Cunha, depois de protagonizar um verdadeiro ‘tsunami’ verbal, onde não poupou nem a categoria dos municipais, voltou a conceder entrevista como se nada tivesse acontecido

O prefeito Fernando Cunha (PR), após protagonizar um verdadeiro “tsunami” verbal, na sexta-feira da semana passada, em entrevista a uma emissora de rádio on-line, quando não poupou nem a categoria dos funcionários públicos municipais de Olímpia (à qual negou reajuste salarial de público, alegando que seria “jogar dinheiro fora”), reapareceu em público na segunda-feira passada, 11, em uma versão totalmente “paz e amor”, que em nada lembrava a “metralhadora giratória” da entrevista anterior.

De novo, não disse nada, mas o que disse foi de maneira totalmente “soft”, e até sorridente, numa tentativa, talvez, de limpar o “lodo” deixado impregnado no imaginário da opinião pública, na entrevista anterior. Desta vez ele falou ao programa Diário ao Vivo, do jornalista Leonardo Concon.

Na ocasião, Cunha reafirmou que pretende sair candidato à reeleição no ano que vem. Isso porque não pretende alçar voos maiores –Assembleia Legislativa ou Câmara Federal, porque “não gosto só de tirar fotos”.

Aproveitou a deixa para “lustrar” sua imagem de “prefeito realizador”, que quer “estar no cerne das decisões municipais, resolver, fazer, e não só posar nas redes sociais”, conforme disse.

Reclamou da vida legislativa. “Deputado é uma vida ingrata, é só foto com as pessoas”, analisou. Ele, que já foi deputado estadual pelo MDB, depois PSDB, mas ocupou cadeira na Assembleia por somente um mandato.

Disse que não gostava de ser deputado, mas tentou a reeleição. E não voltou à Assembleia. Faltou voto. Principalmente de Olímpia.

Depois, disse que nas próximas eleições municipais vai apresentar seu nome de aposentado da CESP, com 62 anos, com “um monte de fazendas” arrendadas para a Usina, “para não ter dor de cabeça”.

Disse que lutou a vida toda, acumulou, comprou, e que vai apresentar seu nome (ao pleito municipal) e vai parar por aí mesmo. Cunha foi funcionário público estadual desde a juventude. Como “lutou a vida toda, acumulou, comprou”, só ele sabe.

Para o deputado Geninho Zuliani (DEM), só sobraram elogios desta vez. “Não tenho o espírito armado, quero ter o apoio e a ajuda dele”, disse, candidamente. Mas chamou seus desafetos no Legislativo de “banda podre que trabalha para ele (Geninho) na Câmara”. Porém, isentou o deputado desta “banda podre”.

“Sei que ele não tem o dedo nisso”, defendeu. Depois, rasgou a seda para o deputado: “Geninho foi muito feliz em sua posição, acho que vai fazer isso, é jovem, vai seguir carreira que tem pela frente, e se ele se dispuser ajudar vou pedir as coisas, e já pedi que solucionasse um problema na futura creche do Maranata, porque o dinheiro está bloqueado em Brasília”, finalizou.

Poios é. O prefeito Fernando Cunha sendo o que devia ser. Só que deveria ser antes do “terremoto” provocado sobre si mesmo. Um abalo político que só o tempo dirá o quanto lhe foi prejudicial. E que lhe custará estratégias de inteligência política para dirimir.

Além do quê, vai depender, e muito, da capacidade memorial de cada cidadão atingido por suas diatribes, e seus familiares. Cunha foi uma metralhadora destravada na semana passada. Agora corre a contar seus mortos.