Blog do Orlando Costa

Verba volant, scripta manent – ANO XVI

Tag: Praça Rui B arbosa

‘GIRINO’ MULTICOR NA PRAÇA NÃO É OBRA PASSADISTA E FORA DO TEMPO?

O projeto de Ohtake já caiu no imaginário popular como um “girino” multicor

O prefeito Fernando Cunha parece ter dado mais um dos seus tiros no pé, ultimamente tão constante no cenário político-administrativo local. O anúncio de que pretende construir um “centro cultural” na Praça Rui Barbosa, caiu mal junto à opinião pública, que o julga desnecessário e o valor a ser destinado, R$ 3,5 milhões, absurdo, mais exatamente, um acinte, quando Saúde e Santa Casa, especificamente, estão à míngua.

Após a divulgação do projeto feito pelo renomado arquiteto e designer de móveis Rui Ohtake na imprensa local, sites e até em nota no Diário da Região, de Rio Preto (não se sabe com que intuito, considerando que tal publicação não foi, digamos, “espontânea”), as reações dos cidadãos nas redes sociais e nas rodas, primeiro foram de surpresa por tamanho desperdício de recursos em um projeto equivocado, depois, de indignação por contemplar uma visão nada moderna de se lidar com uma praça pública.

Houve também manifestações de estranhamento quanto ao formato do prédio em questão, algo parecido a um réptil multicor, ou como bem definiu uma internauta, um “girino”. Guardado o profundo respeito que merece ter o autor do desenho, não deixam de ter razão aqueles que estranham tal estrutura.

Ela rebusca o estilo de Oscar Niemeyer, de quem Ohtake é discípulo, mas estas formas sinuosas faziam sentido num país emergente a partir da década de 60, que se pretendia moderno e futurista.

Das críticas colhidas no Facebook, por exemplo, selecionamos três, que julgamos mais expressivas do estado de espírito a que foi remetido o cidadão olimpiense, tomando a liberdade de suprimir os nomes de seus autores, mas eles estão no Face, para quem se interessar em conferir:

Gostaria de ver a Santa casa com tanto investimento assim…nossa praça já teve sua beleza…que foi retirada pelo prefeito anterior dizendo que iria tornar Olimpia uma cidade futurista e agora outro dizendo ser mais futurista ainda. Sempre tive a ideia de que praça deveria ter árvores para ajudar no nosso clima, mas não entendo porque ninguém pensa na natureza…será que esse dinheiro todo não seria melhor empregado se fosse em outras áreas? Não consigo entender o ser humano…ou melhor, a política pregada por eles.

Este outro:

Ainda bem que não me enganei na hora do voto, mas pagarei junto com a maioria essa enganação em forma de “menino mimado”, que dizia que o ex- prefeito governava de costa pra cidade é de frente pro Thermas, esse parece estar dentro do Thermas, até secretário já caiu por discordar dos desejos de agradar o turismo do chefe do executivo. Três milhões numa praça recém reformada é uma afronta à nossa inteligência, tanto quanto contratar uma empresa por 1,8 milhão pra fazer consultoria administrativa, ou seja, trabalhar pro prefeito folgar. Não era difícil de prever que um dos sócios majoritário de um grande parque, só olharia pro turismo. E ainda tem mais três anos, vamos firmes sem creche em período integral, sem especialidades na saúde, sem hemodiálise, sem bilhete único, e sem e sem e sem tantas promessas deste forasteiro.

E mais este:

A saúde continua na mesma! Por experiência própria constatei que um simples exame de sangue tem demorado 40 dias para ser entregue, imagine os mais complexos… mas isso não parece ser relevante a gestão que chamou de “aventureiro” o prefeito anterior por querer construir um aeroporto, mas tem priorizado o supérfluo e deixado em muito a desejar naquilo que deveria ser essencial.

QUESTÃO DE DEMOCRACIA
OU A FALTA DELA
Concordamos que não é justa a cobrança no tocante à Saúde quando a verba a ser destinada a esta obra, sabemos todos, vem com o “carimbo” do Turismo, portanto não pode ser direcionada à Santa Casa, UPA ou a qualquer outra despesa dentro deste Setor. Mas, isso não justifica o verdadeiro desperdício do dinheiro.

Não, estes R$ 3,5 milhões não podem ser gastos em outra coisa. Mas daí “queimá-lo” todo para dar vida a uma edificação em forma de “girino” na nossa praça central é muito temerário, além do que a deixará, de certa forma, “encubada”, fechada, ao fazer parelha com outra edificação, esta enorme, a da própria Igreja Matriz.

Talvez para a nossa praça central o que esteja faltando seja um projeto paisagístico que venha dota-la de verde, árvores, vegetação (que pode até ser artística), sim uma mini-concha acústica para intervenções artísticas, culturais e musicais, enfim, uma praça arejada, aberta, livre, leve e solta, como devem ser, em geral, as praças públicas.

E isso, com certeza, se faria com um terço ou menos do montante estimado, com um resultado melhor.

A cidade está carente de uma “morada” decente para sua Biblioteca Municipal, seguramente uma das mais bem equipadas em termos de acervo da macrorregião, mas sem prédio próprio, coisa também de décadas, mas que agora, com dinheiro, pode ser corrigida.

Para encontros técnicos ou espetáculos fechados, até cinema, temos a nossa Casa de Cultura, sempre relegada a segundo plano ou objeto de reformas precárias ou “guaribadas” somente. Investir num reforma e adequação pra valer ali, é resgatar um tesouro histórico para os olimpienses.

Além do mais, temos a Praça do PAC, ou CEU no Jardim Paulista. Por que não incrementá-la, amplia-la se for o caso, fazer dali um ambiente que atenda não somente o público das imediações, mas que tenha a amplitude de um equipamento urbano democrático e, digamos, “plurisocial”.

Aliás, parece, também, que o prefeito Cunha estaria trocando esta obra por aquela da Avenida dos Olimpienses, muito mais adequada, necessária e moderna. Além do que estaria tirando dos olhos dos olimpienses e turistas, aquele modelo de desleixo administrativo de décadas.

E o tão propalado aproveitamento da Estação Ferroviária, com a transformação dali em um espaço de artes, cinema, cultura, música e lazer. Viram, quantas possibilidades com estes fins?

Ou seja, exemplos existem a cântaros para o emprego de tão alta soma. A ideia de investir tudo na instalação na praça do tal “girino” multicor, é pensamento reducionista, retrógrado e, acima de tudo, atitude a demonstrar total desconexão dos anseios populares locais.

Se insistir nisso, Cunha estará dizendo em alto e bom som ao cidadão pagador de impostos: “Tô nem aí, tô nem aí” pra vocês. E isso é muito perigoso. Quiçá antidemocrático.

‘OPS, FOI MAL’, É TUDO QUE CUNHA TEM A DIZER SOBRE A SAÚDE?

O prefeito Fernando Cunha (PR) só pode estar de brincadeira. Passados oito meses de governo e sua principal realização continua sendo a tentativa de continuidade das obras deixadas inacabadas pelo seu antecessor. Fora isso, é só queixas e lamentações. Choro e ranger de dentes.

E quando se imagina que nada mais grave sairá dali, eis que o alcaide lança mais essas: a de que precisará de mais um ano para sanear a saúde, que o próprio meio de comunicação que lhe dá sustentação diz que está “um caos” oito meses após suas tentativas malogradas de correção de rumo; e a de que a transição feita por ele junto ao governo passado, antes de tomar posse, “foi fajuta”.

Cunha precisa de duas coisas: aprender a governar urgentemente e, enquanto isso não acontece, aprender a pensar antes de falar. “Prefeito diz que precisará de mais um ano para sanear caos da saúde”, é a manchete daquele jornal que, conforme disse, já foi um leão e hoje apenas mia feito gatinho diante do governo de turno, e que na introdução do texto dando ciência a seus leitores de tamanho desalento, tenta justificar o injustificável.

“A solução desses problemas parece estar mais distante do que era imaginado inicialmente, fazendo crer que o sofrimento dessas pessoas ainda vai demorar para chegar a um momento de solução mais rápida”, afirmou.

Perceberam a meiguice das declarações do alcaide? A que se perguntar se foram preciso oito meses para ele perceber que a solução está “mais distante do que era imaginado antes”. Imaginado por quem? Pelo gnomos? Pela fada dos dentes? E tem mais:

“Eu tenho sensos de urgência, gostaria de fazer isso para a semana que vem, mas acho que vai talvez um ano mais para a gente ter um sistema de saúde mais razoável para a população aceitar bem”.

Isso dói na alma de quem ainda nutria um fio de esperança de que estava na cadeira principal da Praça Rui Barbosa, 54, alguém assaz preparado para dar um fim às agonias prementes do cidadão pagador de impostos e usuário do sistema público de saúde.

“Em Olímpia a situação da saúde é muito ruim. Essa é a realidade. Não é porque quero criticar esse ou aquele. É uma consta­tação”, avaliou.

Em Olímpia e alhures o sistema de saúde “é muito ruim”. Portanto, o sistema de saúde em Olímpia seria ruim na medida em que não há o que fazer para melhora-lo, ou seja, a saúde local vinha sendo tocada, digamos, da melhor maneira possível, e assim sendo, Cunha candidato prometeu o que agora não tem como cumprir.

É como se chegasse agora para dizer ao povo que continuasse a sofrer as agruras de uma saúde que, aos trancos e barrancos, foi oferecida ao cidadão, com suas deficiências e carências, situação que não mudou um tiquinho sequer, a não ser para pior, uma vez que sequer alguém do ramo o governo conseguiu encontrar para gerenciar o setor.

Teve que improvisar, numa área em que improvisos geralmente redundam em sofrimento alheio quando não em mortes. Mas, não nos desesperemos, porque o prefeito disse àquela emissora amiga aqui do centro que “já entendeu os pontos mais fracos desse setor e já começou a atacar o problema. “Só que é caro e toma tempo”.

E o que o cidadão doente, que precisa de medicamento, de um exame, de uma cirurgia, de um atendimento de urgência, tem a ver com isso? Ele paga seus impostos e estes impostos têm que ser convertidos pelo menos em um atendimento digno em saúde, prover seu bem estar físico, emocional e psicológico.

E quanto a tomar tempo, digamos que tempo é o que mais um governo deve dispor para enfrentar questões prementes. Decerto, na visão do alcaide, problemas físicos como prioridades em estabelecimentos de saúde seja mais benéficos ao cidadão do que a solução de problemas estruturais de atendimento.

Reclamar, definitivamente, não deveria mais fazer parte do “cardápio” governamental de Cunha. Isso já está ficando chato.

MENOS DINHEIRO NA SAÚDE EM 2018
A propósito, para quem ainda não sabe, nos números apresentados por Mary Brito Silveira, secretária de Finanças de Cunha, na Audiência Pública sobre o orçamento para o ano que vem, os gastos previstos em Saúde estão estimados 42,6% abaixo daqueles previstos para serem investidos este ano. Ou seja, em espécie, a Saúde olimpiense, que o então candidato Cunha disse ser prioridade, terá R$ 11,6 milhões a menos em 2018.

Os gastos orçamentários em Saúde, por lei, têm limite mínimo de 15%. Cunha estima chegar a até 23%. No Orçamento em execução, estão previstas despesas no setor da Saúde de R$ 38,8 milhões, e para o ano que vem, Cunha quer despender R$ 27,2 milhões. Nessa toada, o ano que vem vai de “embrulho” também.

COMO ASSIM, TRANSIÇÃO NÃO EXISTIU?
É claro que o prefeito Cunha não ia dar esta noticia desalentadora assim, do nada. É preciso que haja um culpado, ou uma culpa para impingir a outrem e “limpar” a sua própria. Então, o que ele faz? Vem dizer que houve “falhas estruturais que prejudicou(sic) a transição de governo”. Como assim?, pergunta o Zé na esquina.

Poderíamos aqui trazer arquivos e mais arquivos dos jornais locais, eletrônicos ou impressos, constantes ou não no “portfólio” de agraciados com contratos de publicidade oficial, onde o então prefeito eleito e depois o prefeito em exercício diz de viva-voz que a transição foi um sucesso e que tudo estava em ordem.

E agora vem dizer que a tal transição “foi fajuta”? Entre outras coisas, acusando uma “concentração de poder muito grande, um autoritarismo muito grande”? Tipo de situação que deveria ter sido denunciada na hora, sem pestanejar. Por que só agora?

“Quer dizer, essa transição de governo foi fajuta, uma transição de discurso”, classificou Cunha. Ora, então foi discurso da parte dele, porque só ele falou sobre a tal transição antes, durante e depois. E nunca se queixou, pelo que nos lembramos.

“Nem mesmo sobre a fila de espera por exames ninguém tinha conhecimento”. Convenhamos que se foi feita transição na saúde e ninguém tomou conhecimento disso, alguém foi relapso.

Não se pode culpar ou alegar “autoritarismo” da outra parte, se quem está ali para obter estas informações tem todo o poder de direito e os meios judiciais para fazer valer tais direitos. Portanto…

E para concluir: Cunha disse ao filósofo, advogado e jornalista: “Havia problemas também na área de medicação que teve que ser totalmente reorganizada a distribuição de medicação”.

E nós contribuímos com uma informação ao prefeito: este setor não está reorganizado coisa nenhuma, e a distribuição de medicamentos continua do mesmo jeito, ruim à beça, embora já tenhamos nos deparado com  relatos de que tenha piorado em relação ao sistema anterior.

Enfim, de tudo o que o alcaide disse àquela emissora amiga, pode-se tirar uma única conclusão: a de que ele veio a público expressar o seu “Ops, foi mal!”.

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