Blog do Orlando Costa

Um pouco de tudo, um muito de nada

UMA ESTRUTURA DIGNA DE QUALQUER PREFEITURA

A estrutura funcional ideal para a empresa pública Progresso e Desenvolvimento Municipal-Prodem, tem espaço para nada menos que 531 funcionários, espalhados por 55 cargos, dos quais 20 em comissão – que o diretor nomeia e exonera com aval do Executivo. Caso de fato a empresa preenchesse todas as vagas disponíveis para cada cargo, teria uma folha de pagamento superior a R$ 585,4 mil por mês.

Os dados fazem parte de projeto de Lei (nº 4.725) encaminhado pela empresa à Câmara de Vereadores, dispondo sobre a estruturação dos empregos públicos ali existentes. O projeto, que foi deliberado para votação a partir da sessão desta segunda-feira, 1º de setembro, contém os Anexos I, II e III, com a relação dos cargos existentes na empresa e suas respectivas vagas.

Só a folha relativa aos cargos de diretores, cinco no total, começando pelo presidente (Anexo III), alcança R$ 21.774,50 (neste caso, todos os cargos estão preenchidos). A folha toda relativa aos comissionados do Anexo II, 15 no total, alcança R$ 28.783,27, totalizando ambas R$ 50.557,77.

Não estão computados nestes valores aqueles referentes aos três cargos de assessor de Diretoria aprovados recentemente pela Câmara, com vencimentos de R$ 3 mil cada um, por estarem ainda vazios, segundo Amaury Hernandes, diretor presidente da Prodem.

Já os 35 cargos a serem preenchidos por concurso demandariam uma despesa mensal da ordem de R$ 585.405,12. Para tanto, todos eles teriam que estar com as 511 vagas existentes preenchidas. Assim, a cada mês, a Prodem teria que tirar do seu caixa os mais de R$ 585,4 mil só para pagar funcionários.

“O projeto simplesmente está pegando todas as leis e resoluções que existem. São várias leis regulamentando criação de cargos, que foram feitas no passado. Esta Lei abarca todas as outras e também as Resoluções, numa só. Está legalizando o que já existe. Não se trata de criação de cargos”, esclarece Amaury Hernandes.

E quanto à quantidade de vagas, diz ele que “não significa que estejam ocupadas”. A Prodem tem hoje, garante, 262 funcionários, ou seja, menos da metade das vagas disponíveis. “Não existem os 500 efetivamente trabalhando”, insiste. Hernandes explica que a razão de existirem estas vagas e pela qual elas foram criadas, “é para quando você precisar, poder chamar. Ter a flexibilidade para quando você precisar não ter que criar estas vagas”.

Hernandes nega inclusive haver expectativa de contratar todos que estão relacionados (ajudante de serviços gerais feminino e masculino, por exemplo, são 170; vigia, idem, são 80; fiscal de Área Azul, 30; Escriturário I, II e III, 38; recepcionista-atendente e servente de obras, 30 vagas para cada setor, etc.).

“Existem estudos que mostram que podemos vir a necessitar de mais funcionários em algumas funções. Então já deixamos pré-determinado dentro de uma estimativa. Sendo assim, nada nos impede de criarmos a vaga. Mas ocupar esta vaga é outra estória”, complementa.

Hernandes, no momento da entrevista, não soube informar o valor real da folha de pagamento, dizendo que precisava estar na empresa para obter dados (a entrevista foi feita no Gabinete Municipal). Segundo ele também não há como ter os valores em mente porque a Prodem fornece funcionários para diversos setores da Administração cujos salários não constam da folha da empresa, porque estes setores repassam o valor ao trabalhador.

Hernandes garante que mesmo com um quadro abaixo da metade do necessário a Prodem “está funcionando a contento”. Até porque, determinadas funções, como a de vigias, tem ocupado cada vez menos funcionários, devido aos sistemas de vigilância eletrônicos que escolas e UBS´s estão adotando.

A Prodem tem Orçamento próprio, que não é vinculado à Receita do município. É uma empresa pública que presta serviços e recebe pelos serviços prestados, com ênfase para a própria prefeitura.

Até.

TEORIZANDO SOBRE FATOS

Há mais de uma maneira de se fazer a leitura do que aconteceu esta semana nos arredores do poder. Porém, não há nenhuma outra maneira de se entender que não passou de arquitetura política do prefeito Geninho (DEM), afastar seu vice, Gustavo Pimenta (PSDB), da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social.

Pode-se até se dar o benefício da dúvida ao chefe do Executivo, mas não com um fio de certeza de que tal arranjo passou, necessariamente, pela reeleição do deputado federal Rodrigo Garcia (DEM). O prefeito disse, por exemplo, que “foi feito um trabalho de consultoria e caderno de metas para cada setor de sua administração, e os próprios secretários, com suas equipes, estabeleceram metas, alguns com metas mais tímidas e outros, mais ousadas, construindo assim um parâmetro”.

Depois, acrescentou que “pelo menos 60% dessas metas, a quatro meses de terminar o ano, têm que ter sido cumpridas”. Bom, estamos em fins de agosto, a começar setembro, conta-se o prazo de quatro meses para o fim do ano. “É importante, às vezes, oxigenar alguns setores, especialmente em segundo mandato”, disse ele.

Por mais cuidadoso que o prefeito tenha procurado ser ao dizer tais coisas, ele deixa implícita a crítica ao seu vice, no entender do blog, ao sublinhar a necessidade de que todos os seus secretários tinham que cumprir 60% dessas metas até a entrada do terceiro quadrimestre do ano. Simbolicamente extrai-se o quê de tal afirmação: que Pimenta não cumpriu a meta!

O mesmo destino, pois, teria tido seu colega de Governo, Renê Galette, igualmente defenestrado da Secretaria de Obras. Ao contrário deles, a secretária Eliana Monteiro teria chegado lá, já que ela se prontificou a sair e o prefeito pediu que ficasse mais um pouco. E na Saúde, com tantas críticas públicas recebidas, a secretária tem cumprido a meta? E isso vale para todos os demais…

São quatro secretarias envolvidas nesta reestruturação: João Paulo Poliselo, o Pita, deixa o Escritório de Captação de Recursos-ECR, que tem status de Secretaria, e assume a Secretaria de Governo, que estava sob gestão interina da secretária do Gabinete, Cássia Recco, desde a saída de Paulo Marcondes.

Já na Secretaria de Obras, sai Galette e assume o também engenheiro, funcionário de carreira da prefeitura, Luiz Carlos Benites Biagi. Na Secretaria de Promoção e Desenvolvimento Social, assume a advogada Ana Cláudia Finato Zuliani, a primeira-dama do município.

No tocante à primeira-dama, um adendo: ela é advogada, portanto não-técnica da área. Vai aprender como se faz. Para isso, leva consigo a assistente social Edna Marques da Silva, que tem se constituído em seu braço direito desde a posse no Fundo Social de Solidariedade (que aliás voltará a ter a mãe do prefeito, Cida Zuliani, como presidenta).

Ainda é controverso o assunto quanto a ela poder receber proventos enquanto secretária. Não ficou claro na entrevista concedida pelo alcaide ao semanário Planeta News se ela vai ou não receber os R$ 7,3 mil mensais. Uma outra primeira-dama de idos passados teve problemas com a Justiça, bem como seu marido, prefeito, por ter recebido para trabalhar, exatamente no Social.

Por último, fica a suspeita de que sua presença ali, naquela Secretaria tão estratégica em períodos como esse, possa ter muito a ver com a campanha de Rodrigo Garcia. O blog não está querendo dizer, nem insinuar nada, mas parte de uma constatação: Pimenta era o único dos secretários que não estava engajado na campanha de Garcia, já que por dever partidário seu candidato à Câmara Federal é Bruno Covas (PSDB).

Portanto, a decisão do prefeito revestiria-se de uma aura política ou, mais escancarado que isso, eleitoral. Também é possível desenvolver outra teoria, esta futurista: a primeira-dama tem carisma, gosta, ao que parece, de estar no meio da massa, e também da política. Não existe “vitrine” melhor para um(a) pretenso(a) futuro político(a) do que o Social. E ao lado de gente que desbrava as quebradas e mocambos sem cerimônia, pode estar pavimentando seu caminho futuro.

Trata-se de uma teoria. Ninguém está livre de as ter. Para justificar a nomeação da esposa como secretária, o prefeito usou do seguinte argumento, conforme publicado no Planeta News:

Consultei vereadores, outros secretários e minha base do Governo para a decisão. Nomear a Ana, minha esposa, pode parecer para muitos uma tarefa caseira, por outro lado uma tarefa difícil, pois vou colocar a mãe da minha filha na linha de frente. Mas eu disse tanto para ela como para o Gustavo, que o que está em jogo não é competência, os dois são formados em Direito e têm perfis parecidos. O que está em jogo é a empolgação. A Ana à frente do Fundo Social de Solidariedade demonstrou muito comprometimento e acima de tudo ânimo em resolver as questões. Eu praticamente vou doar um pedaço da minha família para servir ao município, e de comum acordo com o Gustavo.

E quanto a Pimenta, disse:

Não houve nenhum rompimento, muito menos incompetência mas, sim, o entendimento de fazer a gestão mais eficiente e com mais resultados, e que os serviços fins do Social cheguem cada vez mais nos cidadãos, é somente uma decisão de gestão.

“Que os serviços-fins do social cheguem cada vez mais nos cidadãos”. A questão é saber se de forma técnica ou político-eleitoral.

Até.

“É muito diz-que-me-diz”. Assim o vereador Marco Aurélio Martins Rodrigues, o “Marcão do Gazeta”, do PSDB, desqualificou os comentários em torno do assunto “Zé Rizzatti-Geninho” (leia texto na postagem anterior), que ganhou as ruas nas últimas horas. O vereador tucano ocupou a tribuna da Câmara na noite de segunda-feira, 25, durante sessão ordinária, para tentar botar um paradeiro no conversê.

“São só comentários, esclareço que não existe problema do partido com o prefeito. Não existe nenhuma rusga”, garantiu o vereador. De acordo com Marcão, tudo, até agora, não passou de “inverdades, fofocas, maldade. Somos da situação, da base do Governo”, acentuou.

Marcão obteve a solidariedade do colega Leandro Marcelo dos Santos, o Marcelo da Branca, do PSL, que em seguida ocupou a Tribuna para defender a postura do PSDB mas, principalmente, para defender e elogiar o vice-prefeito Gustavo Pimenta, para quem se trata “de uma pessoa digna, honrada e honesta”. E que jamais agiria contra seu grupo.

Mas é fato que a aparição de Rizzatti no cenário político depois de um longo período de hibernação, causou constrangimento geral no seio do poder, tanto mais pelas colocações feitas, insinuações jogadas ao vento e a crucificação do gerenciamento da Saúde no município. O ex-prefeito agiu como o dragão que guarda o tesouro do castelo. Dorme entre as jóias mas, quando acorda, cospe fogo para todos os lados.

COINCIDÊNCIA
Esta semana a Imprensa Oficial do Município deve trazer novidades. Ainda não se sabe exatamente do que se trata, mas existe a possibilidade de haver, segundo o blog apurou, um mexe-mexe, um troca-troca nas hostes palacianas. Teria funcionário subindo, funcionário “descendo”, e até troca de Pastas. Isso faria parte da prometida reformulação administrativa, sem nenhuma ligação com os acontecimentos dos últimos dias, garante a fonte, que é segura. Esta mesma fonte aposta que não haverá, no entanto, sacudidelas ou mudanças na Câmara de Vereadores. É esperar para ver.

E TEM MAIS
Para quem achou que bastava o ex-prefeito ter feito o que fez para gerar o máximo de constrangimento é porque não leu a Imprensa Oficial de sábado passado, 23. Nela, à página 7, quatro presidentes de Conselhos Municipais fizeram publicar um Manifesto, cobrando do Executivo Municipal uma atitude com relação à criação do Fundo Municipal, por meio do qual é destinado recursos para que elas possam desenvolver suas ações sociais.

Os quatro dizem que a culpa pelo entrave é dos setores de Finanças e Jurídico, o que gerou “saia-justa” junto aos responsáveis por estes setores, quais sejam, Cleber José Cizoto e Edilson De Nadai, respectivamente.

Não se sabe até agora, como isso foi possível. Entidades que recebem subvenções municipais, usarem de um veículo custeado pelo município, para publicarem um Manifesto que, aliás, foi escrito em papel ofício timbrado “Prefeitura Municipal-Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social-Secretaria Executiva dos Conselhos de Direito e Apoio às Entidades”.

Ninguém entendeu nada. E, mais uma vez, lembrando, três destes Conselhos são atrelados à Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social. Aquela mesma de Gustavo Pimenta, que já tinha para descascar o abacaxi chamado Rizzatti.

Uma alta fonte do Governo não quis se manifestar hoje sobre o assunto, dizendo ser uma questão interna, que será resolvida internamente. “Podiam ter notificado o prefeito a respeito e não escancarar um problema que é de ordem interna”, queixou-se esta fonte.

Até.

O TROCO DE RIZZATTI E A ‘SAIA-JUSTA’ DOS TUCANOS

Olímpia acaba de vivenciar o chamado “fogo amigo”, que é quando parceiros político-partidários se atacam. Claro, “fogo amigo” se José Fernando Rizzatti (PSDB), ex-prefeito de Olímpia (1989-1992/1997-2000) ainda puder ser considerado amigo do prefeito Geninho (DEM), depois de ter sido defenestrado da Secretaria Municipal de Agricultura, cargo que assumiu por compromisso de campanha.

E, considerando o fato de que Rizzatti é prócer do partido do vice-prefeito, Gustavo Pimenta, seria sim, “fogo amigo”, mas queimando nos arredores do vice. Esse bate-boca entre o ex e o atual prefeito coloca em saia justa Pimenta, já que leva a mil ilações. Até mesmo a de que o grupo do vice estaria, eventualmente, batendo de frente com o alcaide.

Na verdade, Rizzatti teria agido em legítima defesa, já que foi indiretamente criticado pelo prefeito em recente reunião com sem tetos no Gabinete. Mas ele não foi o único. Seus antecessores também o foram, e pelo mesmo motivo: a alegada pouca disposição para implantar moradias populares no município. Mas Rizzatti melindrou-se mais. E foi à Difusora AM responder à provocação.

Não ficou, porém, só na resposta. Partiu para a crítica, taxando a atual administração de medíocre nos quesitos Saúde e atenção ao turismo. No meio tucano a atitude do ex-prefeito causou desconforto, já que as principais figuras do tucanato local estão encasteladas no poder. E das principais figuras, somente ele foi defenestrado, numa situação até hoje mal explicada. Ou seria numa situação auto-explicável?

Hoje quem comanda a Pasta agrícola é o vereador licenciado Dirceu Bertoco, cujo partido, o PR, havia colocado dois candidatos a vereador na primeira linha da suplência à Câmara, onde hoje estão, substituindo ao próprio Bertoco e a Gustavo Zanette (PSB), secretário de Cultura, Esportes, Turismo e Lazer. Dizem nos bastidores que o secretário atual e o ex não se comunicam há tempos.

Nesta cruzada empreendida de defesa do próprio nome e da sua administração, Rizzatti atira uma pedra para o ar ao insinuar má-gestão dos recursos públicos, ao comparar o orçamento de R$ 30 milhões que tinha em seu tempo com o R$ 180 milhões do Orçamento que Geninho tem hoje, 14 anos depois. “É uma diferença muito grande”, diz ele, no entanto parando por aí.

Depois, o ex-prefeito, de certa forma, condena o “boom” turístico da cidade, no aspecto imobiliário, já que, para ele, “as invasões de sem tetos são geradas pela especulação imobiliária gerada pelo desenvolvimento do turismo”. Os mais pobres, moradores nas imediações do Thermas dos Laranjais, estão tendo seus imóveis “mais valorizados e mais procurados por grandes investidores”, analisou.

E os assentamentos de sem tetos que foram registrados nos últimos anos “são gerados pela especulação imobiliária, no caso de Olímpia, gerada pelo desenvolvimento do segmento turístico. A Prefeitura tem que estar atenda para isso”, cobrou.

A especulação está tomando conta na cidade, é o que ele dá a entender. E ela estaria sendo praticada por grandes investidores do setor imobiliário. “O Social e a prefeitura vão ter que medir muito bem essa questão”, observou.

De sua parte, diz que deu início ao processo de desfavelamento do então chamado Pedregal (nome dado pelo próprio povo, por causa de uma novela de TV exibida na ocasião - anos 70). Diz que inicialmente realizou as obras de infraestrutura, comprou terrenos, somando 17 mil metros quadrados, para desalojar 450 barracos. No entanto, este trabalho de urbanização ali atravessou praticamente três gestões - duas de Rizzatti, uma de José Carlos Moreira (1993-1996).

Ainda na gestão Carneiro (2001-2004/2005-2008) se fez alguma coisa ali. E o local ainda está longe de ser o mais adequado, o mais confortável.

“Não estou aqui para criar polêmica, não estou aqui para criar uma discussão. Eu não venho a uma emissora de rádio há muito tempo, mas às vezes a gente se sente humilhado. Então, a verdade é que no meu governo nós fizemos quase duas mil casas. Essa é a questão. Naquela época eu tinha uma dificuldade muito grande porque a caixa (CEF) não tinha esses programas”, afirmou à emissora.

Relacionou como suas as obras de implantação da Cohab III (Conjunto Helio Casarini) e a Cohab IV (Conjunto Alfredo Zucca). “A Cohab III começou com o (ex-prefeito) Wilson (Zangirolami-1983-1988), que comprou o terreno, mas o grosso ficou para minha administração”, lembrou. Casas nos distritos, conjunto Esperandio Christófolo (CDHU II), Tropical II, Campo Belo e Alvorada? Foi Rizzatti quem fez, segundo diz, mas alguns concluídos por José Carlos Moreira. “Então, a participação do meu governo foi muito importante”, arrematou.

Resta saber como isso será digerido, ao longo dos dias, pela cúpula tucana, e se não azedará de vez a relação do partido com o DEM. Como se sabe, foram os tucanos que viabilizaram a candidatura, a eleição e a reeleição de Geninho para o cargo.

Não fosse o aval do partido no primeiro momento a Geninho, talvez ele nem tivesse se aventurado a disputar a cadeira da Nove de Julho. E Rizzatti foi ao palanque, falou, bradou contra os adversários. E o homem se fez prefeito.

Queremos crer agora que, ou Rizzatti expõe seu arrependimento tardio ou recolha-se, se arrependido do apoio emprestado não estiver. Ficar remoendo dorezinhas, se melindrando com coisas passadas não é aceitável em quem se posta ainda como líder de uma facção política local.

Até.

ENTRE ELOGIOS E UM DESEJO: FESTA EM AGOSTO

Para a secretária municipal de Educação, Eliana Bertoncelo Monteiro, o 50º Festival do Folclore, que se encerrou no domingo, “superou as expectativas”. Ela enalteceu muito a participação e o engajamento das escolas e alunos das redes Municipal e Estadual de Ensino na festa, o que só foi possível por ser no mês de agosto. “Sempre acreditei no Folclore no mês de agosto”, disse ela. Eliana disse que também facilitou a vinda de alunos de outras cidades para a festa.

“O Fefol em agosto possibilitou uma maior movimentação no Recinto, seja nos seminários, seja no minifestival, seja nas gincanas”, disse a secretária, que lembrou a maior participação de instituições municipais e estaduais. “Avaliamos que a participação foi muito boa das escolas do Estado. Por isso superou, a meu ver, todas as expectativas”.

“O Seminário não tinha a participação de alunos das estaduais. É semente que está germinando, dando frutos”, avalia. “Sempre acreditei no Folclore no mês de agosto. Temos crianças nas salas de aula para trazer. Por outro lado, as escolas ficam ocupadas pelos grupos, mas isso não significa folga para os professores. Trabalhamos o tempo todo em torno do Festival”, explica a secretária. “De manhã nos seminários, à tarde no minifestival”, completa.

“Fazendo o Festival em julho, vão comentar que é vantagem por não ter aulas. Mas, as escolas são reservadas antes. E temos de participar, e em agosto, temos um ganho muito grande neste aspecto”, diz Eliana, para quem, no entanto, o Fefol em agosto, na área da Educação, ainda não é assunto fechado.

“Vamos consultar a categoria. Mas a ideia de valorização dos alunos é em agosto mesmo”, acentua. “Além do que, é o mês em que comemoramos o Folclore (hoje, dia 22 de agosto). E eu fui educada com o Festival em agosto. E acho que todos os diretores de escolas também”, finalizou.

Até.

E termina mais uma edição do Festival do Folclore de Olímpia. E, como há 50 anos, mas muito mais fortemente nos últimos 30 anos, vai-se o Festival, fica a polêmica: o que fazer para dar uma nova dinâmica ao evento? Vale a pena insistir em sua realização? O público, que comparece em pequeno número às apresentações de palanque, não prestigia a festa cultural que tem, a maior do país em seu gênero? Por quê? Não gosta do que vê ou não entende o suficiente para gostar do que vê? E assim por diante.

Sim, porque supomos que ninguém pode gostar daquilo que não compreende, que não entende. Daí recomeçar tudo, ou começar do começo. Tratar estes primeiros 50 anos do evento como um ciclo que se encerrou e a partir de agora praticamente “começar de novo” talvez seja o ponto. Não sugerimos aqui o esquecimento quanto ao que já foi feito, quanto ao que já se estruturou materialmente e imaterialmente. Mas, talvez, quem sabe, usar este patrimônio como ponto de partida.

Pelo menos não estaríamos “começando” do zero, como o saudoso, corajoso e idealista mestre Sant’anna o fez. Talvez seja este mesmo o caminho. Talvez até aprovado por ele, se consultado pudesse ser. Não há como negar que o Fefol de Olímpia, à esta altura, está na sua fase de esgotamento. Como esgotados estão aqueles que ainda hoje cuidam do legado de Sant’anna. Nem eles podem negar isso. Está explícito em cada semblante. Só o amor os move. A emoção de cada edição concluída.

Mas, a começar pelo público, este não pode ser responsabilizado por não ter paciência de permanecer nas arquibancadas para ver folias de reis, moçambiques, congadas e, em seu favor, diga-se, tampouco os grupos parafolclóricos que aqui aportam, tão ao gosto de tantos espectadores.

No primeiro caso, não veem porque não compreendem, não assimilaram que importância tem aquilo, que finalidade tem. No segundo caso, o “pecado” é o da repetição. Da insistência com grupos que, a bem da verdade, muitas vezes são chatos, enfadonhos e pouco chamativos. E outros já pecam pelo exagero, ficando próximo ao teatro ou à carnavalização do fato folclórico. Isso confunde e afasta as pessoas.

Daí o “começar de novo”. Ir-se à raiz do problema talvez seja um bom ponto de partida. Aproveitemos este momento, que bem poderia ser de transição, para buscar respostas a tantas e tamanhas indagações. E a partir daí dar um norte, um sul, enfim, uma coordenada que passe mais pela educação, pelo conhecimento, pela difusão da cultura, pela preservação de nossas raízes - embora o “moderno” -, que pelo espetáculo puro e simples, este sinuoso caminho ao qual se está quase sucumbindo.

O primeiro passo é manter inalterado o mês de sua realização, já que antecipar para julho revelou-se uma perfeita estupidez. Depois, debater, debater e debater. As várias correntes do pensamento no entorno do Festival - porque as há -, trocando impressões, opiniões, visões de mundo folclórico. Como se deu durante o ciclo de palestras em Etnomusicologia, quando posições conflitantes num bom sentido, foram postas à mesa. Aquilo foi extremamente saudável.

Pode ser esse o gancho, outros “pensadores” podem ser agregados e assim o debate ser enriquecido ao longo do ano. E todos mantendo a cabeça aberta, a alma receptiva ao que vier, quem sabe abriremos um novo ciclo no festival. O Fefol de Olímpia, acreditamos, foi idealizado para ser pensado, não para ser vislumbrado. E é o segundo que tem prevalecido cada vez mais. E isso o mestre não aprovaria, se consultado pudesse ser.

Espera-se, todos os anos, que os acadêmicos voltem, que os pesquisadores voltem, que os universitários se interessem pelo mar de cultura que escorre por aqui todo agosto (?). Mas, o que estaremos dando a eles? Danças, danças, e mais danças? Estas deveriam ser apenas o coroamento de dias cheios de informações e trocas de experiências, difusão cultural, de maneira a que cada um saia mais rico a cada dia daquele recinto. Se não, será tempo perdido. Dinheiro e esforços gastos em vão.

Porque se for para fazer um simples encontro de danças, então que o façamos. É mais fácil, mais palatável ao grande público, com menores dificuldades para captar recursos porque seria espetáculo, show (até musical, sem culpas), sem a menor responsabilidade cultural e de preservação da história brasileira, nossa raiz, que se tem hoje. E ninguém também precisaria ficar arrotando conhecimento, cultura e intelectualismo.

É uma festa, uma exibição de cores e ritmos, e música, muita música! Confesso, seria tão mais fácil se assim o fosse. Mas assim não o é. E nossa responsabilidade é enorme, em função disso. Se não formos capazes de lidar, cuidar e aprimorar (talvez fosse melhor dizer, trazer de volta o “furor” cultural do Festival), para que serviremos, então?

Portanto, começar de novo, e agora, é imprescindível. Como? Quem sabe uma mesa - ou mesas - de debates pode apontar o caminho a seguir. Quem racionalizando sobre o que há por fazer possamos seguir por este caminho sem tropeços, sem atropelos, seguindo firmes e seguros trabalhando para que ninguém esqueça aquilo que temos de mais caro, porque não é nosso, nos foi legado: o Festival do Folclore.

Até.

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