Blog do Orlando Costa

Verba volant, scripta manent – 10 Anos

Mês: fevereiro 2011 (Página 2 de 3)

UM DRAMA DA VIDA (QUASE) PRIVADA

Há controvérsias. Mas, em se tratando de vida pública, há que se entender e estar bem estruturado, para o estado absoluto de exposição a que detentores de cargos públicos estão sujeitos, ou a que serão submetidos. Tudo o que fizerem, disserem, qualquer atitude, ambiente que frequentarem ou ainda a mais sórdida mentira ou invencionice que contra eles assacarem, naturalmente ganhará uma amplitude que jamais alcançaria, em se tratando de pessoas comuns. E é isso o que atualmente acontece com o prefeito Geninho (DEM).

Independentemente de o foco ser sua vida (quase) privada, e o tema ser de caráter extremamente invasivo, o prefeito tem que, de alguma forma, “assimilar”. Claro que não deve fazer isso sorrindo, de alma plena, mas faz parte da vida pública tais acometimentos. Por mais que isso divida a opinião dos cidadãos, o comportamento em particular do político tem a ver, sim, com seu comportamento público. E o que acontece ou deixa de acontecer em sua vida privada, é do interesse do cidadão, por motivos os mais diferentes e inimagináveis.

Ele é a figura da vez, o astro a brilhar, o comandante de toda uma comuna. Portanto, tudo o que se falar dele, no público ou privado, ganhará ampla repercussão. E o político tem que estar preparado para isso. Como de resto, tem que estar preparado para tudo o mais. E é pelo âmbito político apenas que analiso esta questão, não negando que do ponto de vista social ela seja bastante delicada e tais insinuações de uma maldade sem precedentes a atingir casais e familiares.

Mas, entendo como despropositado o post do prefeito, em seu perfil na página social Facebook, no sábado à noite, com o seguinte teor: “Pedido: Eu e a Fernanda somos adultos e preparados para as calúnias e difamações que a turma da oposição não desiste em inventá-las, porém não há problemas. Peço que poupe nossa filha, ela tem apenas 6 aninhos, e é a única coisa que restou da língua dos maldosos. Que Deus proteja a Todos. Geninho e Fernanda.”

Despropositado porque, ele mesmo diz, é adulto, juntamente com a esposa, e ambos estão  “preparados para as calúnias e difamações”. Ou seja, dá para se ver que há uma nítida intenção de se politizar o tema. E é aí que seu apelo perde o valor humanístico que deveria conter. Ao jogar as calúnias e difamações no “colo” da “oposição que não desiste em invetá-las”, o prefeito inconscientemente mostra ser quem é: um oportunista político e, aí sim, ele próprio não estaria respeitando a dor da filha com a qual se mostra condoído.

O prefeito, na verdade, tenta simplificar uma questão que não é tão simples assim. Politizar uma tão grande comoção popular, e ainda por cima relacionada à sua vida, insisto, quase privada, não reflete sua alma, não garante que ele realmente esteja querendo poupar a filha. E, ademais, ele mesmo reconhece que ela já foi poupada “da língua dos maldosos”. Portanto, desnecessário tal post, despropositado, e não alcança, repetindo de novo, o valor humanístico que deveria alcançar. Além disso, joga luz sobre assunto que já estava arrefecendo por sí, já chegando às raias da invencionice. Mais um pouco e niguém tocaria mais nele.

De qualquer forma, infelizmente para o prefeito, não se pode dizer que detentores de cargos públicos tenham vida privada. Porque não teem. Por mais que insistam neste dualismo público-privado. E, afinal, quem colocou a filha, digamos, na berlinda, foi o próprio pai. Só não consigo atinar que “lucro” político o alcaide pode auferir disso.

VEM AÍ A TERCEIRIZAÇÃO DA SAÚDE?

O jornal Planeta News divulgou em sua edição desta sexta-feira, 11, com exclusividade, que o 2º Promotor de Justiça e Procurador do Patrimônio Público em Olímpia, Gilberto Ramos de Oliveira Júnior, instaurou o Inquérito Civil  de número 45/2011, no dia 25 de janeiro passado, contra os médicos contratados pela rede municipal de Saúde, com a finalidade de apurar denúncia de falta de cumprimento da jornada integral de trabalho. Diz ainda o semanário que a medida foi tomada tendo como base uma representação feita pela conselheira da Saúde Mônica Maria da Silva. A acusação é a de que nenhum deles cumpre a jornada integral de trabalho.

Um ‘imbróglio’ sem precedentes, ainda que levando em conta que as coisas podem estar sendo encaminhadas desta forma por atender interesse implícito do prefeito Geninho (DEM). Mas, trata-se de uma situação inusitada na cidade. Lembrando que não é o prefeito, no entanto, que está “peitando” esta situação. Ela surgiu por ação de uma conselheira, inconformada com o quadro verificado: médicos se furtando ao trabalho, e cidadãos sem o socorro devido quando necessita. E o poder público inerte, de braços cruzados.

A denúncia formulada por Mônica Silva é a de que médicos recebem por carga horária de quatro horas e trabalham por menos de uma hora, recebendo integralmente os vencimentos, “o que pode configurar vantagem econômica sem contraprestação de serviços, bem como ato de improbidade administrativa (…)”. Segundo ainda o jornal, “Gilberto Júnior decidiu promover o inquérito civil, com conseqüente ação civil pública, visando ‘a proteção do patrimônio público e social'”.

Está tudo muito bem, está tudo muito bom. Porém, toda esta situação criada agora em relação aos médicos da rede municipal de Saúde teria como origem um acordo feito cerca de 12 anos atrás, quando estava na prefeitura o hoje secretário municipal de Agricultura, José Fernando Rizzatti (PSDB), segundo a mesma edição do Planeta. Teria sido ele quem propôs que os profissionais do setor reduzissem pela metade a carga horária, como forma de compensar a impossibilidade da concessão do reajuste pleiteado pela categoria naquela ocasião. Consta que até um documento teria sido assinado entre as partes.

Agora, o MP vai investigar. Já foi dado prazo de 15 dias para o Executivo se manifestar. O que, então, será usado como argumento de defesa, se o próprio prefeito já veio a público atestar que, de fato, os médicos não cumprem a jornada integral de trabalho? E mais: lembram que o então candidato Geninho garantiu que ia fazer os médicos cumprirem o horário? E no caso de se comprovar que realmente seu hoje secretário de Agricultura, prefeito entre 1997 e 2000, José Rizzatti, fez tal acordo com a categoria, como ficará a situação? caberá responsabilização? Aliás, cabem penalizações retroativas?

De qualquer forma, tudo leva a crer que estaria havendo aí até mesmo uma certa indução ao caos, para que medidas tenham que ser tomadas, e estas, obviamente, desembocariam numa terceirização. Caso contrário, como o prefeitol vai resolver? Concedendo reajuste em dobro aos profissionais médicos, como se ventila, terá pela frente o descontentamento de outras categorias do setor, caso não sejam, igualmente, contempladas. Categorias estas que, da mesma forma, não cumprem a jornada completa.

Hoje, segundo uma fonte da Saúde disse ao jornal, os únicos funcionários que cumprem a jornada integralmente – 40 horas semanais, ou oito por dia, são os técnicos em enfermagem e pessoal do setor de recepção. E estes, também, estariam no quadro de descontentes, porque também ficariam de fora da “readequação salarial”. De fora ficariam também dentistas e profissionais como enfermeiras, assistente social, psicólogas, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional e fonoaudióloga. Já os médicos seriam contemplados com vencimentos em torno de R$ 3 mil, contra os cerca de R$ 1,5 mil atuais, valor que permaneceria para os demais.

Portanto, o prefeito tem uma bomba de mil quilotons nas mãos. Se ele de fato está propenso a resolver a situação, colocando “ordem na casa”, então deve pensar bem antes de mandar para a Casa de Leis projeto no teor em que se está cogitando. Porque terá problemas. Aliás não só com  os que não forem comtemplados com o aumento, como também com os aumentados, porque a maioria tem consultório na cidade, e como deixar de atender a clientela particular? Neste caso o salário de R$ 3 mil será suficiente para atrair para cá outros profissionais?

Por outro lado, se Geninho insistir neste propósito, então estará claro que a ele interessa plantar o caos para colher o fruto do interesse, criar dificuldades para vender facilidades, como se diz. De nossa parte preferimos pensar que ao prefeito não interessa tamanho desgaste em tentar consertar o “inconsertável”, até porque ele está enterrado até o pescoço na problemática da Santa Casa, que depois da medida de exceção adotada, passou a ser de sua inteira responsabilidade, ele não pode negar. E uma coisa resolvida, resolve a outra.

E o que resolveria a situação do atendimento em saúde na cidade, diante das circunstâncias? A terceirização do setor. O prefeito lava as mãos, como vai fazer na merenda, como fez na Assistência Social. Ou seja, chancela que seu conceito de administrador é: tudo o que for difícil, entregue para o terceiro setor. Que assim seja.

Amém, digo, até.

NEGOCIAR PARA NÃO PERDER MAIS UMA

O prefeito Geninho (DEM), segundo noticia sua assessoria, participou de reunião na quarta-feira, 9, à tarde, com o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, para renegociar dívida pendente do município com a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo-CEAGESP, hoje calculada em R$ 2,5 milhões. O prefeito quer evitar que Olímpia perca, também, a Italcabos, que gera hoje cerca de 80 empregos na cidade. O prédio foi desapropriado na segunda gestão do ex-prefeito José Rizzatti (1997/2000), para abrigar a metalúrgica.

Geninho quer pagar a dívida em 100 meses, e poderá oferecer como garantia para quitar a antiga dívida, já na primeira parcela, um prédio municipal (ele não disse qual, nem sua assessoria perguntou). O imóvel em questão é o que está às margens da Vicinal Wilquem Manoel Neves, lado esquerdo de quem sai da cidade sentido trevo da Cutrale. Ali está instalada a Italcabos. O prefeito usou com o ministro Rossi o argumento de que a negociação é necessária para que a empresa “possa desenvolver os seus projetos e investimentos visando o crescimento dentro do município”.

Mas, há suspeitas de que a situação estaria bem mais crítica do que se imagina. Há quem diga que o empresário Franco Cozzo teria manifestado disposição de mudar-se de Olímpia, caso a questão não seja resolvida. Assim, Olímpia perderia sua segunda empresa em dois anos, na gestão atual. O Minerva passou por problema semelhante, que Geninho prometeu resolver e não o fez. A empresa foi embora levando quase 300 vagas de emprego. Desta feita, pelo menos outras 80 vagas diretas iriam embora com a metalúrgica.

A compra do prédio e a cessão para a Italcabos aconteceram em 2007, quando ainda era deputado estadual Fernando Cunha, que intermediou a conversa, na ocasião com o Estado. Esta transação, inclusive, é objeto de ação na Justiça.

Até.

DINHEIRO DO PAINEL E ARQUIVO PAGARIA QUASE 70% DAS PLACAS

Conhece aquela expressão “o roto falando do esfarrapado”? Pois é, ela cabe muito bem no episódio relacionado às compras do painel eletrônico feita pelo ex-presidente da nossa Câmara Municipal, Chico Ruiz (2007/2008), e a do armário digital e arquivo deslizante feita pelo também ex-presidente da Casa de Leis, Hilário Ruiz (2009/2010). O “roto”, no caso, seria o prefeito Geninho (DEM), que na reportagem feita pela TVTem postou-se de “autoridade ínclita” e saiu-se com esta: “Aquilo que for gasto tem que ser uma coisa que volte para a população como qualidade de vida”.

Geninho foi elegante, no trato da questão. Até porque não poderia ser de outra forma. Os “esfarrapados” Ruiz gsataram, no apagar das luzes de seus mandatos, R$ 214 mil. Chico terá que devolver R$ 144 mil, condenado que foi em primeira instância pela Justiça. Hilário, por sua vez, ainda aguarda o desenrolar de uma possível representação feita ao MP, mas neste caso, ao que tudo indica, ele terá justificativas que talvez a Justiça aceite. Se não, terá que, também, devolver algo em torno de R$ 70 mil. A TVTem perguntou ao prefeito o que daria para fazer com o montante somado.

O prefeito respondeu que daria para comprar um micro-õnibus, recapear 14 quarteirões, ou pagando a reforma da UBS do Santa Ifigência – R$ 74 mil, sobrariam R$ 140 mil “para usar na Saúde”. O prefeito só se esqueceu de dizer ao repórter, que os R$ 214 mil dariam para pagar quase 70% do gasto que vai efetuar com a compra – ou o pagamento – de placas indicativas de obras. Ou seja, que autoridade tem o prefeito para criticar quando o assunto é gasto indevido, dispendioso ou desnecessário? Por isso a citação lá em cima cai como uma luva nesta questão.

Para quem ainda não sabe, Geninho irá gastar – ou já gastou – R$ 307 mil com a confecção de placas indicativas de obras. A informação foi extraída do Diário Oficial do Estado-DOE, edição de 29 de janeiro passado, Seção I, Poder Executivo. O Pregão 01/2011, adjudicado pelo prefeito em favor de Edson Urbano Domingos-ME, tem o valor total de R$ 307 mil, relativos ao fornecimento de material e mão de obra “para confecção de placas para obras, para atender às necessidades das secretarias municipais de Olímpia”.

A suspeita de que este dinheiro servirá para pagar placas já usadas surgiu porque o reaproveitamento das atuais placas nem foi cogitado pelo Executivo Municipal. Não é estranho? Ou será que não dá para reaproveitar nenhuma, tanto tempo que ficaram indicando obras que nunca terminavam? Ou seja, nos casos do painel, arquivos e placas, “está tudo em casa”, como se diz por aí.

Até.

PREFEITO FOI À CÂMARA, RECEBEU AFAGOS E VENDEU SEU ‘PEIXE’

O prefeito Geninho (DEM) foi à Câmara Municipal de Olímpia na noite de ontem, segunda-feira, 7, para um discurso “solene” na reabertura dos trabalhos legislativos, após o recesso de final de ano. Recebeu afagos, fez um discurso xoxo, e vendeu, como só ele sabe fazer, o seu “peixe administrativo”. E para não perder o costume, fez bravatas contra os “irresponsáveis e desinformados”, dizendo, entre outras coisas, que não iria se “dobrar” a eles. Mas, indiretamente, até agradeceu aos seus desafetos, quando, usando trecho bíblico, comentou que são eles, os críticos, que lhe dão ânimo para o trabalho.

Geninho discursou por 25 minutos, mas sua interferência na sessão se arrastou por 40 minutos, já que além de seu discurso, teve também o “momento bajulação”, protagonizado pelo vereador e vice-lider na Casa, Primo Gerolim (DEM), que fez um histórico da caminhada elitoral do alcaide, ano passado, não se esquecendo de enaltecê-lo pela performance nas eleições deste ano, quando muitos candidatos a deputados ligados a ele foram bem votados aqui e eleitos.

No que pareceu ironia, Geninho pediu aos seus companheiros de Câmara – sete vereadores, “mais empenho e responsabilidade na votação dos grandes projetos que virão nesta metade de mandato”. Sendo assim, somos da opinião de que muitas das matérias para lá enviadas teriam que sofrer “pente fino” e teriam dificuldades para passar. Então, melhor para o prefeito que não seja assim.

Claro que ele não ia perder a chance de atacar “os caluniadores, os que prestam desserviço à população olimpiense”, bravateando: “Não vamos nos dobrar às críticas dos desinformados e vamos pagar todo o mal com o bem”. Como sempre, o mal são os outros.

Mas, segundo suas poróprias palavras, são os críticos que têm “empurrado” esta cidade para a frente, uma vez que eles estariam dando a força necessária para o prefeito trabalhar mais e mais a cada dia. Se não, por que ele diria que “à cada crítica, cada pedra que tentam colocar no meu caminho, é motivo para mais trabalho, de se movimentar ainda mais”?

Isso é salutar, vindo de quem vem. Assim, nos dá a certeza de que prestamos um serviço coletivo, com vistas à defesa dos interesses do cidadão, ao mesmo tempo que atrapalhamos eventuais planos de se implantar na cidade um Governo tirano, para o qual não basta apenas exercer o controle absoluto sobre a massa, a qual, por meio de uma espécie de lavagem cerebral, seria então convertida em manada (conforme idéia original de Daniel Piza). Seguindo o raciocínio de Piza – que parece falar de Olímpia -, para o prefeito seria preciso, também, manter a propaganda oficial acima da contestação da imprensa séria.

O prefeito até fez um juramento desnecessário, eis que estava ali no “santuário” da justiça política. Disse que continuará “obediente à lei, especialmente à Lei de Responsabilidade Fiscal e aos ensinamentos sábios do respeitável Tribunal de Contas de nosso Estado”. E poderia ser diferente? Com ele, aliás, até foi. Agora que se enquadrou, claro que nunca mais vai querer passar pelo que passou com suas contas. “Nossos erros, se houver, serão casuais e nunca propositais”. Melhor que erros não haja, propomos.

Não faltou, no discurso xoxo do prefeito, uma citação bem ao estilo ‘alencariano’. Desta vez foi trecho do livro “O Mundo Bárbaro”, de Luís Fernando Veríssimo: “Quando querem tonar as coisas mais fáceis para nós os leigos compreendermos, os economistas costumam recorrer à analogia doméstica. Um país é como uma família: precisa ser realista no seu orçamento e responsável nos seus gastos. Senão, como uma família, vai à bancarrota”.

Bom que o prefeito pense nisso a partir de agora. Porque agindo como agiu nos dois primeiros anos, se uma família fosse, seguindo a analogia, não conseguiria pagar o carnê das Casas Bahia. Outra aparente tomada de consciência do prefeito está na afirmação: “Fazer o correto é mais fácil. Nós faremos isso, faremos o que é correto. Os fantasmas (?) serão repugnados por todos nós.” Tomara, prefeito, tomara.

E na hora de “vender o peixe” fez uma saudação ao secretariado, lá presente – Saúde, Educação, Finanças, Daemo, Prodem, Planejamento, Assistência Social, Jurídico, Agricultura. E rebateu críticas feitas pela imprensa séria ao aluguel da mansão do ex-vereador Chico Ruiz para lá instalar o Fundo Social de Solidariedade. “Muitos criticam que a nova sede, alugada, do Fundo, tem até piscina. E tem mesmo, só que os desinformados não sabem que é para os idosos fazerem hidroginástica, minimizando assim os efeitos do Mal de Alzheimer.” O blog pergunta: para isso não seria melhor adotar um equipamento público, do qual não só idosos da terceira idade pudessem usufruir?

ADENDUM: O blog oficialesco se apressou em noticiar hoje pela manhã, que “as galerias estavam lotadas”. Primeiro, que não estavam. Segundo, que quase todo o secretariado municipal estava lá – ausentes Beto Puttini, Gilberto Cunha e Cleber Cizoto. E terceiro, que o restante do público, cerca de 25 pessoas, era formado por funcionários da Saúde, que não foram lá para, digamos, saudar o chefe do executivo. Ao contrário, lá estavam para “vigiar” o comportamento dos vereadores em torno do projeto de reajuste salarial aos médicos, que não os contemplavam – psicólogos, dentistas, assistentes sociais etc..

Mas, tal projeto nem tramitou ontem. O prefeito foi embora, secretariado atrás, e lá ficaram, até quase o final da sessão, estes mesmos funcionários. Se o blogueiro quase-oficial tivesse ficado até o final da sessão, teria visto que o grupo manifestou seu descontentamento com a situação, apludindo somente vereadores oposicionistas. Guto Zanette, Bertoco, Gerolim e Salata discursaram e tiveram o silêncio como resposta. Lelé pelo menos recebeu os seus, por cortesia. Já Hilário Ruiz, Magalhães e Guegué foram muito aplaudidos ao final de cada explanação. Assim, com relação a essa categoria de municipais, o recado foi dado. Pena que o prefeito não ficou lá para ouví-lo.

Até.

AS SESSÕES DA CÂMARA, DE VOLTA

Como já é sabido pelo menos por aqueles que leem este blog diariamente, daqui a pouco (19 horas), volta à ativa, legislativamente falando, a Câmara Municipal de Olímpia. Se da parte do Executivo, não há grandes surpresas, uma vez que os projetos em deliberação já eram esperados para constar da pauta, da parte dos vereadores oposicionistas João Magalhães (PMDB) e Priscila Foresti, a Guegue (PRB), ao que parece, “vem chumbo grosso”. Sob simplórios requerimentos solicitando informações ao Executivo, pode estar uma verdadeira “bomba relógio”. O que pede Magalhães e Guegué? Leiam abaixo:

Vereador Magalhães: Requerimento solicitando cópia de documentos ao Sr. Prefeito Municipal sobre a Reforma do Prédio da Delegacia de Policia; Requerimento solicitando cópia de documentos ao Sr. Prefeito Municipal sobre o Recapeamento de ruas da COHAB II; Requerimento solicitando cópia de documentos ao Sr. Prefeito Municipal sobre o Recapeamento de ruas da COHAB I; Requerimento solicitando cópia de documentos ao Sr. Prefeito Municipal sobre o Recapeamento da Av. do Olimpiense e Andrade e Silva; Requerimento solicitando cópia de documentos ao Sr. Prefeito Municipal sobre o Recapeamento do Bairros Vila Rodrigues, Centro I e II, Sta. Ifigênia e Jardim Toledo; Requerimento solicitando cópia de documentos ao Sr. Prefeito Municipal sobre o Recapeamento de ruas CDHU, I e II; Requerimento solicitando cópia de documentos ao Sr. Prefeito Municipal sobre a Colocação de Guias e Asfalto nas ruas da CECAP; Requerimento solicitando cópia de documentos ao Sr. Prefeito Municipal sobre a Construção de UBS – CDHU III; Requerimento solicitando cópia de documentos ao Sr. Prefeito Municipal sobre a Construção de Praça – COHAB II; Requerimento solicitando cópia de documentos ao Sr. Prefeito Municipal sobre a Reforma e Ampliação do centro de Referência do Idoso; Requerimento solicitando cópia de documentos ao Sr. Prefeito Municipal sobre a Reforma do Recinto; Requerimento solicitando cópia de documentos ao Sr. Prefeito Municipal sobre a Revitalização da Av. Aurora Forti Neves; Requerimento solicitando cópia de documentos ao Sr. Prefeito Municipal sobre o Recapeamento de ruas do Centro; Requerimento solicitando cópia de documentos ao Sr. Prefeito Municipal sobre o Recapeamento de ruas do Bairro São José.

E a vereadora Guegué, o que pede? Requerimento ao Sr. Prefeito Municipal para que encaminhe informações detalhadas sobre as viagens autorizadas no exercício de 2010, indicando o custo total e o resultado obtido em favor da população de Olímpia.

À primeira vista, parecem coisas simples, sem maiores fundamentações, até. Uma simples olhada e já estaremos imaginando que Magalhães e Guegué estão com “picuinhas”. Mas, não é crível que por trás de todos estes requerimentos tenha só isso, as tais “picuinhas”. O mesmo se aplica a Guegué. O que se espera, agora, é que estas informações de fato cheguem às mãos dos vereadores. O que, a julgar pelos antecedentes, será muito difícil, se não impossível.

Até.

CÂMARA VOLTA ‘CHANCELADORA’ A PARTIR DE 2ª?

A partir de segunda-feira, 7, às 19 horas, voltam as sessões ordinárias da Câmara Municipal de Olímpia, depois do recesso de final de ano. E volta com uma Mesa Diretora nova, eleita no início de dezembro do ano passado. O peemedebista Toto Ferezin será seu presidente no biênio. Não dá para afirmar que sua gestão, pelo menos no comando das sessões, será uma incógnita, porque ele terá por trás alguém experiente naquela Casa de Leis. Aliás, muito experiente nas questões legais e profundo conhecer do Regimento Interno e Lei Orgânica do Município, já que foi um dos redatores de ambos.

O bacharel Mário Michelli acumula muitos anos de trabalho nesta função – a de assessor administrativo da secretaria. Tinha a Câmara toda nas mãos quando assistia outros presidentes, no passado. E há quem aposte que não será diferente desta vez. Ele representará, ao mesmo tempo, a segurança de que as sessões seguirão sem maiores embaraços, o que poderia advir com a inexperiência do novo presidente, bem como de seus parceiros de administração, todos neófitos – dois deles, aliás, como o presidente, estão em primeiro mandato.

E como o presidente, desconhecem as nuances do RI e da LOM. Mas, o bacharel Michelli conhece bem. E na atual conjuntura legislativa, isso basta.

Há informações de que Michelli foi conduzido a esta função, depois de anos afastado do trabalho, para “proteger o Toto”, porque ali “é um ninho de cobras”, como teria classificado alta persona do meio. Mas, claro, sem detalhar “proteção contra o quê”, e quem habitaria “o ninho”. Corre solto por aí os comentários de que Michelli já teria a Câmara em suas mãos, provocando algumas modificações físicas e de ordem burocrática por ali. Começa-se a desconfiar que o presidente Ferezin será uma espécie de “refém” do assessor. E não só ele, mas a Mesa como um todo.

Porque talvez seja isso mesmo que até a alta figura paterna do ex-vereador e presidente daquela Casa, em idos passados, Jesus Ferezin, queira. Alguém para “blindar” o filho. Orientá-lo sobre todas as coisas. E até ter a última palavra. Não há como negar. O bacharel será o homem-forte ali. E, assim, já se vislumbra um burburinho de descontentamento dentro do grupo de apoio ao Executivo. Este mesmo Executivo responsável pela condução de Toto e parceiros, à direção da Mesa da Câmara. Porque não é segredo para ninguém que a atual Mesa está formada como está porque o prefeito Geninho (DEM) assim o quis.

E será ele quem terá que “arcar com as consequências” dessa decisão, conforme deixou escapar uma liderança política recentemente, não entrando em detalhes. O ano Legisltivo começa com uma Câmara fragilizada legislativamente frente ao Executivo. Aliás, mais que fragilizada, submissa. São dez vereadores, sete situacionistas. Apenas três ainda se mantêm do outro lado da “trincheira”, sendo que o ex-presidente Hilário Ruiz (PT) se tornou uma incógnita quanto à sua postura nos dias que correrão.

Há quem diga que ele atuará preocupado com a reeleição, privilegiando o “varejinho” – uma ‘verbinha’ aqui, outra acolá, uma pracinha cá, outra lá, inauguração, rojões, foto abraçado ao prefeito reproduzida nos jornais e portais “da casa”, e pronto, acabou.

Diz a lenda que oposição mesmo quem fará serão João Magalhães (PMDB) e Priscila Foresti, a Guegué (PRB). Porque os demais companheiros eleitos pela coligação contrária à de Geninho – Dirceu Bertoco (PR), Zé das Pedras (PMDB), Guto Zanette (PSB) e o próprio presidente, foram se aconchegar nos braços do detentor da cadeira da 9 de Julho. Portanto, voz corrente na cidade é a de que o prefeito vai “fazer e desfazer” da Câmara, já que ninguém ali, a não ser os dois oposicionistas, vai poder contestá-lo – e não só por razões político-administrativas.

Assim, é esperar para ver. Mas, de antemão pode-se dizer que a expectativa não é das mais positivas para quem espera de uma Casa de Leis o estrito cumprimento daquilo para o qual ela foi constituída. Ou seja, vigiar, fiscalizar, cobrar, conter os excessos e apontar as falhas e omissões do Governo Municipal, bem como, também, colaborar nas discussões daquilo que é do interesse coletivo, ajudando a elaborar ou, por meio do debate, a aprimorar projetos e leis.

Há o temor, infelizmente bastante fundamentado, de que a nossa Casa de Leis nada mais será, doravante, do que um órgão chancelador das vontades e interesses do Executivo Municipal.

Até.

DE VOLTA AO COMEÇO

Segundo noticia o blog oficialesco do Governo Municipal hoje, a Imprensa Oficial do Município-IOM trará publicado neste sábado, 5, o que o blog chama de “mudanças”, e “importantes”, no primeiro escalão do prefeito Geninho (DEM) mas que, na verdade, trata-se de uma volta ao começo, com as peças deste previsível jogo de xadrez do alcaide, sendo recolocadas nos lugares de onde precisaram sair para socorrê-lo de sua própria afoiteza inicial.

Não se trata exatamente de uma surpresa porque o prefeito já havia antecipado no final do ano que pretendia fazê-lo. Talvez, se surpresa há, esta seja a surpresa de não haver surpresa, se é que me entendem. Quando Geninho disse, no final do ano, que pretendia fazer uma realocação de secretários, cada um sendo colocado naquele setor para o qual tinha mais aptidão, pelo menos nós pensamos que viria aí, algo, digamos, “revolucionário”, do ponto de vista administrativo. Mas, o que se viu foi o prefeito trazendo assessores de volta às suas funções originais.

Quais sejam, Walter José Trindade, que atualmente está à frente da Secretaria de Planejamento, voltará para a posição original, ou seja, reassumirá a superintendência do DAEMO; Alaor Tosto do Amaral deixará a pasta de Administração para assumir o Planejamento, e Sandra Regina de Lima, que estava à frente do DAEMO (agora dizem que temporariamente, mas quando ela foi designada para a autarquia, deram como definitiva sua permanência no cargo) comandará a Administração. As mudanças começam valer já na segunda-feira, 7, conforme o portal de notícias oficialesco.

Interessante notar que, para atender seus interesses imediatos, o prefeito pouco está se importando se tem ou não um comportamento contraditório, nas palavras e nas ações. E tem. Porque agora, para justificar a “mudança”, ele desfaz discurso feito na ocasião do anúncio de que os três assessores mudariam de posição em seu governo. Se não, leiam o que disse o prefeito naquela ocasião em relação ao Daemo:

“A mudança de comando não vai alterar o ritmo de trabalho. Hoje o Daemo é uma empresa sólida, bem estruturada organizacionalmente, com planos e metas definidos, e tenho certeza de que a Sandra continuará nesse caminho, porque ela está integrada à nossa equipe, é uma funcionária de carreira, que se destacou por seu trabalho e comprometimento, e agora está sendo reconhecida por isso.”

E agora, leiam o que disse o prefeito ontem: “Os meus colaboradores trabalham sincronizados. O Walter é peça-chave no DAEMO, vamos ter muitos investimentos e desafios por lá neste ano de 2.011, como tocar a obra do PAC de R$ 13,3 milhões para o abastecimento de água e o Programa Água Limpa, do governo do Estado, que deverei assinar no próximo mês, da ordem de R$ 20 milhões.” E aí? O prefeito estava sendo verdadeiro lá atrás, está sendo verdadeiro agora, ou para ele pouco importa a força das palavras, mesmo quando ditas por um chefe de Executivo?

É por querer, também, aumentar as atribuições do DAEMO, acoplando a ele o meio ambiente, a limpeza da cidade e o lixo, que agora o “talento descoberto dentro do quadro efetivo” não pode mais ficar ali? Para ele, agora, “o Walter é especialista no assunto, por isso retorna para a origem”. Mas, na mudança anterior ele havia dito: “O Valter foi um grande administrador que produziu muito além da expectativa inicial e possibilitou o desenvolvimento do Daemo e por isso eu o convidei para um novo desafio, o de ocupar a Secretaria de Planejamento do município”, blá, blá, blá, blá, blá, blá.

 Mas, toda a verdade a ser encoberta está implícita nas meias-palavras do alcaide: “Em virtude dos grandes investimentos e contrapartidas feitas no ano passado, convoquei o Walter para me ajudar a fazer um ajuste fiscal, assim atingimos a meta e, agora, ele volta com a missão cumprida.” Traduzindo: Trindade foi chamado às pressas à prefeitura para evitar que Geninho se visse em palpos de aranha com o Tribunal de Contas e, até (toc-toc-toc, três vezes na madeira!), com outros tribunais, devido à sua “volúpia de fazer”, conforme definiu o próprio Trindade em entrevista recente.

Foi esta a função estratégica de Trindade na prefeitura. Não negada sequer por ele. Então, para variar, o prefeito poderia jogar a verdade na mesa do cidadão que ele não iria se importar nem um pouco, imagino. Pior é esta pirotecnia verbal para desdizer alguma coisa que foi dita há tão pouco tempo atrás. Falando exatamente o contrário do que disse antes.

Mas, voltando ao assunto, o secretário Alaor Tosto do Amaral irá agora para o Planejamento, porque, segundo o prefeito, “ele está mais ligado à função de assessoramento e já vinha desempenhando seu papel neste sentido, planejando a cidade e coordenando os planos Diretor, Ambiental, de Macro-Bacias, entre outros, além de ser especialista em licitação pública e pregoeiro”. Se era isso tudo, então por que foi para a Administração?

Quanto a Sandra Regina de Lima, diz o alcaide: “Vai ter um novo desafio, que é o de fazer a gestão da Administração, reestruturando os recursos humanos e a central de compras, que está sendo concluída.” Perceberam que o prefeito está simplesmente “desmudando” o que havia mudado? E que cada secretário, agora ele reconhece, era especialista exatamente naqueles cargos que eles estavam antes de serem mudados de lugar? A isso tudo que está se alardeando agora como ação administrativa, não passou, naquela ocasião, de um “pronto-socorro” básico ao prefeito-lambança.

Que entende tanto de administração quanto de futebol: Sua conclusão da situação: “Temos um ótimo time. Estamos apenas mudando os jogadores de posições.” Assim: centroavante vai virar zagueiro, lateral vira meio-campo, e meio-campo vai jogar no gol.

ALÔ, ALÔ, PEDRO SOUZA
Em relação ao post de ontem, sobre a ação policial na UBS do Jardim Santa Ifigênia, recebi um preocupado comentário do leitor que se identifica como Pedro Souza, encaminhado consta que hoje, às 8h29, ao blog. Diz o Pedro:

“Ah Orlando, larga a mão de ser mentiroso, de inventar as coisas. Mentira puta que os bandidinhos ameaçaram não deixar construir. isso é invenção sua. Voce tem gravado? filmado? se colocar aqui eu me calo, mas voce dizer ‘um menor disse que não vai deixar construir’ é a mesma coisa que eu afirmar que ‘um indivíduo passou aqui agora e chamou voce de ladrão’, pára com isso. Orlando, pára de se deixar levar pela emoção.”

Eu respondi a esta provocação no mesmo espaço do comentário do Pedro, mas por julgar relevante o debate, trouxe para cá, a fim de que todos possam acompanhar (não são todos que lêem comentários). Portanto, abaixo, minha resposta a ele, embora não tenha, absolutamente, que dar satisfações a quem quer que seja do meu trabalho na rua, a não ser relatando em textos.

Mas, vá lá: Pedro, eu estive lá e o que escrevi é a mais pura verdade. Conversei com as pessoas que ficaram lá, na maioria adolescentes, depois que a polícia foi embora. Fotografei o local e até presenciei um jovem retirar algo lá de dentro, o que me pareceu ser droga, pela sua movimentação. O garoto realmente disse isso, tenho testemunhas. E mais, você mesmo pode ir lá e confirmar isso, se é tão importante para você. Fui na qualidade de repórter. E não de apaniguado da PM ou com olhos de ver só o que interessa à administração. Aliás, coloquei o que disse o garoto como alerta, mas nem acredito que será assim. Aliás, NÃO PODERÁ ser assim. E mais: na minha opinião, o problema lá não é o tráfico tomar conta do prédio, é O PODER PÚBLICO NÃO TOMAR CONTA do que é do povo, do que é pago com dinheiro do povo. E agora vem dizer que irá reformar o prédio com R$ 74 mil…. Se isso realmente for possível, dada a situação em que se encontra o imóvel, então alguma coisa está muito errada com os valores das obras em Olímpia. Um abraço….

PS: E agora à tarde, uma senhora me encontrando no centro da cidade, perguntou: “Você estava tirando foto ontem lá no postinho, não ‘tava”? Disse que sim, e ela: “Vai sair na televisão ou no jornal?” Eu disse “no jornal”, e ela: “Então, eles estavam querendo bater em você, lá. Eu falei para eles não fazerem isso, porque você estava trabalhando, e cada uma faz aquilo que sabe. Eles falaram ‘a lá, tá tirando foto, vamo dá um sacode nele’. Eu falei pra não fazer. Se eles sabem cortar cana, vão cortar cana. Cada uma faz aquilo que sabe”, ela me disse, e se retirou em seguida.

Por aí dá para acreditar que um garoto pôde sim, me dizer o que disse? Será que o  Pedro vai pedir a gravação disso, também?

Até.

UBS DO SANTA IFIGÊNIA, AGORA CASO DE POLÍCIA

Virou caso de polícia o que antes era só descaso do Executivo Municipal. No começo desta tarde a Polícia Militar invadiu o local e retirou de lá drogas e alguns jovens e adolescentes, provavelmente seus donos e traficantes. Um deles, segundo se apurou, estava no interior infecto do prédio, “vendo televisão”, que foi toda quebrada pela polícia. Houve enorme aglomeração no entorno da UBS, durante a operação da polícia, e foi possível ouvir manifestações de inconformismo de moradores, alguns pelas prisões, outros pela situação em que o prédio está, hoje.

Pelo menos cinco carros da PM e um da Civil estiveram lá, com cerca de 10 policiais. Quem foi encontrado no interior do prédio foi algemado e depois conduzido ao 1º DP. Alguns adolescentes que estavam no local faziam troça da ação da polícia e do resultado desta ação. Perguntavam se “vão construir de novo ali”. Um deles, um garoto franzino, aparentemente m,enor de idade, ameaçou não deixar isso acontecer. “Se construírem, a gente vem na madruga nos tijolinhos e …” fazendo um gesto de quem empurra uma parede. Não vão construir nunca mais aqui. Mais nada”, reforçou a ameaça.

A situação encontrada no interior daquela que já foi uma das mais importantes Unidades Básicas de Saúde de Olímpia – a primeira a ser construída, é de horror absoluto. Toda depredada por dentro e por fora. O mau cheiro é insuportável. A caixa d´água foi arrebentada, e o chão estava todo inundado. Nos fundos, a polícia pôs fogo em colchões, aumentando a visão de caos do local. Paredes derrubadas, portas e vitrôs arrancados, telhados quebrados e papéis, muitos papéis, aparentando documentos, espalhados em uma das salas, forrando o chão, tamanha a quantidade. A julgar pelo estado físico do prédio, a prefeitura terá mesmo que construir outro. A reforma está totalmente inviabilizada.

Com razão total e absoluta, o vereador João Magalhães (PMDB), disse esta semana, em entrevista à Rádio Menina AM, que aquilo tudo que se vê lá em relação ao prédio, “é um ato de irresponsabilidade danoso para a população”. E disse mais: “Este prejuízo não é do político, mas do povo. Uma despesa que poderia ser de R$ 50 mil, vai custar agora o valor de uma nova UBS”. Realmente, é de pasmar.

Até.

PARÊNTESIS: INSTITUTO FAUSTO GIANNECCHINNI JÁ ESTÁ EM OLÍMPIA

Amigos do blog, pafraseando o saudoso e folclórico Delapita (Orides de Freitas, funcionário público municipal, ou melhor, “arquivista”, como gostava de ser chamado), um parêntesis: hoje vou falar de uma coisa bem auspiciosa para a cidade. O Instituto Fausto Giannecchinni, Ong dirigida por aquele que foi um dos maiores jogadores de basquete do país, anos atrás, voltada para o atendimento de crianças e jovens em situação social carente de atenção, chegou a Olímpia.

O Instituto foi fundado em 2009, e  a partir do meio de 2010 começou a fazer projetos, beneficiados pela lei paulista de incentivo ao esporte, que são créditos outorgados do ICMS, pelas empresas.  Por aqui, foi assinado um contrato na segunda-feira, 31, com a Açúcar Guarani. No momento está sendo executada a parte burocrática, o que levará todo este mês de fevereiro, e em março, já será iniciada a parceria com as prefeituras de Olímpia, Barretos, Colina, Guaraci, Tanabi, Severínia, Guaira e Guapiaçu, onde existem pólos da Guarani. Olímpia será a sede.

O projeto vai funcioonar com atividades de basquete duas vezes por semana, para crianças e jovens de 11 a 17 anos, do sexo masculino e do feminino, que deverão estar matriculados nas escolas e frequentando as aulas. Também têm que ter nota, presença e disciplina dentro da sala de aula. Os participantes não vão pagar nada, vão ter reforço alimentar, e contar com profissionais trabalhando, e uniformes. “Temos uma estrutura montada fantástica”, garante Giannecchinni.

A cada dois meses, será feita uma atividade na cidade, beneficiando toda a comunidade. Será um dia todo de atividade esportiva, com palestras motivacionais, falando de saúde, do mal provocado pelo cigarro, pela bebida e o uso de drogas, com psicólogo responsável. “Será um dia de atividade para toda a comunidade,  uma interação entre escola e família”, explica.

“Trata-se de um projeto sem fins lucrativos, que virá atender crianças necessitadas”, diz Fausto. O projeto abrangerá mil crianças em todas estas cidades. Na comarca serão atendidas Olímpia, Severínia e Guaraci. “Já falamos com todos os prefeitos, levamos declaração das prefeituras ao Governo, e o projeto foi aprovado e já foi publicado no Diário Oficial”. O projeto de Giannecchinni se chama “Assistência Para a Vida”. “Vamos agora visitar as prefeituras durante este mês de fevereiro, capacitar os professores e estagiários, e depois entrar com as atividades esportivas.”

O nome dado ao projeto, segundo seu organizador, tem duplo significado. “Dentro do esporte, a ‘assistência’ é um passe bem dado. Na vida pessoal, é uma ajuda. Então, Assistência Para a Vida, núcleo Olímpia e região, resume bem isso”.

Para que um projeto como esse possa ser levado adiante, Giannecchinni diz serem neecessárias as junções de três polos: políticas públicas, para viabilizar o trabalho fisicamente; iniciativa privada, que entra com os créditos do ICMS, cobrindo as despesas, e Terceiro Setor que, no caso, é o Instituto Fausto Gianecchinni. “Estamos com estimativas de fazer quatro turmas de 30 alunos. Vamos juntar 120 participantes em cada cidade”. Ainda haverá chances dos integrantes do projeto deslancharem no esporte, no caso o basquete. “Vamos detectar aqueles que tiverem mais aptidões e vamos levá-los para centros mais desenvolvidos”, promete.

O IFG terá um site, em breve, por onde se poderá fazer as inscrições, ou mesmo nas próprias prefeituras das cidades a serem atendidas elas poderão ser feitas. O contrato com a Guarani tem validade para todo este ano e começo de 2012. Aqui em Olímpia as atividades poderão ser desenvolvidas no Ginásio de Esportes ou em outro lugar indicado pela prefeitura, já que é uma parceria.

Até.

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Blog do Orlando Costa: .