Vem aí a “Rádio Geninho”. Entra no ar na segunda-feira, a partir das 11h30 da manhã. Horário estratégico, importante para o projeto de poder do prefeito. Para tanto, ele teve que se “rearranjar” com seu amigo de primeira hora, depois inimigo de segunda hora, depois desafeto, por fim perseguido e agora rendido Fernando Martinelli. O prefeito Geninho (DEM) “arrendou” a Rádio Difusora AM, por valores não revelados mas que consta ficar por volta de R$ 20 mil mensais, para mandar suas mensagens político-eleitorais aos olimpienses. Ele, que tanto “valoriza” (o valor político, não conceitual) o meio radiofônico e tão fora do meio estava.

Geninho, assim, passa a ter uma rádio para chamar de sua, onde seus apaniguados e secretariado terão microfone à farta, para dizerem o que quiserem, e onde o prefeito irá se lamentar, se fazer de vítima, de sofredor de injustiças, sempre que a situação ficar complicada para ele. A Difusora AM, como muitos sabem, havia sido despejada do prédio que foi construído especialmente para abrigá-la e à sua co-irmã, então Difusora-FM, agora Band FM, na Governador Adhemar Pereira de Barros. Em função do despejo, ambas tiveram que se abrigar em um prédio na Senador, que foi depois lacrado por ordem do prefeito.

Neste meio tempo, Martinelli foi defenestrado do grupo no poder, por conta de um choque de interesses com o secretário de Esportes, Cultura, Turismo e Lazer, Beto Puttini. A partir daí, como o prefeito não tomous suas dores, passou a atacá-lo em sua programação jornalística e também em seu semanário “Tribuna Regional”. Foi esta postura que fez com que o despejo se concretizasse – até então as coisas andavam lentamente, escoradas na ação política do alcaide – e logo depois, instalado no novo endereço, que a interdição chegasse. Então, principiou-se uma corrida de gato e rato, até o desfecho que agora tivemos.

A Difusora-AM havia já há alguns meses, abandonado seu horário jornalístico, até por falta de profissionais dispostos a aturar as idiossincrasias empresariais de Martinelli. Seu jornal teve o poder de fogo também bastante arrefecido, em função disso. Consequentemente, o fator econômico começou a se insinuar com a força dos temporais. Hora de “baixar a bola” e procurar soluções. Juntando, como se diz no jargão popular, “a fome com a vontade de comer”, sentaram-se à mesa, então, o prefeito Geninho e seu amigo de primeira hora, depois inimigo de segunda hora, depois desafeto, por fim perseguido e agora rendido Fernando Martinelli. E bateu-se o martelo.

A partir daí, a emissora passou a ser de responsabilidade do Governo Municipal, que precisará ainda explicar como se fará o pagamento destes presumidos R$ 20 mil mensais, uma vez que prefeituras, salvo engano, não podem “arrendar” emissoras de rádio, e ainda por cima colocar lá assessores, secretários e “funcionários” para gerenciá-la, conforme parece ser o caso. Oficialmente, a própria emissora divulgou hoje, quem será o titular do horário é o assessor de imprensa da prefeitura, Julio César Farias, o “Julião Pitbull”.

Sabe-se, também, que quem está à frente das conversações e “formatações” da programação é o secretário de Governo Paulo Marcondes, o “Paulinho da Uvesp”, que agora também terá a incumbência de transformar de forma irrefutável a velha emissora em aparador e rebatedor do governante de turno. Até um “funcionário” pau-pra-toda-obra foi deslocado da prefeitura para o prédio da Governador, com a incumbência de tomar conta, abrir e fechar portas e portões. Portanto, a partir de segunda-feira, a “Rádio Geninho” entra no ar. E de volta ao prédio da Governador. Haja Alka-Seltzer.

Até.