Não quero ser estraga-prazeres do alto comando municipal, nem tampouco dos bajuladores e baba-ovos de plantão contínuo. Mas, a coisa está feia, caminhando para horrível. E aqui não serão ilações meramente, porque será uma análise calcada em números. E por conta deles o blog pode afirmar: Olímpia, no âmbito da população, está empobrecendo. Está ficando sem poder de consumo. Está ficando sem emprego. Em contraposição ao crescimento dos investimentos em turismo que, mostram os números, parecem não estar trazendo benefícios imediatos ao cidadão local, ao “nativo”, como se costuma chamar aqueles moradores de cidades com propensão ao turismo.

Esta percepção se tem com a simples leitura da página 6 do semanário “Folha da Região”, edição deste sábado, 14. Nela, a principal manchete diz: “Olímpia perde posições nos rankings nacional e estadual de consumo”. No texto, a informação de que a cidade, conforme levantamento do IPC Maps-2010, sucessor do IPC-Target, divulgado no dia 3 passado, perdeu posições em relação a 2009. E isso é péssimo para o burgomestre do “melhor dos mundos”, porque retrata exclusivamente seu período à frente da administração.

O resultado é que o potencial de consumo olimpiense bate nos R$ 700 milhões, ficando na 459ª posição no ranking nacional, e na 134ª no estadual. No levantamento anterior, mostra o jornal, estas posições eram, respectivamente, 409ª e 118ª.  Por que é uma péssima notícia para o burgomestre? Porque o levantamento de 2009 foi feito em 2008, gestão Carneiro (PMDB), e o de 2010, foi feito em 2009, gestão Geninho (DEM). Sim, porque para poder divulgar já no início do ano seguinte, o trabalho tem que ser realizado no ano anterior.

Mas, se ainda não for assim, muito pior para o alcaide atual, porque, então, os números serão referentes aos dois primeiros anos de sua administração. Isso quer dizer que, de uma maneira ou de outra, a atual administração está empobrecendo os munícipes.

(DES)EMPREGO
E não é só isso. Naquela mesma página do jornal, também pode se ler outro texto, sob o título “Olímpia perde cinco posições no ranking regional de empregos”. No corpo da matéria é explicado que a cidade caiu do segundo para o sétimo lugar em empregabilidade no ranking regional. Está na 79ª posição no Estado no saldo de geração de empregos com carteira assinada, no mês de março, entre 350 cidades. Os dados são do Caged, órgão do Ministério do Trabalho. Foram admitidos 579 empregados e demitidos 416, com saldo de 163 novas contratações. Em relação a fevereiro, a queda foi acentuada. Naquele mês foram admitidos 618 novos empregados e demitidos 366, com saldo de 252 vagas.

Esses números demonstram a sazonalidade da mão de obra na cidade. O corte e a colheira da cana ainda são responsáveis por contratar e dispensar funcionários, em sua maioria “estrangeiros” de outras regiões do país – o que acontece agora também, embora em menor escala, na construção civil. Por isso esta oscilação constante. Prova de que, também nesta área, o nobre governante de turno também está devendo à cidade. A geração de emprego perene, não sazonal beira à quase nada, já que a estrutura comercial e industrial local não mudou e, consequentemente, seus aspectos econômico e de consumo, só tendem mesmo a piorar.

TURISMO
Por outro lado, publica ainda nesta mesma página o semanário, que “Levantamento mostra que setor de hotelaria cresceu 300%”. Trata-se de material oficial, distribuido a todos os veículos por meio da assessoria de imprensa da prefeitura, oriundo da Secretaria Municipal de Turismo. A assessoria depois corrigiu o título, já que no texto era dado como se o fluxo de turistas tivesse crescido a esse tanto.

Diz o texto que de dezembro de 2008 a fevereiro de 2011, as pousadas e casas de veraneio aumentaram de 11 e 42, respectivamente, para 28 e 115 agora. Quatro hotéis foram construídos, além dos sete que a cidade já possuía. Os hotéis-fazenda são dois agora – em 2008 era apenas um, e um resort foi construído. Os leitos saltaram de 159 para 5.011. O governo municipal como um todo comemerou estes números. Que indicam, por enquanto, que mais pessoas investiram na seara turística da cidade, mas que não trouxeram ainda, estes investimentos, resultados práticos no âmbito da empregabilidade e no compartilhamento, guardadas as devidas proporções, do montante financeiro que o setor movimenta.

Este setor pode estar se suprindo muito bem com o fluxo turístico, mas o resto da cidade, ao contrário, estaria mergulhado na baixa capacidade de consumo e na raquítica empregabilidade. Além de sofrer a tortura do “boom” dos aluguéis, preços de imóveis e terrenos. Quem relata angústias constantes são so comerciantes do centro da cidade, que se veem pressionados pelos proprietários a pagar o que eles querem pelos aluguéis, ou a devolver os imóveis. Também aqueles que correm atrás de uma casa de aluguel não se conformam com o que cobram por casas, muitas vezes, “caindo aos pedaços”, ou mal localizadas, como relatam.

A PALESTRA
Jovem presente à palestra de R$ 3,2 mil contratada pela Câmara para o “Dia da Consciência Jovem”, disse que o palestrante, “durante quase à metade da palestra, teceu loas ao prefeito Geninho e até chegou a dizer que o MacDonalds havia reservado uma área para instalar aqui uma lanchonete”. Ele disse também que o palestrante revelou que tem outros serviços de assesoria contratados com o município. Será que tais jovens saíram “mais inteligentes” deste colóquio?

A PERGUNTA
O que pretende o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Olímpia com um contrato de R$ 148.999,60 com a Novamar Ambiental e Construtora Ltda-EPP? A empresa, para quem não sabe, é de propriedade do sobrinho de Jayr Alencar, diretor de Gabinete do prefeito, o jovem Marcelo Alencar. Lembrando que carta-convite é a modalidade de licitação utilizada para contratações de menor vulto, ou seja, para a aquisição de materiais e serviços até o limite de R$ 80 mil, e para a execução de obras e serviços de engenharia até o valor de R$ 150 mil. Ou seja, Alencar deu preço R$ 1.000,40 abaixo do limite.

Até.