Blog do Orlando Costa

Verba volant, scripta manent – 12 Anos

Mês: agosto 2020

Cunha lança mão do ‘velho’ para buscar sua reeleição

Prefeito da Estância Turística formou base com seis dos atuais vereadores, sete ex-vereadores, alguns nomes que tentaram, mas foram candidatos derrotados no pleito passado, e ex-funcionários comissionados

Se as redes sociais estiverem certas, o prefeito Fernando Cunha (PSD) não estaria navegando em mares de calmaria nesta sua tentativa de se manter na cadeira principal do Palácio da Praça Rui Barbosa.

Ele se apresenta ao eleitorado sustentado por uma plêiade de não muito nobres senhores(as) na busca pelo voto. Não estaria se atentando muito bem para a necessidade do “novo” na seara política de Olímpia. Estaria o alcaide, então, “nadando contra a maré”?

Eis que que vem acompanhado por nada menos que seis dos atuais vereadores, outros sete ex-vereadores titulares ou suplentes, e algumas figuras que foram candidatos derrotados no pleito de 2016.

A relação abrange três dos cinco partidos que estão ligados à campanha cunhista: PSD, MDB e Podemos, que formam sua base partidária. Os outros dois partidos são o PSB e o PHS, siglas de apoio, segundo informações da coordenadoria de campanha do prefeito.

O PSD, atual partido do prefeito Fernando Cunha, é o que abriga mais candidatos à reeleição à Câmara de Vereadores.

São três no total: Fernando Roberto da Silva, o Fernandinho; Hélio Lisse Júnior e Cristina Reale. Mas, no grupo há também ex-vereadores, como Aguinaldo Moreno, o Lelé; Marco Aurélio Martins Rodrigues, o Marcão do Gazeta; Adriano Reginaldo da Silva, o Capitão do Mato, de Ribeiro dos Santos (substituiu Marco Santos, então preso pela prática de “metadinha” na Câmara, nos três últimos meses de 2016).

Há também quem se candidatou nas últimas eleições e não se elegeu, como é o caso de Luciano Ferreira, e a de um ex-assessor comissionado, Rodrigo Flávio da Silva, que usará a alcunha de Rodrigo Ruiz, e até uma antiga desafeta do governo municipal, Tati Zimmermann.

Já no PODEMOS, os atuais vereadores-candidatos são José Elias de Morais, o Zé das Pedras, Luiz  Antonio Ribeiro, o Luiz do Ovo, que foi eleito pelo DEM mas se bandeou para a bancada situacionista na Câmara.

No PODEMOS ainda há o ex-assessor comissionado José Roberto Pimenta, o Zé Kokão, candidato derrotado a vereador no pleito passado e o ex-vereador, ex-presidente da Câmara e hoje funcionário público municipal comissionado, Rodnei Rogério Fréu Ferezin, o Toto Ferezin, também não eleito em 2016. De “novo” nesta sigla, só Tatiane Gerolim, se é que podemos dizer isso, pois seu pai, Primo Gerolim, é “antigo” no ofício.

Por fim, temos o MDB, partido historicamente nas mãos do ex-vereador e ex-presidente da Câmara, suplente até março passado, João Baptista Dias Magalhães, agora tentando de novo voltar à Casa de Leis, disputando cadeira com o atual presidente da Câmara, Antonio Delomodarme, o Niquinha, seu antigo desafeto na Casa de Leis, que se abrigou na legenda como tábua de salvação, já que ninguém o quis nas outras composições.

Como ex-vereador e suplente até janeiro, temos ainda neste partido, Marco Antonio Parolim de Carvalho, o Marcão Coca, ex-PPS.

Entre os que tentaram uma vaga em 2016 estão José Sérgio Benites, o Porcaria; Lúcio Cláudio Pereira, conhecido como Amaral, e Tarcísio Cândido de Aguiar, o Sargento Tarcísio, que foi suplente de vereador até agosto de 2017, e depois assumiu a Secretaria de Agricultura, Comércio e Indústria, função da qual se desincompatibilizou no prazo eleitoral.

SUPLENTE STELLARI TOMARÁ POSSE
A partir do dia 1º de setembro, terça-feira, o vereador João Luiz Stellari passará a integrar a Câmara de Vereadores da Estância, em substituição ao vereador e presidente da Casa, Antonio Delomodarme, afastado por covid-19.

O Ofício GP nº 757/2020, em caráter urgente, foi encaminhado a ele com data de 28 de agosto. Stellari é 1º Suplente da Coligação PSB/PTdoB/PMB/PSDB. Isso se dá em função do pedido de licença para
tratamento de saúde do vereador Niquinha, nos termos do Artigo 100, inciso I, combinado com o parágrafo 3º do mesmo dispositivo do Regimento Interno da Câmara Municipal de Olímpia.

A assinatura do termo de posse se dará no próximo dia 1º de setembro de 2020, às 10 horas, na sede da Câmara Municipal, a qual, espera-se, esteja liberada para o acesso a partir daquela data, pois está em lockdown desde a sexta-feira da semana passada, por causa dos cinco casos confirmados de covid-19, incluindo o presidente.

Conforme o Artigo 100 do Regimento Interno, “o vereador poderá licenciar-se para: I – tratamento de saúde, face a moléstia devidamente comprovada (…). § 3º – No caso do inciso I a licença será por prazo determinado, nunca
inferior a quinze dias, e ficará automaticamente autorizada mediante
requerimento subscrito pelo vereador e instruído com o devido atestado
médico, dirigido ao presidente da Mesa que, do mesmo, dará conhecimento
imediato aos Vereadores”
.

João Luiz Stellari, que foi candidato pelo PSDB, é o primeiro suplente da coligação que apoiou Fernando Cunha. Esta é a segunda vez que ele, como suplente, assume cargo na Casa de Leis. A vez anterior, quando concorreu pelo PFL, substituiu o vereador Julio César Faria, o Julião Pitbull, em meio à legislatura 2001/2004.

Quando rolarão os dados no entorno do deputado?

Faltando a partir de hoje 25 dias para as definições de candidaturas aos cargos majoritário e proporcional das eleições 2020, cadê a tal definição no grupo que cerca o deputado Geninho?

No dia 31 próximo será a data a partir da qual, até 16 de setembro, é permitida a realização de convenções destinadas a deliberar sobre coligações e a escolher candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereador, conforme a Lei n° 9.504/1997, artigo 8º, ​caput​).

Em nove dias, portanto, já teria que haver uma situação esquadrinhada neste aspecto. A grande questão é: teremos?

No momento, o que se tem de concreto nas movimentações eleitorais de novembro próximo, são as pré-candidaturas de Cunha à reeleição, de Flávio Olmos por um ajuntamento de partidos e Willian Antônio Zanolli, pelo PT.

No “barco” genista navegam…quem, mesmo? O médico Márcio Iquegami dificilmente encarará esta empreitada, assim, de repente. Quem sabe tente uma cadeira na Câmara? Há espaço.

Os demais nomes manifestados lá atrás dentro deste “barco” desapareceram do cenário político há algum tempo. A menos que o deputado tenha uma carta na manga que venha surpreender a todos, terá que lançar mão do seu velho amigo de guerra, Gustavo Pimenta.

Se não for isso, só restará emprestar apoio ao poderoso de turno, como medidas conciliadora e de conforto. Não por menos, é possível sentir que Pimenta está com um pé atrás.

Mas, em se concretizando esta mudança de planos do deputado, para onde voaria o tucano? Se sujeitaria, mais uma vez, aos propósitos de Geninho, ou buscaria seu espaço próprio, ainda que junto a outro grupo político?

Tudo são expectativas. Mas já passou da hora do deputado olimpiense dizer qual é a dele. Parece que não, mas a rolagem da política-partidária, por ora, e em certo aspecto, passa por ele.

Não cabe, a esta altura, indecisões. A cidade precisa de um norte eleitoral. E isso só se terá, quando ele soltar as “amarras” que prendem as pretensões várias no seu entorno. Hora de rolar os dados, deputado!

É a estúpida política?

Dando uma olhada na Resolução revisada pelo Tribunal Superior Eleitoral esta semana, entende-se a pressa do prefeito Fernando Cunha (PSD) em fazer inaugurações de obras inacabadas nos últimos dias, promovendo em paralelo, perigosas aglomerações (vide o caso do presidente da Câmara, com suspeita de Covid-19).

Mas, também entende-se a pressa em usar a pena na troca de nomes de assessores comissionados na quinta e sexta-feira passadas, com a nomeação de oito assessores de Gabinete I e II, e a exoneração de seis deles.

Em que pese a inexatidão das atividades destes assessores, circulou por aí que as nomeações no apagar das luzes da gestão Cunha eram necessárias, “porque os que estavam saindo trabalhavam, sim”.

Na verdade, o que se sabe é que os que deixaram suas funções (sejam lá quais forem), na verdade o fizeram porque são pré-candidatos a vereadores. O que se configuraria, no mínimo, em uma quebra de ética e moralidade, já que não ilegal, praticada pelo alcaide.

Desde os primórdios se sabe que estas figuras seriam concorrentes a uma cadeira na Casa Legislativa. Então, como imaginar que estas personas trabalharam, agiram, de forma isenta e absolutamente técnica ao longo destes quase quatro anos mantendo contato direto com o cidadão?

Há indicações de que um ou outro era responsável por receber currículos de gente incauta em busca de uma colocação em terceirizadas; outros eram responsáveis por manter sólida a ponte do poderoso de turno com as igrejas evangélicas; outros ainda, ficaram responsáveis por arregimentar “simpatizantes” para a corrida reeleitoral de Cunha.

E, até mesmo, houve aqueles que detinham em mãos as chaves de todas as portas da Secretaria de Saúde para, digamos, os casos de ulteriores necessidades.

Portanto, é possível que admitamos ter havido aí, favorecimento pessoal, político e eleitoral? Teria havido aí uma “casta” de candidatos ao Legislativo, privilegiada de forma absurda, e com dinheiro público? Ninguém nos poderá tirar o direito de formular tal pensamento, de ter tal convicção.

E, quando voltamos as atenções para aqueles que entram, só piora esta imagem indecorosa que formamos do momento, uma vez que todos eles, de uma forma ou de outra, representam aquela velha fórmula de se fazer política, ou seja, “primeiro os nossos”.

Ligações com políticos alinhados, ex-detentores de cargos legislativos que precisam ajeitar aqui e ali familiares ou agregados eleitorais, que indiretamente seriam pagos pelos cofres públicos para pedir votos por aí, sejam para o candidato proporcional, seja para o candidato majoritário.

A isso se pode denominar vergonha administrativa. Desrespeito com o que é público, da maioria, em favor de uma minoria privilegiada. E as nomeações destes últimos dois dias da semana foram de certa forma tão descaradamente político-eleitorais, que chega a dar náuseas.

E vem demonstrar como o poder corrompe almas, derrete preceitos morais, entorta intenções, e transforma lisuras em vale-tudo na busca pela manutenção do status quo político.

Na conclusão deste texto, entendo que caberia bem uma assertiva do então candidato a presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, cuja gênese extrapola a capacidade de absorção de seu significado por nosotros comuns: “É a política, estúpido!”.

Redes sociais já elegeram o prefeito e vereadores?

Uma situação crucial que vai se esclarecer nas próximas eleições municipais é se as redes sociais têm mesmo o poder político-eleitoral que lhe atribuem, ou se esse poder é apenas superestimado.

No caso da primeira hipótese, até podemos apontar, na Estância, quem seriam alguns próximos representantes do povo, na Casa Legislativa. Com um pouco mais de cuidado, daria para arriscar quem seria o mandatário do município.

Fora delas, não há como trabalhar com o imaginário. É preciso juntar as peças ainda espalhadas no cenário político local, posto em frangalhos por personagens excessivamente narcísicos e essencialmente individualistas.

Não se pensou no futuro conforme suas aspirações e projeções de uma cidade em franco desenvolvimento. Não se pensou em juntar as peças e destacar algumas “para o bem comum”. Pensou-se, apenas e tão somente, no eu absoluto -fora os solipsismos.

Enfim, o que esperar então dos dias futuros, no aspecto político-eleitoral? Temos aí um prefeito com as características já citadas acima, coincidindo com as de um ex-prefeito que ora desempenha o papel de parlamentar federal.

Ambos que, para todos os efeitos, não bebem café na mesma mesa. Porém, sabendo-se que o parlamentar em questão foi um dos incentivadores de sua introdução à política municipal, que depois disso sofreu saraivadas de ataques do eleito e se postou do outro lado da trincheira, imaginava-se que agora seria o momento exato para dar o chamado “troco político”.

Porém, o andar desta carruagem não indica que isso será uma verdade. É forte a tendência de um, digamos, entendimento entre as partes, mas vamos deixar isso, por enquanto, no campo da especulação deste blog.

Especulação essa surgida com base na frieza de atitudes do parlamentar e seu grupo na Estância. Vê-se, ali, alguém querendo alçar vôo próprio e só o tempo dirá se terá esta coragem, já que não a teve até o momento. Se tiver de fato, a dissidência terá forte impacto eleitoral. Caso contrário, teremos mais do mesmo.

Nestes tempos pandêmicos, ao final, queira-se ou não, as redes sociais terão um papel fundamental na comunicação entre os atores políticos e o público eleitor. E, vejam bem, não estou me desdizendo.

Apenas fazendo uma constatação do peso prático que terá a internet, já que as visitas, os encontros e reuniões, os comícios, os abraços e apertos de mão só estarão permitidos para os irresponsáveis sociais.

Mas as redes sociais ditarão as normas? Por ela se farão os novos eleitos? Ou ela será meramente o canal de comunicação entre-partes? Porque, se for assim, adeus à velha política, se não no sentido prático, ao menos no que diz respeito às personagens envolvidas neste “velho mundo” que se quer banido. Oxalá!

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