Blog do Orlando Costa

Verba volant, scripta manent

Categoria: Novo Governo Municipal (Página 1 de 5)

CEM DIAS: E CUNHA CAMINHOU PARA TRÁS

Hoje está se completando o 100º dia de governo de Fernando Cunha (PR). Cem dias nos quais Cunha não saiu do lugar. Continua no modo caranguejo. Ainda por cima, sofreu um revés sem precedente na história político-administrativa de Olímpia. A secretária da Saúde, Lucineia dos Santos, pegou seus pertences e deu adeus ao prefeito.

Talvez esta seja a mais crítica perda de Cunha, num setor estratégico, calcanhar de aquiles, gargalo, nó górdio ou qualquer outro nome que se queira dar, foi justo ali que o prefeito perdeu uma profissional técnica. E deu um passo atrás.

Cunha se mostra um prefeito um tanto discursivo e pouco prático. Não parece ser daqueles que “correm” atrás dos problemas a fim de resolvê-los. Ao contrário, espera que eles lhe chegue. Parece ser do tipo “executivo-padrão”, querendo resolver tudo por detrás de sua mesa.

Mas, voltando à questão crucial dos últimos dias, desde que “estourou” a informação de que a secretária da Saúde havia pedido exoneração. O setor sob Cunha está uma lástima. Não dá pra dizer se está igual ou se piorou em relação à gestão passada. Mas dá para garantir que não melhorou absolutamente nada.

Na entrevista que concedeu (de forma exclusiva, um erro de estratégia grotesco!) ao site Diário de Notícias, percebe-se que o alcaide tenta “demonizar” a secretária demissionária, deixando antever uma certa incompatibilidade dela para com o cargo e as exigências feitas. “Não conseguiu os resultados esperados”, conforme disse o prefeito.

Porém, cai muito mal para um administrador municipal jogar nas costas de uma funcionária técnica toda culpa por sua inapetência temporária. As pessoas todas que conviveram com a secretária, são unânimes em afirmar que era a gentileza em pessoa. Inteligente, foi o adjetivo mais ouvido dentre aqueles que trabalhavam com ela. Justa e participativa, além de dar muito valor ao coletivo.

Tanto, que quando decidiu deixar o cargo, há informações de que os funcionários da secretaria foram os primeiros a saber de sua decisão. E só depois foi levar o pedido ao prefeito, no final do dia da quinta-feira passada, 6.

O prefeito chega até a dizer que pode ter havido “boicote” na Saúde, embora sem declinar por parte de quem, naquele episódio da falta de papel higiênico e produtos de limpeza, remédios e materiais de uso contínuo, além de falta de iniciativa da secretária.

Porém, não é bem assim que funcionários da Saúde contam a história. Dizem que a principal causa do estresse da demissionária, foi a usura do prefeito, de quem era quase impossível obter autorização para compras, seja lá do que for. Aliás, esta é uma queixa quase geral nos demais setores.

Há informações de que Lucineia dos Santos não escondia de funcionários mais próximos seu descontentamento com as dificuldades financeiras impostas por Cunha a ela. Houve quem escutou um desabafo: “É impossível trabalhar com ele desta forma”.

Devido aos últimos acontecimentos na área da Saúde, começando com a destituição da diretoria da Beneficência Portuguesa e agora com a saída de profissional competente do quadro, fica patente a dificuldade de Cunha em aglutinar pessoas, formar grupo político ou de apoio.

Em todas as situações havidas, o prefeito teve que fazer “remendos” provisórios para resolver a questão. Foi assim também na Santa Casa, e é assim agora na Saúde.

Tanto, que teve que lançar mão de uma funcionária, aliás, “coringa”, transferindo-a de um setor para outro. Sandra Lima era secretária de Gestão na administração Geninho (DEM), teve função rebaixada com Cunha e agora galga ao cargo mais espinhoso do governo.

Se terá mais desenvoltura que Lucineia Santos, é o que se verá. Mas, pelas circunstâncias, parece ter sido escolhida pelo critério da submissão.

De qualquer forma, e tristemente se constata que o prefeito Fernando Cunha andou em círculos até agora, feito caranguejo acuado. E com a saída da secretária, deu um enorme passo atrás.

Até porque, a julgar pelas tantas testemunhas das ações dela, o problema não estava nela, e sim na maneira de Cunha administrar o setor (A propósito, e repetindo, outros setores também se queixam do mesmo mal).

Dissemos lá em cima que após 100 dias Cunha não havia saído do lugar. Porém, após estas reflexões todas, melhor seria dizer que saiu sim, do lugar. Mas caminhando para trás.

PS DA UNIMED NA SANTA CASA AGORA É INCÔMODO?

Por que o vereador João Magalhães anda cismado com o PS da Unimed instalado na Santa Casa há alguns anos? Isso aconteceu quando a diretoria que na semana passada renunciou aos cargos aceitou a proposta financeira feita pela empresa privada de assistência médica, premida que estava pela situação de seus cofres de então (que não mudou muito ou quase nada até hoje).

E aconteceu também em função de a Unidade de Pronto Atendimento, a UPA, ter entrado em operação e assim aquele espaço ficou sem utilidade prática. Uma vez construído, que destino se poderia dar a ele, o fechamento? Assim, a diretoria decidiu que era melhor pegar os trocados da Unimed.

O vereador João Magalhães (PMDB), líder do prefeito na Câmara, que vem desenvolvendo uma verdadeira “cruzada” contra o PS, argumenta que ele foi construído com dinheiro público. O que é uma verdade. Foi dinheiro de emenda parlamentar um pouco, outro tanto buscado aqui e ali e a desenvoltura da então provedora, Helena Pereira, que possibilitaram erigir aquele espaço.

E num momento em que o governo municipal fala em dotar a Santa Casa de um pronto socorro visando otimizar os atendimento em urgência e emergência, a ideia de aproveitar aquele anexo não é de todo desprezível. Evita gastos desnecessários e o congestionamento humano caso se construa outro anexo nos fundos do hospital, mantendo o PS da Unimed ativo.

A menos que se queira algo, digamos (argh, detesto esta conceituação), de primeiro mundo, seja lá o que isso signifique. O vereador disse que não entende como a diretoria do hospital permitiu tal situação. Bom, isso já explicamos lá em cima.

Em 2012, último ano de funcionamento do PS da Santa Casa, Magalhães estava em seu último ano de mandato na Câmara e concorria à principal cadeira da Praça Rui Barbosa, 54 e, em 2013, quando a Unimed ocupou aquele anexo, ele se afastava da atividade política.

Disse mais o vereador. Que “há 15 anos atrás, mais ou menos”, fez um trabalho com um deputado que nem deputado é mais, e teria conseguido R$ 300 mil para a construção do PS ao lado da Santa Casa de Misericórdia. E por isso não se conforma e ver aquele anexo “ocupado por unidade médico-hospitalar, uma das maiores do Brasil”, já que foi construído com recursos públicos, e “que deveria ser utilizado para atender a população de uma forma geral”.

“Nós não podemos concordar com isso”, contestou. E por isso diz ter protocolado requerimento questionando a direção da Santa Casa, sobre o porquê do fechamento do pronto socorro municipal e a destinação que foi dada a ele, para uma empresa particular.

“Nós queremos que o pronto socorro volte a atender a população do município de Olímpia e essa empresa médico hospitalar, que é uma das maiores do Brasil, possa construir outro prédio ao lado da Santa Casa para atender os seus conveniados, seus associados”.

Não deixa de ter razão o vereador. Mas, trata-se de uma questão que pode ser resolvida da melhor forma possível. É certo que a Unimed cumpriu uma função estando ali ao longo destes pouco mais de quatro anos. De alguma maneira deve ter aliviado certas situações do hospital, embora também tivesse a contrapartida de, às vezes, se não quase sempre, fazer uso do plantonista do próprio hospital, quando este fosse conveniado da empresa.

Ou seja, ali foi uma mão lavando a outra. Agora não serve mais? Muito bem. Que se trate a questão com a maior das diplomacias, porque de embates desnecessários o público está saturado nesta cidade, dados os tantos acontecimentos dos últimos quase 100 dias, principalmente na área da Saúde, que ainda está muito “doente”.

PS: Informações ainda por serem checadas dão conta de que pode haver uma baixa no secretariado de Cunha nas próximas horas. Pode ser fato, pode ser boato. Por isso não se pode sequer dar pistas de em qual setor se daria. Nem se pode garantir que de fato acontecerá. Mas os rumores são fortíssimos.

POR QUE CUNHA NÃO DIZ LOGO: ‘A SANTA CASA É NOSSA’?

A diretoria provisória da Santa Casa, e o provedor Perroni (segundo da esquerda para a direita)

O prefeito Cunha e os representantes do hospital, assessores, presidente da Câmara, Pimenta, e o vice-prefeito Fábio Martinez (de costas)

Leio na imprensa eletrônica local que o prefeito Fernando Cunha recebeu, na tarde de ontem, terça-feira, dia 4, a nova diretoria da Santa Casa de Misericórdia de Olímpia. E que o encontro foi realizado na sala de reuniões do Gabinete Executivo.

Diz o texto oficial, emanado da assessoria do alcaide: “O objetivo da visita dos novos gestores foi de apresentar a diretoria ao prefeito para aproximar a relação entre o Executivo e a entidade a (em?) favor do único hospital da cidade.”

Segue o texto: “Durante o encontro, a diretoria expôs que pretende fazer uma gestão mais transparente e colaborativa, abrindo as portas da instituição para a população (PS; nunca tiveram fechadas, pelo que saibamos).”

E mais: “Na ocasião, o prefeito se colocou à disposição da instituição, cuja diretoria irá elaborar um raio-x do hospital e um plano de despesas. ‘A saúde é uma necessidade fundamental para qualquer cidadão. Sabemos que são muitas prioridades, mas estamos empenhados em também ajudar o hospital’“, teria dito Fernando Cunha.

Tudo muito bem ensaiado, mas cheira a ópera-bufa. O prefeito insiste neste personagem “isentão” com relação à Santa Casa, mas sabe-se, nas rodas, que não é bem assim, nem nunca foi. O ex-prefeito Geninho, por exemplo, foi mais sincero neste aspecto. Foi lá, tomou e pronto.

Cunha não. Cunha fica fazendo de conta que as coisas estão acontecendo naquele hospital, à sua revelia, que ele apenas acompanha de longe, como observador de uma entidade que leva uns trocados do Erário.

Mas a história é bem outra. Para longe do teatro mal interpretado por seus atores, o prefeito Cunha teve tudo a ver com o que aconteceu nestes últimos dias no entorno da Santa Casa. A começar pela renúncia intempestiva de Mário Montini, seu provedor, e sua diretoria, bem como a de alguns associados.

Contar aqui o que se passou nos momentos que se seguiram à renúncia, seria trair confidentes, embora não tivesse havido o compromisso de não publicar. Mas o que se pode dizer é que, malgrada a boa vontade intrínseca ou não dos voluntários, o prefeito Cunha passou por maus bocados. É o caso de se dizer que ele “suou frio” naqueles momentos, com direito a explosão colérica e tudo o mais.

Portanto, por mais que Cunha queira posar de observador nestas andanças hospitalescas, ele é o grande mentor de tudo o que aconteceu, e grande tutor de tudo que ainda vai acontecer por lá.

Se não, vejamos nas palavras do próprio chefe do Executivo: “Nossa intenção nunca foi tirar diretoria já que lá é autônomo. A diretoria que está lá não concordou com isso (valor do repasse, aquela “briga” inicial), aí inclusive eles estariam renunciando esta semana (ele disse isso uma semana atrás, a renúncia foi na quinta-feira) e a semana que vem, se isso se confirmar (sim, se confirmou) queremos uma nova diretoria na Santa Casa (observaram bem o “queremos”?). Deverá ser uma diretoria transitória, provisória, por cerca de 45 dias. Aí sim, ter uma série de associações novas  na Santa Casa e eleger uma diretoria definitiva daqui uns 45 dias, né?”

Quem, após dizer em público tais coisas, pode depois posar como alheio ao que está ocorrendo lá? Essa situação de apoderamento político da Santa Casa não é de agora, nem Cunha seu inventor. Mas ele poderia, pelo menos, demonstrar respeito ao cidadão, não insistindo em achar que todo mundo é bobão. Que todo mundo ignora o que está de fato acontecendo naquele hospital.

Enfim, que as coisas lá nunca vão se suceder sem que antes ele próprio tenha conhecimento. E que ele próprio dê o “ok” ou não. E la nave vá.

A DIRETORIA
A propósito, os nomes que compõem a diretoria provisória da Santa Casa são: provedor, Gustavo Mathias Perroni; gerente geral, Lillyane Albergaria Prado Novo; tesoureiro, Silvio Roberto Pelegrini, e 1º secretário, José Roberto Barossi. Além disso, o novo Conselho Fiscal foi formado com Alair Faria Oliveira, Lígia Faria de Lima Velho e Flávio Roberto Bachega.

ENQUANTO ISSO…
O vereador João Magalhães (PMDB) iniciou cruzada contra o posto de atendimento da Unimed na Santa Casa. Aquele posto ocupa espaço construído para ser o pronto socorro do hospital que, com a chegada da UPA, teria ficado sem função prática.

A Unimed fez uma proposta, a diretoria da Santa Casa aceitou e eles estão lá, já há quase quatro anos. Mas, agora que surge a ideia da instalação de um PS ao lado do hospital, o melhor a fazer é utilizar aquele espaço, ao que parece, que é bastante adequado e dotado de uma estrutura condizente com as necessidades.

Magalhães, por certo, segue roteiro traçado pelo Governo de turno, visando criar um clima no qual a instituição, de caráter privado, comece a se “coçar” e decida por si deixar o local. Ou virá nova intervenção “branca” por aí. Afinal, tem dinheiro público naquele espaço. A ver.

 

COMENTÁRIOS A RESPEITO DE CUNHA

O vice-prefeito, Fábio Martinez, e a secretária de Saúde, Lucineia dos Santos, ambos com a responsabilidade de impor soluções ao setor

“A saúde é o problema maior no país inteiro e em Olímpia também. Nós temos consciência disso e não aceitamos a qualidade do serviço que é oferecido para a população. Eu sei porque as críticas a gente houve. Eu converso com as pessoas. Meu vice, que é médico, está muito preocupado, está tentando ajudar a fazer o melhor trabalho possível. Agora, a saúde é cara e exige tempo.”

Adivinhem de quem são estas palavras? Sim, do prefeito Fernando Cunha (PR). Ele se defende da crescente onda de críticas que vem recebendo por não mostrar, até agora, atitudes concretas, ou pelo menos visível, no tocante a resolver o problema da saúde em Olímpia. Que a saúde é cara, todos sabemos. Mas não acham que a vida é muito mais cara ainda?

“Então, nós temos que ir mudando, por que nós também não podemos demitir todo mundo e contratar, nós temos que aproveitar quem está aí e ir substituindo.”

O problema é que não foi bem assim. Cunha chegou substituindo todo mundo de suas funções e cargos, chefias, diretorias, numa tacada só. E, claro, isso cria um problema gravíssimo de continuidade e desenvolvimento dos serviços. Há informações concretas de que tudo parou na Saúde pelo menos nos primeiros 60 dias. Se começou a andar, foi de 30 dias para cá. Mas não é isso que a realidade mostra.

“Em primeiro lugar, nós estamos preocupados com a UPA, que tem problemas de instalações, como a rede elétrica, problema com o ar condicionado. São coisas que parecem simples, mas são muito importantes para um bom funcionamento.”

Isso nem deveria estar contido no rol de problemas do Executivo com relação à Unidade de Pronto Atendimento. É o chamado “varejinho”, terá que ser repetido por várias vezes ainda, antes do término de sua gestão.

“Nós estamos fazendo uma mudança na direção da UPA. Nós testamos esses três meses a direção existente, e agora estamos trocando a direção para que reordene a administração da UPA.”

Vejam aí mais uma “mudança”. O grau de responsabilidade desta atitude reside exatamente nos resultados que advirão, vejam bem, em curto espaço de tempo, haja vista que a situação ali é de urgência-urgentíssima. A UPA não mudou um grão nestes últimos três meses. Se a solução, para Cunha, é mudar a diretoria, que seja. Espera-se os resultados.

“Também temos um problema sério na escala dos médicos que atendem lá. Esse médico que está assumindo, ele vai com  ‘carta branca’ para mexer na escala e selecionar os que vão atender na UPA.”

Todo mundo sabe que mexer em escala de médicos é como declarar a terceira guerra mundial. Todo mundo sabe como funciona o “organismo” do atendimento público em Saúde na cidade. Se esse médico-gestor que Cunha diz estar com “carta branca” vai dar conta do recado é o que veremos mais adiante. Porém, “colega” com “colega” sempre rola um corporativismozinho aqui, outro ali. O ideal, pois, não seria um técnico gestor não-médico?

Por fim, mais uma promessa, da qual vamos fazer o espelho da seriedade deste governo.

“Hoje, a capacidade de fazer exames, é de 248 por mês. Nós precisamos de 400 exames por mês. Se continuar assim, então todo mês vai acumulando 160 exames, e hoje nós temos, só de ultrassom, 2 mil exames para trás. Então, estamos contratando, através da Faculdade Unilago (de Rio Preto), setor de medicina, um reforço (de serviços), e vamos passar a fazer 720 exames a partir da semana que vem (ou seja, esta semana). Então, ao invés de fazermos 240, vamos passar a fazer 720 por mês, para poder fazer 400 (novos), não deixar aumentar tanto, e tirar 300 por mês de atraso que está aí.”

Ontem mesmo publicamos aqui que a burocracia do setor de saúde em Olímpia é o caminho mais curto para a morte. E este calvário começa exatamente na necessidade de exames diversos. Este último parágrafo da fala de Cunha, portanto, fica como apelo principal para que demonstre, de forma cabal, estar seriamente atacando a causa. E que as outras coisas, em tempo médio, sejam acrescentadas.

A BUROCRACIA NA SAÚDE LOCAL, CAMINHO MAIS CURTO PARA A MORTE

Sempre ressaltando que não se quer dizer aqui que neste aspecto piorou, melhorou ou está igual, é preciso insistir em que, a permanecer assim, o cidadão vai continuar sendo sacrificado e, no mais das vezes, tendo a vida abreviada. Falamos da burocracia no atendimento público em saúde na cidade.

Claro que alguém poderia argumentar: “É assim em todo lugar”. Ao que outro alguém poderia responder: “Mas eu não moro em todo lugar”. Sim, moramos em Olímpia, cidade que por acachapante maioria de votos elegeu um prefeito que prometeu resolver o problema crônico que a saúde sempre foi nessa urbe, eliminando seus gargalos.

E talvez o mais crítico e urgente deles seja o do atendimento burocrático, do tipo marcar consulta-ser atendido-pedir o exame-fazê-lo-obter o resultado-e continuar o tratamento.

  1. A consulta nunca se marca para tempo a seguir, a espera é sempre longa e aflita. 2) O atendimento, nunca se sabe se será a contento ou mesmo se o Dr. não estará de férias, doente, de ressaca ou simplesmente “muito ocupado” para estar lá agora. 3) Se atendido, havendo pedido de exame, a sua realização é para no mínimo 30 a 40 dias depois. 4) Feito o exame, a angústia fica por conta de quando se terá o resultado, e se se terá o resultado quando dizem que terá. 5) E continuar o tratamento implica nos ítens um e dois desta narrativa.

Exemplos não faltam. Como o de um senhor que veio da Bahia somente para fazer a revisão de um (…) e tinha que voltar em seguida e não podia voltar sem fazer a tal revisão. Resultado: Voltou sem fazer a revisão, mesmo depois de “chorar” muito para os atendentes.

Como ele, outros três a quatro pacientes tiveram a mesma “sorte”. Por quê? O técnico responsável “costuma atrasar bastante em seus horários ou às vezes nem aparece, e nem avisa”. Ou às vezes, está de férias.

Como foi o caso de outro paciente que foi buscar resultado de exame de sangue dentro do “a partir de 15 dias úteis” solicitado, até com dois a mais do prazo estipulado, e recebeu a seguinte resposta: “O médico está de férias, só volta em abril”. Ele pergunta: “Quando, mais ou menos em abril eu posso vir buscar”. Ela: “Não sei te dizer, porque quando ele voltar terá um MONTE de laudo para fazer antes do teu”.

Ou um resultado de Raio-X, com prazo estipulado para ser retirado e, chegando lá, o paciente ouve da funcionária apenas “ainda não está aqui”, após uma rápida passada de olhos pelas caixas em volta. Detalhe: o exame foi feito em fins de fevereiro. A procura foi em fins de março.

Mais um exemplo? Um exame aguardado por cerca de 30 dias, a pedido do médico que atendeu o paciente cerca de 40 dias após o agendamento. No dia de ser realizado, fins de março, o paciente tomou um medicamento inadvertidamente, e teve que adiar o tal exame. De 28 de março para 4 de maio! *

Certamente há outros e até piores exemplos, como os de pessoas em estado grave que não podem esperar, que lutam contra o tempo para preservar sua vida ou de um ente querido. Mas tem que vencer, antes, a infernal burocracia.

A pessoa precisa de um diagnóstico para fazer o tratamento. De imediato, precisa de uma receita, para saber que remédios tomar. Em seguida precisa do medicamento, para se tratar. Aí precisa realizar o exame que o médico prescreveu, a fim de saber o grau de sua enfermidade. Depois, precisa deste exame para levar ao médico. Para tanto, precisa ter uma data para que este médico o atenda. Atendido, com muita sorte dá inicio ao tratamento, efetivamente.

Quanto tempo terá se passado, entre o diagnóstico e o efetivo início do tratamento? No mínimo meses, às vezes ano. Casos de pessoas que faleceram antes que o desafortunado paciente cumprisse uma destas etapas tem aos montes, infelizmente.

Portanto, ainda que a situação seja igual em qualquer lugar, por aqui ela pode ser diferente. Basta que haja vontade administrativa. Porque obrigação este governo tem. Se não por razão de fazer, pelo menos por razão de cumprir promessas de campanha. Porque a burocracia tem sido o caminho mais curto para a morte de quem depende da saúde pública em Olímpia.

PS: Só não vale o prefeito de turno sair-se com o malfadado e irritante “isso vem da gestão passada”, porque já cansou este bordão.

(*Nomes, especialidades e setores foram preservados para evitar constrangimentos ou qualquer outra situação desagradável)

A cidade sucumbirá em uma montanha de papeís?

burocracia
substantivo feminino
sistema de execução da atividade pública, esp. da administração, por funcionários com cargos bem definidos, e que se pautam por um regulamento fixo, determinada rotina e hierarquia com linhas de autoridade e responsabilidade bem demarcadas.
2 -esse corpo de funcionários; a classe dos burocratas.

CUNHA SE FAZ DE ‘ÚLTIMO A SABER’ NO CASO DA BENEFICÊNCIA?

Impressionante: às críticas avolumadas que tem recebido dos cidadãos no atendimento em Saúde na cidade, o prefeito Cunha responde com factóides. E, pior, factóides burlescos, descabidos, infantilóides.

Porque o recente “ataque” feito por ele com a “artilharia” Beneficência Portuguesa não pode ter outro nome. E outras classificações. Ou pode, mas vai que tal seja feito por pessoas impiedosas, né?

O prefeito Cunha empunhar um celular e ser flagrado filmando destroços no prédio da antiga associação portuguesa é uma cena impressionantemente ridícula. E seus ataques, conforme poderão conferir abaixo, duplamente ridículos. Cheira a desculpa por eventual inapetência para solução do problema.

E, de novo, aquela sanha de envenenamento do senso comum cultivada pela mente importada em favor do obscurantismo se fez presente, regurgitando texto e contexto dignos de um labor farsesco travestido de assessoramento, porque este, em meios sérios, tem que servir à luz, não à escuridão. A verdade, ainda que tardia (“Num tempo de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário”, conforme José Saramago).

Bom, como todos sabem, na manhã de ontem, quinta-feira, 30, o prefeito Cunha esteve no prédio da Beneficência Portuguesa “para realizar uma inspeção e verificar as atuais condições do local”. Vamos ao cerne da questão, então.

(Detalhe: quando o então presidente da Associação, Mário Montini, tomou as providências judiciais para o resgate do patrimônio, uma das medidas judiciais, a vistoria judicial como antecipação de provas, teve o acompanhamento de representante do município, ou seja, Cunha estava representado ali, e com certeza recebeu um relatório)

Porém, está afirmando agora que “não sabia de nada” do que estava acontecendo. Por que não denunciou antes? Simples: porque não tinha entendido ser aquilo tão grave a esse ponto, ou não ter interesse em fazê-lo naquele momento ou talvez momento algum, exceto pelo fato de que lhe caiu na cabeça uma bomba de mil megatons representada pela avalanche de críticas à sua “menina dos olhos”, a Saúde.

Depois, diz o prefeito ainda que “a visita foi uma medida necessária porque a Prefeitura da Estância Turística de Olímpia foi notificada pela justiça, nesta semana, para limpar o espaço em um prazo de 30 dias”.

(Detalhe: Há informações de que o vice-prefeito, Fábio Martinez, e a secretária da saúde, Lucineia dos Santos, estiveram visitando e verificando a situação do prédio há mais de um mês atrás, observando inclusive os danos nas obras de arte, e nenhuma medida foi tomada então, sequer publicado na imprensa foi o que lá avistaram)

E agora vem o prefeito dizer que fez visita “surpresa” e ficou sabendo de tudo, fez tremendo alarde e chora o que vai ter que gastar para resolver o prolema, e tomar medidas judiciais? E, pior, adota o discurso escapista de que a culpa por esta situação é da gestão anterior.

E a responsabilidade jurídica de quem ocupou aquele imóvel por mais de 20 anos, no caso o Município? Aqui, esqueça-se o governo de turno, e considere-se o ente público como um corpo.

Vejam isso: “O local estava sob a responsabilidade da secretaria de Saúde da antiga gestão, que o desocupou em 16 de dezembro de 2016.” Não. Estava sob a responsabilidade do município, que o desocupou em 16 de dezembro.

Por este prisma, pode-se dizer então que esteve sob a responsabilidade de pelo menos dois outros governos municipais antes de Geninho e agora está sob a responsabilidade do atual governo. Então, menos choro e mais ações práticas, esperam os cidadãos.

E mais: “A situação de extremo abandono e insalubridade denunciada foi confirmada durante a visita desta manhã.” Ou seja, definitivamente Cunha não confia em seus prepostos. Precisou ver com os próprios olhos. Porque é difícil imaginar que os “visitantes” anteriores tenham prevaricado e não lhe entregue relatórios que por certo fizeram.

“Constatamos no local aquilo que foi denunciado pela diretoria da Beneficência. Infelizmente, existem atos de irresponsabilidade da administração pública, deixando remédios vencidos, documentos antigos e recentes que devem estar preservados por obrigação legal. O que mais nos chocou foi certa destruição de coisas que a gente não vê razão de existir: como arrancar pias que estavam na parede. Onde que foi parar?”, inquietou-se o prefeito.

E prosseguiu: “Encontramos coisas quebradas e um vandalismo que nos deixou a pior impressão possível e nós vamos assumir a responsabilidade como poder público, como prefeitura, de promover a limpeza do prédio. Vamos de imediato tomar as providências dentro das condições que cada material exigir. Nós vamos promover essa limpeza e iniciar as negociações com a diretoria da beneficência para ver o que mais a prefeitura poderá fazer junto com a diretoria para tornar esse prédio histórico útil para a nossa cidade.”

Mas não é exatamente isso que Cunha teria a fazer? Ele coloca ao público como um anátema tal situação, mas ela é de responsabilidade total da municipalidade. Para que esse “carnaval” todo? Se no final terá que fazer do mesmo jeito?

COM A PALAVRA, A EX-SECRETÁRIA
A ex-secretária de Saúde do município, Silvia Forti Storti, disse à reportagem do semanário Planeta News na tarde de ontem, ser a mais interessada em que o governo municipal instaure sindicância para apurar a situação em que se encontra o prédio do Hospital da Beneficência Portuguesa. “O prédio não estava assim quando o deixamos”, frisou.

Segundo a ex-secretária, alguns equipamentos encontrados deteriorados nos fundos do prédio, ou pertencia a um antigo profissional médico ou à própria instituição. “Vários equipamentos eram deles mesmos (Sociedade) por isso não retiramos nem mandamos para o inservível”, observou Silvia Forti.

“Muitos documentos eram também da Beneficência ou de outras gestões. Talvez tenhamos errado por não termos retirado aqueles das outras gestões”, explicou.

Quanto ao vandalismo, ela atribuiu a pessoas que provavelmente tenham entrado no prédio à noite até para usar drogas. “Desde que entregamos a chave, nunca mais tivemos acesso”, observou. Para ela, “entrou gente” no prédio, “isto é fato”.

Quanto aos remédios encontrados com data de validade vencida, ela disse que o responsável pela farmácia da Secretaria é que deve se justificar. “Eu não estava sabendo disso”, observou.

Quanto à intenção do prefeito Cunha de instaurar sindicância para apurar responsabilidades, Silvia Forti disse que “ninguém mais que eu tem interesse em resolver esta situação”. Frisou que quanto ao que disse, “não está mentindo, nem inventando”. O que o atual governo não pode fazer, segundo a ex-secretária, é responsabilizar a gestão passada por isso. “Aí fica pesado”, frisa.

Quanto ao prédio, disse também que ele foi encontra assim, e não havia orçamento para uma reforma adequada. “E não continuamos lá porque a Santa Casa nos pediu de volta”, completou.

SÃO SÓ 538 CRIANCINHAS, QUEM LIGA?

“São só 538 crianças”. Assim o vereador e líder do prefeito Cunha na Câmara, João Magalhães (PMDB), tentou minimizar a decisão do alcaide em trocar a merenda tradicional de três escolas municipais da cidade, por lanches de pão de leite com salsicha, frango ou carne moída, acompanhado de um copo de suco.

Além de garantir que isso é saudável, Magalhães justificou a medida do governo municipal dizendo ser uma “readequação”, e negou que a medida tem a ver com economia de recursos públicos destinados à merenda. O governo alegou “desperdício” de alimentos para embasar medida tão drástica.

A fala de Magalhães veio em resposta a críticas feitas pelo seu colega Flávio Olmos (DEM), que pontuava sobre os quase 100 dias de Cunha à frente da administração municipal. O peemedebista inquiriu então Olmos, perguntando se ele tinha estado nas escolas, conversado com as nutricionistas a fim de saber se as crianças estavam sendo prejudicadas.

São crianças de 4 a 5 anos que já estão recebendo as primeiras lições sobre como trocar alimentação saudável por lanches. “Apenas 538” da rede com mais de 5 mil. Pouco mais de 10%, portanto. Flavio Olmos disse que a medida era econômica, Magalhães negou e disse que o prefeito garantiu que a outro tipo de alimentação é necessário de fato àqueles quase bebês, ele mudaria o sistema.

E disse mais, o prefeito, segundo Magalhães: que “é importante que as crianças tenham sua primeira refeição dentro de casa”. Se não tiver a primeira refeição em casa, ao que parece, então, não é problema do poder público.

No afã de defender a decisão esdrúxula de Cunha e sua secretária de educação, Magalhães lançou mão de uma acusação que tornará pública na semana que vem, próxima sessão da Câmara. Mas deu uma “palhinha” do que se trata.

“Não ia falar hoje (segunda-feira). Mas vou antecipar o assunto e mostrar (documentos?) na semana que vem”, disse ele no início de sua resposta a Olmos.

E contou que o primeiro contrato que o ex-prefeito Geninho (DEM) assinou com a Starbene, para o fornecimento da merenda escolar, “foi julgado irregular pelo Tribunal de Contas”. Ele disse que o órgão solicitou que providências fossem tomadas, e garantiu que irá tomá-las.

“Na semana que vem vou mostrar que a merenda era cara e o contrato foi julgado irregular”, arrematou.

“A merenda era cara e o contrato foi julgado irregular”. Primeiro é preciso saber em que bases o TCE considerou cara a merenda da Starbene. Depois, em que bases foi julgado irregular. No todo ou em parte? E que tipos de irregularidades haviam? É caso grave? É crime? Ou Magalhães apenas joga no ar um fato apenas buscando ofuscar a inapetência do atual governo na gestão do setor?

A montanha vai parir um elefante, ou no final virá à luz apenas um um pequeno ratinho? Há quem diga que Magalhães dará um tiro em seu próprio pé. Até porque não há relação entre uma coisa e outra. Como já foi dito aqui, preço mais caro ou mais barato da merenda escolar, é mera questão de escolha de cardápio.

Cada um tem seu preço e suas variedades. Vai depender sempre do bom (ou da falta de)senso de quem tem a responsabilidade de prover alimentação de qualidade a seus alunos.

MONTINI RENUNCIA À SANTA CASA NA 5ª; QUEM SERÁ O ‘UNGIDO’ DE CUNHA?

O provedor da Santa Casa de Misericórdia de Olímpia, advogado Mário Francisco Montini, sucumbiu às pressões oriundas do Poder Público. Vai renunciar ao cargo na próxima quinta-feira, dia 30. Colocará a proposta em votação na assembléia convocada para a tarde/noite daquele dia.

Inicialmente, a renúncia será dos membros da diretoria executiva (Provedoria), depois, eventualmente, do conselho fiscal e sócios. Na ocasião também será definida a nova diretoria.

Não se espante o caro leitor (ou melhor, espante-se sim, pasme, até!) porque este é mais um episódio da triste série “Santa Casa de Olímpia e as idiossincrasias” dos mandatários de turno.

Embora se tente fazer passar à opinião pública que o único hospital de Olímpia estaria à margem dos interesses políticos de momento, conforme aquele desprezível texto emanado da mente obscurantista importada de outras plagas para estas terras de São João Batista, na verdade ela sempre esteve a reboque do poder político.

Quando não, antes esteve a reboque do poder religioso, quando era comandada pelas irmãs católicas e a Paróquia -então regida por interesses paroquiais, a propósito?

Não está claro quando, exatamente, ela saiu das mãos dos paroquianos e foi se instalar na plataforma dos interesses políticos. Cremos ser de mais de 30 anos para cá, sobrevivendo, portanto, a pelo menos, talvez, sete prefeitos (conto de memória), sendo que três deles estiveram na cadeira por duas vezes cada (José Rizzatti [1989-1992 e 1997-2000], Carneiro [2001-2008] e Geninho [2009-2016]) e um quarto, foi mandatário da cidade por seis anos (Wison Zangirolami [1983-1988]).

Nos dois governos Rizzatti, que foram entremeados com a gestão de José Carlos Moreira (1993-1996), gente dele sempre ocupou a vaga de provedor e as demais constantes da diretoria como um todo. Ele próprio, Rizzatti, já foi provedor de lá*.

No governo Moreira, a mesma coisa. Porém, nestes períodos, tais situações seguiram aceitas como da maior normalidade pela opinião pública e os entes políticos de então. Não se dava à Santa Casa, ainda, a importância pública que passou a desfrutar depois, nas gestões de Carneiro e Geninho.

Aquele hospital era péssimo, então, mas havia uma enorme passividade da população em relação a ele. Talvez por ainda voltear por sobre o nosocômio, a “fumaça” do paroquianismo. Respeitava-se como dádiva santa, o hospital, que é Santa Casa, aliado às imagens das fluidas irmãs de caridade.

Porém, uma guerra nada santa parece ter se iniciado na gestão Carneiro. Aquele hospital teve até trancas automáticas colocadas na porta que separava o pronto socorro da ala interna do hospital. Brigas constantes, imprensa em cima, provedores despreparados. Na ponta final, cidadão mal amparado.

Foi na segunda gestão Carneiro que um grupo de abnegados olimpienses, tendo à frente a advogada Helena de Souza Pereira, decidiu montar chapa para assumir o hospital, uma vez que o grupo de então já dava mostras de exaustão e incapacidade administrativa, tanto que não criaram obstáculos para que o grupo novo e distanciado do poder público assumisse as rédeas.

E ninguém pode negar que foram tempos de bonança para o hospital, muitas vezes largamente elogiado por este blog, já que ali alcançara-se aquela situação ideal para que uma instituição possa sobreviver e contar com a adesão in incontinenti da população, do cidadão comum, conforme se verificou.

Grupos se formaram para dotar o hospital de roupas de cama e de banho trabalhadas, orgulhosamente e gratuitamente por senhoras; voluntários(as) se dispondo a todo mês levar alimentos e outros ítens necessários ao hospital; problemas de infra-estrutura sendo resolvidos, gerenciamento médico não deixando a desejar e até anexos como Hospital do Olho e novo PS construídos.

Tudo isso para pouco tempo depois, mudada a administração, ser derrubada aquela diretoria, por interesses políticos do prefeito de então, que queria gente dele na direção do hospital. Lembrando que houve a passagem triste em que Helena Pereira aproximou o hospital do então candidato Geninho, levando a Santa Casa para a campanha eleitoral.

O prefeito, logo depois que assumiu, declarou “guerra” à diretoria, da qual participaram médicos e Ministério Público. Houve comoção popular à época, mas de nada adiantou. Tomou a Santa Casa e passou a coordenar sua diretoria, partindo do vice-prefeito, Luiz Gustavo Pimenta, que foi o “interventor”, depois Marcelo Galette e finalmente, por duas gestões, Mário Montini, que ora renuncia.

A partir daí, é esperar para ver quem será o nome que o mandatário Cunha (PR) irá impor à diretoria que deve ser votada na próxima quinta-feira. Porque não se iludam, Montini renuncia por pressão política. E Cunha pressiona porque não o quer lá.

Um ato político meramente. Difícil imaginar que tenha finalidade técnico-administrativa, haja vista que há tempos aquele hospital deixou de figurar nas manchetes de jornais ou escaladas de emissoras de rádio ou até TVs regionais como uma instituição que presta maus serviços. Como ficará a partir de agora, é incógnita. A ver.

* Existe a possibilidade de que para a provedoria do Hospital seja escalado o ex-prefeito e ex-provedor José Fernando Rizzatti. O que poderá estar por trás disso, caso seja confirmado, será a tarefa deste blog descobrir.

PROCURA-SE A ÉTICA DO ASSESSOR DE IMPRENSA DE CUNHA

Dito e feito.

A assessoria de imprensa do prefeito Cunha (PR) confirmou nossas suspeitas. Ela tem, sim, seus veículos de informação preferenciais. Sonega, esconde informações para um veículo, com a finalidade de privilegiar outro. Resta saber até onde vai esta relação e que nível alcança.

Como já foi denunciado aqui, com base em matéria publicada na sexta-feira passada, 17, pelo semanário Planeta News, a reportagem do jornal procurou o representante da Comissão Permanente de Licitação da prefeitura, em busca do resultado da licitação da  merenda, que havia acabado de ser concluída, na quinta-feira, 16.

Foi remetida à secretária de Administração, Eliane Beraldo Abreu de Souza, que por sua vez a remeteu ao assessor-chefe da Imprensa do município, Bruno Guzzo (ela o citou nominalmente), alegando que cabia a ele a divulgação do resultado, uma vez que todos os dados lhe haviam sido passado, “conforme a determinação”.

Pediu que fosse encaminhado um e-mail com a solicitação, o que foi feito, segundo a reportagem por volta das 15h35. Aguardou-se até por volta das 18 horas, e nenhuma manifestação do senhor assessor.

Na matéria foi aventada a possibilidade do material solicitado em absoluta primeira mão pelo Planeta, ser encaminhado para o veículo preferencial do senhor assessor de imprensa, o que se confirmou.

Ressaltamos que o fato é inédito e absurdo, uma vez que, antes, sempre obtínhamos este tipo de informação junto aos responsáveis pelas Comissões de Licitação, sem intermediários, sem escamoteamento, sem temor. E que, também, sempre lidamos com secretários que tinham voz ativa sobre suas Pastas, davam informações, entrevistas, sem intermediários, sem escamoteamentos, sem temor.

E, por fim, sempre contamos (e até já atuamos por um certo período junto a ela) com uma assessoria de imprensa que jamais fazia distinção de veículos de informação, jamais “queimava” este ou aquele órgão, com base em seus melindres, chiliques ou descontentamentos. Era, comprovadamente, um setor imparcial e, acima de tudo, ético.

Mas, de qualquer forma, o que há a informar aos nobres leitores é que a mesma empresa que foi vencedora em 2015, venceu agora também. A DFA, aliás, é um braço da Starbene, para quem se lembra da primeira fornecedora de merenda para as escolas de Olímpia.

O governo municipal informa também que teria havido economia de 23% no valor final. Mas, diz que em 2015 o contrato foi de R$ 8,5 milhões, e que uma eventual renovação elevaria esta valor para pouco mais de R$ 8,9 milhões.

No entanto, quando da assinatura de contrato com a DFA (Della Fattoria Alimentare Refeições Ltda.), de São Paulo, o “braço da Starbene Refeições Industriais”, também com sede na capital paulista, o valor fechado foi de R$ 7.595.878, e a oferta, segundo o governo de então, teria ficado mais de 8,5% abaixo do valor estipulado para o certame, que era de R$ 8.245.732,51, “praticamente igual ao que foi gasto em 2014 – R$ 7,6 milhões”.

Aí o prefeito de turno anuncia que o contrato vigente, que expira no dia 6 do mês que vem, teve o valor de R$ 8.468,447, e que se gastou, até fevereiro, R$ 8.066.053,75. Ou seja, os números não batem entre um governo e outro.

Agora, Cunha diz que a proposta final alcançada foi de R$ 6,925 milhões, ou seja, pouco mais de R$ 2 milhões a menos (23%). Preferimos não especular a custa de que esta redução foi obtida. Pois isto também é inédito: a mesma fornecedora reduzir seus valores na proporção que teria reduzido, segundo o governo municipal.

Porque, ou o valor estava superfaturado antes ou foi subfaturado agora. Na última hipótese, é óbvio que valor reduzido implica em fornecimento reduzido na mesma proporção. É a lei do mercado. Talvez a troca de merenda por “doguinho” em algumas escolas tenha algo a ver com isso.

Um detalhe: observem que entre duas empresas, a própria DFA vencedora e a segunda colocada, a JNC Restaurante Ltda-EPP, a diferença de preços foi de apenas R$ 379,60. E que da terceira colocada, a Snack Fornecimento de Refeições Eireli-ME para a primeira, foi de R$ 1.005.985,40. Ou seja, típico para ficar fora. E as outras duas, típico para a vencedora, já fornecedora, vencer.

E assim todos viverão felizes para sempre.

O QUE TEM CUNHA A ESCONDER NO TOCANTE À MERENDA ESCOLAR?

O que tem o prefeito Fernando Cunha (PR) a esconder nos trâmites relacionados à licitação da merenda escolar? Por que sonegar informação à imprensa? Pelo menos àquela que demonstra interesse imediato em assunto tão relevante?

Sonegar informação a um veículo que se antecipa aos demais com a justificativa de querer ser igualitário é inaceitável. E só pode ser esta a justificativa, pelo menos a mais aceitável, embora cretina, haja vista que quem busca a informação primeiro deve ser servido primeiro, por estar, a princípio, dando maior relevância àquele assunto que os demais.

Somente uma visão jornalisticamente tacanha pode acometer uma assessoria de imprensa que sequer dá satisfação a um veículo de comunicação que busca, na fonte primeira, informações que, em hipótese, seria positiva para o governo de turno. Ou não?

O histórico que vem abaixo está publicado na edição de hoje do semanário Planeta News, e reproduzo como manifestação de preocupação com o rumo que as coisas poderão tomar doravante, com o cerceamento de informações a veículo de informação que não comunga com as ações deste governo, até que estas se mostrem dignas de registro. Vamos ao texto:

Prefeitura esconde informação sobre licitação da merenda
Reportagem do Planeta News procurou o setor de Licitação, conversou com a secretária de Administração, que encaminhou o caso para a assessoria de imprensa, que não se manifestou

Não se sabe motivada por quais razões, a prefeitura de Olímpia sonegou informação sobre o resultado da licitação da merenda escolar à reportagem do Planeta News, na tarde de ontem. Esse procedimento é inédito em Olímpia, pelo menos nos últimos 20 anos.

A reportagem procurou informações junto à Comissão Permanente de Licitação-CPL, que encaminhou o assunto para a secretária de Administração, Eliane Beraldo Abreu de Souza, que por sua vez, disse que havia encaminhado os dados para a Assessoria de Imprensa, para serem divulgados. “Agora é esse o procedimento”, disse ela.

A secretária disse ainda que enviaria à Assessoria, um WhatsApp antecipando o assunto, para agilizar a resposta. Ao mesmo tempo, pediu que encaminhássemos o pedido via e-mail, o que foi feito exatamente às 15h46. A redação aguardou resposta até às 18 horas, tempo máximo possível antes do fechamento da edição.

Nenhuma satisfação foi dada, sequer uma explicação quanto a uma possível dificuldade em elaborar um texto, ou para encaminhar somente o resultado. A editoria do jornal ressalta que jamais, na gestão passada, encontrou dificuldades para obter informações sobre resultados de licitações, independentemente do porte que tivessem.

E mais: estas informações eram sempre fornecidas pelo próprio presidente da CPL, sem necessidade de cumprir qualquer trâmite burocrático, ou passar pelo crivo de superiores. E nunca houve problemas. Afinal, trata-se de uma informação pública, do interesse da coletividade, e a lei da Transparência obriga este tipo de divulgação.

A solicitação à Assessoria de Imprensa da prefeitura foi redigida nos seguintes termos: “Caros assessores, venho por meio desta, solicitar a vossas senhorias informações a respeito do resultado da licitação da merenda escolar, realizada hoje (ontem). Adianto que já mantive contato com a secretária de Finanças, e que esta não mostrou qualquer inconveniente em termos os dados em mãos, como também informo que em momento algum, na gestão passada, tivemos dificuldade em obter tais informações, que nos eram passadas pelo próprio responsável pela CPL. Fechamos o jornal ainda hoje, e aguardamos os dados em tempo hábil (…)”.

A secretária Elaine Beraldo negou que houvesse qualquer tentativa de criar dificuldades, mas a editoria do Planeta News de pronto repudia o que parece ser cerceamento de informação puro e simples ao jornal, que tem feito críticas pontuais ao Governo Municipal.

E deixa registrado seu repúdio a uma forma de governo que se julgava já superada há tempos, principalmente após oito anos da gestão passada em que, apesar de todos os pesares, não havia, nem houve nunca, sonegação de informação de interesse público a quem interessasse. E, pior ainda será constatar que a Assessoria de Imprensa da prefeitura tem seus veículos preferenciais para passar informações de interesse relevante.

E A MERENDA VIROU ‘DOGUINHO’?
E esta negativa se dá exatamente em um momento em que este governo decide “minimizar” a merenda de Olímpia, considerada ao longo dos anos a melhor da região, com prêmios em níveis estadual e federal. Mas para o governo de turno isso não conta. O que conta são os míseros tostões a serem economizados dentro daquilo que precisa gastar com a alimentação dos pequeninos alunos.

O governo municipal culpa o “significante desperdício” que teria sido apurado, pela decisão de tirar a comida da boca do pobre e dos nem tanto. Não seria o caso de “trabalhar” a questão do desperdício ao invés de tirar a comida, o que nos parece um gesto por demais cruel?

O governo tenta abrandar sua decisão apontando que “a alteração atinge apenas 538 crianças da pré-escola (4 e 5 anos), dos quase seis mil alunos da rede”. Pode-se presumir que há desperdício somente nas três escolas alcançadas? Seria o caso, então, de se identificar quem são os “desperdiçadores” e chama-los à razão. Que culpa têm os aluninhos?

Diz o texto da assessoria de imprensa que “antes da adequação, as unidades escolares serviam fruta às 7h e almoço às 9h, para os alunos da manhã, e, para as crianças da tarde, almoço às 14h30 e fruta às 17h. Esse é o desperdício alegado? O que se está desperdiçando, exatamente?

Agora, com a chamada “adequação”, estas escolas estão servindo fruta às 7h e lanche às 9h30 e, à tarde, lanche às 14h50 e fruta às 17h. Pobres crianças que, doravante, vão passar a pão de leite com carne moída, frango ou salsicha e suco.

Ou seja, um “doguinho” bem ao gosto da molecada, embora pobre em conteúdo. Nos perdoem as nutricionistas que acompanharam esta “adequação”: mas em que um  pão de leite com carne moída colabora para a excelência nutricional de uma criança?

É muita pobreza. De espírito. De ideais. De propostas. De visão de futuro. Áh, uma vez por semana tem bolo com leite e achocolatado (Uau!). Isso é a vanguarda do atraso. E a culpa por isso é dos alunos. Vejam:

“Devido ao horário das refeições, que respeitam o período de aula, muitos alunos não consumiam totalmente os alimentos servidos, o que gerava grande desperdício. Por isso, fizemos a alteração para o lanche e o novo cardápio tem sido muito mais aprovado pelos alunos”, explica Maristela Meniti, secretária de Educação.

“Muito mais aprovado pelos alunos”. Claro. Qual moleque não gosta de um “dog”, que pode comer rapidinho e, como se diz, “vazar” dali e fazer outras coisas? Reza a lenda que criança tem preguiça de comer.

E onde fica a educação alimentar destas crianças? Vão aprender a comer lanche e achar que é o melhor alimento. Nestes tempos de obesidade mórbida.

Olha, este (ainda) novo governo pode ser chamado de qualquer coisa, menos, nunca, nunquinha, de moderno. Porque cheira a mofo.

PS: Aliás, faltam 15 dias para se completarem os “100 primeiros dias” e, ao que parece, o Governo Cunha vai sair deles como tragédia.

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