acadêmicos ou não, os curiosos em busca de informação e cultura, instituições, entidades nacionais e internacionais de estudos do Brasil.

SALÃO DE EVENTOS
Também aí surge uma outra ideia, já que o prefeito Fernando Cunha falou em cobrir a arena do Recinto para “o povo não sentir frio”.

Considerando que o alcaide é engenheiro e deve saber muito bem em que conceito se insere a estrutura arquitetônica da arena, sugeriríamos que, ao invés disso, fosse aproveitada uma das barracas, com as devidas reestruturações, e transformada em um salão de convenções, simpósios, debates, onde todos os eventos extra-palco pudessem sem realizados, com conforto e segurança.

Claro, isso se houver a intenção de sairmos da mesmice a que o Fefol está mergulhado, de modo geral, e passarmos a tratá-lo, de novo, como um evento de cunho cultural, não apenas de espetáculos de dança, haja vista a pouca identidade da maioria dos grupos que para cá são chamados,  com o fato folclórico, propriamente dito.

Hoje percebe-se um distanciamento maior, uma teatralização maior (no que o teatro tem de livre representação), um colorido às vezes absurdo, exagerado, não contando os elementos novos incorporados, sabendo-se que para alguns deles, com certeza, Sant’anna faria muxoxos e “rabo-de-olho” para quem estivesse do seu lado. Ele não admitia heresias. Grupos deixaram de ser chamados ou vieram apenas uma vez e não mais por conta disso.

DEDICAÇÃO MAIOR DO SITE OFICIAL
Outro aspecto a ser abordado, e este é muito grave. Não começou agora, não era nem nunca foi a praxe, mas para que nosso Festival consiga repercussão no meio acadêmico, dos pesquisadores, estudiosos, etc., assim até facilitando as negociações em busca de verba junto às esferas estadual e federal, é preciso que haja uma dedicação mais extremada com o site do Festival, que nos anos todos apenas tem servido para acomodar os releases sobre o evento.

Os Parafolclóricos, quando próximos do Folclórico, acrescentam sentido ao evento

Por exemplo, tivemos aqui, na sexta-feira, o simpósio já citado acima, no qual um dos palestrantes era nada mais, nada menos, que o olimpiense Welson Alves Tremura, doutor em musicologia-etnomusicologia nos EUA pela “Florida State University” (FSU), entre outras atribuições, que falou um pouco -e esse pouco valeu ouro, sobre Folclore, música, tradição e sua relação, enquanto brasileiro, com as muitas visões do estrangeiro sobre sua terra natal e suas manifestações culturais.

Também Tatiane Pereira de Souza, olimpiense neta de José Ferreira, capitão do Terno de Congadas Chapéu de Fitas, grupo que inspirou-a a iniciar pesquisas sobre africanidade e suas culturas, além de outros temas de caráter antropológico, agora cursando pós-doutorado na Unesp, e outras “feras” com portfólio acadêmico de fazer inveja a qualquer um.

E sabem para quantas pessoas falaram? Se muito, 15 abnegados olimpienses e integrantes de grupos. Ninguém da Comissão, ninguém da organização da festa, ninguém para colher ali rico material ilustrativo da essência do nosso festival, a fim de abastecer o site do Folclore com entrevistas, fotos, impressões de especialistas, por exemplo, material que repercute no mundo acadêmico e de pesquisas, e que precisa ser alcançado, para o bem de nosso Festival.

A organização e realização de tudo isso, às vezes dando “murro em ponta de faca”, “comendo o pão que o diabo amassou”, foi de outro olimpiense, Estevão Amaro dos Reis, músico com doutorado em Etnomusicologia na Unicamp. É preciso pegar rápido, com as duas mãos, este trabalho, incorpora-lo à programação oficial e a cada ano aprimorar mais, a fim de despertar novamente o interesse acadêmico, histórico e cultural da nossa festa.

CORREÇÕES À VISTA?
Não se faz aqui análises fáticas sobre a edição deste ano do Fefol. Melhor fazer esta “cobrança” por profundidade maior, já que é quase consenso ter tido esta edição resultados positivos no que diz respeito ao seu aspecto de festa, propriamente dito, embora os senões que certamente serão corrigidos para o ano que vem.

No aspecto estudos, discussões, debates, troca de conhecimentos e culturas, transmissão do ideário folclórico, porém, ficou a desejar. Não é culpa dos organizadores de agora. Esta situação vem num crescendo que, espera-se, agora tenha um fim. A considerar o esmero com que foi tratado o lado festa do Festival, é possível vislumbrar melhoras consideráveis no lado cultural.

Aproveitando que, parece, tem-se agora um prefeito que gosta do Festival. O último a demonstrar interesse e amor por ele já data de mais de 30 anos e nem entre nós está mais. Portanto, o 53º Fefol acendeu as luzes de todas as boas expectativas possíveis. Espera-se que não seja “fogo de palha” de principiantes.

‘MERCADO LIVRE’ E CHAMADA PÚBLICA AINDA NÃO GARANTEM BOM FEFOL

 

Vamos devagar com o andor, que o santo é de barro. Não vamos com muita sede ao pote.

Nada melhor que um provérbio português encampado pelo povo no Brasil, e outro de origem desconhecida, mas da mesma forma de uso cotidiano ainda hoje, para ilustrarem as primeiras medidas práticas tomadas pela administração municipal em torno do 53º Festival do Folclore, que começa em 5 de agosto, e se estende até 13 daquele mês.

Uma das medidas dá conta de que a Comissão Organizadora decidiu por liberar a marca da bebida a ser comercializada pelos barraqueiros dentro da Praça de Atividades Folclóricas e Turísticas “Professor José Sant´Anna”. O objetivo, diz o texto oficial, “é incentivar e apoiar os comerciantes e dar oportunidade ao público, que poderá pesquisar os melhores preços”.

Embora com muitas restrições ao fato de que todos estão comemorando o fato, como se a bebida fosse a razão de ser do Festival, não se pode furtar a ver a medida como positiva. Aquele “engessamento” de marca e formato de distribuição da bebida no interior do Recinto não era bom para ninguém.

Impedia os comerciantes de praticarem a livre iniciativa, e os consumidores, de exercerem o direito à livre escolha, privilegiando à frente o menor preço. Para que a iniciativa seja coroada de êxito, agora, basta que tais mudanças acabem com o chororô de todos os anos dos barraqueiros, que sempre punham à frente de suas reclamações a sistemática comercial no interior do recinto vigente até então.

A partir desta edição da festa, os barraqueiros poderão comercializar a marca que preferirem e adquirir a bebida do fornecedor que para eles for mais viável. Além disso, há um tabelamento, outra novidade: a unidade poderá ser vendida ao preço máximo de R$ 4,50 a cerveja, R$ 3,50 o refrigerante e R$ 2 a água.

BARRACAS POR LICITAÇÃO
Ao mesmo tempo, a Prefeitura da Estância Turística de Olímpia abriu licitação para o comércio de barracas no Recinto, por meio da Chamada Pública nº 03/2017, publicada na Imprensa Oficial do Município-IOM no dia 3 de junho, de autorização onerosa de uso de espaço público com o objetivo de exploração comercial.

Embora a secretária de Cultura, Esportes e Lazer, Tina Riscali, diga que os interessados terão a mesma oportunidade ao “disputar com transparência os locais na Praça de Atividades Folclóricas”, a vantagem fica só nisso, na “transparência”. Porque igualdade na disputa pelo espaço não é a inteira verdade, já que disputarão aqueles que tiverem condições financeiras imediatas, sejam pessoas físicas ou jurídicas.

Estão sendo disponibilizadas para licitação as barracas grandes, médias e as pequenas, além dos espaços demarcados para montagem de trailers, foodtrucks e similares.

As barracas de alvenaria serão destinadas à gastronomia. O critério de julgamento será o de maior oferta por metro quadrado, dando-se a classificação pela ordem decrescente das propostas apresentadas para cada lote.

Os valores mínimos por metro quadrado dos espaços citados acima são: Para o Lote 1, R$ 60 por metro quadrado; para o Lote 2, R$ 50 por metro quadrado; Lote 3, R$ 30; Lote 4, R$ 7 por metro quadrado. O critério de julgamento será o de maior oferta por metro quadrado, dando-se a classificação pela ordem decrescente das propostas apresentadas para cada lote.

Assim, os valores a serem pagos a título de lance mínimo partem por exemplo, de R$ 722,40, para uma barraca em alvenaria medindo 12,04 metros quadrados, para comércio de bebidas como caipirinha e batidas, etc. São pelo menos quatro a cinco barracas com estas medidas, no Lote I.

Outra barraca em alvenaria medindo 22,90 metros quadrados, terá lance mínimo de R$ 1.374. Também exclusiva para bebidas em geral. Outra, para lanches, medindo 23,66 metros quadrados, pode ser alugada partindo de um lance inicial de R$ 1.419,60. E há, ainda, aquela outra barraca para “lanche completo”, medindo 53,30 metros quadrados, com lance mínimo de R$ 3.198.

As barracas para artesanato em geral têm lance inicial de R$ 768,50 a R$ 373, conforme a área -15,37m2 ou 7,46m2. Áreas demarcadas têm lances de R$ 840, para um espaço de 28 metros quadrados, ou R$ 960, para um espaço de 32 metros quadrados. Por fim, resta a barraca restaurante e comidas típicas, com 547,83 metros quadrados, com lance mínimo de R$ 3.834,81.

Estes são exemplos de preços pinçados do Edital da Chamada Pública, cujo detalhamento encontra-se no site da prefeitura, no Portal da Transparência.

Como dito acima, são duas medidas que vêm dar uma “sacudida” numa estrutura “pétrea”, com vistas a facilitar, de certa forma, a comercialização dos espaços comerciais, embora ainda mantenha seu caráter restritivo, ao contrário do que pregam, e a chamar de volta o público que, dados os altos custos da frequência com consumo naquele logradouro, tornavam proibitiva a sua presença por mais vezes na semana.

Mas ainda não é tudo. Resta saber que tratamento será dado ao que mais interessa, do ponto de vista do evento mais que cinquentenário: seu conteúdo.

VILA BRASIL ‘SUCESSO NO FEFOL’, MESMO?

 

“Vila Brasil é mais uma vez atração confirmada para a 53ª edição do Festival do Folclore de Olímpia. O espaço, no entanto, passará por adequações devido a problemas estruturais identificados por engenheiros da Prefeitura. Duas edificações de madeira, que são o curral do caipira e a casa de taipa, estão sendo desmontadas nesta semana por estarem comprometidas e sendo consumida por cupins.”

Assim começa texto encaminhado por e-mail pela assessoria de imprensa do governo municipal, tratando da questão relacionada àquele espaço no Recinto do Folclore, que nos últimos anos tornou-se atração à parte. Mas, embora a promessa, nada indica que continuará mesmo a ser “o sucesso” do Festival. Se não, vejamos:

“No caso do curral, os pilares de madeira estão fora do prumo, em aproximadamente 25 centímetros. Em vistoria técnica, realizada pela secretaria de Obras, Engenharia e Infraestrutura, foi constatado que os pilares de madeira (pé direito) que promovem a sustentação da estrutura para cobertura do barracão, utilizado para eventos durante os festivais do Folclore, encontram-se fora do prumo devido à movimentação do solo. ‘Provocando com isso a desestabilização do conjunto, com risco iminente de ruína’, diz o laudo emitido no dia 29 de maio.”, é a segunda parte do texto. E aí vem:

‘Portanto, opinamos pela demolição cuidadosa e a guarda dos elementos estruturais para que sejam reaproveitados em outra oportunidade’, acrescenta o documento. Certo, mas que “outra oportunidade” que não essa, do Festival? Talvez em um juninão, para alimentar a fogueira? E veja, abaixo, qual foi a solução “pensada” pela secretária:

‘(..) Tina Riscali explica que as duas edificações serão instaladas novamente assim que a secretaria de Obras fizer os ajustes necessários. Por enquanto, serão colocadas duas tendas’. Oi? “Duas tendas”? Aproveitem e coloquem duas videntes para quem sabe antecipar a sorte do Festival.

‘A secretaria de Obras, Engenharia e Infraestrutura nos entregou um laudo que aponta todos esses problemas estruturais nas duas edificações. E nos orientou, de imediato, a desmontarmos as duas edificações, para não colocarmos a segurança dos frequentadores do local em risco’, explica Tina Riscali.

Tratam-se de duas “edificações” em madeira. Se o município não dispõe de uma equipe composta de três ou quatro marceneiros para colocar aquelas “edificações” de madeira em pé num prazo de dois meses, no mínimo, então, que administração é essa? Se uma secretária não tem poder de mando para exigir que aquelas “edificações” sejam colocadas em condições plenas de uso neste tempo, então, que secretária é essa? “Duas tendas”? É risível, para dizer o mínimo.

‘A secretária ressalta ainda que, dessa forma, a Vila Brasil vai continuar funcionando para agregar cultura às atrações do festival, no Recinto de Exposições e Praça de Atividades Folclóricas e Turísticas ‘Professor José Sant´anna.’

“O curral do caipira foi inaugurado em 2014”. E destruído em 2017. “A estrutura de madeira foi doada por um empresário olimpiense”. Que agora, se quiser, pode toma-la de volta. A Vila não será mais aquela conforme foi concebida. Pena.

PURISTA, MODERNOSO, EXTRAVAGANTE OU HARDCORE? OREM PELO FEFOL

Entre estupefato, estarrecido e incrédulo, encontrei na caixa postal na manhã de hoje e-mail oriundo da assessoria do Governo Municipal, cujo conteúdo traz o seguinte título: “Festival do Folclore de Olímpia abre inscrições para concurso da rainha e princesas da festa“. De imediato, me veio à mente aquela figurinha verde vomitando da internet. Sério. Porque é o que esta iniciativa merece: um vomitaço.

É impressionante a capacidade desta gente de querer transmutar as coisas “sagradas” do município a seu bel-prazer. E o verbo, se quiserem, pode ser usado no sentido químico, aquele que fala na transformação de um elemento químico em outro, com a condição de que já sabemos qual é o outro.

O leitor pode estar estranhando a falta de elegância derramada nesta introdução, mas estou transmitindo aqui a forma como recebemos as reclamações nas ruas por aí. Talvez entendam melhor, os senhores luminares do governo.

O texto abre com o seguinte parágrafo:

“O 53º Festival do Folclore da Estância Turística de Olímpia retomará, neste ano, a tradição do concurso para escolha da rainha da festa. A novidade é que também serão selecionadas a 1ª e 2ª princesas do festival.” Certo? Estavam sentindo falta delas, né, as acompanhantes da monarca?

O que causa espécie é que nesta altura do campeonato, quando todos que amam e respeitam o evento como difusor de cultura e conhecimento, conforme o legado de Sant’anna, esperavam as informações sobre o que se poderia esperar da festa este ano, em termos de conteúdo, porque o que se ouve por aí não é nada abonador, saem com essa.

Quer parecer que há uma excessiva gana “modernista” a rondar os organizadores, aquela “liberdade intelectual” nas escolhas e decisões sobre quem pode vir e quem não pode, e aquela displicência em não fazer esforço qualquer para convencer este ou aquele grupo a vir, mesmo o que vêm por conta própria como, parece, alguns estão desistindo.

Aí, gastam-se energia, tempo e recursos com algo tão frívolo e desnecessário quanto o tal concurso que nada, absolutamente nada, acresce ao Festival. E quer saber qual será a função destas garotas durante o evento? Muito bem, vamos lá:

“As eleitas serão as representantes oficiais da festa, tendo como obrigações, visitar os grupos durante a semana do festival, ser hospitaleiras, dar suporte e informações aos grupos a respeito da história e da programação do evento, entre outras. Além disso, deverão obrigatoriamente participar da abertura (5 de agosto), do 1º domingo (6 de agosto), e do desfile e encerramento do festival, no dia 13 de agosto.”

Porque sem elas nada acontecerá? É isso?

No quesito “visitar os grupos” já sabemos de antemão quais serão os preferenciais se não os únicos a terem o ar da graça das beldades folclorísticas. Vão participar “obrigatoriamente” da abertura, em 5 de agosto, do primeiro domingo, 6, e do desfile de encerramento que – outro pasmem-se! – deve ser levado para a Avenida Menina-Moça, como antes já fora, quando experimentou retumbante fracasso.

Aí nos vem à memória também a possível desativação da Vila Brasil e suas icônicas noites de verdadeira nostalgia de tempos idos. Então, que tal voltarem todas as tenções para estes detalhes, poupar vossas emoções para o que vale a pena, antes que nossas noites de palanque ou mesmo o desfile de encerramento fique mais com cara de carnaval fora de época – que as informações neste sentido também nos deixam com a pulga atrás das orelhas – que de manifestações das raízes culturais e históricas.

Em suma: vamos aprofundar o olhar e a mente e debruçar seriamente sobre o que há por fazer de responsável e comprometido com a história e cultura deste país

Temos esta responsabilidade. Não à toa somos a Capital Nacional do Folclore. É uma distinção que requer de nós, olimpienses, no mínimo discernimento para diferenciar o que é festa para encher os olhos, do que é festival para encher a alma e o intelecto.

Não sejamos injustos: há uma pergunta de profundo cunho cultural dirigida às incautas candidatas: “O que o Festival do Folclore de Olímpia representa para você?”. Só se espera que no dia do concurso não se interessem pelo prato preferido de cada uma delas.

Mas, falando sério, abaixo as firulas que se prenunciam. Respeitem o sono eterno de seu criador, professor e folclorista José Sant’anna.

O FIFOL QUE NÃO TEVE, O FEFOL SOB RISCOS E A UTI MÓVEL PARADA

Para começo de conversa, não foi realizado este ano o Festival Internacional do Folclore. Sequer uma satisfação para a sua não realização foi dada. Não que isso tenha importância cultural tamanha que a cidade não possa prescindir dele, mas é um indicativo do pouco caso desta administração com as coisas, digamos, voltadas ao populacho, à patuleia, ao andar de baixo ou outro adjetivo qualquer como queiram e, neste caso, o Fifol se encaixa porque nos últimos três anos foi realizado em praça pública.

Tratava-se do reavivamento desta festa, iniciada lá atrás, depois esquecida por sua inviabilidade estrutural e formato (ingressos eram cobrados no Recinto do Folclore). Aliás, frisa-se que o Fifol voltou em 2014 por iniciativa da gestora do Tuti Resort, à frente Caia Piton que, depois acabou defenestrado da organização, e passou a ser gerido por outro grupo, com apoio da prefeitura.

Presume-se que o Fifol tenha sucumbido à sua própria dispersão de mentes realizadoras, e também pela inépcia administrativa dos tempos que correm por estas plagas.

Mas, se a cidade e seu povo perdem pouco aí, muito perderão caso as propostas para o 53º Festival do Folclore, a ser realizado neste agosto-2017, vinguem. A bem da verdade, não há propostas oficiais ainda, o que se sabe é o que circula à boca pequena, aqui e ali, e estes “cochichos” não trazem boas novas.

A começar pela possibilidade de desativação da chamada “Vila Brasil”, ao invés de sua recuperação no que tem de deteriorada. Aquele setor do Recinto da festa tornou-se, ao longo dos últimos anos, um dos mais requisitados por quem vai ao Fefol, dadas suas características de uma autêntica vila caipira, com sua igrejinha, seu coreto, suas casas do caipira e do caboclo, seu barracão gaúcho e seu curral.

Outros elementos poderiam ser ali acrescentados com um pouco mais de boa vontade e clarividência sobre o significado de tão singela homenagem ao Brasil do passado, mormente sua região rural, sua cultura caipira, sua aura nostálgica.

Os cafés da manhã, com o líquido coado à moda de nossos avós ali eram um detalhe. A cachacinha de tonel, o bolo de milho, a pamonha, os caldos, enfim, ali estava o Brasil nascente. De encher os olhos e afagar as almas.

Oxalá uma luz desça do infinito e ilumine cabeças por trás do evento, principalmente a da secretária Tina Riscali, tão cheia de idéias “revolucionárias” que é capaz ainda de reviver um momento triste, bem triste, do Festival olimpiense, que é levar o desfile de encerramento, de novo, para a Avenida Menina-Moça, aquela mesma que abrigou o mais ridículo, para dizer o mínimo, dos carnavais da cidade.

NÃO, MAS SÓ QUE SIM
O semanário Planeta News publicou em sua edição de sábado passado, 20, matéria com o seguinte título: “Governo nega desativação do SAMU”, levado por informações que davam conta de que o serviço tinha sido trocado por ambulâncias de uma empresa privada, cujos sócios seriam um médico da rede municipal e o vice-prefeito Fábio Martinez.

Por meio de sua assessoria de Imprensa, Fernando Cunha negou ter desativado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência-SAMU e contratado a tal empresa de ambulâncias. Diz o jornal que ao receber a informação, a redação encaminhou ao Executivo um questionário contendo pedidos de respostas a indagações neste sentido, e respondido com as negativas oficiais.

Sobre a possibilidade da contratação da empresa de ambulâncias para substituir o SAMU, o governo respondeu que “as Ambulâncias Comuns, tidas como Ambulâncias Brancas, continuam trabalhando normalmente no serviço de remoção, dentro da UPA. Não há nenhum tipo de terceirização deste serviço”.

O governo também negou a sociedade de Martinez e o médico da rede de Saúde, com um curto “não confere”. Mas, deixou em aberto a questão, ao dizer que, embora não tivesse havido nenhum processo licitatório neste sentido, “quando realizado, a licitação pode atender qualquer uma das seguintes modalidades, de acordo com a necessidade: dispensa de licitação, inexigibilidade, convite, tomada de preço, pregão, ou pregão por registro de preço”.

Aí é que entramos, então, no outro lado, que é o mesmo lado, da questão. Diríamos que o jornal estava com a arma certa, com a munição adequada, com um atirador experiente que, no entanto, teria atirado no pássaro errado.

O alvo teria que ser, conforme informações complementares surgidas depois, a interrupção, pela prefeitura, da Unidade de Suporte Avançado (USA), mais conhecida por UTI Móvel. Esta paralisação deve perdurar até o final do mês, segundo o governo, “para análise da viabilidade da continuação do serviço realizado diretamente pelo município de Olímpia, uma vez que o serviço é de alto custo”.

Mas que, segundo as esquinas & cafés, seria para dar tempo de se realizar, conforme não negado acima, modalidade licitatória explicitada abaixo, que venha viabilizar a contratação de empresa prestadora deste tipo de serviço.

E, como o leitor já está esperando, sim, esta empresa seria aquela que, supostamente, estaria suprindo o SAMU que, como se viu, continua na ativa. Daí o tiro no pássaro errado. Entenderam?

Diz ainda o governo que “o serviço terceirizado de Suporte Avançado custa em média 50% a menos do que manter a USA pelo município, que requer mensalmente um gasto de R$ 106 mil. Durante este período, está em fase de cotação um pedido do serviço terceirizado que, posteriormente, será licitado, provavelmente por pregão ou registro de preço”. Ou seja, um serviço de R$ 53 mil mensais, ou R$ 636 mil anuais.

E mais: “Neste tempo de interrupção, se algum paciente necessitar do serviço da Unidade de Suporte Avançado, a secretaria de Saúde já manteve contato com as empresas da cidade que prestam esse tipo de atendimento especializado e contratará o serviço terceirizado por compra direta, garantindo, assim, a manutenção do atendimento para a população.”

“A secretaria da Saúde já manteve contato com as empresas da cidade”. Quantas empresas neste setor Olímpia possuiria, então? Confesso que nunca ouvira falar de nenhuma, até este momento. Esta mesma empresa que, por certo, deverá concorrer, então, consigo mesma? Esta mesma que tem o vice e o médico como sócios?

Para quem não sabe, Olímpia possui o veículo UTI Móvel desde outubro de 2013, que entrou em operação três anos depois, no dia 15 de dezembro de 2016, sabe-se lá por quais razões, a nota não explica, cabendo à nova gestão arcar com os custos da reativação.

Bom, aí ficam as perguntas. Se entrou em operação no final de 2016, ou quinze dias antes de Cunha assumir a cadeira principal da Praça Rui Barbosa, 54, como saber que o custo de seu funcionamento atinge aquele montante? E como saber, ainda, se é inviável mantê-lo em atividade? A UTI móvel teria, então, um custo fixo? Ou esse valor é determinado conforme o uso?

A empresa que o assumir terá este rendimento independentemente de ser acionada ou de quantas vezes for acionada? São estas dúvidas que ficam no ar. Aguardemos as respostas.

NAKAMURA DESCE DAS NUVENS E JOGA TERRA NO DEBATE

André Nakamura, tido pelo site “Diário de Olímpia” como “discípulo” de José Sant’anna no que diz respeito às coisas do Folclore, acaba de descer à terra das nuvens para, segundo o site citado, “jogar terra” no debate, dirimir as dúvidas quanto à vinda ou não do grupo Maria Bonita à 53ª edição da festa, em agosto, representando o Estado do Ceará.

Mas, o advogado, folclorista, editor do Anuário de Folclore, no qual publicou inúmeros artigos, desde a época do professor Sant’anna, e jornalista, mais confunde que explica a situação. Ele enviou ao site citado sua manifestação “sobre a discussão em redes sociais da decisão da Secretaria de Cultura de Olímpia em rever a escolha feita no ano passado de um grupo parafolclórico do Ceará ser homenageado, representando o seu Estado, na edição vindoura do Festival”.

“A questão é puramente financeira de ambos os lados, mas a rede social é celeiro fácil de opiniões nem sempre bem fundamentadas, daí o artigo enviado hoje (24) ao Diário”, relata seu editor, Leonardo Concon.

Mas, Nakamura nada explica, não deixa pedra sobre pedra, não coloca os pingos nos iis, prefere manifestar de forma tardia seus descontentamentos com os organizadores da festa, ao longo de muitos anos. Confirma o que este blog já afirmara ainda ontem, que a cada edição do evento, há uma disputa dissimulada de egos, sempre o maior algoz do Fefol.

Nakamura presta um grande serviço ao público ao liberar este texto, porque nele revela aquilo que muitos desconfiavam, mas não tinham certeza: nunca houve consenso entre aqueles que tinham a responsabilidade de cuidar de nossa festa maior, a ponto de o presidente de turno, no caso ele, chegar não entendendo muitas das decisões, não concordando com elas, porém não tendo o poder ou a disposição, que seja, de mudá-las. Leiam, abaixo, a íntegra do texto:

“Por André Nakamura – Leonardo, parabéns pela excelente reportagem. Até então estavam sendo feitas alegações firmemente fundamentadas, “em nuvens”. Você elucidou os fatos.

Considero oportuno reafirmar que não há nenhum “compromisso” do Município da Estância Turística de Olímpia com qualquer grupo específico. Trata-se de homenagens a Estados brasileiros, a “unidades da federação”, e não a grupos, sejam folclóricos, sejam parafolclóricos.

Essas homenagens a Estados se iniciaram no 42º Festival do Folclore, ocasião em que lamentavelmente fui presidente da Comissão Executiva. Assumi quando o cartaz já estava pronto. Quando indagado acerca do porquê da homenagem ao “folclore paraense”, afirmava que desconhecia o critério, e até mesmo se havia algum. Nesse mesmo cartaz, não há um grupo específico do Pará.

Nas anteriores edições do Festival, grupos folclóricos, na maioria, eram motivo do cartaz. O Grupo Parafolclórico “Terra da Luz”, de Fortaleca/CE, inclusive, foi motivo do cartaz no 37º FEFOL.

Por que o Pará? Não sei.

O Estado da Bahia, por exemplo, poderia ter sido o primeiro (o Brasil começou lá). Ou, melhor ainda, o Estado de São Paulo, no qual se criou, em Olímpia, o Festival doFolclore (lembrando que em 2006, o Recinto de Exposições e Praça de Atividades Folclóricas “Prof. José Sant’anna” completava 20 anos).

As “homenagens” continuaram, na seguinte ordem: Minas Gerais, em 2007 (não me pergunte o motivo); Paraíba, em 2008 (?). Em 2008, haveria eleições para Prefeito. A Comissão Executiva na ocasião não se pronunciou, ao final do evento, sobre homenagear algum Estado. Em 2009, nenhuma unidade da federação foi enaltecida; O Município de Olímpia foi então homenageado.

No 45º FEFOL, retomaram-se as “homenagens”: Paraná (2010); Rio Grande do Norte (2011); Rio Grande do Sul (2012); Mato Grosso (2013). No cinquentenário do Festival (20 14), finalmente, São Paulo; Em 2015, Pernambuco, e, em 2016, Espírito Santo.

Note-se que, quanto ao festival de 2012, havia integrantes de diferentes grupos gaúchos no cartaz, e que, no do cinquentenário, não havia imagem em destaque de grupo nenhum, folclórico ou parafolclórico.

No cartaz do 51º Fefol, também não há foto de nenhum grupo parafolclórico conhecido, apenas ilustrações de figuras de maracatu.

Após sua reportagem exclusiva, ouvi estranhos rumores, e li declarações em redes sociais da internet (fundamentadas “no ar”, constatamos depois) de que “isso não pode”, porque tudo está “acertado” com entidades estatais cearenses (conheço várias pessoas ligadas a folclore, de diversos grupos parafolclóricos, desse Estado). Procurei saber sobre a existência de “contrato”, “convênio” ou qualquer outro “compromisso” de entidades ou órgãos públicos de lá com Olímpia. Obtive a mesma informação. Houve até quem gracejasse dizendo que, mesmo se o próprio Lampião e a Maria Bonita ainda estivessem vivos, não tinha nada certo” sobre participação do governo do estado (e também da prefeitura de Umari), em festival de folclore, pois inúmeras outras eram as prioridades dos governantes no momento.”

Blog do Orlando Costa: .