Blog do Orlando Costa

Verba volant, scripta manent – 10 Anos

Tag: Flavinho Olmos

Eleições 2020: A verdade soprando com o vento

Todo mundo quer, mas ninguém ousa dizer que quer. Todo mundo sabe que todo mundo quer, mas ninguém aposta no querer de ninguém. E, por último, todo mundo já sabe o que quer, em tese, mas não tem coragem de firmar posição naquilo que quer. Exatamente porque não sabe se aquele que ele quer, quer mesmo concretizar o que diz querer.

Perece-lhe confuso? E é. Assim está o momento pré-eleitoral na cidade. Há muitos quereres, e poucas iniciativas claras neste aspecto. Sim, há movimentos de bastidores. Mas também estes são temperados a expectativas, ao “vamos ver mais adiante como ficam as coisas” ou “estou aguardando este ou aquele posicionamento”.

Na realidade todos esperam para saber por quem os sinos do deputado federal olimpiense Geninho Zuliani (DEM) irão dobrar. Trata-se, esta, de uma espera angustiante, uma vez que, parece, nem o próprio deputado saberia ainda que rédeas tomar, que posição assumir.

Vê-se por aí também que o grupo de Cunha e o próprio alcaide andam espalhando que Zuliani estaria “quase 100%” abraçado à campanha pela reeleição do mandante de turno. No seio do grupo genista, as negativas são veementes. Mas, também entre eles, genistas, a dúvida é persistente.

O deputado já teria acenado com a possibilidade da neutralidade no pleito, caso não encontre um nome viável até o momento de lançamento da campanha.

Bom, mas até as formigas sabem que o nome em evidência dentro do grupo genista é de Flávio Olmos, demista que tem despontado não só nas redes sociais, onde é sempre lembrado espontaneamente para o cargo majoritário, como também, segundo informações privilegiadas do blog, em pesquisas de opinião.

E quem está enfronhado nos bastidores políticos atuais sabe bem que não estamos inventando um candidato. Numa entrevista que concedeu ao jornal D’Hoje, de São José do Rio Preto, edição deste domingo, o vereador nega que pretenda ser candidato. Mas a pergunta da repórter fala por si. Ela não seria feita se não houvesse fortes rumores neste sentido.

E um diferencial a ser destacado é que Flávio Olmos desde o momento em que assumiu a vereança, vem dando mostras de certa força política e até de pendor para liderança. Com suas atitudes faz lembrar o hoje deputado, pelo arrojo e destemor.

E, mais que isso, traz o frescor de nova e jovem liderança, do que esta Estância anda tão carente, depois que a mais recente consumou-se em autoridade de nível federal.

O mais correto, a nosso ver, seria agora o nobre legislador dar uma nova configuração à política olimpiense, banindo dela as velhas e carcomidas figuras, com suas ultrapassadas formas de governar.

Não é segredo para ninguém que os interesses econômicos hoje, falam mais alto por estas bandas, com o “boom” turístico e de investimentos, pelos quais ambos, deputado e prefeito de turno, têm grande apreço.

Mas é exatamente este apego ao que é “turístico” que tem custado a popularidade e gerado a péssima avaliação do mandante de turno, junto ao populacho.

Este, que nada mais quer do que sua cidade de volta. Que quer a atenção dos administradores e legisladores mais voltada para a parte “não-turística”, qual seja, aquela que contempla a imensa maioria dos moradores locais.

Quer também o bem estar que, hoje, a olhos vistos, está concentrado no que se pode chamar de “golden valley” (Vale de Ouro), ou seja, num trecho de pouco mais de um quilômetro partindo do principal clube da cidade, sentido centro, que aliás, à noite, parece um verdadeiro cemitério.

No mais, faltam três meses para as definições desta que será a mais aguerrida campanha eleitoral com vistas à Câmara de Vereadores e, por conseguinte, à cadeira principal do Palacete da Praça Rui Barbosa.

Cada um sabe de si, mas há um momento em que as decisões devem convergir para o interesse público, da maioria, de forma a ouvir o que o vento diz. Porque nele está soprando a verdade.

Por reeleição, Cunha pode lançar ‘laranjas’ em 2020?

No final de semana passado publiquei aqui a possível ida do prefeito Cunha, ainda sem partido, para o Partido Social Democrata, o PSD de Gilberto Kassab, em nível nacional, mas de Hilário Ruiz em nível local. E esta possibilidade é forte e não está descartada.

Mas, também é forte a possibilidade do prefeito filiar-se ao Partido Social Liberal, o PSL de Jair Bolsonaro. Isto porque descobrimos que o PSL está nas mãos de ninguém menos que o secretário de Agricultura de Cunha, Tarcísio Cândido de Aguiar, o polêmico Sargento Tarcísio.

Junto com ele, alguns funcionários comissionados integram o Diretório Municipal, oficializado recentemente, e hoje em vias de ruptura, uma vez que há um grupo de primeira hora dentro da sigla que não se conforma com o fato de Tarcísio, “que chegou agora”, como disse uma fonte ao blog, “ter o Diretório nas mãos”.

Bom, uma coisa é a briga interna, outra coisa é a realidade. E esta mostra que o prefeito está com as mãos na fechadura da porta de entrado do partido bolsonarista, pelo qual se lançaria à reeleição, com vice ainda a ser decidido, uma vez que Fábio Martinez, atual prefeito da Estância (Cunha está de férias até sábado) já garantiu que vai cair fora.

Bom, noves fora nada, Fernando Cunha já teria confidenciado a pessoas nem tão confiáveis assim, que sente uma pedra em seu sapato e que por isso haveria a necessidade do lançamento de um “laranja” para quebrar votos. Se não dois, dependendo de como a situação estiver.

Não sei se o alcaide tem noção disso, mas acreditamos que candidato “laranja” tinha lá seus efeitos quando os bastidores políticos eram de fato nebulosos e pouca gente sabia o que se dava ali.

Hoje, acreditamos, não funcionaria mais, porque com a Internet este ou estes serão desmascarados rapidamente e, pior, aquele que aceitar se submeter a este papel estará enterrado politicamente.

Se o prefeito não diz quem é sua pedra, o blog arrisca dizer que se trataria de Flávio Olmos, hoje no Democratas, partido pelo qual gostaria de ter a certeza da candidatura a prefeito, sob as bênçãos do deputado federal Geninho Zuliani.

Mas que poderá se aninhar em outra sigla, como o PTC, que já detém, ou uma segunda que busca formalizar, porém sem dispensar o apoio luxuoso que seria o do parlamentar olimpiense.

Segundo o que se comenta à boca pequena, o prefeito Cunha hoje não estaria muito bem cotado perante o eleitorado olimpiense, e 30% é o percentual máximo que, dizem, ele alcançaria ao final, mesmo com a máquina nas mãos. Sem nos esquecermos que política é como nuvem, blá, blá, blá….

Daí a importância do “laranja”. Conhecemos todos aquela máxima “dividir para ganhar”, certo? Com o ou os “laranjas”, sua briga ficaria mais fácil, ao passo que, se polarizar, dificilmente ele levaria de qualquer candidato que estivesse em melhor situação que a dele, perante o eleitor.

Dizem ainda à boca pequena, que o governante de turno já estaria até mesmo “trabalhando” estes “laranjas”, cujos nomes correm se misturando dia-a-dia, num quase revezamento, mudando ao gosto do interlocutor.

Mas, revezando ou não, os nomes são sempre os mesmos: começa com o presidente da Câmara, Antonio Delomodarme, o Niquinha, do Avante; passa pelo próprio Tarcísio, do PSL; alcança Selim Murad, o onipresente secretário de Cultura, que até parceiro já teria, o também onipresente José Elias de Moraes, o Zé das Pedras, do PR.

E nos últimos dias, pasmem, entrou no rodízio o nome do delegado aposentado hoje vice-líder auto-nomeado do prefeito na Câmara de Vereadores, cujo parceiro de “pomar” seria um colega de ofício também aposentado, que não esconde de ninguém que está aberto a ser vice em qualquer chapa.

São nomes todos em caráter especulativo, que rodam pelos bastidores políticos. Porém, o lançamento de “laranjas” para esta campanha é certo, por parte do mandante, caso de fato tente a reeleição.

Resta agora encontrar um nome disposto a correr o risco de sofrer vexame político, ainda que seja em troca de algum benefício pecuniário ou em cargos para si ou seus asseclas.

O blog estará atento a todos os movimentos. E o leitor será sempre o primeiro a saber. Agora, veja, abaixo, a formação do Diretório local do PSL e façam suas análises:

17 – PARTIDO SOCIAL LIBERAL Órgão Partidário: Órgão provisório Abrangência: OLÍMPIA – SP – Municipal Vigência: Início: 05/08/2019 Final: 05/08/2021 Situação do Órgão: Anotado Data de Validação: 06/08/2019 Protocolo/Código do requerimento: 284399241836 Endereço: VIELA AMÉRICO MARTINUSSI, 756 CASA D Bairro: CENTRO Município: OLÍMPIA / SP CEP: 15400000.

TARCÍSIO CÂNDIDO DE AGUIAR, PRESIDENTE; GUILHERME AUGUSTO PALADINI ARAÚJO, VICE-PRESIDENTE; FÁBIO AUGUSTO PALADIN, SECRETÁRIO-GERAL; BIANCA TOMAZINI RAMOS, PRIMEIRO-SECRETÁRIO; JOSENILO NETTO BIZIO, SEGUNDO-SECRETÁRIO; GÉLICE APARECIDA STEFANELLI SIMÕES, TESOUREIRO-GERAL; VITOR AUGUSTO MARTINUSSI PIZETTI, PRIMEIRO-TESOUREIRO.

PS: Dos sete integrantes da diretoria do PSL, três pelo menos, são funcionários comissionados: o próprio Tarcísio, Josenilo Bizzio e Gélice Simões. O primeiro é secretário de Agricultura, Josenilo assessor de Gabinete e Gélice comissionada lotada na Agricultura.

ELEIÇÕES 2020: TRÊS CANDIDATOS E UM ‘LARANJA’?

E em meio a estas trágicas mudanças visando o pleito proporcional no ano que vem, como ficam as candidaturas majoritárias? Os candidatos a prefeito ainda poderão fazer coligação, ou seja, cada candidato a prefeito poderá ter ao seu lado quantos partidos forem possíveis arregimentar dentro do espectro eleitoral municipal.

Mas, o que interessa é saber, no âmbito local, quais os nomes prováveis a disputar a prefeitura.

Outro dia soltaram uma lista com sete nomes, mas trata-se de um número inverossímil, uma vez que, respeitadas as circunstâncias políticas de agora, somente três nomes que atualmente estão na política reúnem estas condições: Gustavo Pimenta (PSDB), Flavinho Olmos (DEM) e Fernando Cunha (sem partido).

Na Câmara de vereadores, um terceiro nome teria sido aventado recentemente, o do presidente da Casa, Antonio Delomodarme, o Niquinha (Avante), mas trata-se de “bola fora” porque este não fará nada que Cunha não autorizar. E Cunha não o quer candidato majoritário, isto é certo. A menos que à última hora precise de um “laranja”.

Gustavo Pimenta seria o nome primeiro da lista do deputado federal Geninho Zuliani (DEM), porém não o preferencial. Aliás, de momento o deputado está sem candidato, na verdade. Não se anima a dar aval a Flavinho Olmos, embora sondagens recentes o colocariam em condições de briga, segundo informações extra-oficiais.

Junto com Pimenta, há outros nomes sendo sondados pelo deputado, fora da política. Empresários, profissionais liberais e outros estariam na mira, alguns demonstrando animação e até procurando se viabilizar, outros já rechaçando de pronto. Mas o ponto de partida do deputado é Pimenta, estando viabilizado.

Do “outro lado” falaram em Cristina Reale, vereadora do PR que assumiu a Secretaria de Assistência e está há dois anos e meio em campanha aberta sabe-se lá para quê. Vice com Cunha ou numa chapa de Cunha? Candidata majoritária à revelia do prefeito, que deu a ela o cargo de secretária para que “não morresse do coração”, como ele mesmo disse?

Impossível, embora ela venha dizendo isso aqui e ali. Falam numa dobradinha entre ela e Selim Murad, outro vereador eleito, do PTB, que assumiu uma Secretaria, a do Turismo.

Este também tem se mostrado bastante “assanhado” perante o eleitorado. está em campanha aberta, dizem, sabe-se lá para quê. Vice com Cunha ou numa chapa de Cunha? Candidato majoritário à revelia do prefeito, que deu a ele o cargo de secretário para que pudesse acomodar o parceiro de última hora Marcão Coca (PPS)?

Num outro horizonte dizem à boca pequena que Cunha, embora tenha anunciado, não estaria verdadeiramente disposto a disputar a reeleição, haja vista sua performance junto à opinião pública, que lhe rende péssima avaliação, difícil de recuperar a tempo do pleito, mesmo com a máquina e dinheiro à farta nas mãos.

Então, Selim seria o candidato, dizem estas mesmas figuras observadoras do vai-e-vem político e eleitoral da cidade. Aí, chega-se a Fábio Martinez. Embora a tragédia da Saúde local, ainda se sai bem nas avaliações e na preferência do eleitorado olimpiense. Muitos o dão como candidato, outro tanto como não-candidato.

A razão humana, no entanto, garante que ele não será. Cada vez mais herdeiro do legado do pai, Nilton Martinez, seus afazeres o impedirão, como impediu ao pai em diversas ocasiões. Com certeza não quererá perder o espaço político conquistado, mas deverá usufruir dele, talvez formando bancada forte na Câmara de Vereadores.

Aí hão de perguntar: e Hilário Ruiz? O ex-candidato a prefeito do PSD empenhou seu futuro político nas mãos de Fernando Cunha, de onde jamais sairá candidato a prefeito. A menos que rompa já e saia atirando.

No máximo, poderia vir a ser um vice para Cunha -jogada ruim porque seriam dois a terem que explicar o caos na Saúde-, ou então um candidato à Câmara, no intuito de fortalecer sua legenda para que ela faça pelo menos um vereador.

Como se sabe, Cunha foi trazido para Olímpia, para a candidatura a prefeito, exatamente para Ruiz não ser o prefeito da cidade. E quando ele poderia guardar seu cacife para daí quatro anos, preferiu o caminho mais fácil e cômodo, o de acomodar seus pares para além da Câmara de Vereadores.

E nisso, empenhou sua forte recandidatura e agora tornou-se um boneco político a ser manipulado a bel prazer de Cunha. O cavalho encilhado levou com ele a oportunidade de Ruiz ser um dia administrador desta cidade.

PROJETO APROVADO, VEREADORES EXPOSTOS À ‘MALDIÇÃO DO IPTU’

Consummatum est, diria o filósofo no bom latim. Ou, “traduzindo”, agora não adianta chorar. Se vai ter impacto negativo ou positivo junto ao contribuinte, só o tempo dirá. Ou, melhor, só o carnê dirá, quando começar a chegar às mãos de cada um e a inevitável comparação for feita. O público parece dividido quanto ao que esperar. A Câmara, nem tanto.

O projeto de Lei Complementar 236 foi aprovado por unanimidade na tarde de ontem, em sessão extraordinária. O único vereador a apresentar contestações à peça em si foi Flavinho Olmos que, após tentar emplacar duas emendas modificativas (19 e 20) sem conseguir, houve por bem votar favorável ao PLC, provavelmente dentro daquele espirito “é melhor pingar que secar”.

Ambas emendas tiveram seus pareceres contrários exarados pela Comissão de Justiça e Redação aprovados por cinco votos a quatro -Flavio Olmos, Fernandinho, Selim Murad e Hélio Lisse votaram contra os pareceres. Mas, com os cinco votos favoráveis, as emendas foram derrubadas.

Duas faixas estendidas nas galerias foram os únicos sinais visíveis de descontentamento popular com a decisão da Casa, mais acentuadamente quanto ao horário de realização da sessão, às 16 horas, quando antes havia sido marcada para às 19 horas.

O presidente deu a oportunidade para os vereadores pedirem o cancelamento da sessão e marcarem outro dia, outro horário, mas, de novo, somente Olmos requereu o cancelamento. E, de novo, foi voto vencido.

João Magalhães, líder do prefeito nas Casa, disse que não era oportuno mudar-se o dia da sessão,uma vez que já havia se esgotado todo procedimento necessário para a votação de matéria tão importante.

Antonio Delomodarme, o Niquinha, por sua vez, disse que não era justo criticar o fato da sessão ser à tarde, uma vez que na Audiência Pública realizada, somente secretários e assessores do Executivo e da Câmara compareceram, além de dois ou três representantes de imobiliárias ou corretores de imóveis.

Assim, o projeto foi votado, não sem muito debate -na verdade quem debateu foi apenas Olmos, os demais apenas o rebateram, embora com alguma concordância em algumas ponderações de parte de Lisse e Fernandinho, mas no geral foi “um contra todos e todos contra um”.

De qualquer modo, o PLC obteve a unanimidade dos votos. Os vereadores chamaram para si a responsabilidade do “agrado” feito pelo Executivo aos contribuintes, na esperança de que a felicidade reine ao raiar de 2018, quando o cidadão receber o seu carnê do IPTU.

Se isso ocorrer, ponto para a Casa. Mas, se o tal “agrado” se mostrar inócuo, uma vez que não se mexeu na Planta Genérica, também esta legislatura amargará a “maldição do IPTU”, como a anterior, de cujos 10 legisladores, nenhum se encontra ocupando ali uma cadeira.

VEREADORES MOSTRAM FORÇA E UNIÃO, E SINALIZAM RUPTURA?

Pode ser que tenha sido uma postura de momento, pode ser que seja um ensaio sobre o futuro da Casa de Leis, mas é importante ressaltar que o prefeito Cunha viveu uma noite de derrotas seguidas ontem na Câmara de Vereadores.

Indiretas, por enquanto, já que os temas tratados foram, a princípio, do interesse do Legislativo -três projetos de Lei com pareceres contrários da Comissão de Justiça e Redação derrubados por maioria absoluta.

A dedução quanto a um possível novo posicionamento da Câmara se evidencia porque durante o Expediente, no qual os vereadores usam da Tribuna para tratar de tema de sua escolha, houve reclamações quanto à falta de respostas a requerimentos encaminhados a secretarias ou mesmo de atendimento a convite a secretários ou diretores para irem à Casa responderem ou explicarem questões consideradas  prementes.

Neste aspecto houve até um princípio de bate-boca entre dois edis, um alegando que o queixoso exagerava, uma vez que ele havia sido atendido em suas demandas e o outro dizendo que o defensor gozava então de privilégios junto ao Executivo, talvez por ser “menos igual” que os demais.

Por que três pareceres contrários da CJR em três projetos que não emanaram do Executivo seria indicativo de derrota a Cunha? Porque quem defendeu os arquivamentos foram João Magalhães (PMDB), líder do prefeito, e José Elias de Morais (PR), sempre do lado do poder, ambos integrantes da tal Comissão, presidida por Flavinho Olmos (DEM).

Magalhães até que tentou, argumentou quanto à inconstitucionalidade de tais projetos, lembrou do vício de iniciativa etecetera e tal, mas não convenceu a maioria de seus pares, que preferiram o embate. Até Zé das Pedras argumentou um pouco, mas do seu jeito estabanado acaba sempre colocando gasolina no fogaréu.

O primeiro projeto de Lei, que desandou a sessão, foi o de nº 5.191, de autoria de Antonio Delomodarme, o Niquinha (PTdoB), que trata da garantia de acesso gratuito a eventos artístico-culturais por crianças e adolescentes de baixa renda.

Na verdade, o vereador quer que, de alguma forma, o município controle a situação, fazendo garantir a gratuidade em circos, parques de diversões (não os parques aquáticos locais) para crianças que seriam de alguma maneira cadastradas pelo município, valendo aquelas de famílias que recebam o Bolsa Família ou outros benefícios sociais.

O segundo projeto, de nº 5.192, de autoria do vereador Hélio Lisse (PSD), dispõe sobre a distribuição domiciliar de medicamentos e materiais necessários aos procedimentos médicos para idosos previamente cadastrados no Sistema Único de Saúde-SUS.

E o terceiro, de nº 5.194, de autoria do vereador Fernando Roberto da Silva, o Fernandinho (PSD), dispõe sobre o período de atendimento interno nos caixas aos usuários dos estabelecimentos bancários.

Lembrando que, nos três casos, o presidente da CJR, Flavinho Olmos, votou favorável à tramitação, porém os membros Magalhães e Zé das Pedras votaram contrários.

E aí ficou implantada a distensão, uma vez que a rejeição aos projetos foram sempre por dois a um, e a rejeição aos pareceres, sempre por seis a três. E os três projetos foram aprovados em Primeira Discussão e Votação, também por seis a três.

Importante salientar que outros dois projetos, que emanaram do Executivo, foram aprovados sem maiores entraves -o 5.202, que dispõe sobre abertura de créditos especiais e o PLC 230, que altera parágrafo único da Lei Complementar 106, que dispõe sobre o Plano Diretor do Município. Ambos por unanimidade.

Pode-se argumentar então que é puro exagero deste blog apontar para uma futura ruptura na Casa de Leis frente ao Executivo. Pode-se argumentar que são projetos que realmente têm problemas legais e a postura dos dois membros cunhistas, três, na verdade, já que Sargento Tarcísio (PRP) joga no time governista está cheia de razão. Só que não.

O fato é que não foge à compreensão dos mais atentos que a Casa de Leis deu uma demonstração de força a Cunha, uma sinalizada no sentido de que ali não encontrará um mar de rosas.

É certo que, se aprovados, estes projetos serão vetados pelo Executivo, até por linha de coerência com seus defensores na Casa. Não havendo diálogo -e Cunha, já se disse aqui, é pouco afeito a ele-, pode ser que esta mesma bancada “rebelde” de seis vereadores tentem derrubar tais vetos.

Além de, por todos os meios, procurar desgastar a imagem política do prefeito, que já não é lá aquelas coisas.

De qualquer forma, é um mal sinal. Mostra que a Casa está pronta para o combate a qualquer tempo. Nessas horas, uma assessoria política traquejada faz muita falta a um administrador.

Nessas horas, deixa a cena os “escudos” legislativos, e entram os “linha de frente”, aqueles com capacidade plena de convencimento, ou um “conquistador político”, coisa que Cunha não tem ao seu redor, e parece ter dificuldade para se afinar com alguém assim.

Ademais, pode parecer que não é nada agora. Um fato circunstancial. Uma febre terçã. Vai passar. Até passa, o “paciente” volta ao normal, e tudo se tranquiliza. Mas há casos em que se morre vítima da tal febre. E o momento é de Cunha se antecipar ao pior. Decidir que tratamento irá então dar a ela.

De choque, para acabar de vez com o perigo? Ou paliativo, para apenas amenizar a temperatura momentânea da febre? Porque uma coisa é certa: a Casa de Leis foi “picada” pela fêmea infectada. E o antídoto, neste caso, seria uma boa dose de jogo de cintura, de conversação política. Enfim, de diálogo. E só Cunha pode ministrar a receita.

A NOVA CÂMARA DE VEREADORES -UMA ANÁLISE

Esta Câmara que entra será melhor que a que sai, igual ou pior? A Câmara que sai é, de fato, a pior dos últimos tempos, ou sentiremos saudades dela?

Se analisadas estas questões do ponto de vista da submissão às vontades do Executivo, as artimanhas recentes levam a crer que sim, nem melhor nem pior, igual. Quanto a saber se a Câmara que sai foi a pior dos últimos tempos, o recomendado é que se espere o novo tempo passar.

Se na atual legislatura tivemos uma oposição, ainda que “capenga” e titubeante, para a próxima resta saber quem fará este papel. Hilário Ruiz, o ex-petista que alcançou a segunda colocação no pleito eleitoral à prefeitura em outubro passado, pode ser criticado pelos seus “passinhos-pra-frente, passinhos-pra-trás”, mas jamais por não ter postura oposicionista.

Em tese, ele deixa um pupilo, Fernandinho, que desde sempre foi o seu faz-tudo, sendo forjado para este momento que foi coroado de êxito. O blog sabe de certos acontecimentos de bastidores em que Fernandinho já deu mostras de forte posicionamento.

Ele próprio, depois, deu a este escriba, em conversa pessoal, a garantia de que não dará refresco para o alcaide, no que diz respeito a cobranças e vigilância de seus atos e decisões. “Estarei ao lado do prefeito em tudo que for bom para Olímpia, mas nunca para prejudicar o cidadão”, disse.

A ver.

Há personagens ainda incógnitos neste grupo de futuros legisladores municipais. Exemplos, o delegado Hélio Lisse Júnior, o médico Selim  Jamil Murad, o sargento Tarcísio (suplente na cadeira de Salata) e Flavinho Olmos. São todos novatos na política.

Pode se colocar na lista Luis do Ovo, mas com menos ênfase, já que passou os últimos meses naquela Casa, como suplente. Honesto em sua postura política, Ovo não esconde de ninguém que quer “paz” e “amor” com o Executivo.

Flavinho Olmos tem futuro. Mas o que ele vai caminhar em direção a este futuro de forma a consolida-lo, vai depender muito mais do seu comportamento político, do que propriamente do seu trabalho na Câmara. O cidadão-eleitor preza muito isso.

Político titubeante, “flácido”, sem energia nas veias tendem a ser menosprezados por estes cidadãos. A capacidade de articulação e de convencimento de seus pares também conta muito.

E até onde o blog está sabendo, Olmos já demonstrou enorme desenvoltura. Se tem maiores aspirações políticas, pois, seu comportamento proativo, enquanto vereador deve ser a tônica.

Esperar para ver.

Zé das Pedras, Magalhães, e o próprio Niquinha são figuras já bastante conhecidas nos meios políticos ao longo dos últimos anos. O primeiro, é sempre quase anódino, exceto quando seus interesses políticos estão em questão. Pouco questionador, costuma caminhar ao lado dos executivos, buscando respostas fáceis para suas reivindicações.

O segundo, já nomeado líder do prefeito na Casa de Leis, não será outra coisa a não ser…líder do prefeito na Casa de Leis. Magalhães é político fiel a seus compromissos. Não os trai jamais. “Apanha”, “sofre”, mas cumpre com sua missão condignamente. Se Cunha queria segurança na Câmara, não poderia ter escolhido líder melhor.

E o que dizer de Niquinha? Talvez que já na posse, quando da votação para a Mesa, solte algumas “pérolas” encrustradas no “lodaçal” dos bastidores. Talvez não. Talvez prefira guardar “munição” para momentos mais propícios.

Mas certos acontecimentos recentes já o teriam tirado do sério. Deste, enquanto vereador, mais cedo ou mais tarde, para o bem ou para o mal, pode se apostar no barulho.

Os outros três iniciantes (aliás, de dez vereadores, nada menos que seis são inciantes), até agora são expectativas. Lisse Júnior insinua que terá postura de independência, embora 2º secretário da Mesa (cargo que lhe tolhe, de certa forma, a liberdade de decisões, uma vez que é sempre fruto de negociações), Tarcisinho fala em “trabalhar em prol da comunidade”, seja lá o que isso signifique.

Selim Murad, por sua vez, de comportamento político-eleitoral, dizem, pouco recomendável durante a campanha, parece que já teria protagonizado, em data recente, situação de constrangimento entre os pares. Será o vice-presidente da Mesa Diretora….(Mais não diremos, pois não nos foi perguntado).

Os três, de qualquer maneira, são apostas.

Deixei Pimenta para o fim, de propósito. O vereador eleito, e até às últimas horas de sábado, vice-prefeito, é um caso a ser estudado pela “academia” de política. Ele, que poderia ser hoje o homem a ostentar o título de prefeito eleito, ostenta o de vereador eleito, e o de presidente da Câmara a ser eleito (não se espera uma nova “cristianização” tão ao gosto das últimas votações).

É que os caminhos percorridos para tanto talvez imponham uma mácula sobre o “manto” da articulação. Ao contrário de Flavinho Olmos, Pimenta já não é mais uma promessa. Ele teve seu momento, aquela coisa do cavalo arreado à sua frente, titubeou e foi ser vereador.

Cuidou, ele próprio, de diluir sua força eleitoral que era incontestável. E neste caso, nem precisaria por a prova sua capacidade de articulação, pois uma extensa rede já se formara espontaneamente sob ele. Mas, mesmo assim titubeou.

A Mesa da Câmara, o Plenário desta mesma Câmara, vão exigir coragem e determinação de Pimenta. Acima de tudo, espírito de liderança. Na pior das hipóteses, será um bom teste de aptidão ao ainda vice-prefeito. Pode até ser uma escola.

E, quem sabe, se deixar seus poros e veias absorverem a seiva farta em lições de jogo de cintura político, até pode vir a fazer sombra aos grandes em um futuro próximo. Afinal, a vida é luta. E a vida política, uma guerra para fortes.

Pelo sim, pelo não, Pimenta sabe disso.

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