Blog do Orlando Costa

Verba volant, scripta manent

Categoria: Política

AFINAL, SALATA FICA, OU SALATA SAI?

“Hoje estou aqui!”

Foi assim que o secretário municipal de Turismo, Luis Antônio Moreira Salata, vereador licenciado do PP se manifestou a respeito do intenso zum-zum-zum que correu pelos bastidores esta semana. Chegou-se a dar como favas contadas a sua volta para a Câmara, desalojando de lá seu suplente, Tarcísio Cândido de Aguiar, o Sargento Tarcísio (PRB).

Sabe-se que o secretário conversou na tarde de ontem com a reportagem do semanário Planeta News, quado foi questionado sobre tais rumores. Salata classificou de “fofoquinha” o que tem circulado sobre sua saída da Pasta, observando que “ela vem de muito tempo”. Diz estar lá “cumprindo agenda, apesar das dificuldades de pessoal”, pois foi uma Secretaria fundida, juntando três outras pastas.

No início de seu Governo, o prefeito Fernando Cunha (PR) extinguiu a Secretaria de Agricultura, formando assim uma Secretaria conjunta: Turismo, Agricultura e Indústria e Comércio. Agricultura tornou-se apenas um Departamento, malgrada a importância do setor para a cidade. E aí está um ponto a ser ponderado já, já.

Salata não demonstra estar preocupado com sua permanência ou saída da Secretaria. Pelo menos não deixa transparecer, se de fato estiver. “Não tenho apego a cargo, aliás, tenho uma vida simples, quase Franciscana, e estou aqui a convite do prefeito. Mas, se for da vontade dele e tiver que voltar para a Câmara, o farei também, pois estou a serviço de Olímpia”, discursa.

Mas, não é segredo para os mais próximos e os da política, a insatisfação latente do vereador-secretário frente à Pasta, conforme deixa antever na frase: “Só preciso de instrumentos para trabalhar cada vez mais por Olímpia”. Ou seja, faltam-lhe instrumentos, ainda, após sete meses? Estes instrumentos podem ser traduzidos por recursos humanos, estrutura, apoio político e, sobretudo, financeiros.

 

TABULEIRO DE XADREZ
A saída ou permanência de Salata e sua consequente volta para a Câmara, mexe inteiramente no tabuleiro do Legislativo e na composição da base política do prefeito Fernando Cunha (PR).

Sim, porque Salata, uma vez retornando à vereança, dada as circunstâncias relatadas acima, não estará, como se diz, enquanto vereador, de bons amores com o Executivo, eis que estaria deixando a Pasta por excesso de contrariedades e falta de apoio ao seu trabalho.

Sua volta implicaria na saída de Tarcísio Aguiar, hoje ferrenho defensor de Cunha na Casa. Este, por sua vez, poderia vir a ser “premiado” com um cargo talvez de secretário, ou diretor. Mas, os rumores dão conta de que Cunha estaria propenso a recriar a Secretaria de Agricultura e lá acomodar seu “soldado”.

E, ainda no âmbito dos rumores, o seu “ungido” para ocupar a Secretaria de Turismo, em lugar de Salata, seria o vereador Selim Jamil Murad, do PTB, partido do candidato a prefeito derrotado em outubro, Beto Puttini, de cuja coligação fez parte, mas, digamos, sem lá muita convicção.

Sendo assim, voltaria para ocupar uma cadeira na Casa, o vereador-suplente Marco Antônio Parolim de Carvalho, o Marcão Coca, do PPS, outro que integrou a coligação de Puttini, e continua muito próximo do ex-prefeito Geninho Zuliani, do DEM. Neste caso, Coca terá que fazer a opção: vereador ou prestador de serviços para o município, onde tem contratos com a prefeitura.

Mas, percebam a linha fina que Cunha estaria tecendo, o que lhe exigiria habilidade política e visão macro de futuro administrativo. Porque perderia, em tese, dois fortes componentes de sua base, Tarcísio mais ainda, porque está sempre na defesa incondicional do prefeito.

Coca voltando, como se comportará? Será sempre o suplente à mercê dos humores de Cunha? Terá independência a ponto de garantir espaço político? Ou apenas “cumprirá tabela”, conforme o jargão futebolístico. Mas o alcaide estaria sempre “pagando pra ver” (observem as aspas, portanto não se trata do sentido estrito do termo, certo?).

Brincadeiras à parte, a Casa de Leis, com esta “virada na mexida” ficaria, digamos, um pouco mais agitada? Um pouco mais turbulenta? Um pouco mais problemática para o prefeito? A resposta para todas estas pergunta é: sim.

Basta nos lembrarmos que Salata estaria de volta, defenestrado de um cargo importante, por questões de não afinidades político-administrativas. Basta dizer, ainda, para usar um termo chulo, que ele estaria voltando “com sangue nos olhos”. A Casa de Leis passaria a contar com um debatedor e questionador experiente e que sabe provocar, incendiar, quando preciso.

Seria um inimigo e tanto do governo que, ao mesmo tempo, estaria perdendo uma voz considerável lá dentro, a de Tarcísio, sabedores que somos que seu atual líder, João Magalhães (PMDB), não é dos melhores oradores, embora sua experiência legislativa, nem tampouco forte nos embates. Mormente com Salata, de quem ele perdeu todas, até hoje.

A ver. Estão rolando os dados. (Estão?)

VEREADORES MOSTRAM FORÇA E UNIÃO, E SINALIZAM RUPTURA?

Pode ser que tenha sido uma postura de momento, pode ser que seja um ensaio sobre o futuro da Casa de Leis, mas é importante ressaltar que o prefeito Cunha viveu uma noite de derrotas seguidas ontem na Câmara de Vereadores.

Indiretas, por enquanto, já que os temas tratados foram, a princípio, do interesse do Legislativo -três projetos de Lei com pareceres contrários da Comissão de Justiça e Redação derrubados por maioria absoluta.

A dedução quanto a um possível novo posicionamento da Câmara se evidencia porque durante o Expediente, no qual os vereadores usam da Tribuna para tratar de tema de sua escolha, houve reclamações quanto à falta de respostas a requerimentos encaminhados a secretarias ou mesmo de atendimento a convite a secretários ou diretores para irem à Casa responderem ou explicarem questões consideradas  prementes.

Neste aspecto houve até um princípio de bate-boca entre dois edis, um alegando que o queixoso exagerava, uma vez que ele havia sido atendido em suas demandas e o outro dizendo que o defensor gozava então de privilégios junto ao Executivo, talvez por ser “menos igual” que os demais.

Por que três pareceres contrários da CJR em três projetos que não emanaram do Executivo seria indicativo de derrota a Cunha? Porque quem defendeu os arquivamentos foram João Magalhães (PMDB), líder do prefeito, e José Elias de Morais (PR), sempre do lado do poder, ambos integrantes da tal Comissão, presidida por Flavinho Olmos (DEM).

Magalhães até que tentou, argumentou quanto à inconstitucionalidade de tais projetos, lembrou do vício de iniciativa etecetera e tal, mas não convenceu a maioria de seus pares, que preferiram o embate. Até Zé das Pedras argumentou um pouco, mas do seu jeito estabanado acaba sempre colocando gasolina no fogaréu.

O primeiro projeto de Lei, que desandou a sessão, foi o de nº 5.191, de autoria de Antonio Delomodarme, o Niquinha (PTdoB), que trata da garantia de acesso gratuito a eventos artístico-culturais por crianças e adolescentes de baixa renda.

Na verdade, o vereador quer que, de alguma forma, o município controle a situação, fazendo garantir a gratuidade em circos, parques de diversões (não os parques aquáticos locais) para crianças que seriam de alguma maneira cadastradas pelo município, valendo aquelas de famílias que recebam o Bolsa Família ou outros benefícios sociais.

O segundo projeto, de nº 5.192, de autoria do vereador Hélio Lisse (PSD), dispõe sobre a distribuição domiciliar de medicamentos e materiais necessários aos procedimentos médicos para idosos previamente cadastrados no Sistema Único de Saúde-SUS.

E o terceiro, de nº 5.194, de autoria do vereador Fernando Roberto da Silva, o Fernandinho (PSD), dispõe sobre o período de atendimento interno nos caixas aos usuários dos estabelecimentos bancários.

Lembrando que, nos três casos, o presidente da CJR, Flavinho Olmos, votou favorável à tramitação, porém os membros Magalhães e Zé das Pedras votaram contrários.

E aí ficou implantada a distensão, uma vez que a rejeição aos projetos foram sempre por dois a um, e a rejeição aos pareceres, sempre por seis a três. E os três projetos foram aprovados em Primeira Discussão e Votação, também por seis a três.

Importante salientar que outros dois projetos, que emanaram do Executivo, foram aprovados sem maiores entraves -o 5.202, que dispõe sobre abertura de créditos especiais e o PLC 230, que altera parágrafo único da Lei Complementar 106, que dispõe sobre o Plano Diretor do Município. Ambos por unanimidade.

Pode-se argumentar então que é puro exagero deste blog apontar para uma futura ruptura na Casa de Leis frente ao Executivo. Pode-se argumentar que são projetos que realmente têm problemas legais e a postura dos dois membros cunhistas, três, na verdade, já que Sargento Tarcísio (PRP) joga no time governista está cheia de razão. Só que não.

O fato é que não foge à compreensão dos mais atentos que a Casa de Leis deu uma demonstração de força a Cunha, uma sinalizada no sentido de que ali não encontrará um mar de rosas.

É certo que, se aprovados, estes projetos serão vetados pelo Executivo, até por linha de coerência com seus defensores na Casa. Não havendo diálogo -e Cunha, já se disse aqui, é pouco afeito a ele-, pode ser que esta mesma bancada “rebelde” de seis vereadores tentem derrubar tais vetos.

Além de, por todos os meios, procurar desgastar a imagem política do prefeito, que já não é lá aquelas coisas.

De qualquer forma, é um mal sinal. Mostra que a Casa está pronta para o combate a qualquer tempo. Nessas horas, uma assessoria política traquejada faz muita falta a um administrador.

Nessas horas, deixa a cena os “escudos” legislativos, e entram os “linha de frente”, aqueles com capacidade plena de convencimento, ou um “conquistador político”, coisa que Cunha não tem ao seu redor, e parece ter dificuldade para se afinar com alguém assim.

Ademais, pode parecer que não é nada agora. Um fato circunstancial. Uma febre terçã. Vai passar. Até passa, o “paciente” volta ao normal, e tudo se tranquiliza. Mas há casos em que se morre vítima da tal febre. E o momento é de Cunha se antecipar ao pior. Decidir que tratamento irá então dar a ela.

De choque, para acabar de vez com o perigo? Ou paliativo, para apenas amenizar a temperatura momentânea da febre? Porque uma coisa é certa: a Casa de Leis foi “picada” pela fêmea infectada. E o antídoto, neste caso, seria uma boa dose de jogo de cintura, de conversação política. Enfim, de diálogo. E só Cunha pode ministrar a receita.

CUNHA PRECISA ESCOLHER COM QUAL ‘FANTASMA’ QUER SE DEBATER

Partindo da premissa mais grave, a demissão por iniciativa própria da secretária de Saúde, Lucineia Santos, na semana retrasada, passando por outra levada por certas circunstâncias, da chefia de Gabinete, e ainda outras por virem, conforme fervilha nas rodas e corredores, pode se dizer que sim, o nascente governo Cunha está em crise, evidenciada antes mesmo de completar os 100 dias, ou a partir deles.

A impressão que dá, também, é a de que Cunha estaria tendo dificuldades para formar uma coalizão, um grupo de apoio forte, o chamado “núcleo duro” de governo, dizem que, em grande parte, por sua própria causa. Há testemunhos de gente próxima que Cunha “não é mais o mesmo”, desde que assumiu a cadeira principal da Praça Rui Barbosa, 54.

O prefeito, o que tem de mais próximo de si é “herança” genista, ou seja, seu secretário de Governo, Guto Zanette. Longe dali, em outra secretaria, outra “herança” genista (embora sempre tenha sido um outsider), Salata, como titular em Turismo. Sandra Lima, alçada à condição de secretária de Saúde, funcionária de carreira, já ocupou secretarias no governo passado (embora digam à boca pequena que Cunha estaria cumprindo compromisso de campanha ao nomeá-la).

A titular anterior, diga-se de passagem, era do “protetorado” do vice Fábio Martinez, segundo consta, por isso Cunha não fez nenhuma questão de contemporizar seu descontentamento à frente da Pasta. A nomeação de Sandra, consta, teria sido feita sem consulta prévia ao vice.

Do “protetorado” de Martinez é também o profissional médico que substituiu o cardiologista olimpiense José Carlos Ferraz, Lúcio Flávio Barbour Fernan­des. Não vamos aqui aprofundar comentários que dão conta de uma já conflituosa relação entre o prefeito e seu vice, por meros detalhes, bem como com seu mentor eleitoral, Nilton Martinez, pai de Fábio.

Bom, mas os tremores sísmicos do governo Cunha não se resumem aos fatos narrados. Pelos próximos dias podem vir novidades. E uma delas, dada como certa, é a volta de Salata à Câmara, deixando o Turismo e tirando Sargento Tarcísio da cadeira que lhe pertence no Legislativo. Dizem que o próprio chegou à conclusão de que ele e o turismo não têm nada a ver. Há pouca visibilidade e liberdade de ação com o centralismo pessoal de Cunha.

Também comentam nas rodas, que Guto Zanette pode pegar seu “boné” brevemente, abrindo uma lacuna enorme no Governo. Zanette não é vereador, portanto, neste caso a Casa de Lei não sofrerá nenhum abalo.

Não há nomes especulados para as duas vagas, embora para o Gabinete chegou-se a aventar a possível volta de Paulo Marcondes, o Paulinho da Uvesp, porém ele está com compromissos fortes com o prefeito de Altair, Antonio Padron, que começa a articular sua candidatura a estadual para 2018.

Marcondes, que seria outra “herança” genista, já havia sido sondado para a provedoria da Santa Casa (e este é outro episódio que demonstra claramente a falta de articulação de Cunha, que não consegue aglutinar gente em seu redor, uma base de sustentação, como todo mandatário necessita), mas recusou de pronto.

E isso ainda não é tudo. Há fortes rumores de que a Câmara ensaia uma rebelião. Há muita insatisfação no meio legislativo entre vereadores que são ainda a base de sustentação de Cunha na Casa de Leis. E por “enes” razões, uma delas por excessivo privilégio a “uns”, e agrura total a “outros”. Bem como pelas dificuldades de aproximação.

Se Cunha quiser manter-se tranquilo na condução dos interesses do povo olimpiense, tem que circular, participar, conversar, aparar uma aresta aqui, outra acolá, atender um parceiro nisto ou naquilo e, acima de tudo, “lustrar” sua imagem interna cercando-se de pessoas que saibam fazer a boa política, afinal, política é também relações públicas. Ou não?

E o entorno do prefeito, conforme se ouve e se vê por aí, está ruim, politicamente falando. Cunha é ruim no trato político. Pouco jogo de cintura, muito personalismo, individualismo desnecessário e falta de, como já dissemos acima, capacidade de aglutinação. Ou desinteresse puro.

De qualquer forma, o alcaide precisa se decidir com quem quer competir à frente do governo municipal. Com qual “fantasma” quer se debater. Se for o governo passado, tem que correr, e muito. Tem que mudar, e muito, no aspecto político também. Se for com o antecessor do antecessor, está caminhando bem. Todos os ingredientes estão presentes.

Mas, à boca pequena já se diz por aí que Cunha caminha, inexoravelmente, para se identificar com o antecessor, do antecessor, do antecessor, do seu antecessor. Com o qual, aliás, rompeu quando era deputado estadual. Portanto, ele sabe muito bem do que o povo já está falando. E das implicações por vir….

EX-PREFEITO TENTA SE CACIFAR PARA UMA CADEIRA NA CÂMARA?

Mudança de planos à vista? Ao que consta, o ex-prefeito Geninho (DEM) está reordenando seus projetos políticos futuros para buscar uma cadeira na Câmara Federal. A princípio, dizem que o ex-alcaide teria a Assembléia Legislativa paulista como “plano B”.

Porém, para poder viabilizar seu projeto, será necessário que seu grande mentor político, Rodrigo Garcia, confirme-se como vice numa eventual chapa com Dória candidato a governador de São Paulo (candidatura que muito provavelmente se dará) ou, em caso negativo, a uma vaga no Senado.

Em qualquer destas duas hipóteses em relação a Garcia, o caminho ficará aberto para o olimpiense, atual coordenador do Programa “Cidade Legal”, dentro da Secretaria Estadual da Habitação, cujo secretário é exatamente Garcia.

Não parece provável, pois, que Geninho volte a cogitar ser novamente prefeito de Olímpia a partir de 2021, em caso de malogro deste atual governo, resultado de um, digamos, mal-entendido político histórico para a cidade. Nos bastidores, os comentários sobre essas possibilidades (de malogro e candidatura) têm crescido.

(Observando que a expectativa de malogro ainda não se desfez, ao contrário, vai ganhando força à medida que o tempo passa. Lá se vão os primeiros 100 dias, e o governo Cunha, ao que parece, sairá deles como tragédia).

Mas, voltando ao assunto-tema, Geninho deve ter convicção de que tem bases políticas em várias regiões do Estado, o que lhe garantiria uma boa soma de votos, contando que Olímpia não se furtaria a dar-lhe uma soma considerável, talvez aí pela casa dos 20 mil.

E a busca por estes votos será árdua, sem dúvidas, considerando que o deputado federal menos votado em 2014, Sinval Malheiros, do PV, eleito, foi sufragado por pouco mais de 59,3 mil eleitores. Mas estes menos votados são geralmente de partidos nanicos, favorecidos pela força de suas coligações.

Geninho é do DEM, partido pelo qual o deputado federal menos votado, Alexandre Leite, teve 109.708 votos. O mais votado pela legenda foi exatamente Rodrigo Garcia, com seus 336.151 votos, dos quais quase 10 mil foram de Olímpia. Quantos, do total de Garcia, podem ser transferidos para Geninho, para somar-se aos que ele próprio já deteria?

E mais: em Olímpia, como as coisas se darão? O prefeito Cunha estará em condições plenas de emprestar apoio a Geninho? Ou, indo mais longe, Cunha estará em condições de emprestar apoio a qualquer outro candidato em se tratando de Olímpia?

Porque aí por fora ele deve até ter lá seus redutos, afinal passou uma vida inteira ocupando cargos e funções em estatais estaduais ou regionais, e claro, como é praxe no meio, deve ter lá seus, digamos, “devedores de obrigações”. Então, levando Geninho ou outro qualquer, pode arrebanhar alguns ou muitos votos.

E consta que a intenção primeira da candidatura Cunha a prefeito de Olímpia era exatamente essa, retribuir com o apoio e o empenho à candidatura do ex-prefeito.

Mas, com os percalços havidos, esse projeto ficou em suspenso, na dependência do que o futuro determinar -ou, quem sabe, do que o “mestre” Garcia ordenar (afinal, teria sido ele o “inventor” da candidatura Cunha).

No mais, seria interessante Cunha estar bem em 2018, no coração dos olimpienses e, claro, emprestar seu apoio a Geninho na cidade, fazendo talvez duplicar sua votação.

E assim também em nível regional e estadual. Mas, tudo vai depender dos ânimos entre ambos. Ou das infalíveis conveniências políticas de momento.

Porém, muito antes de tudo isso, vai depender da atuação administrativa de Cunha, o que fará dele um bom ou um indesejável “cabo eleitoral”. E pelo que temos visto, o prefeito de turno vai ter que “correr muito” para estar mais forte ou equiparado a Geninho eleitoralmente em 2018.

(PS: Voltaremos ao assunto)

CARREIRA
Só a título de curiosidade, leiam, abaixo,
o histórico político do ex-prefeito:

Aos 18 anos, em 1994, filiou-se ao PMDB, com o intuito de se candidatar a vereador nas eleições seguintes.

Nas eleições de 1996, com 20 anos, Geninho deu indícios a população de que seria um jovem e bom político trabalhando em prol do município. Conquistou 438 votos, sendo um dos vereadores mais votados de seu partido, ficando na 1° suplência da coligação.

Em 1998 elegeu-se presidente da União dos Estudantes Universitários de Olímpia e ainda coordenou as campanhas dos então desconhecidos na cidade Rodrigo Garcia para deputado estadual e Gilberto Kassab para deputado federal, conquistando 1.191 e 1.442 votos, respectivamente.

Em 1999, aos 23 anos, assumiu uma cadeira na Câmara Municipal de Olímpia durante alguns dias, em substituição ao vereador Nego de Melo, que estava de licença para tratamento de saúde.

Em 2000, pelo PFL, atual DEM, foi eleito vereador de Olímpia, sendo o 7° vereador mais votado com 704 votos, elegendo mais 4 vereadores de sua coligação.

No ano de 2002, coordenou novamente a campanha de reeleição dos deputados Gilberto Kassab e Rodrigo Garcia, dobrando as votações obtidas em 1998, atingindo 2822 e 2554 votos respectivamente para deputado federal e estadual.

Como vereador, de 2001 a 2004, apresentou vários projetos de lei em favor dos jovens estudantes, como o que autoriza a concessão de descontos para o transporte de alunos do curso de 2º grau e também assegura a estudantes o direito ao pagamento de meia entrada.

Foi eleito 1° secretário da Câmara Municipal de Olímpia para o biênio de 2003 a 2004.

Em 2004, foi eleito vereador para assumir seu 2° mandato na Câmara, sendo o 2° vereador mais votado naquela eleição, conquistando a expressiva votação de 1014 votos.

Ao assumir seu mandato de vereador em 2005, foi eleito presidente da Câmara Municipal para o biênio de 2005 a 2006.

Em 2008, aos 32 anos, se tornou o prefeito mais jovem a assumir o comando da cidade, sendo eleito com 9894 votos. Em 2012, foi reeleito com a votação recorde de 20.281 votos válidos.

Em 2010, coordenou regionalmente a campanha do Deputado Federal Rodrigo Garcia, que obteve em Olimpia mais de 11 mil votos.

Em 2014, coordenou regionalmente a campanha do deputado federal Rodrigo Garcia, que obteve em Olímpia 9.395 votos.

ALEA JACTA EST!

Não há definição melhor para o dia que se inicia neste 2017 que a frase de Júlio César, já que teria sido dita em momento de firme decisão, a qual não poderia dar errada de maneira nenhuma.

Assim, a sorte está lançada para aqueles que tomaram posse na tarde-noite de ontem (noite, porque, marcada para às 17h30, a cerimônia só teve início às 18h07).

Após “escaldantes” duas horas de espera e cerimônia (o ar condicionado não funcionou, enquanto o já ex-presidente Salata se gabava de ter devolvido sobra do duodécimo ao Executivo), restou um manto de esperança atirado sobre tantos quantos ali estavam, em última análise, representando a população olimpiense.

Pela segunda vez nos últimos 20 anos, um presidente de Câmara é eleito por unanimidade, embora mal disfarçadamente, um ou outro tenha “engolido o choro”. Aliás, todos os integrantes da Mesa diretora foram eleitos por unanimidade.

Até a eleição de Beto Puttini (PTB) por unanimidade, na gestão 2013-2014, as demais eram sempre divididas entre favoráveis e contrários. A Mesa anterior, por exemplo, com Salata na presidência, foi eleita por seis votos a quatro.

No mais, a cerimônia foi tranquila, bastante concorrida e com pequenas doses de emoção. Nenhum discurso contundente, nenhum sinal claro de possíveis dissidências futuras. O prefeito Cunha até viu um “desapego político” naquilo que os vereadores falaram.

. Um detalhe que chamou a atenção de alguns presentes foi o prefeito Cunha estar lendo a letra do Hino a Olímpia quando foi executado no sistema de som da casa. Mas, nada há de absurdo nisso. “Pelo menos ele mostrou interesse em cantar o Hino”, acudiu um correligionário. No quem tem razão. Porque, tirando uns gatos pingados, ninguém canta.

. Na cerimônia de transmissão do cargo, no Gabinete Municipal, o ex-prefeito Geninho anunciou que esta semana mesmo vai para São Paulo, trabalhar na Secretaria de Habitação, com seu mentor político Rodrigo Garcia. Sua esposa, Ana Cláudia, fica por uns tempos mais na cidade, mas deve também se mudar para a capital. Trata-se da primeira decisão do ex-alcaide no entorno de sua candidatura a deputado estadual, em 2018.

. Esqueceram de mim? O prefeito Cunha, ao agradecer sua equipe de transição, na mesma cerimônia de transmissão do cargo, se esqueceu do advogado Edilson César De Nadai, que estava ao seu lado. Lembrou-se de Guto Zanette, Odair José De Nadai e Bruno Guzzo. Mas, a figura mais presente nas reuniões que fazia era a de Edilson, ex-secretário de Assuntos Jurídicos de Geninho, agora secretário de Gestão e Planejamento.

. No seu discurso no Gabinete, Cunha ressaltou que “a vida mansa acabou”. Mas, ironicamente, seu primeiro ato de ofício enquanto prefeito foi decretar ponto facultativo até o meio dia deste 2 de janeiro de 2017.

. Cunha não deixou dúvidas a quantos tantos a tinham, de que a última palavra sempre será a dele. “Eu trabalho delegando poderes. Confio nas pessoas, mas costumo ter comando, a rédea”, disse.

. E para aqueles que insistem no discurso de “terra arrasada” deixada por Geninho ao seu sucessor, ele próprio, o sucessor, desfaz a falácia: “A casa está arrumada, tem saldo em banco, então não vamos precisar ficar fechando portas, fugindo de credores”, disse Cunha em meio ao discurso, provocando risos nos presentes.

. Cunha disse ainda que pretende, “em quatro anos”, deixar a prefeitura de cabeça erguida, como o prefeito Geninho o fazia naquele instante. Ainda tramita no Senado a proposta do fim da reeleição. Tudo indica que deve mesmo vingar. Assim, fica mais curto o tempo das articulações e para “brotarem” nomes em meio à seara política local.

. No mais, a Mesa da Câmara está assim constituída: presidente, Gustavo Pimenta (PSDB); vice-presidente, Selim Jamil Murad (PTB); 1º secretário, José Elias Morais (PR) e 2º secretário, Hélio Lisse Júnior (PSD).

GESTÃO CUNHA SERÁ EM TEMPOS DE VACAS MAGRAS: ESPERA-SE QUE ELAS NÃO MORRAM

Vai-se, finalmente, 2016. Vem aí um 2017 maculado por tantos acontecimentos ruins registrados no ano que termina. Na política, na economia, no comportamento, nas redes sociais, nas artes, na saúde, na educação, enfim, em todos os setores, o ano que se finda foi de noticiais ruins para os brasileiros.

E isso, de uma forma inequívoca, alcança os municípios. Se não tem dinheiro lá em cima, como dizem, cá embaixo menos ainda. Mas, para Olímpia a tal crise ainda não deu acenos mais fortes. Pelo menos até agora.

O prefeito Geninho (DEM) deixa o cargo neste 1º de janeiro sem muitos problemas a serem resolvidos de imediato pelo seu sucessor, Fernando Cunha (PR), exceto por obras inacabadas. Para as quais há dinheiro reservado ou convênios já garantidos pelo Governo do Estado.

Embora se queira fazer crer o contrário, e não pelo alcaide entrante, mas por certo meio de comunicação local, Cunha não encontrará cenário de “terra arrasada”. Pelo menos foi o que ele mesmo disse em entrevista recente, após ter feito as muitas reuniões de transição.

Assim, fica meio forte este semanário dizer com todas as letras que termina “um período negro” com Geninho Zuliani, conforme seus entrevistados “afirmaram”.

Não se quer aqui dizer que não há senões a serem cobrados e apontados. Fosse assim, as contas de Governo não teriam apontamentos vários do Tribunal de Contas, referentes a 2014 (Ainda restam outras duas. A ver como será o comportamento da nova Câmara em relação a elas).

Se Zuliani até que navegou em mares pouco revoltos, ao que parece Cunha terá pela frente certas turbulências. Uma delas, por exemplo, talvez a escassez de emendas parlamentares, com as quais se pode fazer as pequenas obras, tipo uma pracinha aqui, outra acolá, ou aquelas mais polpudas, para obras maiores.

Sorte estarmos no Estado mais rico do país (?), ou pelo menos naquele que até agora não deu mostras de estar na penúria. Assim, com um trabalho dinâmico, Cunha pode arrancar um pouco mais de dinheiro do comandante paulista, ademais, seu amigo de longa data.

Diante da crise que se avizinha, vai ter um peso fundamental a desenvoltura do futuro alcaide diante de autoridades maiores, quiçá aquelas do Palácio do Planalto. Uma vantagem ele tem sobre Geninho, que desenvoltura política demonstrou à farta: não é um politico provinciano, como o quase ex-alcaide, cria de Olímpia com algum trânsito alhures.

Cunha alardeou durante a campanha seu cosmopolitismo político, ostentou propaganda com a tríade do poder tucano-peemedebista -Alckmin, Aloysio Nunes e Temer.

A dobradinha Geninho-Rodrigo Garcia sempre funcionou. Mas não nos parece ser a “praia” de Aloysio Nunes as práticas “varejistas” de Garcia. A ver como se dará com Aloysio, senador mais afeito a questões político-administrativas.

Portanto, 2017 chega com uma certeza e uma incógnita. A certeza é a de que serão tempos de vacas magras. A incógnita é se Cunha terá desenvoltura para não deixar estas vacas morrerem.

Porque, queiram ou não, as administrações Geninho Zuliani tornaram-se um parâmetro. Há quem não goste do político e até da pessoa, mas esse é um direito inerente a cada um. Mas é certo que não dará para digerir, a partir dele, um prefeito “bunda na cadeira”.

PROJETOS DE RUIZ SÃO CLASSIFICADOS COMO ‘BOBAGEM’ POR CUNHA

“É bobagem”.

Assim classificou o prefeito eleito Fernando Cunha (PR), os dois projetos de Lei do vereador e candidato segundo colocado a prefeito nas eleições de outubro, Hilário Ruiz (PSD).

Ruiz queria implantar em Olímpia a “Lei da Ficha Limpa”, por meio do projeto de Lei 5.144/2016, e provocar alteração dos Artigos 12 e 13 da Lei número 3.910/15, que trata da atualização e organização da Daemo Ambiental, por meio do projeto de Lei 5.146/2016. Ambos “passearam” pela pauta da Câmara a partir de final de novembro, para serem rejeitados na última terça-feira, 27.

Cunha disse que a pretensão do ex-petista “não incomoda”, mas classificou-a de “equivocada e errada”. Além do que, tratou-se de “oportunismo político”, avaliou. No entender do futuro alcaide, já existe lei federal no tocante à “Ficha Limpa”, e “será cumprida” (Parêntesis: Cunha tem nomeados dois secretários que estariam com “senões” na Justiça).

“A Câmara não tem que legislar nisso. É bobagem. Para de ficar inventando novidade”, pediu.  Ou mandou? (Parêntesis: Já tivemos Executivo por aqui que não poupava palavras para se referir à Câmara. Espera-se que não estejamos diante de um revival).

No que diz respeito à Daemo Ambiental -ao que parece a “menina dos olhos” de Cunha-, disse que é “tentativa de interferência do Legislativo” nas questões da Superintendência. “Acho uma bobagem ter que passar pela Câmara (os aumentos de tarifas, por exemplo)”.

Para Cunha, enfim, os vereadores “fizeram o que acharam correto. Se era ilegal, foram rejeitados”.

UMA PERGUNTA PARA
O TEMPO RESPONDER
Cunha disse também nesta entrevista à Rádio Espaço Livre, que pretende “arrumar a casa”, traçando uma meta de buscar economizar R$ 10 milhões em economia por ano. O que daria pouco menos de R$ 900 mil por mês. Com a atual reestruturação, disse já poder alcançar R$ 2,2 milhões/ano.

E ao mesmo tempo em que fala em renegociar contratos, como o do lixo, por exemplo, fala em baixar alíquotas, como a do IPTU.

A pergunta: Não parece “propagandístico” demais fazer tais assertivas quando ainda não se conhece a dinâmica administrativa na prática? O tempo responderá.

 

CUNHA CONFESSA: PRESIDENTE TINHA QUE SAIR DOS ‘SEUS’ ELEITOS

O prefeito eleito Fernando Cunha (PR) quase chega a ser convincente quando diz que não tem nada a ver com a movimentação em torno da composição da Mesa da Câmara, a ser eleita domingo à noite, após a posse dos edis eleitos em 2 de outubro.

Falando nesta quarta-feira, 28, à Rádio Espaço Livre, foi didático ao dizer que por ter elegido cinco dos dez próximos vereadores, entendeu que “devia sair dali” (do grupo situacionista) o nome do presidente da Casa de Leis. E saiu: Gustavo Pimenta (PSDB), o mais votado entre os dez, com a preferência de 1.419 eleitores.

Disse que foi só até aí. Que depois a articulação ficou por conta do próprio Pimenta que, sabemos, não tem a menor aptidão para tanto. Cunha relatou depois que a tal articulação pimentista contou, entre outras “cositas más”, com a oferta de cargos para os vereadores eleitos pelas outras coligações, casos de Selim Murad (PTB), da coligação de Beto Puttini, para vice-presidente, e Hélio Lisse Júnior, da coligação de Hilário Ruiz, como 2º secretário.

O 1º secretário, por sua vez, será Zé das Pedras (PR), partido que era do vereador licenciado Dirceu Bertoco (atual secretário de Agricultura) e pelo qual Cunha se candidatou para em seguida defenestrá-lo do grupo.

De resto, o prefeito eleito nega que tenha ou terá qualquer tipo de ingerência sobre a Câmara de Vereadores da Estância Turística, embora fazer o que já fez seja o símbolo máximo da ação de um Executivo sobre o corpo Legislativo de qualquer urbe.

Porque se o prefeito eleito consegue “nomear” um presidente -que sai por aí “articulando” nomes “oposicionistas”, o que mais não conseguirá dos nobres edis?

Aparentemente, Cunha não gostou que dissessem que a Câmara estará a seu dispor doravante, mesmo ele próprio fazendo anunciar que a Mesa formada tem seu apoio. Das duas uma: ou anunciou apoio para marcar território, parametrizar a Casa de Leis, ou cometeu sua assessoria, ato falho.

Porque não é normal, com certeza, tal situação. Os poderes devem sempre primar pela independência, embora nada impeça que sejam coesos. Porém, coesão não é ponte para submissão. Aliás, não existe nada mais patético no âmbito da política que Câmara submissa ao Executivo. O que não implica, também, que ambos tenham que viver às turras.

Só para reforçar, pois todo mundo já sabe, a principal função de uma Câmara é fiscalizar e questionar os atos do Executivo. O resto é perfumaria, ou legislar em proveito próprio. E ninguém pode negar que Cunha eleger a Mesa do seu agrado (caso não haja “trairagem”, como se diz), é garantir tranquilidade para os próximos quatro anos.

E Cunha articulou até mesmo para mudar inclusive a composição da Câmara, colocando dois vereadores eleitos em duas secretarias, fazendo subir dois vereadores suplentes “do seu agrado”. Um deles, aliás, será seu líder naquela Casa.

PS: O semanário Planeta News tem interessante texto sobre esta questão publicado em sua edição impressa da última sexta-feira, dia 23.

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