Blog do Orlando Costa

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DE VOLTA AO FRACASSO: FEFOL TERÁ DESFILE NA MENINA-MOÇA

Enquanto isso, é incerta a reconstrução do Curral na Vila Brasil, bem como o Galpão Crioulo, Gaúcho, ambos desmontados sob o argumento de que podiam desabar

A secretária municipal de Cultura, Esporte e Lazer, Tina Riscali, anuncia que irá adotar o receituário abandonado há 10 anos atrás, de fazer o desfile de encerramento do Festival do Folclore, na Avenida Menina-Moça, que nos seis anos em que lá foi realizado, caracterizou-se como um fracasso em termos de público e infraestrutura. Este ano, no dia 13 de agosto, os grupos irão desfilar a partir das 9 horas da manhã. Trata-se, naturalmente, de mais num “ponto fora da curva” do Festival, que vem se juntar à descaracterização da “Vila Brasil”, com a derrubada do Galpão Crioulo e do Curral.

O fim do desfile de encerramento do Fefol na Avenida Menina-Moça foi anunciado como a novidade do 43º Festival do Folclore, realizado em agosto de 2007. Naquele ano a Apoteose da festa voltava à Avenida Aurora Forti Neves, a partir das 8 horas da manhã de domingo, ao contrário do local anterior, onde era realizado sempre à tarde, a partir das 15 horas.

Na ocasião, os organizadores da festa informaram que a medida havia sido tomada como resultado de uma pesquisa feita junto à população e aos grupos participantes, que disseram preferir a Aurora Forti Neves. A intenção era também a de atrair um público maior e, principalmente, atender reivindicação dos grupos que pediam um tempo maior para se apresentarem, e em horário quando o sol e o calor não atrapalhassem tanto. Ou seja, tudo isso está sendo desconsiderado agora pela secretária.

PROGRAMAÇÃO

A organização do evento, este ano, concluiu a programação com um mês de antecedência

Enquanto isso, a Comissão Organizadora do 53º Festival do Folclore divulgou ontem, quinta-feira, 6 de julho, a programação completa do evento, garantindo que em sua 53ª edição o Fefol terá a participação de 51 grupos, de 13 estados brasileiros.

A relação das festividades inclui a programação do Mini-festival, Gincana, Peregrinação e apresentação nos dois palcos. Nesta edição, além do palco na arena, haverá outro, próximo à entrada principal do Recinto, denominado “Iseh Bueno de Camargo”. Uma homenagem à folclorista e professora da cidade de Pirangi, que trabalhou por mais de 20 anos e colaborou com o Festival de Olímpia. Iseh faleceu em janeiro deste ano.

OS GRUPOS
O Festival terá a participação de 51 grupos folclóricos e parafolclóricos de 13 estados brasileiros, sendo 24 de outros estados, oito do Estado de São Paulo e 19 de Olímpia. Todas as regiões do Brasil estarão presentes no evento que será realizado de 5 a 13 de agosto.

Do Rio Grande do Sul virão dois grupos inéditos – o Centro de Pesquisa e Folclore (CPF) Piá do Sul, de Santa Maria, e o Grupo de Arte e Tradição Estampa Galdéria, de Xangri-lá. O Paraná será representado pelo Grupo Parafolclórico Pôr do Sol, de Quinta do Sol.

Poucos dos grupos contratados são de folclore autêntico; maioria deles virá para o desfile somente

Do Estado de São Paulo estão confirmados grupos de oito cidades. Esses, em sua maioria, não vêm para ficar a semana toda. Chegam no segundo sábado da festa e retornam após o desfile

do domingo. São os grupos: Associação Folclórica Reisado Sergipano e Bumba Meu Boi, de Guarujá; Grupo de Fandango de Tamanco Cuitelo, de Capão Bonito; União Folclorista São Benedito do Belém, de Taubaté; Congada Terno de Sainha Irmãos Paiva, de Santo Antonio da Alegria; Grupo Moçambique de São Benedito Azul e Branco, de Guaratinguetá; Grupo Samba Lenço, de Mauá; Congada Três Colinas, de Franca; e Grupo Folclórico e Religioso Moçambique de São Benedito, de Lorena.

Há grupos que, embora não sejam folclóricos, fazem o chamado aproveitamento do fato (como o Aruanda, retratado acima); outros apenas o espetacularizam

Da Estância Turística de Olímpia, três parafoclóricos e 16 folclóricos, incluindo as companhias de Folia de Reis, estarão no palco do Fefol: Godap (Grupo Olimpiense de Danças Parafolcóricas), Frutos da Terra e Associação Cultural Anástasis; Grupo Folclórico de Danças Afro Brasileira e Capoeira, Cia de Reis Lapinha de Belém, Cia de Reis Os Filhos de Maria, Cia de Reis Magos do Oriente, Cia de Reis Fernandes, Os Catireiros de Olímpia – Grupo de Nossa Senhora, Terno de Moçambique de São Benedito, Grupo Dança de São Gonçalo, Cia de Santos Reis Os Visitantes de Belém, Cia de Reis Caminho de Belém, Cia de Reis Os Viajantes de Belém, Terno de Congada Chapéu de Fitas, Guarda de Moçambique Pé de Coroa Nossa Senhora do Rosário, Cia de Reis Estrela da Guia, Cia de Reis Mensageiros da Paz e Cia de Reis Estrela Guia do Oriente.

Ainda da região Sudeste, o Fefol terá quatro grupos de Minas Gerais – Terno de Moçambique Diamante, de São Sebastião do Paraíso; Grupo Folclórico Aruanda, de Belo Horizonte; FITAS – Grupo de Tradições Folclóricas, de Montes Claros, e Grêmio Cultural e Social Arraiá de São Matheus, de Belo Horizonte. E um do Espírito Santo – Reis de Boi Mestre Nilo Barbosa, de Conceição da Barra.

Do Centro-Oeste do País, Goiás será representado por duas agremiações, Grupo Folclórico Brasil Central, de Anápolis, e Catupé Cacunda Nossa Senhora das Mercês, de Catalão.

O Nordeste terá grande participação no Festival de Olímpia. Do Ceará, da capital Fortaleza, virão o Grupo Tradição Folclóricas Raízes Nordestina, a Associação Cultural Maracatu Az de Ouro e o Grupo Parafolclórico Terra da Luz. A Paraíba também marcará presença com o inédito Balé Folclórico SISAIS, de Pocinhos, e os já conhecidos do público, Reisado Zé de Moura, de Poço de José de Moura, e Tradições Populares Acauã da Serra, de Campina Grande. Da Paraíba para o Pernambuco, presença confirmada do inédito Grupo de Expressão Popular Flor e Barro, de Caruaru.

A cultura potiguar será destaque em Olímpia também, com mais uma participação inédita, desta vez da Orquestra Sanfônica Trupé do Sertão, de Major Sales, e Caboclos de Rei de Congo do Mestre Bebé, da mesma cidade, que volta a Olímpia pela terceira vez.

Do Estado do Maranhão outra estreia no Fefol – o Bumba Meu Boi Brilho da Ilha. E fechando a região Nordeste o Grupo Flor da Serra, de Chã-Preta, do Estado de Alagoas.

Do Norte, destaque para o Estado do Pará, que terá três agremiações: o Grupo Parafoclórico Frutos do Pará, de Belém; a Cia de Dança Folclórica Trilhas da Amazônia, também de Belém, e o Grupo de Tradições Culturais Xuatê de Carajás, da cidade de Parauapebas.

VILA BRASIL ‘SUCESSO NO FEFOL’, MESMO?

 

“Vila Brasil é mais uma vez atração confirmada para a 53ª edição do Festival do Folclore de Olímpia. O espaço, no entanto, passará por adequações devido a problemas estruturais identificados por engenheiros da Prefeitura. Duas edificações de madeira, que são o curral do caipira e a casa de taipa, estão sendo desmontadas nesta semana por estarem comprometidas e sendo consumida por cupins.”

Assim começa texto encaminhado por e-mail pela assessoria de imprensa do governo municipal, tratando da questão relacionada àquele espaço no Recinto do Folclore, que nos últimos anos tornou-se atração à parte. Mas, embora a promessa, nada indica que continuará mesmo a ser “o sucesso” do Festival. Se não, vejamos:

“No caso do curral, os pilares de madeira estão fora do prumo, em aproximadamente 25 centímetros. Em vistoria técnica, realizada pela secretaria de Obras, Engenharia e Infraestrutura, foi constatado que os pilares de madeira (pé direito) que promovem a sustentação da estrutura para cobertura do barracão, utilizado para eventos durante os festivais do Folclore, encontram-se fora do prumo devido à movimentação do solo. ‘Provocando com isso a desestabilização do conjunto, com risco iminente de ruína’, diz o laudo emitido no dia 29 de maio.”, é a segunda parte do texto. E aí vem:

‘Portanto, opinamos pela demolição cuidadosa e a guarda dos elementos estruturais para que sejam reaproveitados em outra oportunidade’, acrescenta o documento. Certo, mas que “outra oportunidade” que não essa, do Festival? Talvez em um juninão, para alimentar a fogueira? E veja, abaixo, qual foi a solução “pensada” pela secretária:

‘(..) Tina Riscali explica que as duas edificações serão instaladas novamente assim que a secretaria de Obras fizer os ajustes necessários. Por enquanto, serão colocadas duas tendas’. Oi? “Duas tendas”? Aproveitem e coloquem duas videntes para quem sabe antecipar a sorte do Festival.

‘A secretaria de Obras, Engenharia e Infraestrutura nos entregou um laudo que aponta todos esses problemas estruturais nas duas edificações. E nos orientou, de imediato, a desmontarmos as duas edificações, para não colocarmos a segurança dos frequentadores do local em risco’, explica Tina Riscali.

Tratam-se de duas “edificações” em madeira. Se o município não dispõe de uma equipe composta de três ou quatro marceneiros para colocar aquelas “edificações” de madeira em pé num prazo de dois meses, no mínimo, então, que administração é essa? Se uma secretária não tem poder de mando para exigir que aquelas “edificações” sejam colocadas em condições plenas de uso neste tempo, então, que secretária é essa? “Duas tendas”? É risível, para dizer o mínimo.

‘A secretária ressalta ainda que, dessa forma, a Vila Brasil vai continuar funcionando para agregar cultura às atrações do festival, no Recinto de Exposições e Praça de Atividades Folclóricas e Turísticas ‘Professor José Sant´anna.’

“O curral do caipira foi inaugurado em 2014”. E destruído em 2017. “A estrutura de madeira foi doada por um empresário olimpiense”. Que agora, se quiser, pode toma-la de volta. A Vila não será mais aquela conforme foi concebida. Pena.

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