Blog do Orlando Costa

Verba volant, scripta manent – 12 Anos

Mês: janeiro 2011 (Página 3 de 3)

COMO SERÁ A ‘NOVA’ CÂMARA?

Qual será a “cara” da Câmara Municipal que teremos a partir deste ano? Qual será a atitude dos senhores vereadores? Qual será a disposição dos “representantes do povo” em, efetivamente, representá-lo, e não sucumbirem à vontade soberana do poderoso de turno? O que vai pesar na postura destes homens públicos doravante: o compromisso assumido com o povo que os elegeu, e manterem-se predispostos a fiscalizar a coisa pública, os atos e atitudes do Executivo, ou valerá compromissos outros fechados em locais, digamos, “indevassáveis”, se por ventura os há, e em situações no mínimo suspeitas, se por acaso as há?

Não é segredo para ninguém, pelo menos àqueles que leem este blog, os fatos e acontecimentos envolvendo a nossa Câmara nos últimos dois anos. Houve lá atrás um acordo entre homens de bem, que resultou na formação da Mesa que ora se desfaz, e deixara por antecipação formada a Mesa que assumiria neste primeiro de janeiro. Porém, no meio do caminho tinha uma pedra. E as coisas mudaram de rumo. E a Mesa que era para ser não foi, e a que não se imaginava ganhou corpo. E com ela mudou também toda a configuração política do Legislativo.

Com Toto Ferezin (PMDB) presidente, a Casa de Leis passa a ser uma extensão do Executivo, um “braço estendido” do prefeito, onde suas vontades deverão ser satisfeitas docilmente. Com a Mesa ora administrando a Câmara, e a mudança de atitude de dois vereadores, basicamente – o outro é Guto Zanette, que deu um belo “pé” na sua biografia política -, Geninho (DEM), como se diz, vai “mandar e desmandar” por lá. E mente quem disser o contrário, a menos que prove, firmemente, com atitudes e decisões.

São dez vereadores, o prefeito tem ascendência sobre pelo menos sete deles, ou seja, mais de dois terços da Casa. Pode aprovar o que quiser. Os mais disparatados projetos de leis, as mais amalucadas emendas à Lei Orgânica-LOM, enfim, Geninho pode fazer e desfazer do Legislativo, conforme sua nova configuração.  O que um vereador Zanette (PSB) pode fazer para barrar um projeto que atente contra a vontade popular como um todo ou pelo menos em parte? Se ele mesmo, eleito pela oposição, jogou fora seus compromissos para se aliar ao poder que julga maior, o Executivo?

O que poderá fazer um vereador como Toto Ferezin – idem, idem – se jogou fora seus compromissos de homem público para obter um naco de poder maior que é a presidência do Legislativo? Cada um deles, naturalmente visando interesses pessoais e políticos (e não há outra explicação plausível para tanto), facilitando, assim, acomodar companheiros, parceiros de primeira hora. O que se tentar formular à guisa de explicações, justificativas, será fantasia pura. Fantasia para iludir incautos. Aqueles mesmos que serão procurados no próximo pleito.

Para sabermos como será a Casa de Leis nestes próximos dois anos teremos que acompanhar de perto os acontecimentos, sejam nas sessões, sejam fora delas. Porque muitas vezes os “acontecimentos” estão na luz do dia, nos corredores, ou fora deles, no dia-a-dia político. Espera-se seriedade no trato com os recursos públicos, pelo menos. Respeito para com o cidadão pagador de impostos.

E, acima de tudo, espera-se coerência e coragem daqueles que permaneceram do “outro lado da trincheira”, honrando aquilo que fora acordado. E, mais que isso, honrando o próprio cargo que lhe fora outorgado pelo cidadão, que espera ver-se representado com retidão, honradez e honestidade. E às claras, não pelos “cantinhos” do hexágono ribeirinho.

ACESSOS AO BLOG CRESCERAM 128,5% EM 11 MESES – EM DEZEMBRO, RECORDE: 8.364

Pois é, não costumo fazer “balanços” sobre acessos ao blog ao longo dos meses ou do ano. Mas, desta vez é preciso, por que há um fenômeno a registrar: o espetacular crescimento nos acessos ao blog neste mês de dezembro. Crescimento este, aliás, que vinha sendo observado ao longo dos meses, mas o récorde absoluto foi no mês passado, com 8.364 acessos únicos, um marco para um espaço onde o forte é a opinião, não a notícia. E, ainda por cima, opinião de um só, eu, seu mantenedor, e dos leitores que mandam seus comentários, democraticamente.

Na comparação com fevereiro passado, quando recebemos 3.661 visitas, o que já representava um crescimento considerável em relação ao último mês de 2009, o crescimento ficou perto de 128,5%, num salto diário de 130 para 269 visitas, na comparação do período.  Na média, são 175 visitas por dia. Por páginas acessadas, a média pulou de 274 para 882. Nos 11 meses contados de fevereiro, foram 58.691 visitas.

No mês de dezembro foram 27.352 page-views, média de 3.2 por acesso único. O dia que teve o maior número de acessos, individualmente, foi 15 de dezembro, com 378. Naquele dia havia postado uma avaliação sobre o futuro político-eleitoral da cidade, em destaque a ainda não revelada relação conflituosa entre o prefeito Geninho (DEM) e o vice-prefeito Gustavo Pimenta (PSDB), e a possibilidade deste romper com o Governo e se lançar candidato contra seu hoje parceiro, numa “frente ampla”.

Os acessos vêm de várias partes do mundo, com maioria, claro, do Brasi – 51.21%, seguido de localidades não identificadas – 26.82% e Russia: 6.74% (vai saber por que, né?). Mas, o sistema aferidor registra outros países, como Samoa, Portugal, Japão, Alemanha, Espanha, até Ucrania, Luxemburgo e vários outros.

De fevereiro até o mês passado, foram 492 posts, que receberam 542 comentários aprovados, fora os que foram deletados por conterem ofensas ou temas inapropriados. Foram, neste período, 153.875 page-views.

Portanto, só me resta agradecer a todos que confiam neste espaço, que buscam aqui, talvez, um pouco de “luz” sobre os fatos, àqueles que me criticam, àqueles que me elogiam sempre, àqueles que tem este espaço como formador de opinião, àqueles que tem neste espaço um alento para suas inquietações, e até àqueles que me acham um porre, mas não deixam de acessar só para ter do que falar nos bares da vida. A todos, muito obrigado.

A propósito, neste mês de janeiro já fui acessado por 742 abnegados, até hoje, média de 185 visitas por dia. Volto a frisar, o fato é relevante por não se tratar de um espaço dedicado a noticiar fatos mas, sim, a comentar os fatos do dia e/ou da cidade. Porque muito mais fácil ter milhares de acessos quem dá notícias simplesmente. Mas um espaço de debates ter esta recepção junto às pessoas, é que me deixa muito feliz. Obrigado mais uma vez!

Até.

DO ARQUIVO DO JORNALISTA

O prefeito municipal de Olímpia, Geninho Zuliani (DEM), já há vários dias tem feito circular por meio de sua assessoria de Imprensa, que a cidade se transformou, nos últimos meses, num verdadeiro “canteiro de obras”. Mas, ao relacionar os feitos e seus custos, o prefeito se “esquece” de fazer justiça a uma “herança” superior a R$ 7,44 milhões que recebeu do Governo anterior, para obras. A maioria delas constante da relação do “Canteiro”.

No total, entre obras já licitadas, convênios assinados e valores “em análise”, Zuliani “herdaria” da administração Carneiro, R$ 7.445.042,99, dos quais R$ 1.461.001,60 seria contrapartida da prefeitura municipal. Os repasses, efetivamente, somavam R$ 5.984.041,39. A divulgação foi feita em meados de dezembro, pelo então secretário de Obras Gilberto Toneli Cunha, hoje ocupando o mesmo cargo na atual Administração.

Os convênios seriam assinados com as secretarias de Planejamento e Habitação, Ministério da Integração Nacional, Caixa Econômica Federal, Fehidro, Ministério da Saúde e Secretaria de Segurança Pública, entre outras instituições. Exatamente como está acontecendo hoje. O que permite ao prefeito dizer em seus anúncios que “as obras realizadas pela prefeitura municipal de Olímpia são visíveis em diversos cantos do município, transformando a cidade num verdadeiro ‘canteiro de obras’”.

Da relação de obras anunciada pelo prefeito Geninho fazem parte a readequação do antigo Pronto Socorro(transformado em Centro de Referência do Idoso, obras que se desenrolam desde 2007), construção de creche no Jardim Campo Belo, construção de praça no CDHU II (“em andamento”), obras da UBS do CDHU 3 (“a todo vapor”), obras (de reforma do prédio da ex-Delegacia de Ensino) da primeira ETEC (Escola Técnica Estadual).

Ainda, construção de alojamentos no “Teresa Breda”, reforma do Ginásio de Esportes, e até obras em projeto, como “uma moderna pista de skate no GE”, segundo o anúncio. A Aurora Forti Neves vai ganhar uma Academia ao Ar Livre, enquanto na Cohab IV começou a ser construída mais uma praça. Naquele bairro, o prédio abandonado do Conseb´s vai virar “Acessa São Paulo”, com internet gratuita para os moradores. “O prefeito ainda estuda o melhor lugar para a construção da primeira Unidade de Pronto Atendimento-UPA, de Olímpia. Obra de quase R$ 1,5 milhão”, diz o anúncio.

Área Azul, campanha de limpeza e manutenção de muros e calçadas, pintura de solo na Avenida Aurora Forti Neves, semáforos, recapeamento “recorde”, “operação tapa-buracos”, lixeiras ecológicas, reforma futura da Praça da Matriz, e a obra de construção de um novo portal de entrada na cidade, próximo ao GE, também fazem parte da relação.

A ‘HERANÇA’
A informação sobre o assunto, em dezembro, dizia: “O futuro prefeito de Olímpia, Geninho Zuliani (DEM), quando assumir o cargo, em 1º de janeiro, já terá à disposição, para execução de várias obras na cidade, um montante de R$ 3.716.816,80, segundo números apontados em relatório elaborado pela Secretaria Municipal de Obras e Serviços Urbanos. Este mesmo relatório, datado de 15 de dezembro último mostra, ainda, que a administração 2009/2012 disporá de outros convênios totalizando R$ 3.728.226,10, que no momento estão ‘em análise’”.

“O dinheiro está reservado para obras como recape das Cohabs I e II, dos quatro CDHUs, da Vila Nova e Alvorada, avenidas Dr. Andrade e Silva e dos Olimpienses, e pavimentação da Avenida Inácio de Assis Pimenta e da “rua da Fido”. Construção de portais, de praças, de galerias, unidades habitacionais, Centro de Recepção ao Turista, sistema de macrodrenagem e galerias, UBS, reforma da Delegacia de Polícia e do Teresa Breda etc.”, e trazia um quadro detalhando estas e as demais outras obras.

Perguntado sobre a quanto remontaria, então, o caixa deixado pelo ex-prefeito, Cunha preferiu enumerar: “A única, de R$ 840 mil, do ano passado e que ainda não foi feita é a construção das galerias para resolver o problema do Córrego Olhos D´Água, assim que resolver o problema licitatório”. Depois listou o recapeamento no conjunto “Luiz Zucca”, obra de R$ 344 mil; o recape do conjunto vizinho, “Antônio José Trindade”, obra de R$ 205 mil; recape na Vila Nova, obra de R$ 350 mil, e implantação do corredor turístico, obra de R$ 845 mil. Somadas, chegam a R$ 2,584 milhões. E estão “todas concluídas”, segundo Cunha.

(EXTRAÍDO DE ARQUIVO – NOTÍCIA PUBLICADA NO INÍCIO DE 2009 – JORNAL ‘PLANETA NEWS’ – 23/10/2009)

AINDA NÃO O MELHOR, APENAS UM ‘GOVERNO-ESTEIRA’

2001 já está com cara de velho. Voltamos à mesma rotina dos dias que passam. Voltamos à realidade dos fatos vividos. Voltamos, consequentemente, nossas atenções para os feitos e não-feitos deste Governo Municipal que aí está, e que uns e outros insistem em dizer que já é “o melhor de todos”. De minha parte, continuo firme e convicto de que ainda há tempo para que a administração Geninho (DEM) comece, de fato, a sair do lugar. Há tempo para neutralizar o efeito “esteira” que tomou conta de seu governo.

Muito me admiram pessoas que avaliam um governo, seja ele em que nível for, pelo volume de obras e convênios anunciado. Pois é isso que estamos vendo. Até mesmo “pensadores” antes insuspeitos hoje levantam bandeiras – aliás, escancaram bandeiras -, se igualando ‘univitelinamente’ àqueles outros aos quais não poupavam a pecha de “vendidos”, “soldadinhos”, “penas de aluguel”, “voz de aluguel”, “prefeiturodependentes” e por aí afora. Hoje, na concepção destas figuras, “vendidos” são os outros. Eles, no máximo, sempre foram “a favor de Olímpia e de sua população”.

Neste panorama, em que as mais ferrenhas e “combativas” figuras cedem aos afagos e ao charme político do prefeito de turno, há que se concluir que alguma coisa não está certa. Que alguma coisa está fora da ordem. Mas, para não terem que responder a si mesmos, estas figuras tentam imputar a quem ainda “não enxergou” o melhor dos mundos proporcionado por esta administração que aí está, a culpa pelos reclamos incessantes e diversos da população que dizem representar. E até engolem a soberba genista, ao se auto-conceder nota 9 por estes dois anos.

Repito que as avaliações que se tem feito no entorno do Governo Geninho são pelo volume anunciado de convênios e verbas, todos ainda por serem efetivados. É preciso notar que até este final de ano, não houve uma grande obra concluída. Geninho faz intenso barulho com obras corriqueiras, aquelas que todos os prefeitos, bons ou ruins, sempre acabam fazendo. Quais sejam, ampliações, reformas, adaptações, praças, escolas, Unidade Básica de Saúde-UBS, recapes e tapa-buracos.

Em alguns casos, conjuntos habitacionais – não dando créditos totais ao ‘Minha Casa, Minha Vida’ por se tratar de um procedimento de mercado, antes de ser um projeto social, com o Governo Municipal sendo apenas um facilitador – e o CDHU, convênio do Governo passado, cujo projeto foi modificado pela própria Companhia em todas as localidades onde havia um lote de casas autorizado, do qual Geninho tenta abarcar para sí todas as láureas.

No mais, vamos rememorar as “grandes obras”? Duplicação da Harry Giannecchinni. Parada, serviu apenas, até agora, para ceifar a vida de uma figueira cinquentenária, um atentado contra o meio ambiente e a história da cidade; implantação de galerias pluviais na Floriano Peixoto – aliás, bom que se diga, o convênio e a verba são do governo passado. Falta acabamento, o que vem trazendo transtornos e insegurança aos moradores dali, incorrendo ainda no perigo de se perder o que foi feito, os mais de R$ 800 mil gastos ali; a Unidade de Pronto-Atenbdimento-UPA, grande obra de mais de R$ 1 milhão. Parada.

Aliás, ali bem se viu uma amostra do que é “administrar para a torcida”, aproveitando um jargão futebolístico – o que, aliás, Geninho sabe fazer muito bem. E convence. Até cabeças e almas que julgava bem formadas. A “obra” está lá, um ano depois, sem que tenha saído do lugar. Ou, melhor, quase saiu por estes dias, quando fornecedores foram retirar material vendido e não pago por quem de direito. A Praça da Matriz, obra pequena que foi concluída na “bacia das almas”, e ainda assim oito meses depois de iniciada.

Portanto, até o momento, que me perdoem os aficionados, o prefeito Geninho não está muito à dianteira do governo passado, a não ser pelo que anuncia pelos quatro cantos, e pelos espaços generosos que tem tido nos meios de comunicação locais, alguns antes figadalmente fechado para certas entidades políticas. Um destes órgãos, por exemplo, ao fechar diagnóstico sobre a gestão Geninho, diz que o faz por causa do “carisma” do prefeito, e por ter ele mostrado “a intenção” de corrigir problemas gravíssimos, esquecendo-se o editor, de que intenções disso e daquilo, todo governo tem.

Mas, não é só isso, há também “convênios assinados” e ainda não assinados, e valores computados como verba garantida quando ainda estão nos cofres do Estado e da União. Ou seja, o prefeito “é o melhor que Olímpia já teve”, segundo este hebdomadário, pelo que pode conseguir, pelo que pode realizar. E não pelo feito. Até porque, pelo feito, não o é, definitivamente. Para nosotros, é prognóstico precoce, que nos perdoem – peço mais uma vez -, os aficionados.

A propósito, há um semanário na cidade que este final de semana trouxe duas páginas cheias, coloridas, enaltecendo o Governo Municipal. Matéria paga, naturalmente. Para quem tiver curiosidade, passe os olhos por elas tente encontrar ali alguma grande obra concluída. Ou, mais até, observe quantas obras concluídas estão retratadas naquelas páginas. E olhem que o jornal em questão, por suas edições recentes, tornou-se um veículo insuspeito quanto aos feitos da atual administração.

Trata-se, a publicação, de um oba-oba administrativo tão somente, onde a figura do prefeito é onipresente. E, paradoxalmente, a foto que abre as ilustrações é a de uma enorme placa à frente de um terreno baldio, onde serão construídas as 109 unidades da CDHU que, repito, é convênio do Governo passado.

Sem mais delongas, é bom que se diga, não há aqui nenhuma profissão de fé em que as coisas não se deem conforme planeja o alcaide. Que os convênios não se concretizem, ou que as verbas anunciadas não venham. Muito pelo contrário. Caso, de fato, nestes dois anos que faltam Geninho concluir uma de suas grandes obras, colocá-la em atividade, e dar início a tantas outras anunciadas de forma consistente, estará, aí sim, dando um passo definitivo para ser “o melhor prefeito que Olímpia já teve”.

Porque, até agora, pelo que fez, não se diferenciou em nada – observem bem, para muito além do barulho feito – de governos passados, principalmente daquele que ele e seus áulicos tanto gostam de hostilizar, o do ex-prefeito Carneiro. Geninho, na nossa maneira de ver, faz um “governo-esteira”, sabe aquele equipamento de academias de ginástica, no qual você anda, anda, anda, e não sai do lugar?  E no qual você pode até correr, que da mesma forma não sai do lugar? Pois é.

…ENTÃO É ANO NOVO…

2011 chegou. Daqui há pouco já será um ano velho. Um ano comum como tantos outros. Passada a “magia” da virada – quando todos são amigos de todos, quando todos cumprimentam todos, próximos ou distantes, quando todos, inexplicavelmente, estão felizes, e fazem votos de que esta “felicidade instantânea” se prolongue por 2011 em diante – caem todos, inevitavelmente, na real. Voltam à velha rotina de todos os anos. Às mesmas preocupações. Às mesmas cobranças, às mesmas críticas e, sobretudo, às velhas esperanças.

Esperanças de que a vida mude, o salário melhore, as pessoas nos compreendam mais, a vida nos seja menos “madrasta”, que haja paz, não importa onde, nem como: a gente está sempre pedindo paz para os outros, aqueles que vivem em regiões conflagradas, mas, ao mesmo tempo, esquecemos de fazer a auto-consagração à paz. Aquela paz que deve estar sempre dentro de nós mesmos, para podermos, assim, colaborar para que a paz do outro seja uma realidade, não apenas um desejo. Sem paz espiritual não se chega à paz material, à deposição de armas e à confraternização entre povos, raças e religiões.

Portanto, a paz que desejamos para o mundo e para todo mundo está dentro de nós. Suplanta o estado de fé, já que a fé humana nem sempre o é assim como a pregada por Aquele que por aqui passou – ela é forjada (construída, não falseada) na dor, no sofrimento e no desespero. Por isso a paz interior tem que estar acima dela. Assim, não será a fé a nos dar a paz, mas o contrário: a paz nos dará a fé incorruptível, porque sem os riscos de uma abalo cícliclo.

Sentei-me à frente do note para escrever outra coisa. Mas, não resisti ao apelo de, antes, batucar estas desinteressantes e pessimistas considerações sobre o nosso amanhã, sobre nossa alma (?) e modo de (não) pensar. Não vejo objetivo algum nisso, mas já que escrevi, aí está. Feliz 2011 (para não fugir à regra)!

Até.

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