Blog do Orlando Costa

Verba volant, scripta manent

Mês: Abril 2009 (Página 2 de 2)

PEQUENOS GESTOS, GRANDES EMOÇÕES!

Amigos do blog, o texto abaixo foi extraído, desta vez, da revista Nova Escola. Não se trata de falta de imaginação para postar novos comentários políticos, mas é que vale mais, às vezes, um momento de emoção pura e sincera, que de raiva.

Leiam e avaliem o gesto deste professor, que escreveu para a revista dedicada ao universo da Educação, sua idéia de distribuir livros nos semáforos, ao invés de dar esmolas. As reações foram fantásticas. Não sei quanto a vocês, mas eu me emocionei muito com o relato. Experimentem, vocês também, esta sensação.

Vale mais que um trocado
Ambulantes, pedintes e moradores de rua não esperam só por dinheiro dos motoristas parados no sinal vermelho. Sem pagar pra ver, eu vi
Rodrigo Ratier (rodrigo.ratier@abril.com.br)

 “Dinheiro eu não tenho, mas estou aqui com uma caixa cheia de livros. Quer um?” Repeti essa oferta a pedintes, artistas circenses e vendedores ambulantes, pessoas de todas as idades que fazem dos congestionamentos da cidade de São Paulo o cenário de seu ganha-pão. A ideia surgiu de uma combinação com os colegas de NOVA ESCOLA: em vez de dinheiro, eu ofereceria um livro a quem me abordasse – e conferiria as reações.

Para começar, acomodei 45 obras variadas – do clássico Auto da Barca do Inferno, escrito por Gil Vicente, ao infantil divertidíssimo Divina Albertina, da contemporânea Christine Davenier – em uma caixa de papelão no banco do carona de meu Palio preto. Tudo pronto, hora de rodar. Em 13 oferecimentos, nenhuma recusa. E houve gente que pediu mais.

Nas ruas, tem de tudo. Diferentemente do que se pode pensar, a maioria dessas pessoas tem, sim, alguma formação escolar. Uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, realizada só com moradores de rua e divulgada em 2008, revelou que apenas 15% nunca estudaram. Como 74% afirmam ter sido alfabetizados, não é exagero dizer que as vias públicas são um terreno fértil para a leitura. Notei até certa familiaridade com o tema. No primeiro dia, num cruzamento do Itaim, um bairro nobre, encontrei Vitor*, 20 anos, vendedor de balas. Assim que comecei a falar, ele projetou a cabeça para dentro do veículo e examinou o acervo:

– Tem aí algum do Sidney Sheldon? Era o que eu mais curtia quando estava na cadeia. Foi lá que aprendi a ler.

Na ausência do célebre novelista americano, o critério de seleção se tornou mais simples. Vitor pegou o exemplar mais grosso da caixa e aproveitou para escolher outro – “Esse do castelo, que deve ser de mistério” – para presentear a mulher que o esperava na calçada.

Aos poucos, fui percebendo que o público mais crítico era formado por jovens, como Micaela*, 15 anos. Ela é parte do contingente de 2 mil ambulantes que batem ponto nos semáforos da cidade, de acordo com números da prefeitura de São Paulo. Num domingo, enfrentava com paçocas a 1 real uma concorrência que apinhava todos os cruzamentos da avenida Tiradentes, no centro. Fiz a pergunta de sempre. E ela respondeu:

– Hum, depende do livro. Tem algum de literatura?, provocou, antes de se decidir por Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

As crianças faziam festa (um dado vergonhoso: segundo a Prefeitura, ainda existem 1,8 mil delas nas ruas de São Paulo). Por estarem sempre acompanhadas, minha coleção diminuía a cada um desses encontros do acaso. Érico*, 9 anos, chegou com ar desconfiado pelo lado do passageiro:

– Sabe ler?, perguntei.

– Não…, disse ele, enquanto olhava a caixa. Mas, já prevendo o que poderia ganhar, reformulou a resposta:

– Sim. Sei, sim.

– Em que ano você está?

– Na 4ª B. Tio, você pode dar um para mim e outros para meus amigos?, indagou, apontando para um menino e uma menina, que já se aproximavam.

Mas o problema, como canta Paulinho da Viola, é que o sinal ia abrir. O motorista do carro da frente, indiferente à corrida desenfreada do trio, arrancou pela avenida Brasil, levando embora a mercadoria pendurada no retrovisor.

Se no momento das entregas que eu realizava se misturavam humor, drama, aventura e certo suspense, observar a reação das pessoas depois de presenteadas era como reler um livro que fica mais saboroso a cada leitura. Esquina após esquina, o enredo se repetia: enquanto eu esperava o sinal abrir, adultos e crianças, sentados no meio-fio, folheavam páginas. Pareciam se esquecer dos produtos, dos malabares, do dinheiro…

– Ganhar um livro é sempre bem-vindo. A literatura é maravilhosa, explicou, com sensibilidade, um vendedor de raquetes que dão choques em insetos.

Quase chegando ao fim da jornada literária, conheci Maria*. Carregava a pequena Vitória*, 1 ano recém-completado, e cobiçava alguns trocados num canteiro da Zona Norte da cidade. Ganhou um livro infantil e agradeceu. Avancei dois quarteirões e fiz o retorno. Então, a vi novamente. Ela lia para a menininha no colo. Espremi os olhos para tentar ver seu semblante pelo retrovisor. Acho que sorria. 

* os nomes foram trocados para preservar os personagens.

‘FENÔMENO’ LÁ E CÁ

Amigos do blog, a revista “Brasileiros” deste mês informa em uma de suas páginas que o Fenômeno não é só Fenômeno por cá. Ele também desperta interesses lá fora, principalmente por causa de seu atual estado físico e nível de jogo.

A revista apenas registra que o Fenômeno, ao contrário do que se esperava – afinal, “babação” em cima dele por aqui é mato! – foi alvo de uma reportagem um tanto quanto, digamos, jocosa, irônica, do jornalista norte-americano, correspondente no Brasil do “Wall Street Journal”, Antonio Regalado. Leiam abaixo o texto extraído do site da “Brasileiros”:

Em 2009, o diário que é especializado em economia estreou uma seção de esportes. Nesta sexta-feira, um fenômeno foi tema de reportagem de Regalado, mas um com F maiúsculo: Ronaldo.

Com o título “Wait, is that Ronaldo?” (Peraí, esse é o Ronaldo?), a reportagem explora o lado curioso da volta do craque ao Brasil, após 14 anos na Europa. Acostumado com o bom e o melhor da Europa, quando atuava no Real Madrid, por exemplo, agora o Fenômeno desfila o seu ainda bom futebol em palcos como “President Prudent”, diz o texto do WSJ, referindo-se à cidade do interior de São Paulo, onde Ronaldo anotou o primeiro gol com a camisa corintiana, justamente contra o rival Palmeiras.

A Fiel torcida corintiana vira “The Faithful” na reportagem e o Pai Nilson, pai de santo corintiano que sempre realiza “trabalhos” para o clube, é denominado como “the Corinthians’ self-appointed mystical adviser” ou algo como o auto proclamado conselheiro espiritual do Corinthians. Muito bom.

Tirando o lado engraçado das definições em inglês, a matéria traça a trajetória de Ronaldo no futebol até o momento polêmico em 2008, em que envolveu-se com travestis, no Rio de Janeiro. Fala, ainda, das lesões de joelho do jogador e da incrível superação na conquista da Copa do Mundo de 2002. O médico do Corinthians, Joaquim Grava, o ex-camisa 10 do clube e hoje comentarista, Neto, além de Fabiano Farah, empresário de Ronaldo, e o diretor de marketing corintiano, Luis Paulo Rosenberg, também são ouvidos. Um interessante texto sobre o Fenômeno.

PS: não se trata de pegação no pé, é que o “Fenômeno”, agora corintiano, é a bola da vez! Ainda mais agora que nós, santistas, vamos ter a oportunidade de provar que ele não é de nada, na final do paulistão (Não se iludam, o Palmeiras é nosso freguês e Coringão passará pelo SP. Então….”É nóis”).

NÃO ESTAMOS SÓS!

Exército da nova revolução?

Exército da nova revolução?

Amigos do blog, no início desta semana postei aqui comentário sobre comentário feito a respeito da imprensa local – na qual me incluo com orgulho, pelo colega e ex-sócio José Antonio Arantes. O comentário não foi repercutido ou nem mesmo contestado ou avalizado (tola ilusão!) por ele, mas isso é o de menos.

Não me lembrava, na ocasião, que o jornal que ainda hoje ele dirige, e do qual, honradamente, sou um dos fundadores, a “Folha da Região”, completava neste dia 3 de abril, 29 anos de existência.

(Assim, registro aqui meus sinceros cumprimentos a todos nós, mas mantenho minhas restrições, opiniões e convicções tiradas ao longo destes anos todos, e que foram reforçadas na leitura deste sábado do editorial, da coluna do próprio Arantes e do texto alusivo à efeméride).

Mas, o propósito desta postagem é trazer para os amigos algumas colocações feitas pelo respeitadíssimo jornalista paulistano Francisco Viana, intitulado “O Jornal e a Segunda Natureza”, por ter visto ali o mesmo contexto do que defendi, claro com um conteúdo mais humilde e simplório, quanto à função da imprensa e o exercício do jornalismo.

Começa Viana dizendo: “A imprensa vive um paradoxo. Nunca foi tão vulnerável. Em todo o mundo, os jornais estão demitindo, reduzindo tiragens e sendo alvo de duras e repetidas críticas. Principalmente, porque repetem o que a internet, a televisão e o rádio divulgam em primeira mão, porque abandonaram as grandes reportagens, porque cedem à tentação do espetáculo e, também, porque deixaram de lado ou fazem com pouca propriedade a análise dos fatos” (forte, não?).

Depois, diz na seqüência: “Na essência, a imprensa teria cedido aos ditames do mercado. Por outro lado, o que a mídia noticia geralmente tem forte impacto e mobiliza a sociedade. Sob esse aspecto, não seria exagero dizer que se cumpriu um dos mais antigos sonhos dos revolucionários franceses de 1789: a educação das grandes massas” (lembram que falei sobre educar para a indignação?).

Aqui, mais próximo ainda do que disse: “Entre um extremo e outro a dura realidade: os jornais precisam se renovar e retomar o caminho da crítica, da interpretação, da formação não mais da opinião, mas do saber público (…) [itálicos meus].

Em seguida às suas reflexões, Viana “passa a bola” em seu blog para o professor Antonio José Romera Valverde, de Filosofia da PUC de São Paulo, “que escreve com leveza e elegância – e, claro, profundidade – sobre esse fascinante tema que é a leitura dos jornais”.

Mas, de seu elegante e profundo artigo, intitulado “A segunda natureza”, onde faz um relato de fato poético sobre o prazer da leitura dos jornais, vou me ater apenas ao que o renomado professor pensa sobre jornais e jornalismo.

Modestamente, o contexto é o que defendi naquela postagem da semana passada (ver “Para quê (ou a quem) serve a mídia afinal?”, do dia 30 de março). Se não, vejamos.

“(…) A continuar valendo a assertiva ‘a leitura de jornais é a oração matinal do cidadão’, ou o que o valha, falta hoje um jornalismo mais investigativo e analítico, e menos informativo pela metade (…). Faz-se necessária a volta do jornalista independente e pluralista, a pensar maiúsculo. Já esgotou a fórmula esquizóide de escrever para os iguais, para os pares, para os corporativismos, seja lá que corporativismos forem (…)” (UAU! BINGO!).

“(…) não está em curso o fim da missão do jornalista de expressar-se com independência e acuidade acerca do que investiga e do que pensa. E na ausência de instituições políticas, que explicitem os conflitos sociais, a grande imprensa e a pequena imprensa devem assumir este papel, imparcialmente, com vistas a um horizonte de negação da ordem social dada (…)”. Amém.

JUSTIFICA A ‘CHORADEIRA’?

A fonte vai secar?

A fonte vai secar?

Amigos do blog, esta sexta-feira está se revelando pródiga em contradições numéricas e de valores. Os números referentes à arrecadação municipal ou à falta dela não estão batendo. Diante disso, em quem acreditar? Ou, por outra, justifica a “choradeira” já ensaiada pelo Executivo por meio de sua assessoria de finanças?

Haveria por trás da antecipação dos efeitos da crise nos cofres municipais alguma “pegadinha” voltada aos munícipes – no intuito de justificar uma eventual “paralisia” governamental, ao contrário do arrojo prometido? Ou trata-se de um sinal antecipado aos municipais de que o jejum de reajustes vai continuar?

Porque o secretário de administração e finanças Cleber Cizoto anunciou que a crise mundial fez o município perder R$ 500 mil no trimestre, conforme o “jornal da casa” Gazeta Regional trouxe como principal manchete.

Essa “quebra”, conforme o secretário, abrange todos os repasses do município, inclusive o FPM – cujo percentual de queda nos três primeiros meses do ano estaria em 12.16%. Malgrado o fato de achar que é muito dinheiro para se perder em tão pouco tempo, imagino que neste rítimo a cidade vai à falência rapidinho – seriam R$ 2 milhões menos nos cofres até o final do ano!

Outras duas publicações locais, no entanto, não mostram um quadro tão tenebroso assim. Aliás, uma delas, o Tablóide da Nova Paulista, que também é “da casa”, aponta índices menores de redução do repasse, e até crescimento vertiginoso na arrecadação do ICMS, que pesa no FPM.

O Planeta News que se fixou somente nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios-FPM de janeiro e fevereiro, apurou um índice de 7.66% menos dinheiro que o recebido no mesmo período do ano passado – R$ 1.938.026,04 em 2009, e R$ 2.086.486,30 em 2008.

O secretário diz que no trimestre a redução do FPM bateu nos 12.16%. Ou seja, já caiu menos, se descontados os 7.66%- sobram 4.5%, que seria a queda do repasse de março. Já o Tablóide da Nova Paulista, somando FPM e Fundeb, apurou queda de 10.9% nos repasses destes dois fundos do Governo Federal.

Mas, o mesmo jornal traz na edição de hoje, uma arrecadação crescente no tocante ao ICMS, que pulou 22.76% no mês passado, e na comparação com março de 2008, subiu ainda mais: 48.34%. Informa o jornal que na soma dos meses primeiros do ano, a arrecadação com ICMS bateu nos robustos R$ 4,58 milhões.

E, para fechar o comentário, e ecoar a pergunra do título deste post, informamos que, enquanto tudo isso acontece, o Governo Municipal revela, por meio de ofício, que acaba de gastar a bagatela de R$ 242.517,90 com os festejos carnavalescos e o aniversário da cidade, em 2 de março.

Ou seja, informa que gastou em cerca de 10 dias, metade do que perdeu nos três primeiros meses do ano. O que vem a ser um tremendo contrasenso. Ou uma tremenda falta de senso da realidade.  Por isso que deverá ficar ressoando a pergunta: ‘Justifica a choradeira?’.

UMA REVELAÇÃO CORAJOSA DA PLACAR!

As duas faces de Ronaldo

Em três meses, o Fenômeno deu chute em porta, fez sombra (literalmente) para os colegas e cativou o time, apesar de suas mudanças de humor

Por Ricardo Perrone e Bernardo Itri

 

 Nem só de gol vive a "fera"

De dia ele é brincalhão, humilde, treina mais do que os colegas e pede o mesmo tratamento dado aos companheiros. Nas noites de folga, gosta de baladas, fuma, bebe e odeia ser contestado.

Em dezembro do ano passado, os jogadores do Corinthians começaram a conviver com esse personagem de facetas distintas, habituado a frequentar o topo do mundo e o fundo do poço. Ronaldo exibiu o estilo nove ou noventa durante sua recuperação no Corinthians. Surpreendeu os novos amigos pela simplicidade. Antes de começar o jogo contra o São Caetano, na sua estreia no Pacaembu, chutava a bola nos colegas que estavam no banco de reservas e provocava gargalhadas em todos. Na parada técnica contra o Palmeiras, em Presidente Prudente, mostrou humildade. “Ele começou a colocar toalhas nas cabeças dos outros jogadores para protegê-los do sol”, diz, encantado, Walmir Cruz, preparador físico do clube.

E foi numa noite de folga, também em Presidente Prudente, que Ronaldo mostrou sua outra face. Esteve na mesma boate que os colegas, mas nada de companheirismo. Protegido por um esquema especial de segurança, o Fenômeno não teve contato com osdemais jogadores.

Quando Ronaldo retornou ao hotel, fora do horário, desrespeitou seguranças e chutou uma porta ao ser impedido de subir acompanhado. Nem ligou de Mano Menezes ser acordado para botar ordem na casa. Como consequência, Antonio Carlos, que estava na boate, demitiu-se do cargo de diretor de futebol remunerado.

Não foi a exibição inaugural do lado B de Ronaldo desde que desembarcou no Parque São Jorge. Clientes da boate Pink Elephant, palco da primeira balada paulistana em que ele foi flagrado por câmeras indiscretas, descrevem um Ronaldo arrogante. Deu esbarrões em desconhecidos, tirou a camisa, que ficou girando com as mãos, e gritava: “Eu sou f…”, para espanto geral.

Mano Menezes adotou o discurso de que o atleta estava de folga e não poderia ser cobrado. Mas seu sangue esquentou após a balada em Prudente. Discordou da diretoria, que queria abafar o caso, e pediu multa ao jogador. Conselheiros do clube duvidam que o castigo tenha sido aplicado.

Pessoas que trabalham com o treinador afirmam que Ronaldo levou outra punição, mais sutil. Contam que Mano antecipou sua estreia colocando-o para jogar em Itumbiara. Então, passaria a ser cobrado pela torcida.

Em seguida, mais uma vez, o jogador que brilhou na Copa de 2002, após ser dado como acabado para o futebol, saiu do limbo e triunfou. Depois da estreia discreta, em Goiás, enlouqueceu torcedores com o gol de empate no fim contra o Palmeiras e fez mais um no jogo contra o São Cae tano, sua estreia no Pacaembu.

“Fiquei impressionado com a reação que o gol provocou. No dia seguinte, apesar da crise, duas empresas nos procuraram com propostas firmes de patrocínio”, afirma Fabiano Farah, agente do atacante.

Com torcedores e a mídia aos seus pés, voltou a ser fenômeno de popularidade, admirado até por torcedores de outros times e celebridades.

Apesar de ficarem mais à vontade perto do Ronaldo boa-praça, os jogadores corintianos enxergam pelo menos uma vantagem nas mudanças de comportamento do atacante. Enquanto o ex-melhor do mundo é vigiado pela imprensa em suas noitadas, seus colegas festejam poderem se divertir sem alarde. Foi o que um dos atletas disse ao presidente Andrés Sanchez.

Alguns jogadores também estão acima do peso, mas ninguém comenta, pois os olhares estão voltados para o Fenômeno. “Há uns quatro que precisam emagrecer”, afirmou o preparador físico do Corinthians.

Em seu caminho para voltar a jogar, Ronaldo esbarrou em armadilhas no clube. Uma é conviver com dirigentes que, como ele, gostam de fumar e beber nas folgas. E adoram sair com jogadores. Na semana antes do jogo com o Santos, Ronaldo e o presidente estiveram juntos numa festa.

Outro problema: pratas-da-casa reclamam que o clube trouxe reforços caros antes de acertar prêmios e direitos de imagem que estavam atrasados.

Ronaldo saiu ileso. Para seus colegas, por tudo o que fez, merece ser o mais bem pago. Melhor pegar no pé de Souza, que ganha 175000 reais, menos da metade do que o Fenômeno.

Os atletas se adaptaram logo ao novo integrante do time. Porém, evitam falar sobre Ronaldo. Dirigentes, membros da comissão técnica e excompanheiros de trabalho também.

Placar tentou ouvir Ronaldo, mas a assessoria de imprensa do Corinthians avisou ser impossível. A espera seria pelo menos de mais duas semanas. Antes, o atacante atenderia a imprensa escrita internacional.

Ele topou posar para fotos. Desde que fosse rápido, sem perguntas e sem uniforme de jogo. A sessão começou às 16h20 e terminou às 16h22.

CLUBE FAZ VISTAS GROSSAS

Para não bater de frente, preparador físico evita pedir que atacante pare de fumar

Fumar é um hábito antigo de Ronaldo. Seria natural a comissão técnica do Corinthians tentar convencê-lo a parar. Mas, para seus chefes, falar abertamente com o Fenômeno sobre o tema é como pisar em ovos. Assim, a questão virou um tabu no Parque São Jorge. 

ACORDO PARA APARECER

Clube deixa jogador quebrar regra interna para colocá-lo em evidência

O desfile de Ronaldo por programas da TV Globo, após marcar o primeiro gol, passou por um acordo entre o jogador e o Corinthians. Ele ganhou autorização para gravar entrevistas sem uniforme.

O regulamento corintiano prevê multa para quem se exibe sem estar uniformizado.

Fabiano Farah, agente do atacante, explicou à diretoria que a emissora o obrigaria a vestir uma camiseta básica. E que aparecer nos programas dos principais apresentadores da Globo seria bom para encontrar patrocinadores.

O acordo pode servir para outras emissoras. Todas exibem imagens fechadas de técnicos e atletas para cortar anúncios.

Segundo a assessoria de imprensa corintiana, o clube ficou menos rigoroso em relação à regra na medida em que demorava para conseguir novos patrocínios. Nessa situação, só a Nike, também parceira de Ronaldo, foi prejudicada, pois havia apenas a sua marca para ser exibida.

Desde que pisou no Parque São Jorge, o Fenômeno demonstrou atenção especial em relação à Globo. Disse para a diretoria se preocupar apenas quando críticas dirigidas a ele partissem da emissora.

AMIGO NEGOCIA ATÉ PATROCINADOR

Ex-volante Vampeta teme ser acusado de arrastar o Fenômeno para a balada

Ronaldo foi recepcionado em São Paulo por Vampeta, velho amigo que conheceu quando jogaram juntos na Holanda, pelo PSV. O ex-volante ajudou o atacante a achar apartamento e até negociou patrocinador para o Corinthians.

FALTAM SÓ 4 QUILOS?

Fisioterapeuta do Corinthians afirma que peso
e percentual de gordura de Ronaldo são quase
iguais aos de 2002

A Copa do Mundo de 2002 marcou o retorno triunfal de Ronaldo. Apesar da ruptura total do tendão patelar do joelho direito, em 2000, sua forma física demonstrava como a recuperação foi vitoriosa. Nilton Petrone, o Filé, fisioterapeuta do atleta à época, relata: “Ele teve uma dedicação muito grande e evoluiu muito bem”. O Fenômeno chegou à Copa com 86 quilos e cerca de 10,7% de gordura. Com essa forma física, fez oito gols na competição.

Contra o Palmeiras, Ronaldo faturou com patrocínio o equivalente a quase meio mês de salário

O patrocínio descartável adotado pelo Corinthians antes de fechar com a Batavo por dez meses rendeu a Ronaldo cerca de 184 000 reais no jogo com o Palmeiras. A receita corresponde a 80% do que o clube faturou no clássico com anúncios nas mangas e no calção.

Enquanto se discutem baladas
e o peso de Ronaldo, outros
corinthianos estão fora de forma

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